Pesquisar este blog

03 julho 2011

Carta do PSDB


Esta foi a primeira reunião do Conselho Político do PSDB, poucos dias depois do aniversário de 80 anos do seu presidente de honra, Fernando Henrique Cardoso. Ainda que lentamente, vem-se recobrando a razão no debate público. É mais freqüente hoje do que ontem o reconhecimento de que os oito anos do governo do PSDB, comandados por Fernando Henrique, tiraram o Brasil de algumas situações de atraso crônico; deram cabo da super-inflação; criaram a Rede de Proteção Social; marcaram um formidável avanço nas políticas sociais universais, como na  Educação, comandada pelo grande ministro Paulo Renato, que nos deixou, mas deixou uma obra inapagável;  ou na Saúde, quando o SUS afirmou-se como instituição fundamental da nossa sociedade; marcaram o compromisso do país com a responsabilidade fiscal e, junto com tantas conquistas, fortaleceram a democracia. À medida que o tempo passa, não temos dúvida de que a obra de Fernando Henrique e do PSDB se agigantam.
Justamente porque temos este passado, cresce a nossa responsabilidade com o presente e com o futuro. Porque, de fato, aquele passado é um fato bem  vivido: nós criamos alguns marcos do Brasil moderno que, é bem verdade, foram em parte absorvidos ou reciclados por nossos adversários, embora submetidos, muitas vezes, a um administrativismo sem ousadia e sem imaginação, quando não improvisado,  ineficiente e patrimonialista. Não conseguiram herdar do PSDB a capacidade de planejar e de preparar o país para desafios futuros, como fizemos. Hoje, mais do que ontem, já se reconhece que boa parte das conquistas do país se deve à nossa régua e ao nosso compasso.
Então, temos claro que é preciso avançar. Muita coisa está parada no país; outras tantas funcionam precariamente. Porque faltam ao governo clareza, convicção, propósito e, é forçoso dizer, competência. Feliz o partido que pode homenagear, então, um Fernando Henrique Cardoso e um Paulo Renato. Um partido vale não apenas pelos quadros que dispõe, mas também por aqueles que homenageia. Isso nos diz que se trata de um partido com passado e com futuro. Para o bem do Brasil.
Desenvolvimento e emprego
A maior necessidade no Brasil nas próximas décadas é criar muitos empregos de boa qualidade, que proporcionem melhor padrão de vida para as famílias, mais acesso a bens materiais e culturais, mais saúde, mais futuro.
Até 2030, mais de 145 milhões de pessoas de pessoas precisarão de postos de trabalho.  Para enfrentar esses desafios, é preciso que a economia cresça de forma rápida e sustentada.
Durante o mandato de Lula, graças ao seu talento de animador e à publicidade massiva, criou-se a impressão de que a era do crescimento dinâmico havia voltado para ficar.  Impressão, infelizmente, sem fundamento.
A herança maldita
O mais preocupante, em todo caso, não é esse desempenho modesto, mas as travas que o governo Lula legou ao crescimento futuro do país:
1. O perverso tripé macroeconômico: temos a carga tributária mais alta do mundo em desenvolvimento; a maior taxa de juros reais de todo o planeta, ainda em ascensão, e a taxa de câmbio megavalorizada. A isso se soma uma das menores taxas de investimentos governamentais  do mundo.
2. O gargalo na infraestrutura: energia, transportes urbanos, portos, aeroportos, estradas,  ferrovias, hidrovias e navegação de cabotagem. Um gargalo que impõe custos pesados à atividade econômica e freia as pretensões de um desenvolvimento mais acelerado nos próximos anos.
3. As imensas carências em Saneamento, Saúde e Educação, que seguram a expansão do nosso capital humano.
4. A falta de planejamento e de capacidade executiva no aparato governamental, dominado pelo loteamento político, pela impunidade, quando não premiação, dos que atentam contra a ética, e por duas predominâncias: do interesse político-partidário sobre o interesse público, e das ações publicitário-eleitorais sobre a gestão efetiva das atividades de governo.
Nem convicção nem rapidez
Sem poder reclamar publicamente da herança recebida, o novo governo promete que vai enfrentar os desafios, mas mostra falta de convicção e de rapidez, além de desorientação em matéria de prioridades, cujo símbolo maior é o trem-bala SP/RJ, sem dúvida o projeto de investimento mais alucinado de nossa história, não só pela precariedade técnica e pela inviabilidade econômico-financeira, como também pelo volume de recursos que exigiria.
A falta de convicção apareceu na crise do sistema aeroportuário, onde, depois de anos demonizando as privatizações, o PT e a presidente Dilma concluíram que melhor mesmo é privatizar. Depois de oito anos e meio, não têm, é claro, projeto algum nessa área, e só a modelagem necessária à licitação das concessões demorará até meados do ano que vem, enquanto o colapso dos aeroportos continuará a martirizar os passageiros.
A falta de rapidez fica visível em face dos quatro anos de atraso das providências para a Copa do Mundo. Assunto no qual, em vez de resolver os problemas, o atual governo optou pelo atropelo, tentando promover mudanças na legislação que transformarão as obras públicas em puros negócios privados, como se os donos do poder fossem os donos do patrimônio e do dinheiro dos contribuintes. Vêm aí superfaturamentos, atrasos e outros desperdícios de dinheiro público numa escala inusitada em nossa história.
Como regra, o governo vai atrás, bem atrás, dos acontecimentos e nem assim toma iniciativas efetivas. No ano passado, alegavam que nossas fronteiras - das mais escancaradas do mundo ao contrabando de armas e drogas -  eram as mais guarnecidas do planeta. Isso foi recentemente desmentido por grandes reportagens, e só por essa razão, depois de cortar recursos da vigilância do setor, o governo anunciou um grande plano, de corte puramente publicitário. Como o plano contra o crack, que nunca saiu do papel, e nem é essa a intenção dos responsáveis pela área, que negam a gravidade do problema. Ou, então o novo “plano” contra a miséria, um mero requentado publicitário do Fome Zero,  uma iniciativa que deu certo na propaganda, mas que nunca existiu na realidade.
No meio ambiente, o governo tampouco tem personalidade definida, no seu já  clássico zigue-zague. Procura parecer ortodoxamente ambientalista no debate do Código Florestal e é ortodoxamente anti-ambientalista no atropelo para fazer andar a hidrelétrica de Belo Monte. Radicalizou desnecessariamente nos dois casos, pois havia terreno para entendimento no Congresso Nacional e na sociedade sobre o novo código, e há também como encaminhar a utilização do potencial hidrelétrico de uma maneira ambientalmente e socialmente responsável.
Desindustrialização
No começo do mandato da atual presidente, divulgou-se a chegada de uma novíssima política econômica, em que o crescimento não mais ficaria constrangido pela luta anti-inflacionária. A inflação seria combatida com crescimento. O resultado foi a deterioração das expectativas, o pânico diante das ameaças de reindexação e um recuo desorganizado - uma rota de fuga para uma ortodoxia, diga-se,  de má qualidade.
O PIB contratado para este ano é medíocre, acompanhado de inflação perigosamente alta. O governo promete fazê-la convergir para a meta no ano que vem, mas já sinalizou que vai fazer isso prolongando o aperto monetário e o pé no breque do crescimento. Em resumo: depois das indecisões e vacilações na largada, vão acabar comprometendo pelo menos dois anos - metade do mandato. E, como a âncora exclusiva do ajuste é a cambial, isso causará um estrago ainda maior na indústria brasileira.
O crescimento medíocre produz resultados pobres, principalmente no emprego. Fica escondido o fato de que  a maioria das vagas criadas nos últimos anos paga  salários menores. Na faixa dos melhores empregos, os mais qualificados, o que se vê é estagnação ou o retrocesso. O desemprego entre os jovens está cada vez mais grave.
Emprego de qualidade depende também de indústria forte. E o binômio perverso juros-câmbio impõe o arrocho e a incerteza à indústria brasileira, que enfrenta dificuldades crescentes para competir no exterior e observa impotente a invasão de produtos estrangeiros a preços que sufocam a produção nacional. Estamos vivendo, sim, um processo de desindustrialização, como se o modelo agro-minerador pudesse proporcionar, por si só, os 145 milhões de bons empregos de que necessitaremos daqui a menos de 20 anos.
O que existe de atividade mais dinâmica resulta dos investimentos do petróleo ( mesmo atrasados, superfaturados e desorganizados), da agricultura e do dinheiro que vem de fora para especular. Na agricultura, porém, o governo ainda insiste em cevar o clima que criminaliza os produtores. Já o dinheiro externo vem para dançar a ciranda financeira e garantir os maiores rendimentos do mundo. Uma vez anabolizado, vai embora feliz da vida. Hoje, a fraqueza das nossas exportações nos torna dependentes do capital que faz uma escala e pode cair fora. Enquanto isso, nossa taxa de investimentos continua cronicamente baixa. E o déficit em conta corrente do balanço de pagamentos, neste ano, da ordem de 65 bilhões de dólares, será o terceiro ou quarto maior de mundo.
Política Externa: quase más de lo mismoAlgo parecido acontece nos direitos humanos. Depois de tentar empurrar o Brasil para uma aliança estratégica com o Irã, cujo governo ditatorial prega um segundo Holocausto contra os judeus, o PT sentiu a rejeição da opinião pública, ensaiou um recuo, passou a dizer que os direitos humanos iriam adquirir centralidade na política externa brasileira. Mas a coisa ficou só no plano das declarações. Na prática, o governo do PT apoia o regime da Síria no massacre contra os movimentos a favor da democracia naquele país. Neste capítulo, um momento triste foi quando a presidente deu as costas à Prêmio Nobel da Paz iraniana Shirin Ebadi, para não melindrar o aliado Mahmoud Ahmadinejad. Parece que a atração do governo petista pelas tiranias segue inabalável.
É a verdade revelada na sua face mais cruel. O governo do PT é a favor de promover os direitos humanos em países governados por adversários do PT. Quando se trata de governos amigos do petismo, prefere-se o silêncio diante das violações, dos abusos, dos massacres. Para os amigos, as conquistas da civilização; para os nem tanto, a lei da selva. Não foi por menos, aliás,  que o  momento da vergonha veio quando o governo do PT decidiu afrontar a democrática Itália e dar proteção a um assassino comum, Cesare Battisti, só por ele ter amigos no PT.
O papel da oposição
Como oposição, temos o dever de acompanhar, estudar todas as principais questões nacionais a fundo, ver como vivem e sentir o que pensam as pessoas de todo o país, criticar, fiscalizar, cobrar promessas e apontar caminhos. Sem, no entanto, pretender virar governo no exílio, como reza a tradição tucana, de onde não vencemos a eleição.
A incompetência e o autoritarismo são as marcas deste governo, e o PSDB não renunciará à denúncia desses atos e buscará mobilizar a sociedade brasileira para superar este período difícil. Outros momentos da história do Brasil mostraram que governos com maiorias acachapantes no Congresso podem ser enfrentados por meio da mobilização social e política da sociedade pela democracia e pelo desenvolvimento.
Essa é a nossa missão e a ela não renunciaremos.

Combatividade e unidade
 
O texto anterior procura sistematizar a análise da conjuntura política brasileira, que deveria passar a ser rotineiramente (a cada dois meses) debatida em todos os diretórios locais do partido, em todo o Brasil. Do mesmo modo, cada diretório deve produzir sua carta de conjuntura local, para ser debatida pelos seus militantes e conhecida pelos órgãos superiores do partido.
Temos um mundo de ações a fazer, pelo bem do nosso povo e do nosso país. Temos adversários políticos e um só possível inimigo: a desunião interna. Para mantê-la afastada, temos de insistir em duas condições.  Em primeiro lugar, a  combatividade das nossas direções, em todos os níveis,  evitando o  esmaecimento dos compromissos políticos e ideológicos dos militantes. Em segundo lugar, não antecipar as decisões sobre alianças e candidaturas em 2014; neste momento,  as nossas tarefas essenciais  são de reflexão, combate e reorganização do partido, em todo o Brasil.

Fishlow defende corte de gastos de verdade


Por Mariana Carneiro, na Folha:
Debelar a inflação e manter o crescimento são desejos inconciliáveis, diz Albert Fishlow, 75, professor emérito da Universidade Columbia e da Universidade Berkeley, que estuda o Brasil há mais de 40 anos: “Não funciona”. A resposta para sair desse dilema é o corte “verdadeiro” das despesas do governo. À FolhaFishlow decretou a obsolescência do superavit primário e diz que só o reordenamento dos gastos do país levará o Brasil a taxas de crescimento mais elevadas.
Folha - É possível combater a inflação e manter o crescimento da economia?Albert Fishlow - Quando se tem dois objetivos na economia e apenas um instrumento, não funciona. São necessários dois instrumentos. O instrumento principal -utilizado há muitos anos- é a política monetária [ajuste da taxa de juros]. O que está faltando é a política fiscal. Foi por causa disso que a presidente Dilma anunciou no início do ano uma redução de despesas. Mas o corte vem depois de um aumento dos gastos no ano passado.
Mas o governo não está fazendo superavit primário?Superavit primário não é um superavit real. É um esforço que não considera as despesas com juros. Se o Brasil está interessado em ter uma taxa de juros mais baixa, tem que reduzir os gastos governamentais, criar um superavit ou ao menos eliminar o deficit fiscal [tudo que é gasto além da arrecadação]. Não há razão para o Brasil, com os preços de commodities altos, não ter superavit fiscal. O Chile, que produz cobre, tem superavit.
Então não adianta fazer superavit primário?Foi uma boa ideia no início. Mas hoje cria erros, porque tem gente no país que acha que há superavit, quando na verdade o que se tem é um deficit de cerca de 2,5% do Produto Interno Bruto.
Se não é possível alcançar crescimento e combater a inflação ao mesmo tempo, o que o governo deve priorizar?Neste momento, a redução da inflação. Senão o crescimento futuro vai ser menor: o governo terá de aumentar ainda mais os juros, vai ter que mexer ainda mais na taxa de câmbio e vai ter que limitar mais ainda os investimentos em infraestrutura.
O governo aposta em medidas para conter o crédito para ajudar a controlar a inflação sem abater o crescimento.Pode ter impacto, mas não vai ser suficiente para evitar uma ação maior na área fiscal. E, veja bem, quando falamos de uma diferença entre o crescimento produzido com a política que estou descrevendo e o da política atual, não falo de algo grande.
De quanto?Estamos falando de 3,5% de crescimento em vez dos 4,5% que o ministro Guido Mantega está prevendo. Temos outro problema, que é a falta de investimento dentro do país. O país não tem como crescer sem aumentar o investimento para tratar problemas de infraestrutura. Aqui

01 julho 2011

Vladimir Palmeira deixa o PT (RJ) contra a volta de Delúbio


“Ao Diretório Municipal do PT-R.J.
Meu caro Alberis, (sic)
Venho, por meio desta, me desfilar do PT. Não o faço por divergências políticas fundamentais, embora minha carreira minoritária seja de todos conhecida. Sempre me coloquei mais à esquerda da linha oficial, mas nada que, nas circunstâncias brasileiras, me levasse a deixar o partido.
No entanto, a volta ao partido de Delúbio Soares, justamente expulso no ano de 2005, me impede de continuar nele.
Pela questão moral, pela questão política, pela questão orgânica. Pela questão moral porque é evidente que houve corrupção: não se pode acreditar que um empresário qualquer começasse a distribuir dinheiro grátis para o partido. Exigiria retribuição, em que esfera fosse.
O procurador federal alega que são recursos oriundos de empresas públicas, sendo matéria agora do STF. Mas alguma retribuição seria, ou a ordem do sistema capitalista estaria virada pelo avesso.
Pela questão política porque o PT assumiu um compromisso com a sociedade, quando apareceram as denúncias: o compromisso de punir. E sustentamos que punimos. Punição limitada, na opinião dos petistas do Rio de Janeiro, que por seu DR [Diretório Regional] pediram mais dureza, ao mesmo tempo que apontavam o caminho da Constituinte exclusiva para a reforma política imprescindível. Punição limitada, repito, mas efetiva.
Pela questão orgânica, porque o ex-tesoureiro não só agiu ilegalmente com relação à sociedade, mas violou todas as normas de convivência partidária, ao agir à revelia da Executiva Nacional e do Diretório Nacional.
A volta de Delúbio faz com que todos se pareçam iguais e que, absolvendo-o, o DN [Diretório Nacional] esteja, de fato, se absolvendo. Ou, mais propriamente, se condenando, ao deixar transparecer que são todos iguais.
Não creio que o sejam.
Já tinha definido que sairia caso o ex-tesoureiro voltasse. Mas, em primeiro lugar, tive que advertir amigos e companheiros mais próximos, sob pena de lhes causar embaraços. Por outro lado, o governo Dilma entrou em crise, em função das acusações contra Palocci. Sanada a crise, comunicados os companheiros, posso, afinal, lhe entregar esta carta.
Mando um abraço para você e para todos os que, dentro do PT, lutam por uma sociedade mais justa.
Rio de Janeiro, 27 de junho de 2011.
Vladimir Palmeira”

29 junho 2011

"GAYVARA"_Por Reinaldo Azevedo (Veja.com)

Vejam esta imagem:
gayvaraDuas organizações gays de Barcelona resolveram promover uma festa em apoio a seus colegas cubanos e fizeram o cartaz que se vê acima. Aconteceu no ano passado. Pois bem. Em Cuba, a luta contra o preconceito, acreditem, também foi estatizada. Está sob o comando do Centro Nacional de Educação Sexual (Cenasex). Quem dirige o órgão? Mariela Castro, filha do ditador Raúl Castro, o anão homicida. O objetivo da festa era justamente arrecadar recursos para o tal Cenasex.
Mas quê… Mariela — que chegou a promover um show de gays e transformistas no teatro Karl Marx, em Havana, no dia 5 deste mês — enviou uma carta às entidades espanholas em que afirmou:
“O Cenasex deseja deixar claro que não tem nenhum vinculo com essas organizações espanholas e rechaça veementemente o uso degradante da imagem de Ernesto Che Guevara, imortalizada pelo fotógrafo Alberto Korda”.
Nada de brincadeira com Che! E muitos dos nossos “progressistas” devem concordar. Já com santo católico, aí tudo bem! Abaixo, seguem duas imagens dos “tarados por santinhos”. Deixo aqui uma sugestão aos gay-paradistas: na próxima, metam batom no Porco Fedorento! No caso dele, seria certamente um traço de humanidade, ainda que falso!
santos-apropriados-por-gays

É Lula 2014, mano! Vixe! Vixe! Mangalô! 3 vezes


(Por Reinaldo Azevedo_Veja.com)
Prometi escrever ontem a respeito e acabei atropelado por outras coisas. Vamos lá. Até porque Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, andou negando, então eu afirmo: o candidato à sucessão de Dilma Rousseff será mesmo Luiz Inácio Apedeuta da Silva. Por decisão da presidente, seu antecessor é o chefe da missão brasileira enviada  à Guiné Equatorial para a Assembléia Geral da União Africana, que discute de hoje até o dia 1º de julho o que, por aqui, está sendo chamado “Empoderamento da Juventude para o Desenvolvimento Sustentável”. Não adianta tentar encontrar esta estrovenga — “empoderamento” — no dicionário. É só uma macaquice ongueira, uma tradução feita com os cotovelos de “empowerment”.
Alguns dizem: “Ah, Dilma está mandando Lula para longe, para dar pitaco lá na África”. Era assim no tempo em que as notícias não corriam com a mesma velocidade que levava “Rosa/ pra aprumar o balaio/ quando sentia/ que o balaio ia escorregar”. É trecho de uma bela música de Gilberto Gil, Parabolicamará. “Elogiando Gil?” O músico e o compositor, não o político e o prosélito. Adiante. É evidente que Dilma está dando palco para Lula. A equação é simples: sempre que ele cresce, ela diminui; sempre que ele avança, ela recua.
Dilma não anda lá muito feliz. Já disse a mais de um interlocutor que herança maldita mesmo, quem pegou foi ela. O que ela teme é o desmanche de uma equação macroeconômica que tem no consumo o seu principal pilar. E vê com certo pessimismo todo o resto. A presidente antevê uma corrosão lenta, mas contínua de sua popularidade e uma grande confusão na economia ali por meados de 2013. Também acha que não terá saúde para uma nova campanha. Não faço alusão velada ao câncer.
O Lula candidato em 2014 vai consolidar essa posição já na eleição de 2012. É ele quem já está cuidando hoje da criação dos palanques nas cidades que o PT considera vitais. E vai com tudo para a campanha. De novo: se ele cresce, ela diminui; se ele avança, ela recua. Dilma só não quer concluir um mandato que termine em vexame, daí a sua insistência em se comportar como uma magistrada, com o reconhecimento da obra de FHC nos 80 anos do ex-presidente ou com nota de condolências pela morte de Paulo Renato. À sua maneira, tem claro que a política pesada, de confronto e de desmoralização dos adversários, que é a essência do petismo, é fardo pesado demais pra ela. Então deixa que Lula transite na política interna como o grande articulador de 2012 e, no cenário externo, como o grande profeta do “empoderamento” dos oprimidos.
Quem aí quer ser presidente da República? José Serra? Aécio Neves? Geraldo Alckmin? Algum outro? Nas circunstâncias de hoje e até onde há visibilidade adiante, vai enfrentar Lula.

26 junho 2011

Morre o ex-ministro de FHC, Paulo Renato, do MEC


Paulo Renato, morto ontem, foi, sim, “um dos maiores homens públicos do Brasil” (Por Ricardo Setti, em Veja.com)

“Foi-se Paulo Renato, (...), um dos maiores homens públicos do Brasil. Foi um grande secretário e um grande ministro da Educação”. É o que diz, em mensagem pelo Twitter, o ex-presidenciável José Serra.
Não é exagero de Serra chamá-lo de “um dos maiores homens públicos do Brasil”.
Paulo Renato, falecido em consquência de um enfarte fulminante num hotel de São Roque (SP) em que passava o feriado, teve uma trajetória riquíssima.
Economista brilhante, com atuação em organismos internacionais, reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), um dos ministros da Educação mais longevos da história da República, duas vezes secretário da Educação no Estado de São Paulo, deputado federal de grande votação, foi ele o introdutor no Brasil de algo sem o qual a educação, ainda extremamente carente entre nós, não sai do lugar: a ideia de avaliação de resultados. Criou o Provão e o Enem, para ficar em dois casos.
E, sem ele, não existiria o Bolsa Educação instituído no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), precursor do Bolsa Família de Lula e Dilma.
Combatido ferozmente por setores do lulo-petismo, a começar por certos sindicatos de professores, seu trabalho ainda será reconhecido como deve. Menos mal que a presidente Dilma tenha expedido nota lamentando sua partida, em mais um gesto de elegância e civilidade para com os adversários políticos.
Diz a nota da presidente:
“Recebi com pesar a notícia da morte do ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza. Economista, ex-reitor da Unicamp e ex-vice presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Paulo Renato prestou relevantes serviços ao País. Neste momento de dor, quero transmitir meus sentimentos a seus parentes e amigos”.
Sua morte precoce aos 65 anos priva não apenas o PSDB, mas o país de um grande quadro, de um homem de bem e de um ser humano gentil e generoso.

Os ladrões do dinheiro público não tem medo de nada...


A abulia dos brasileiros assaltados explica a crescente desfaçatez dos assaltantes (Por Augusto Nunes - Veja.com)

A legalização da gastança criminosa em segredo, decerto a mais obscena das pilantragens infiltradas no Regime Diferenciado de Contratações, vulgo RDC, talvez tenha sido escalada para o papel de bode na sala. Com a remoção do sigilo bandido, os brasileiros que pagam todas as contas podem acabar engolindo sem engasgos, por achá-la menos intragável, a abjeção aprovada pela Câmara. É tudo o que os gatunos querem.
Agir em sigilo é sempre mais confortável, mas furtar com cara de quem presta serviços à pátria é uma das especialidades da turma que organiza, com o olho rútilo e o lábio trêmulo, a Copa da Roubalheira e a Olimpíada da Ladroagem. O texto que regulamenta o assalto aos cofres públicos sem perigo de cadeia embute uma gazua em cada parágrafo. Uma das mais eficazes é a que elimina tanto a apresentação do projeto básico quanto a limitação das despesas. Favorecida pelas duas espertezas, a procissão de “gastos imprevistos” vai produzir milagres da multiplicação do patrimônio de matar de inveja um Antonio Palocci.
Os retoques que conseguiram tornar apavorante um horizonte desde sempre perturbador confirmaram que, para anabolizar a criatividade, nada melhor que a ganância. O deputado Jovair Arantes, do PTB de Goiás, emplacou uma emenda que estende as regras do RDC a todas as obras  executadas num raio de 350 quilômetros em torno de qualquer das 12 sedes de grupos da Copa. Como Brasília vai hospedar uma das chaves, por exemplo, a licença para roubar será estendida a Goiânia, onde Arantes caça votos. Excitada com a ideia, a bancada do PDT radicalizou: propôs a aplicação da malandragem em todo o território nacional.
No país dos desmemoriados profissionais, convém lembrar de meia em meia hora que o orçamento dos Jogos Pan-Americanos de 2007, realizados no Rio, começou em R$ 400 milhões e alcançou estratosféricos R$ 3,7 bilhões. Dez vezes mais. Tanto dinheiro por nada: a infraestrutura da cidade não herdou uma única obra relevante. Como sempre, a discurseira ufanista foi só a senha que anuncia a iminente ofensiva dos quadrilheiros.
O governo e o Congresso tiveram três anos para aperfeiçoar a lei de licitações. Nada fizeram. Deliberadamente, deixaram o tempo passar até que chegou a hora de transformar a pressa em pretexto para a reprise do roubo em escala ampliada. A abulia das vítimas explica a desfaçatez dos reincidentes. Com assaltados que não reagem a ataques sucessivos dos mesmos assaltantes, é natural que os larápios de terno nem confiram se há algum camburão por perto.
Eles nem imaginam que, não faz tanto tempo assim, seus colegas de ofício ao menos temiam que alguém chamasse a polícia.