O bairro Monte das Oliveiras nunca me pareceu muito diferente de qualquer outro de Manaus. No entanto, a partir desta sexta-feira, 09/12, vou prestar mais atenção por onde ando. Provavelmente nunca mais vou ficar tranquilo ao entrar no carro sem olhar detidamente para todos os lados, bem como em ficar "dando sopa pro azar, conversando, batendo papo"... Nunca imaginei que acontecesse comigo!
No momento em que baixei os vidros dianteiros e acionei o motor do carro, já com a família dentro - eu dirigindo, minha mulher Tatiane ao lado com nossa filha caçula Clara (1 ano e 8 meses) e a mais velha Alice (5anos) atrás, por volta das 19:30h, dois sujeitos em uma moto "cortaram a frente do carro" me impedindo de sair. Imaginei que fosse o filho da vizinha que mora ao lado, o qual tem uma moto e é chegado a tomar "umas e outras". Ledo engano! O garupa da moto saiu e violentamente me acertou no lado esquerdo da cabeça com o lado da arma que empunhava. Nisso eu caí para a poltrona do lado direito do carro, onde estava minha mulher e minha filha Clara, ainda sem saber muito bem o que estava acontecendo. Meio zonzo pela pancada do revólver, nada disse, apenas ouvi a minha mulher pedindo calma ao bandido e tentando me puxar para fora do carro. Neste momento caiu a ficha e eu já havia me dado conta da cena e estava retardando minha saída preocupado em não deixar que o bandido saísse no carro levando a minha outra filha Alice, mesmo com o bandido apontando a arma para mim e fazendo menção de atirar. Esperei um momento mais até ver minha mulher Tatiane com as nossas duas filhas fora do carro e então me apressei em sair, meio que me arrastando, tanto pelo efeito da pancada quanto para oferecer menor ângulo de tiro. Os dois meliantes, ambos armados, tentaram entrar na casa da minha sogra e nos dominar a todos, mas minha mulher nos colocou para dentro e tentou trancar a porta de alumínio do portão da garagem, mas não conseguia devido ao estado de nervos em que se encontrava. Foi então que eu mesmo consegui trancar o portão e vimos, por cima do mesmo, os bandidos saírem com o carro.
Muitos vizinhos viram tudo, mas não reagiram por razões óbvias. Contudo, acionaram outros amigos e estes a polícia. Nós também o fizemos. Liguei para o BB e bloqueei meus cartões. Minha carteira porta-cédulas e da OAB ficaram no console do carro. Também ficaram no veículo a bolsa da minha mulher, as compras para o aniversário da Alice na mala do carro, bem como minha pasta de trabalho como advogado, e meu blaiser por sobre o banco do motorista, como se fosse uma capa.
Dentro de casa, ainda sob o efeito psicológico da violência da ação, principalmente nossas filhas, demos graças a Deus pelo fato de que apenas o carro com os demais pertences foram levados. Confiando em que, de alguma forma, Deus cuidaria de tudo. Essa é a parte mais interessante! Por volta das 20 h, saí com a minha mulher, sua irmã e um amigo para fazer um B.O. na DERFV que fica no 12a DIP em frente ao Aeroclube. Quando já estava entrando para falar com os policiais de plantão, o celular tocou e minha sogra falou para voltarmos todos para o posto de gasolina que fica próximo de sua residência porque um vizinho que conhece os policiais que já estavam no encalço dos bandidos avisou que haviam encontrado o carro abandonado. Não acreditei no que ouvia, pois lembrei que o carro de minha cunhada ficara 8 meses nas mãos de bandidos...
Quando já estávamos voltando, passamos por um posto de combustíveis na Av. Torquato Tapajós que fica em frente do bairro mais conhecido como "Carbrás" e vimos uma enorme quantidade de viaturas policiais estacionadas no posto, como que montando "campana", e nos admiramos disso. Alguns quilômetros à frente, percebemos que vinha um carro em altíssima velocidade, o qual passou pelo nosso lado direito quebrando o nosso retrovisor e raspando o para-lama dianteiro. Estava sendo perseguido pela polícia que havíamos visto. Nele estavam 4 bandidos que haviam roubado o Corola de uma advogada. Foram todos presos e levados para a 18a DIP. Nos assustamos com a violência dos bandidos e fomos em frente, sem parar, até ao posto de combustíveis onde o conhecido estava aguardando em seu carro. Apenas lá vimos os estragos no carro de minha cunhada. Cumprimentei o vizinho amigo de minha sogra (empresário de mini-mercado que já foi assaltado 9 vezes!) e entrei no seu carro para irmos até onde possivelmente estaria o meu carro. Nunca vi lugar de tão difícil acesso quanto este do bairro vizinho chamado de Terra Nova! Após voltas e mais voltas, subidas e descidas, encontramos uma guarnição da PM esperando a nossa chegada. Constatei, quase sem acreditar, que era mesmo o nosso carro. Mentalizei uma oração de agradecimento a Deus e então fui verificar as condições do carro.
Provavelmente os bandidos o abandonaram por falta de condições de uso, pois, na pressa, bateram com a caixa de câmbio em um quebra-mola que resultou em dano no reparo da alavanca de câmbio. A roda dianteira direita ficou dentro da vala, na subida da rua, e eles não souberam tirar o carro dessa situação. Os moradores do local viram que o carro "fumaçou muito" (na tentativa de os bandidos fazerem o carro andar em marcha errada) e relataram que 4 bandidos armados saíram do carro bastante furiosos, chutando o carro e correndo a pé, subindo a rua. Revistei o carro e verifiquei que fizeram uma devassa dentro do mesmo, mas deixaram meu blaser e a carteira da OAB. Raciocinei: ufa! pelo menos posso provar quem sou! Deixaram também a bolsa da minha mulher no banco traseiro com seus documentos, mas sem os telefones, bem como as compras do aniversário da nossa filha Alice no porta-malas. Pensei: bandidos bonzinhos esses! Um dos meninos que mora no local viu quando os bandidos jogaram algo no mato lateral da "pista" quando fugiam. Presumi terem sido as chaves do carro e da nossa casa. Bingo! O mesmo menino as achou e me entregou. Não tive dúvidas: bandidos burros!
Sem dinheiro para o frete, dispensei o guincho que já estava esperando para levar o carro até a 18a DIP e resolvi novamente pôr em prática minhas velhas artes de conduzir carro com problema. As marchas estavam em completa desordem: 5ª. em 1ª., 2ª. na 4ª, sem a ré, e sem força nas subidas, etc. Mesmo assim, consegui levar o carro à delegacia, onde foi feito o laudo de entrega do mesmo, e após segui em frente, até minha casa, onde cheguei já por volta de 1h do dia 10/12. Que noite essa! Foi difícil dormir...
Mesmo dormindo mal, acordei às 8h com o telefone tocando e alguém dizendo que fosse buscar meus documentos que estava com ele, pois haviam sido achados jogados em uma lixeira próxima de onde os bandidos abandonaram o carro. Como bom Tomé, pensei: fui "mordido de cobra", então é melhor pedir para esse sujeito deixar os documentos na 18a DIP. Sabia lá eu se não era um truque...Foi o que disse ao sujeito, mas também não estava querendo acreditar no que estava ouvindo... Como Deus fez tamanha bondade para uma pessoa tão pecadora quanto eu? Como um roubo de carro se resolveu assim tão rapidamente? Será apenas por que eu pedi, mesmo sem nenhum mérito, assim como ele providencia a salvação cristã? Deve ter sido, sem dúvida... Aguardei que alguém da 18a DIP entrasse em contato para eu ir buscar os documentos, mas nada até as 16h... Foi quando alguém bateu em meu portão se dizendo policial e relatando que era conhecido da pessoa que havia achado meus documentos em uma lixeira de um condomínio realmente próximo de onde o carro havia sido abandonado pelos bandidos e que os meus documentos estavam não na 18a DIP e sim na 12a DIP (Aeroclube, bem mais perto de casa), onde o tal policial disse que trabalhava, e que eu deveria ir buscá-los sem maior burocracia. Agradeci ao policial e a Deus... Às 19h fui buscar meus documentos. Estava quase tudo lá: carteira porta-cédulas com os cartões do BB (bloqueados), a CNH e os documentos do carro. Pronto! Estava encerrada assim a minha pior experiência pessoal de vida e a minha melhor prova de que Deus ouve a oração de um (in)justo!
Amanhã, que dizer hoje, daqui a pouco, irei consertar o carro. Deve custar apenas uns R$ 30,00.
P.S. 1) Os bandidos andaram ligando para o meu celular passando trote, mas os mandei para a tonga da milonga do kabuletê; 2) Cuidado quando entrarem e saírem de suas casas e de seus veículos. Não se demorem conversando, muito menos sem conhecer o local onde estão; 3) Deus existe e ouve a oração quando a gente pede confiando que Ele resolverá da melhor maneira as coisas.
Deus seja Louvado!