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26 junho 2011

Morre o ex-ministro de FHC, Paulo Renato, do MEC


Paulo Renato, morto ontem, foi, sim, “um dos maiores homens públicos do Brasil” (Por Ricardo Setti, em Veja.com)

“Foi-se Paulo Renato, (...), um dos maiores homens públicos do Brasil. Foi um grande secretário e um grande ministro da Educação”. É o que diz, em mensagem pelo Twitter, o ex-presidenciável José Serra.
Não é exagero de Serra chamá-lo de “um dos maiores homens públicos do Brasil”.
Paulo Renato, falecido em consquência de um enfarte fulminante num hotel de São Roque (SP) em que passava o feriado, teve uma trajetória riquíssima.
Economista brilhante, com atuação em organismos internacionais, reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), um dos ministros da Educação mais longevos da história da República, duas vezes secretário da Educação no Estado de São Paulo, deputado federal de grande votação, foi ele o introdutor no Brasil de algo sem o qual a educação, ainda extremamente carente entre nós, não sai do lugar: a ideia de avaliação de resultados. Criou o Provão e o Enem, para ficar em dois casos.
E, sem ele, não existiria o Bolsa Educação instituído no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), precursor do Bolsa Família de Lula e Dilma.
Combatido ferozmente por setores do lulo-petismo, a começar por certos sindicatos de professores, seu trabalho ainda será reconhecido como deve. Menos mal que a presidente Dilma tenha expedido nota lamentando sua partida, em mais um gesto de elegância e civilidade para com os adversários políticos.
Diz a nota da presidente:
“Recebi com pesar a notícia da morte do ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza. Economista, ex-reitor da Unicamp e ex-vice presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Paulo Renato prestou relevantes serviços ao País. Neste momento de dor, quero transmitir meus sentimentos a seus parentes e amigos”.
Sua morte precoce aos 65 anos priva não apenas o PSDB, mas o país de um grande quadro, de um homem de bem e de um ser humano gentil e generoso.

Os ladrões do dinheiro público não tem medo de nada...


A abulia dos brasileiros assaltados explica a crescente desfaçatez dos assaltantes (Por Augusto Nunes - Veja.com)

A legalização da gastança criminosa em segredo, decerto a mais obscena das pilantragens infiltradas no Regime Diferenciado de Contratações, vulgo RDC, talvez tenha sido escalada para o papel de bode na sala. Com a remoção do sigilo bandido, os brasileiros que pagam todas as contas podem acabar engolindo sem engasgos, por achá-la menos intragável, a abjeção aprovada pela Câmara. É tudo o que os gatunos querem.
Agir em sigilo é sempre mais confortável, mas furtar com cara de quem presta serviços à pátria é uma das especialidades da turma que organiza, com o olho rútilo e o lábio trêmulo, a Copa da Roubalheira e a Olimpíada da Ladroagem. O texto que regulamenta o assalto aos cofres públicos sem perigo de cadeia embute uma gazua em cada parágrafo. Uma das mais eficazes é a que elimina tanto a apresentação do projeto básico quanto a limitação das despesas. Favorecida pelas duas espertezas, a procissão de “gastos imprevistos” vai produzir milagres da multiplicação do patrimônio de matar de inveja um Antonio Palocci.
Os retoques que conseguiram tornar apavorante um horizonte desde sempre perturbador confirmaram que, para anabolizar a criatividade, nada melhor que a ganância. O deputado Jovair Arantes, do PTB de Goiás, emplacou uma emenda que estende as regras do RDC a todas as obras  executadas num raio de 350 quilômetros em torno de qualquer das 12 sedes de grupos da Copa. Como Brasília vai hospedar uma das chaves, por exemplo, a licença para roubar será estendida a Goiânia, onde Arantes caça votos. Excitada com a ideia, a bancada do PDT radicalizou: propôs a aplicação da malandragem em todo o território nacional.
No país dos desmemoriados profissionais, convém lembrar de meia em meia hora que o orçamento dos Jogos Pan-Americanos de 2007, realizados no Rio, começou em R$ 400 milhões e alcançou estratosféricos R$ 3,7 bilhões. Dez vezes mais. Tanto dinheiro por nada: a infraestrutura da cidade não herdou uma única obra relevante. Como sempre, a discurseira ufanista foi só a senha que anuncia a iminente ofensiva dos quadrilheiros.
O governo e o Congresso tiveram três anos para aperfeiçoar a lei de licitações. Nada fizeram. Deliberadamente, deixaram o tempo passar até que chegou a hora de transformar a pressa em pretexto para a reprise do roubo em escala ampliada. A abulia das vítimas explica a desfaçatez dos reincidentes. Com assaltados que não reagem a ataques sucessivos dos mesmos assaltantes, é natural que os larápios de terno nem confiram se há algum camburão por perto.
Eles nem imaginam que, não faz tanto tempo assim, seus colegas de ofício ao menos temiam que alguém chamasse a polícia.

25 junho 2011

Fotos incríveis (post de Ricardo Setti em Veja. com)

Encontros memoráveis entre personalidades famosas: Chaplin e Einstein, Muhammad Ali e os Beatles, Elvis e Sinatra, Brigitte Bardot e Picasso…
Você já imaginou ver na mesma foto Charlie Chaplin e Albert Einstein ou Martin Luther King Jr. e Marlon Brando? Ou ainda Elvis Presley, Sinatra e Fred Astaire? Michael Jackson e Paul McCartney? Ou, quem sabe, Brigitte Bardot e Pablo Picasso?
Pois o blog Awesome People Hanging Out Together (pessoas incríveis saindo juntas, em português), como o próprio nome já diz, reúne registros de encontros memoráveis entre as mais diferentes personalidades em fotos verdadeiras, e além disso naturais, quase nunca posadas.
O site é colaborativo, qualquer pessoa pode enviar uma nova imagem, corrigir dados ou fornecer créditos.
O jovem Bill Clinton cumprimentando John F. Kennedy na Casa Branca, em 1963
O jovem Bill Clinton cumprimentando John F. Kennedy, Casa Branca, 1963. Trinta anos depois, o jovem estudante se instalaria ali como presidente dos Estados Unidos
Simone de Beauvoir, Jean Paul Sartre e Ernesto ‘Che’ Guevara, em 1960, em Cuba
Simone de Beauvoir, Jean-Paul Sartre e Ernesto ‘Che’ Guevara, Cuba, 1960
Os Beatles e Muhammad Ali por Harry Benson, Miami, 1964
Martin Luther King Jr. e Marlon Brando
Martin Luther King Jr., o grande líder negro dos direitos civis nos EUA, e Marlon Brando, para muitos o maior ator que Hollywood já teve
Charlie Chaplin e Albert Einstein
Gênio encontra gênio: Charlie Chaplin e Albert Einstein
Mick Jagger, William S. Burroughs and Andy Warhol, 1980
Mick Jagger, o escritor beat William S. Burroughs e o multiartista Andy Warhol, 1980
Michael Jackson, Francis Ford Coppola and George Lucas
Michael Jackson com os dois cineastas que foram colegas de classe e depois revolucionaram Hollywood: Francis Ford Coppola e George Lucas
Elvis Presley, Joe Esposito, Frank Sinatra e Fred Astaire
Elvis Presley, Joe Esposito, Frank Sinatra e Fred Astaire
George Harrison e Bob Marley
George Harrison e Bob Marley
Micheal Jackson e Paul McCartney lavando a louça
Micheal Jackson e Paul McCartney lavando a louça
Salvador Dali & Walt Disney
Salvador Dali e Walt Disney
Steve Jobs e Bill Gates
Dois gigantes da indústria, dois arautos do futuro: Steve Jobs e Bill Gates
Paul Newman e Robert Redford jogando ping-pong
Jimi Hendrix e Eric Clapton
Jimi Hendrix e Eric Clapton
David Bowie, John Deacon, Brian May e Roger Taylor , no topo, e a princesa Diana e o príncipe Charles
Hunter S. Thompson, John Cusack e Johnny Depp dirigindo com uma boneca inflável
O jornalista doidão Hunter S. Thompson e os atores John Cusack e Johnny Depp num um esportivo conversível -- e com uma boneca inflável
Brigitte Bardot e Pablo Picasso
Brigitte Bardot e Pablo Picasso
Michael Jackson, Freddie Mercury & John Deacon
Michael Jackson, Freddie Mercury e John Deacon
Frank Sinatra e Grace Kelly
Frank Sinatra e Grace Kelly
Audrey Hepburn e Fred Astaire
Audrey Hepburn e Fred Astaire

Copa do Mundo

Festa macabra
ARTIGO PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA QUINTA-FEIRA
Demétrio Magnoli e Adriano Lucchesi
“Há uma percepção crescente de que a aritmética da Copa do Mundo é um tanto instável”, escreveu o Times de Johannesburgo um mês depois do triunfo da Espanha nos campos sul-africanos. “Temos estádios em excesso para nosso próprio uso. Talvez devêssemos exportar estádios para o Brasil, que fará sua Copa do Mundo?”. A constatação estava certa; a sugestão, errada. O Brasil, país do futebol, terá o mesmo problema que a África do Sul, país do rúgbi. Aqui, como lá, a festa macabra da Fifa é um sorvedouro implacável de recursos públicos.
Mafiosos usam a linguagem da máfia. Confrontado com evidências de corrupção na organização que dirige, Sepp Blatter avisou que tais “dificuldades” seriam solucionadas “dentro de nossa família”. As rendas de radiodifusão e marketing da Fifa ultrapassaram os US$ 4 bilhões no ciclo quadrienal encerrado com a Copa da África do Sul. O navio pirata já se moveu para o Brasil, onde a Fifa articula com seus sócios a rapina seguinte.
O brasileiro João Havelange planejou a globalização do futebol, expandindo a Copa para 24 seleções, em 1982, e 32, em 1998. Blatter concluiu a transformação, rompendo a regra de rodízio de sedes entre Europa e América. Como constatou a Sports Industry Magazine, sob um processo milionário de licitação do direito de hospedagem, as ofertas nacionais assumiram “a forma de promessas de mais e mais pródigos novos estádios para os jogos e novos hotéis luxuosos para uso dos dirigentes da Fifa e de fãs endinheirados”. A Copa é um roubo: as despesas são pagas com dinheiro público, de modo que a licitação “constitui, de fato, um esquema de extração de renda concebido para separar os contribuintes de seus tributos”.
O saque decorre da conivência de governos em busca de prestígio e de negociantes em busca de oportunidades. Na Europa a rapinagem é circunscrita por uma cultura política menos permeável à corrupção e pela existência prévia de modernas infraestruturas hoteleiras, esportivas e de transportes. Por isso a Fifa seleciona seus próximos alvos segundo critérios oportunistas de vulnerabilidade. Encaixam-se no perfil África do Sul e Brasil, países emergentes que ambicionam desfilar no círculo central do mundo, assim como a semiautoritária Rússia, sede de 2018, e a monarquia absoluta do Qatar, que bateu a Grã-Bretanha na disputa por 2022.
Antes das Copas, consultores associados às redes mafiosas produzem radiosas profecias sobre os efeitos econômicos do evento. Depois, quando emergem os resultados efetivos, eles já estão entregues à fabricação de ilusões no porto seguinte. A África do Sul gastou US$ 4,9 bilhões em estádios e infraestruturas, que gerariam rendas imediatas de US$ 930 milhões derivadas do afluxo de 450 mil turistas, mas só arrecadou US$ 527 milhões dos 309 mil turistas que de fato entraram no país.
O verdadeiro legado positivo da Copa de 2010 foi a mudança de paradigma no sistema de transporte público urbano, pela introdução de ônibus, em corredores dedicados, e do Gautrain, trem rápido de conexão com o aeroporto de Johannesburgo. Os ônibus enfrentavam selvagem resistência dos sindicatos de operadores de peruas, superada pelo imperativo urgente do evento esportivo. O Gautrain serve exclusivamente à classe média, com meios para adquirir bilhetes cujos preços excluem a população pobre. Mas o argumento de que sem uma Copa, não se realizariam obras necessárias de mobilidade urbana equivale a uma confissão de incompetência da elite dirigente.
Eventos esportivos globais tendem a gerar ruínas urbanas, mesmo em países mais inclinados a zelar pelo interesse público. Japoneses e sul-coreanos ainda subsidiam a manutenção das arenas da Copa de 2002. As dívidas contraídas para as obras da Olimpíada de Atenas e da Eurocopa de 2004 aceleraram a marcha rumo à falência da Grécia e de Portugal. A África do Sul incinerou US$ 2 bilhões na construção e reforma das dez arenas da Copa. Todas, com exceção do Soccer City, de Johannesburgo, usado para jogos de rúgbi e shows, figuram hoje como monumentos inúteis, conservados pela injeção de dinheiro público. A Cidade do Cabo paga US$ 4,5 milhões ao ano pela manutenção da arena de Green Point, erguida ao custo fabuloso de US$ 650 milhões e usada apenas 12 vezes depois da Copa. Lá se desenrola um melancólico debate sobre a alternativa de demolição do icônico estádio, emoldurado pela magnífica Table Mountain.
O Brasil decidiu ultrapassar a África do Sul. Aqui, serão 12 arenas, a um custo convenientemente incerto, mas bastante superior aos dispêndios sul-africanos. As futuras ruínas já drenam vultosos recursos públicos, mal escondidos sob as rubricas de empréstimos do BNDES e subsídios estaduais e municipais. O governo paulista prometeu não queimar o dinheiro do povo na festa macabra da Fifa, mas o alcaide Gilberto Kassab assinou um cheque público de US$ 265 milhões destinado ao estádio do Corinthians. São 16 centros educacionais, para 80 mil estudantes, sacrificados por antecipação no altar de oferendas às máfias da Copa. O gesto de desprezo pelas necessidades verdadeiras dos contribuintes reproduz iniciativas semelhantes adotadas, Brasil afora, por governos estaduais e municipais.
Segundo a lógica perversa do neopatriotismo, a Copa é um artigo de valor só mensurável sob o prisma da restauração do “orgulho nacional”. De fato, porém, a condição prévia para a Copa é a cessão temporária da soberania nacional à Fifa, que assume funções de governo interventor por meio do seu Comitê Local. O poder substituto, nomeado por Blatter, já obteve o compromisso federal de virtual abolição da Lei de Licitações e pressiona as autoridades locais pela revisão das regras de concorrência pública. Malemolentes, ao som dos acordes de um verde-amarelismo reminiscente da ditadura militar, cedemos os bens comuns à avidez dos piratas.