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05 junho 2011

O poder de Dilma vai se esvaindo, comenta Carlos Brickmann_(In: Ricardo Setti_Veja.com)



Amigos, “É sólido mas desmancha no ar” é o título da coluna do jornalistaCarlos Brickmann publicada hoje em 5 jornais. Reproduzo a primeira nota, que trata do poder da presidente Dilma se esvaindo.
O PMDB, que sabe para onde sopra o vento, já deu o sinal: em seu programa de TV, que foi ao ar na última quinta, falou maravilhas de Lula e pouquíssimo de Dilma. O PMDB gosta de quem tem poder e pode partilhá-lo. A pessoa mais magnífica é esquecida tão logo perde as condições de distribuir bons cargos.
A bancada governista – sem querer, naturalmente – permitiu que duas medidas provisórias deixassem de ser votadas, perdendo assim a validade.
Anthony Garotinho, que até já foi do PT, utiliza o caso Palocci para emparedar a presidente: ou consegue o que quer ou ajuda a complicar a vida do ministro e do governo. Já conseguiu a retirada do kit gay, a rediscussão da lei anti-homofobia, e continua avançando. É franco: diz que o caso Palocci é um diamante que vale 20 milhões. Agora quer a aprovação da PEC-300, aquela que aumenta os salários da PM, em boa parte com dinheiro federal. Ou Palocci que se cuide.
Os cartunistas tripudiam: já chamaram a presidente até de Dilmanic, uma lembrança ao esplêndido navio que naufragou na viagem inaugural. Uma senadora, esposa de um ministro, dá ordens à presidente: ou tira Palocci agora ou fica difícil para a bancada segurá-lo no posto. Ela também é clara: os mensaleiros agiram em nome de um projeto coletivo, enquanto o de Palocci era um projeto individual. Enfiar a mão, vá lá, mas só se for para o partido.
Dilma, avessa a eventos sociais, é obrigada a receber parlamentares e ainda os acompanha à garagem na saída. Só falta exigirem que manobre os carros.

As felizes "coincidências" de Lula, o 'pale$trante da fome'


Foto: David Fernandez/EFE
Depois de baixar em Brasília para piorar a crise protagonizada por Antonio Palocci, Lula resolveu aproveitar a vida no exterior. Na segunda-feira, fez uma palestra no Panamá para executivos da Odebrecht. Na terça, repetiu o numerito nas Bahamas para convidados do bilionário mexicano Carlos Slim. Na quarta, a bordo de um avião cedido por Slim, apareceu em Cuba para a escala de um dia e meio, com todas as despesas pagas pela Odebrecht. Vistoriou ao lado do ditador Raúl Castro as obras do porto de Mariel, construído pela Odebrecht ao preço de 200 milhões de dólares bancados pelo BNDES, e foi beijar a mão de Fidel escoltado por José Dirceu, Franklin Martins e Paulo Okamoto.
Na quinta, Lula levou a trinca para engrossar a plateia da palestra, paga pela Odebrecht, que faria na Venezuela. Foi recepcionado em Caracas por Emilio Odebrecht, presidente do Conselho Administrativo da construtora, e Marcelo Odebrecht, diretor-presidente. Não sobrou lugar para a imprensa no local do evento, reservado a empresários, investidores e diplomatas convidados pela Odebrecht.
Com mais de um ano de atraso, o presidentte Hugo Chávez ordenou, na véspera da chegada de Lula, o pagamento dos R$ 996 milhões que o governo venezuelano devia à Odebrecht, premiada com a construção do metrô de Caracas e da terceira ponte sobre o Rio Orinoco. Quase 1 bilhão de reais, parcialmente financiados pelo BNDES. Os diretores da Odebrecht garantem que foi só uma agradabilíssima coincidência. Em todo caso, no encontro com o amigo Chávez, Lula agradeceu a gentileza. Em seu nome e em nome da Odebrecht.

Palocci: quem faz oposição ao PT é o próprio PT, que é do ramo


Por Denise Madueño e Eugênia Lopes, no Estadão:
De perfil tranquilo, porém soturno, como apontam os próprios petistas, o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, não promove o enfrentamento político interno, mas se mostra vulnerável ao “fogo amigo”. É dentro do próprio PT que estão os maiores desafetos de Palocci, situação que pode, na atual crise política, ajudar a empurrar o ministro para fora do cargo exatamente quando o Planalto avalia a repercussão das explicações fornecidas por ele na última sexta-feira.
Nestes cinco primeiros meses do governo de Dilma Rousseff, ele desagradou parte da bancada petista na Câmara, que até hoje não conseguiu emplacar seus 104 indicados para cargos de segundo escalão. Com alguns, Palocci bateu de frente. Foi o caso do ex-presidente do PT e deputado Ricardo Berzoini (SP), que perdeu posições no Banco do Brasil e na Previ - o fundo de pensão dos funcionários do banco.
Palocci é considerado eterno adversário de parlamentares paulistas que alimentam a esperança de virarem candidatos do PT ao governo de São Paulo. Até a recente crise política da qual ele é protagonista, por conta de sua evolução patrimonial, o nome do ministro era sempre lembrado para o cargo. Na lista de alguns petistas, Palocci é, inclusive, potencial candidato à Presidência em 2018.
A exposição o coloca em confronto com outro peso-pesado petista, que vê Palocci como uma ameaça a pretensões eleitorais: o ex-ministro José Dirceu. Colegas de ministério no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, ambos disputavam a preferência do chefe na corrida pela sucessão presidencial. Os dois foram abatidos por se envolverem em escândalos, criando um vácuo ocupado por Dilma.
Imposto por Lula à então candidata à Presidência, Palocci conquistou ao poucos o lugar do “homem forte” da campanha de Dilma. Substituiu o hoje ministro Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, amigo fiel e o preferido de Dilma. Apesar dos esforços de José Dirceu para deixá-lo de fora do “núcleo duro” do governo Dilma, Palocci conseguiu se transformar no principal auxiliar da presidente.
Boa parte da bancada federal do PT também não morre de amores pelo ministro. A ala do partido que elegeu Marco Maia (RS) presidente da Câmara e Paulo Teixeira líder do partido defende uma mudança geral na coordenação política.Além do Palocci, os alvos são o ministro Luiz Sérgio (Relações Institucionais), e o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP). Os grupos ligados a Maia e a Vaccarezza estão em atrito desde a disputa pela presidência da Câmara. A ala de Maia, vencedora, não se conforma com a manutenção de Vaccarezza no cargo.Aqui

Entenda o caso Palocci - se for capaz!


A história do apartamentão onde mora a família do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci vai ficando cada vez mais enrolada. Quanto mais se sabe a respeito, menos se esclarece.
Reportagem da VEJA desta semana, em síntese (leia a íntegra da reportagem na revista), informa que:
- O apartamento pertence, desde setembro de 2008, a  uma empresa chamada Lion Franquia e Participações Ltda. Trata-se de uma empresa fantasma, de fachada. Ela não existe no endereço informado.
- Os donos da Lion seriam Dayvini Costa Nunes, com 99,5%, e Felipe Garcia dos Santos, com 0,5%. Felipe tem 17 anos e foi emancipado no ano passado.
- Dayvini é assumidamente um “laranja”. Tem 23 anos, mora numa casa de fundos em Mauá, no ABC paulista, e ganha R$ 700 por mês. O apartamento em que Palocci mora vale R$ 4 milhões.
4 - A Lion recebeu o apartamento, num rolo envolvendo hipoteca, de um certo Gesmo Siqueira dos Santos, tio de Dayvini, que responde a 35 processos, incluindo falsificação de documentos.
5 - Inicialmente, Dayvini disse à reportagem de VEJA que não sabia que o tinham colocado como laranja numa empresa. No dia seguinte, mudou a versão e afirmou que estava mentindo. Nas suas palavras: “Desde que você falou comigo, não consigo dormir, por causa dessas coisas que envolvem pessoas com quem não tenho como brigar, como o Palocci, entendeu? Eu não tenho como bater de frente com essas pessoas. Sou laranja.”
Bem, a história já é confusa até aqui, certo? Certo! Ontem, o advogado de Palocci reagiu à reportagem de VEJA, e a assessoria do ministro emitiu nota. Escrevi a respeito.
Na nota, afirma a assessoria:
“1. O imóvel em que vive a família do ministro Antonio Palocci Filho em São Paulo foi alugado em 1º de setembro de 2007 por indicação da imobiliária Plaza Brasil, contatada para este fim;
2. O contrato foi firmado em bases regulares de mercado entre Antonio Palocci Filho e os proprietários Gesmo Siqueira dos Santos, sua mulher, Elisabeth Costa Garcia, e a Morumbi Administradora de Imóveis;
3. O contrato foi renovado em 1º de fevereiro de 2010 entre Antonio Palocci Filho e a Morumbi Administradora de Bens, sucessora da Morumbi Administradora de Imóveis”.
Certo! Desde setembro de 2008, o apartamento estava em nome da Lion, a tal empresa fantasma. Com quem foi acertada a renovação? Mas essa é ainda a estranheza menor.
Imobiliária também fantasma?
O Globo se interessou pela imobiliária que alugou o apartamento e descobriu algumas coisas interessantes:
1 - A Morumbi Administradora de Bens, que alugou o apartamento, deu endereço falso à Receita Federal e não funciona no prédio que informou no contrato de locação do ministro;
- Quem assina o contrato como sócio proprietário da imobiliária é Henrique Garcia Santos. Atenção: esse Henrique aparece como o primeiro dono da… Lion , justamente a empresa que se diz dona do imóvel e que está em nome de Dayvini, o laranja;
3 - É pouco? O endereço desse Henrique na Junta Comercial é o mesmo fornecido pelo tal Gesmo, tio de Dayvini.
Juro que estou sendo o mais claro que consigo.
Síntese da síntese
1 -
 Dayvini Costa Nunes é laranja da Lion;
- a Lion é uma empresa fantasma;
3 - Gesmo Santos, tio de Dayvini, transferiu o imóvel para a Lion;
- a imobiliária que alugou o imóvel também deve ser fantasma;
- Henrique Garcia, sócio da imobiliária, era o primeiro dono da Lion;
6 - endereço de Henrique era o mesmo de Gesmo.
Pergunta finalEm que tipo de imobiliária alguém com a importância de Palocci aluga apartamento e com que tipo de gente assina contrato? E olhem que não é coisa à-toa. Segundo a assessoria, ele paga R$ 13,5 mil de aluguel, fora condomínio e IPTU. A gente sabe que ele não tem problema de dinheiro. Quando menos, a imprensa zela pelas pessoas com as quais estabelece vínculos comerciais…  Há imobiliárias no mercado especializadas em alugar apartamentos de alto padrão, dignos de Palocci. Espero que ele tenha sido mais prudente ao escolher a que lhe vendeu aquele outro, nos Jardins, o de R$ 6,5 milhões.

A CORAGEM DE DEMÓSTENES (Veja_Páginas Amarelas)


O senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás, concede uma excelente entrevista a Gustavo Ribeiro, nas “Páginas Amarelas” da VEJA desta semana:
Demóstenes Torres (DEM-GO) não nega o rótulo de direitista, ao contrário de muitos parlamentares. O ex-procurador de Justiça ganhou notoriedade pela contundência com que critica o avanço do Executivo sobre as prerrogativas do Congresso e pela defesa aberta de bandeiras consideradas conservadoras e impopulares. Com o mesmo vigor com que levanta a voz contra o governo, também combate a política de cotas raciais para o ingresso nas universidades e a expansão irrestrita de programas assistencialistas, como o Bolsa família. Líder do DEM no Senado, Demóstenes defende a idéia de que a profunda crise pela qual passa o partido - com seu pior desempenho nas urnas, no ano passado, e a migração de parlamentares para o recém-criado PSD de seu ex-correligionário Gilberto Kassab - deve servir de gatilho para a afirmação da legenda como representante da parcela conservadora da sociedade.
CONGRESSO E DEMOCRACIA
O Congresso tem sido palco de sucessivos escândalos. Ainda assim, não há iniciativas para eliminar as más práticas. Por quê?
(…)
Foram tantas as CPIs que o governo impediu que tivessem qualquer resultado prático que o Parlamento se acomodou e hoje é diretamente mandado pelo Poder Executivo. E não é só por causa do reduzido número de parlamentares na oposição. É porque realmente os congressistas não querem apurar a conduta de nenhum colega e não querem fiscalizar o governo. Vivemos um momento crítico, de total submissão. De um lado, temos o Executivo mandando por meio de medidas provisórias e, de outro, o Congresso sem cumprir sua obrigação, a ponto de a quase totalidade das leis aprovadas ter origem no Palácio do Planalto. No fim das contas, o Congresso se comporta bovinamente.
(…)
O que falta, afinal, para a oposição agir como oposição?Os partidos devem se fortalecer. Eu defendo a idéia de que o DEM deve abrir as porteiras e deixar sair quem não quiser mais cerrar fileiras conosco. Depois da debandada, temos de nos manter fiéis ao nosso ideário e descartar hipóteses absurdas como uma fusão com o PSDB. Os dois partidos têm origens muito diferentes. Até hoje temos visões antagônicas em determinados pontos. O que devemos fazer é nos aliar e prosseguir juntos.
PALOCCI
Como o senhor avalia o caso que envolve o ministro Antônio Palocci?
Ainda é preciso esclarecer exatamente o que Palocci fez nessa consultoria. O silêncio dele só faz aumentar as suspeitas de que tenha enriquecido ilicitamente. Até porque sua empresa é bastante atípica: tem poucos clientes e um faturamento equivalente ao das maiores consultorias do país. Tudo indica que, depois do escândalo do caseiro, ele novamente tenha caído em tentação. Mais uma vez, a mão forte do governo parece estar pesando sobre o Congresso. Essa tentativa de blindagem que foi arquitetada pela base aliada só transmite duas mensagens: que Palocci realmente deve e que o governo é conivente com as atitudes dele, o que é inconcebível em um país democrático. Todo homem público deve prestar contas à população.
(…)

BANDEIRAS DA OPOSIÇÃO

Quais são elas [as reais bandeiras da oposição]?
Defendemos uma política de segurança pública sem tantos benefícios aos detentos, como indultos e progressão de pena. A violência só refluiu em locais nos quais se aplicaram com rigor as políticas convencionais. É o caso do estado de São Paulo, onde os índices de homicídio diminuem ano a ano. A frouxidão penal é uma lástima e um incentivo para os criminosos. O que me estarrece é que o próprio governo reconhece isso. Na educação, defendemos firmemente o modelo de ensino integral, com incentivos para a pesquisa científica. Nas universidades, as cotas raciais devem ser substituídas por cotas sociais.
 
(…)
Qual é o perigo de um país com uma oposição debilitada?Um país cujo governo não tem contraponto fica preso a uma “ditadura branca”. O governo passa a controlar a máquina pública de tal forma que estrangula a atividade parlamentar e elimina qualquer forma de fiscalização. Vivemos em um estado de viés autoritário. Além de o Congresso já não funcionar mais. Instituições de controle, como o Tribunal de Contas da União, são constantemente bombardeadas, e o Ministério Público aparenta ter se cansado. Só nos resta o Supremo Tribunal Federal. Não é nossa intenção impedir o governo de agir, mas temos de ter condição de debater suas propostas.
 
(…)
A DIREITA E A DEMOCRACIA
O DEM deve se assumir como um partido de direita?
Não tenha dúvida disso. É um partido que deve representar esse posicionamento conservador, e não ter vergonha disso. O que significa ser de direita? Significa defender o liberalismo, o livre mercado, o mérito e a eficiência máxima do estado. Embora comum, é descabida a associação automática e oportunista que a esquerda faz do pensamento de direita a extremistas monstruosos como Adolf Hitler e a governos de exceção como a ditadura militar. A direita não tem compromisso com a quebra da ordem constitucional. Ao contrário, ser de direita é justamente defender os valores institucionais, como a lei e a democracia. Por isso, a meu ver, ser de direita significa combater o ideário que põe em risco os valores mais nobres da democracia ao pregar o aparelhamento e o inchaço do estado, o desperdício de dinheiro público e o assistencialismo desmedido.
Por que o seu partido não se assume assim?O termo “direita” foi estigmatizado e associado a posturas retrógradas, sem compromisso com a democracia. Eu defendo a idéia de que todo partido tenha um perfil muito definido e se mantenha coerente com seus princípios. O DEM precisa se assumir como um partido de direita democrático. Eu ficaria muito mal em um casaquinho vermelho, encampando idéias nas quais não acredito. Muitos dos meus colegas de partido rechaçam o rótulo de conservadores. O DEM é o quê, então? Se não podemos nos assumir conservadores, é melhor fundir o partido com um partido de esquerda, então.
COTAS RACIAIS
O senhor acredita que a política de cotas raciais é apenas uma manifestação do assistencialismo desmedido que o senhor condena?
Sim. Sou contra qualquer tipo de cota. Se tivermos de estabelecer um critério, deve-se utilizar a renda. Uma cota social é mais justa que a racial. Os tribunais raciais que foram criados nas universidades são arbitrários. Apesar de reconhecer o sofrimento e a exclusão histórica que a população negra sofreu no Brasil, acredito que o grande problema em nosso país não é racial, mas econômico. O brasileiro é discriminado por ser pobre, e não pela cor de sua pele.
(…)
NÃO À DESCRIMINAÇÃO DAS DROGAS
VEJA publica nesta edição uma reportagem sobre um corajoso documentário que discute a descriminalizacão da maconha. Qual é sua opinião a respeito?
Acho uma bobagem rematada, pois parte do pressuposto de que isso vai acabar com o tráfico. Todos os países que liberaram o consumo de drogas estão voltando atrás, caso de Portugal e Holanda. A droga é a origem de inúmeros crimes, e o usuário não pode ser tratado apenas como uma vítima, uma vez que alimenta esse ecossistema pernicioso. Além disso, a lei já o protege, impedindo o cumprimento de pena. Em vez de liberar o consumo de drogas, o governo deve construir centros dignos de tratamento e reabilitação para viciados.
Leia íntegra da entrevista na revista