Pesquisar este blog

29 abril 2011

Dilma economista é capturada por Celso Arnaldo...


Dilma mira na inflação, tropeça no idioma, derruba a sensatez e é capturada por Celso Arnaldo: ‘Ela merece vigilância diuturna’

Por Celso Arnaldo Araújo
Foi o grande Reinaldo Azevedo, em texto postado às 18:21 de hoje em seu blog, quem escancarou o momento Odorico Paraguaçu da bem-amada presidente Dilma Rousseff no discurso pronunciado hoje na 37ª reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social, o Cades.
Ao falar do recrudescimento da inflação, tentou dizer que seu governo estava ligado dia e noite na questão:
“Então eu quero dizer a esse conselho. O meu governo está diuturnamente, e até noturnamente, atento a todas as pressões inflacionárias, venham de onde vier”.
Será possível? Não terá havido um erro de transcrição? Bem sei que Dilma merece vigilância diuturna – prolongada, prorrogada, protelada, que não se esgota. É virar as costas e ela se supera. Mas essa odoricada seria ultrajante até para os padrões do dilmês. Uma quase mestre e doutora confundindo diuturno com diurno para pespegar um “até noturnamente”, fechar um suposto ciclo de 24 horas e desenhar, enfaticamente, o tamanho da atenção do governo ao surto inflacionário.
Fui checar com minha fonte secreta – o site oficial da presidenta. Tudo verdade e mais um pouco. Reinaldo não falha. Quem falha é Dilma. No auditório do Cades, só faltaram os irmãos Cajazeiras que a acompanharam à China – Mercadante, Lobão e Pimentel.
Aos exatos 10:20 deste vídeo, o governo de Dilma se transfere para Sucupira. Até o ritmo da fala é Paraguaçu puro – o “venham de onde vier” não surpreende, é concordância dilmística lato senso.
Mas reparem que o “até noturnamente” vem acompanhado de um girar repentino de cabeça e do ensaio de um risinho sardônico, conjugado a um lamber nervoso do lábio inferior — sinais inconfundíveis de orador que busca cumplicidade da plateia para uma bobagem dita mas não pensada.
Uma pessoa que conhecesse o significado pleno da palavra diuturno, e do advérbio de modo dela derivado, poderia até ter usado esse contraponto noturno como um quase sofisticado trocadilho semântico. Não é o caso. Eu aposto que não é o caso. E certamente não seria o caso, se fosse o caso, em se tratando de presidente da República diante de um conselho de notáveis e a respeito de um tema tabu, a inflação.
O desconhecimento de Dilma, a respeito de virtualmente todas as coisas, segue o ritmo circadiano que governa biologicamente os seres humanos – é full time, tempo integral, 24 horas por dia, around the clock, sem intervalo, sem trégua, diuturnamente, pelos próximos quatro anos.
Veja o vídeo abrindo o Link no YouTub: http://www.youtube.com/user/PalaciodoPlanalto

28 abril 2011

Aeroportos: herança maldita é isso aí...


Por Augusto Nunes:
Em julho de 2006, quando o acasalamento do descaso administrativo com a escassez de investimentos pariu o apagão aéreo, o presidente Lula comunicou ao país que o ministro da Defesa, Waldir Pires, cuidaria de matar o monstrengo no berço. O plácido baiano nada fez. Foi substituído em julho de 2007 por Nelson Jobim, que prometeu matar de susto a criatura que acabara de festejar o primeiro aniversário. Além de brincar de general, almirante e brigadeiro, também o gaúcho falastrão nada fez. Em julho de 2008, repassou o filho da inépcia federal a Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil.
No país real, as coisas seguiram piorando. No Brasil Maravilha inventado por Lula, não foi pouco o que a Mãe do PAC fez. Só em São Paulo,inaugurou o terceiro aeroportque até hoje ninguém viu, modernizou Guarulhos sem deixar marcas visíveis da proeza e ampliou Viracopos sem acrescentar-lhe um único metro. Em julho de 2010, durante a campanha eleitoral, deu o problema por resolvido e foi cuidar do trem-bala. No País do Carnaval, não é agosto o mais inquietante dos meses.  É julho, confirmou a reunião de terça-feira em Brasília.
Invocando a aproximação da Copa do Mundo, os cardeais do novo e já velho governo resolveram enxergar o colapso da aviação civil. Também decidiram que cabe à iniciativa privada solucionar o problema que conceberam, amamentaram e carregam no colo. Em julho ─ sempre no sétimo mês ─ estarão prontos os editais que instituem nos cinco principais aeroportos o modelo de concessão. Concessão é a privatização que não ousa dizer seu nome.
“Queremos combinar a urgência das obras com os investimentos públicos e privados”, disfarçou o ministro Antonio Palocci, chefe da Casa Civil. Tradução: empresas privadas ganharão, em troca do trabalho que o governo não consegue ou não sabe fazer, o direito de explorar os espaços comerciais dos colossos. Além de muito dinheiro, naturalmente. Sempre que os pais-da-pátria têm pressa, somem as licitações e aparecem contas muito mais salgadas. Fora as comissões negociadas nas catacumbas do poder.
Dilma escorregou na caricatura do falatório triunfalista de Lula. “Sabemos que muitos dos problemas que vivemos hoje, e que temos o compromisso de enfrentar e resolver, podem ser chamados de bons problemas”, acabou de descobrir.  Bom problema é aquele que, visto de perto, vira mais uma prova de que o Brasil Maravilha existe. “Os aeroportos que temos de expandir estão cheios porque o aumento das viagens aéreas supera, em muito, o crescimento do país”, exemplificou a presidente.
Essas zonas conflagradas, portanto, não são uma evidência escancarada da incompetência de  governantes de araque. São sinal de progresso. O problema é o excesso de passageiros. Um bom problema. Os pobres que morriam de fome nos tempos de Fernando Henrique Cardoso hoje comem três vezes por dia e viajam de avião. Estão felizes porque sofrem a bordo de aparelhos que parecem ônibus de grotão e nas filas que lembram rodoviárias de antigamente. Graças a Lula, a nova classe média agora conhece o inferno nos céus e em terra.
“A Copa e Olimpíada são importantes, mas não estamos olhando só para a Copa ou Olimpíada”, fantasiou Dilma para justificar a pressa e a súbita descoberta dos encantos da privatização. “É preciso que os aeroportos estejam prontos para atender a demanda da população, que é atual”. Se é assim, por que não se começou a fazer até antes de 2006 o que só agora é esboçado, a pouco mais de três anos da Copa? Se é assim, por que Dilma se contentou com a inauguração de pedras fundamentais?
A causa da correria nem é o medo da vergonha ─ esse sentimento foi revogado há muito tempo por Lula e seus devotos. É o medo das urnas. Quando a Copa começar, os candidatos à Presidência já terão entrado em campo. Aeroportos em frangalhos não melhoram a vida de caçadores de votos. Ao medo das urnas se soma o entusiasmo com obras dispensadas de licitações. Enquanto os brasileiros comuns se angustiam com o pesadelo, os incomuns dormirão o sono de quem sonha com cifrões.
Neste fim de abril, Dilma admitiu que as promessas que vendeu ao lado do padrinho só foram cumpridas no Brasil Maravilha registrado em cartório. A demora foi tanta que os aeroportos não estarão prontos mesmo com anabolizantes bilionários. Herança maldita é isso aí.

Requião roubou um gravador à luiz do dia


Por Celso Arnaldo Araújo
O Brasil leniente, o Brasil cordial, vai acabar atirando o caso Requião na vala comum do folclore político. Não deveria. Porque o distinto senador da República – um lorde inglês na visão do falso acadêmico e político profissional que preside a casa e avalia muito mal palavras e caracteres – passou dos limites de sua prosaica truculência para aderir ao crime comum, penalmente em nada diferente das saidinhas de banco.
Políticos normalmente são dados ao furto – através de canetadas certeiras na mosca dos orçamentos públicos, compostos por nossos dinheiros. Roberto Requião é o primeiro que pratica um roubo à luz do dia, com testemunhas oculares e gravações eletrônicas. Também é o primeiro a apregoar e bravatear seu crime pelo twitter.
O repórter da Band, vítima do assalto, disse que tentou registrar o surrupio junto à corregedoria do Senado. Foi desaconselhado, não era o foro próprio – é evidente: a corregedoria do Senado não está ali para corrigir senadores. Pensou em recorrer ao Conselho de Ética do Senado – órgão que equivale, em autenticidade, ao Ministério da Marinha da Bolívia e ao Ministério da Justiça do Brasil nos anos sangrentos da ditadura militar. Também não conseguiu, porque o conselho estava ainda em formação (de quadrilha, diriam os mais afoitos). Se o fizesse hoje, teria preferido ter mil gravadores roubados e chamar os ladrões deles: daria de cara com Renan Calheiros e Gim Argelo, vestais da ética senatorial, recém-nomeados para o Conselho.
Eu, se fosse o rapaz da Band, iria ao Distrito mais próximo. O roubo de meu gravador, instrumento de trabalho, crime contra o patrimônio por meios violentos ou ameaça, estava bem caracterizado. A lavração de um B.O. com essa tipificação seria obrigação de um delegado cumpridor das leis – sob pena de incorrer em crime de prevaricação. Se o caso mais tarde fosse levado a um juiz togado, e esse realmente fizesse justiça, agravaria o senador mão pesada pelo delito de defesa cretina. Diz ele ter se apropriado do equipamento para impedir que sua entrevista fosse editada em seu prejuízo – como se Requião, quando fala, não fosse seu próprio advogado de acusação, sem edição, sem retoques de qualquer natureza.
Na versão do senador, seria um roubo preventivo, portanto. Se legítima a modalidade, todos nós estaríamos autorizados a roubar um banco – para impedir que o mesmo, no fim do mês, nos cobrasse uma taxa Selic mensal a título de juros pelo cheque especial, editando nosso extrato a seu bel prazer.
Ciente de sucessivas boçalidades de Roberto Requião, confesso que ainda tinha por ele alguma admiração – pela linguagem intimorata, em contraste com a semântica vaselinada dos políticos em geral, e absolutamente escorreita, com tudo no seu devido lugar. Era, confesso, um viés próprio de quem se indigna com o dilmês elevado à Presidência.
Mas o afano do gravador, na mão grande, colocaria Requião no Presídio da Papuda num país mais sério –se existisse um Papuda num país mais sério.

Lula agora virou censor do PSDB e não olha pro seu traseiro e o do PT



O homem não quer sair do noticiário.
O ex-presidente Lula concedeu ontem à noite entrevista à TVT – TV dos Trabalhadores – em que, uma vez mais, critica os tucanos. Diz Lula que o PSDB “não tem perfil ideológico”.
Muito bem. Concordo. Há um núcleo, tendo FHC como centro, que ainda guarda coerência com as linhas mestras que determinaram a criação do partido, em 1988, mas hoje o saco de gatos tucanos abriga todo tipo de político, de “ideológicos” a fisiológicos.
Agora, e o PT? Que perfil ideológico tem o PT, além de sua sede de poder? Esqueçamos os estatutos do PT, que ainda defendem um “socialismo” que nunca os petistas conseguiram explicar.
O PT fundado nos anos 80 faria alianças com Sarney, Jader Barbalho, Renan Calheiros – até Collor e Maluf?
O próprio Lula, na entrevista, acaba por confirmar, talvez sem perceber, a salada pouco edificante em que se transformou o PT, com essa frase confusa mas reveladora:
– Eles [os tucanos] têm o PT como adversário principal. E o PT precisa juntar todos os diferentes para que a gente possa vencer os antagônicos.
Diferentes mesmo: há também Romero Jucá, Edison Lobão, o pessoal da Igreja Universal…
Tutti buona gente, não é mesmo?

Comissão de Ética do Senado "é do sarney!"



BRASÍLIA – O Conselho de Ética do Senado reiniciou nesta quarta-feira, 27, suas atividades sem dar sinal de que conseguirá recuperar a credibilidade. O colegiado estava desativado havia dois anos.
Na nova composição, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), tem o apoio de 13 dos 15 integrantes, além de ter assegurado o comando do órgão ao senador João Alberto (PMDB-MA), de sua confiança.
Na gestão anterior, o conselho arquivou todos as denúncias feitas contra Sarney, entre elas a responsabilidade pelos atos secretos e outros desmandos administrativos da Casa.
Iniciada com atraso de mais de uma hora, a sessão de instalação deixou claro que, na prática, pouco se deve esperar do conselho. O senador Mário Couto (PSDB-PA) chegou a fazer um discurso sobre a necessidade de o colegiado “começar com moral e terminar por moral”.
Como ninguém o aparteou, ele não conseguiu nem mesmo ouvir seus colegas sobre os motivos que os levariam a endossar a escolha de João Alberto para presidente e a do senador Jayme Campos (DEM-MT) como vice.
No cargo pela terceira vez, João Alberto afirmou que não mudará o procedimento de antes, ou seja, as denúncias poderão continuar a ser arquivadas. Ele atribui essa prática pessoal ao fato de não ser “açodado”.

26 abril 2011

Requião Pittbull

O momento foi perfeito para a pergunta do repórter Victor Boyadjian, da Rádio Bandeirantes: mal o senador Roberto Requião (PMDB-PR) acabou de defender perante jornalistas uma profunda economia nos gastos públicos, especialmente na Previdência Social, quando Boyadjian perguntou-lhe – muito apropriadamente — se, em nome do que estava defendendo, o senador aceitaria abrir mão da aposentadoria que recebe dos cofres públicos como ex-governador – belos, reluzentes 24,1 mil reais por mês.

“Numa boa, vou deletá-lo”
Aí baixou a entidade Requião no senador, que arrancou o gravador das mãos, levou-o para seu gabinete e postou no twitter, como se fosse a coisa mais normal do mundo, a seguinte mensagem: “Acabo de ficar com o gravador de um provocador engraçadinho. Numa boa , vou deletá-lo”.
Não tanto numa boa, o repórter dirigiu-se até a Polícia Legislativa do Senado para registrar a ocorrência, acompanhado pelo presidente do Comitê de Imprensa do Senado, Fábio Marçal. Lá ficou sabendo que a Polícia Legislativa não poderia fazer nada: casos envolvendo senadores só podem ser tratados pela Corregedoria do Senado.
E aí aparece esse lado safardana do Brasil, amigos: uma vez que o cargo de corregedor do Senado está vago, porque seu futurto ocupante ainda não foi escolhido por Suas Excelências, o repórter da Bandeirantes não conseguiu registrar ocorrência nenhuma contra a intolerável truculência do ex-governador, nem reaver de pronto seu instrumento de trabalho.
Uma hora depois, Requião mandou devolver o que tomara, sem o chip de memória. E tudo ficou por isso mesmo.

Onde está a gerente Dilma?


Por J. R. Guzzo (Veja):
Além da morte e dos impostos, como é o caso para o resto da Humanidade, existe no Brasil uma terceira grande certeza: obras públicas jamais são entregues no prazo. Também podem não ser entregues nunca; é comum que, uma vez concluídas, estejam entre as de pior qualidade que a engenharia mundial consegue produzir e sempre, em todos os casos, acabam custando muito mais caro do que deveriam.
Mas é o atraso na entrega, sem dúvida, a marca que mais distingue as obras públicas brasileiras de quaisquer outras. Na verdade, nenhum cidadão deste país acredita que alguma coisa feita pelo governo possa ficar pronta no prazo – do trem-bala ao mais reles abrigo para um ponto de ônibus. (Esse trem-bala, aliás, promete. Ainda não foi colocado um metro de trilho no chão, mas o preço estimado da obra já passou de 18 para 33 bilhões de reais.)
Nada mais natural, assim, do que o anúncio segundo o qual não serão terminadas a tempo as majestosas obras de nove dos treze aeroportos que servem as cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. A novidade, no caso, é que o aviso vem de um órgão do próprio governo, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Dá o que pensar: se a coisa já está num ruim quando o governo em peso jura que tudo corre rigorosamente dentro dos prazos previstos, imagine-se o tamanho da confusão quando nem eles se entendem.
O alerta, desta vez, não pode ser desprezado como mais um gesto de má vontade da banda neoliberal, gente que passou tempo demais na escola e não entende o povão; como se mencionou acima, quem fez a denúncia foi o Ipea, repartição pública que tem as melhores credenciais como força auxiliar do PT, e considera “o Estado” a maior criação do ser humano desde a invenção da roda.
Sua avaliação sobre o andamento das obras nos aeroportos é severa. Em cinco delas, não se conseguiu, até agora, nem mesmo concluir os projetos. Seis obras não foram sequer iniciadas. Faltam até autorizações do Ibama – que, por sinal, exige três licenças diferentes para cada obra e leva cerca de 40 meses, em média, estudando se vai ou não aprovar um projeto.
Nem metade das verbas destinadas aos aeroportos entre 2003 e 2010 foi realmente aplicada. O governo, na verdade, tem-se mostrado incapaz de executar o próprio orçamento. O resultado é que até este primeiro trimestre de 2011 se aplicou apenas 0,25% do que os PAC 1 e 2 previam que seria aplicado; neste ritmo, conseguiremos atingir no fim do ano a grande marca de 1% do que deveria ser feito.
Vários ministros e altas autoridades garantem que o Ipea está errado e que tudo corre segundo o planejado; na promessa de um deles, não vamos “fazer feio” na Copa. É possível, até, que tenham razão. Copa é Copa, e em Copa do Mundo a única coisa que interessa é futebol.
Quem, na hora em que a bola rolar no campo, vai estar pensando em aeroporto? De mais a mais, se até a África do Sul conseguiu fazer uma Copa, por que o Brasil não conseguiria pelo menos algo parecido? Até lá, é claro, muita gente vai enriquecer, ou ficar ainda mais rica, com essa história toda, mas e daí? É o querido povão quem vai pagar, e nem saberá que está pagando – ou, se souber, não vai brigar por causa disso.
Ninguém quer saber dessas coisas em momentos de “pra frente, Brasil”. Mas ainda assim há algo que não fecha nesse encontro de Copa, obras do governo, PAC, Ipea, etc. O que não fecha, quando se olha com mais atenção para a paisagem, é que deveríamos estar assistindo justamente ao contrário do que se vê. Claro: a presidente da República não é uma exímia gerente? Desventuras como a da Copa não acontecem com exímias gerentes.
A presidente Dilma Rousseff, como todo mundo está cansado de ouvir há pelo menos dois anos, teria a grande vantagem de ser uma gerente, ou mesmo uma “gerentona” – embora já não se saiba, quando falam assim, se é ou não um elogio. No campo da imaginação comum, em todo caso, gerente é aquele que realmente resolve as coisas. Faz acontecer. Entrega o serviço combinado. Põe a mão na massa e o pé no barro. É um leão (ou uma leoa) para tocar uma obra.
Onde estariam, então, essas qualidades todas, numa hora em que tanto se precisa delas? Quatro meses de governo, sem dúvida, é pouco tempo para mostrar resultados. Mas a gerência do PT já está chegando aos oito anos e meio e Dilma faz parte dela desde a primeira hora – é, afinal, a “mãe do PAC”, e padroeira geral de todas as obras públicas deste país. O que estaria havendo de errado?
Comento:
Pontes que caíram! É por isso que essa turma quer por que quer mudar a lei de licitações,o TCU e, se possível, proibir notícia ruim...

Entrevista com a senadora Kátia Abreu na Folha


Por Silvio Navarro e Vera Magalhães, na Folha:
“Eu tenho tanto pra lhe falar…”. É entoando versos de Roberto Carlos que a senadora Kátia Abreu (TO), 49, de saída do DEM para fundar o PSD, responde se tem interesse em conversar com a presidente Dilma Rousseff. Apesar disso, ela nega que a nova sigla -da qual pode ser presidente nacional- vá integrar a base dilmista. Caberá à futura direção, diz, estabelecer os princípios doutrinários. Mas admite que, com filiados de tão diferentes origens, a legenda terá de ter “tolerância com o intolerável” -para, em seguida, explicar que isso não se estende a questões éticas. Leia a seguir trechos da entrevista concedida ontem à Folha, em São Paulo.
Folha - O PSD já nasce como um partido médio. A fonte é só a desidratação do DEM?
Kátia Abreu -
 Para nossa surpresa, tem gente de todos os partidos, inclusive da base, sinal de que há uma insatisfação nos partidos. Quando o Kassab iniciou dizendo que ia fundir com algum partido, creio que ele imaginava que teríamos de 12 a 15 deputados. Vamos chegar a mais de 40. Agora eles é que vão querer fundir com a gente.
(…)
O PSD vai integrar a base do governo Dilma? 
Não, nisso eu serei resistência. Porque não quero trocar favores, quero lutar por princípios democraticamente. Trocar princípios por ministérios, isso não.
Mas a sra. aceitaria sentar para debater com a presidente? 
Eu estou aflita por isso! Sou presidente da CNA, preciso falar muito com ela! [canta Roberto Carlos] Estou aflita para falar da nova política agrícola para o país. Preciso falar com ela.
(…)
Onde vão buscar militância? 
Na classe média.
Vai sobrar classe média para todo mundo? 
Eu disse isso antes do Fernando Henrique Cardoso e do Lula. São 100 milhões de pessoas. Tem que ter foco em quem está sem defesa, totalmente desprotegida.
E qual é o discurso do partido para atrair essa classe média? 
A defesa dela como consumidor e contribuinte. A tributação brasileira não está sobre a renda, está sobre o consumo do sal, do feijão, da manteiga. E quem é que está contribuindo mais? Se a classe média é metade do país…
(…)
Como avalia esse início de governo Dilma?Falta mais clareza. Compreendo que não é fácil cortar gasto público. Ela não tem alternativa sem uma reforma previdenciária e sem uma reforma política.
Há clima para aprová-las? 
Eu sou parceira número um dela [Dilma], ajudo nisso. Posso até relatar, se ela quiser. Ela precisa dar sinais. Os sinais que ela deu em relação à política externa e aos direitos humanos eu aplaudo. Mas o ônus virá nos cortes. Ela diz que não vai cortar nem no PAC nem nos programas sociais. Quero que ela diga onde é. Se quiser que os parlamentares abram mão de 100% das emendas, sou a primeira a assinar

O Brasil da miragem de Dilma e Lula


Sem saber atirar, Dilma Rousseff virou modelo de guerrilheira. Sem ter sido vereadora, virou secretária municipal. Sem ter sido deputada estadual, virou secretária de Estado. Sem ter sido deputada federal ou senadora, virou ministra. Sem ter inaugurado nada de relevante, virou gerente de país. Sem saber juntar sujeito e predicado, virou estrela de palanque. Sem ter tido um só voto na vida, virou candidata à Presidência. Eleita, não precisou fazer nada para virar, em 100 dias, uma superadministradora obcecada pela perfeição. O Brasil nunca foi um país sério. Mas só neste começo de século virou piada.
Há algo errado nesta história de “exímia gerente”, ironiza o jornalista J. R. Guzzo na edição de VEJA desta semana. “A presidente Dilma Rousseff, como todo mundo está cansado de ouvir há pelo menos dois anos, teria a grande vantagem de ser uma gerente, ou mesmo uma “gerentona” – embora já não se saiba, quando falam assim, se é ou não um elogio”, registra um trecho do artigo. “No campo da imaginação comum, em todo caso, gerente é aquele que realmente resolve as coisas. Faz acontecer. Entrega o serviço combinado. Põe a mão na massa e o pé no barro. É um leão (ou uma leoa) para tocar uma obra”.
Intrigado com o ritmo paquidérmico das obras prometidas para os aeroportos incluídos no roteiro da Copa do Mundo, Guzzo pergunta“onde estariam, então, essas qualidades todas, numa hora em que tanto se precisa delas?”. Quatro meses de governo, sem dúvida, é pouco tempo para mostrar resultados, concede o colunista. “Mas a gerência do PT já está chegando aos oito anos e meio e Dilma faz parte dela desde a primeira hora – é, afinal, a “mãe do PAC”, e padroeira geral de todas as obras públicas deste país. O que estaria havendo de errado?
O que há de errado é que a Era da Mediocridade aboliu a fronteira entre a ficção e a realidade. No Brasil Maravilha que Lula inventou e Dilma administra, a vida é decididamente uma beleza. Lá o trem-bala deslumbra passageiros, maquinistas e plateias às margens dos trilhos desde setembro de 2010. Lá a pobreza é uma lembrança tão longinqua que os pobres já nem se lembram dos tempos em que faltava dinheiro para comprar passagens de avião. Lá há aeroportos de sobra. Só São Paulo tem três.
O terceiro começou a tomar forma em 20 de julho de 2007, na entrevista coletiva em que a Mãe do PAC anunciou a descoberta da fórmula para acabar com apagões e desastres aéreos. “Determinamos a construção de um novo aeroporto e a expansão dos já existentes. Os estudos ficarão prontos em 90 dias”, acelerou já na largada do falatório. “Estamos determinando que a vocação de Congonhas seja de voos diretos, ponto a ponto”.
Como conexões e voos internacionais seriam banidos de Congonhas “em 60 dias”, nenhum detalhe escapara à astúcia da soberba gerente da nação. “Tivemos de tomar precauções sobre a área de segurança ao redor do aeroporto”, exemplificou. Onde seria construído o mais confortável e mais seguro aeroporto do planeta?, excitaram-se os jornalistas. “Não sabemos onde será e, se soubéssemos, não diríamos”, ensinou Dilma. “Jamais iríamos dizer isso para não sermos fontes de especulação imobiliária”.
Passados quase quatro anos, Congonhas e Cumbica estão na ante-sala do colapso e o terceiro aeroporto não existe. Nem por isso a candidata do PT ficou ruborizada ao incluí-lo no balaio de promessas despejadas durante a campanha. Daqui a três anos, tampouco estarão prontos os aeroportos que transformariam a Copa do Brasil na oitava maravilha do universo. Só serão vistos nas maquetes exibidas por Lula e Dilma no horário eleitoral. O padrinho e a afilhada seguirão vendendo miragens até que a maioria dos brasileiros compreenda que o padrinho e a afilhada, há oito anos, escondem a indecorosa nudez administrativa com fantasias que fundem muita propaganda, muita discurseira e muito cinismo.