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05 junho 2011

A CORAGEM DE DEMÓSTENES (Veja_Páginas Amarelas)


O senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás, concede uma excelente entrevista a Gustavo Ribeiro, nas “Páginas Amarelas” da VEJA desta semana:
Demóstenes Torres (DEM-GO) não nega o rótulo de direitista, ao contrário de muitos parlamentares. O ex-procurador de Justiça ganhou notoriedade pela contundência com que critica o avanço do Executivo sobre as prerrogativas do Congresso e pela defesa aberta de bandeiras consideradas conservadoras e impopulares. Com o mesmo vigor com que levanta a voz contra o governo, também combate a política de cotas raciais para o ingresso nas universidades e a expansão irrestrita de programas assistencialistas, como o Bolsa família. Líder do DEM no Senado, Demóstenes defende a idéia de que a profunda crise pela qual passa o partido - com seu pior desempenho nas urnas, no ano passado, e a migração de parlamentares para o recém-criado PSD de seu ex-correligionário Gilberto Kassab - deve servir de gatilho para a afirmação da legenda como representante da parcela conservadora da sociedade.
CONGRESSO E DEMOCRACIA
O Congresso tem sido palco de sucessivos escândalos. Ainda assim, não há iniciativas para eliminar as más práticas. Por quê?
(…)
Foram tantas as CPIs que o governo impediu que tivessem qualquer resultado prático que o Parlamento se acomodou e hoje é diretamente mandado pelo Poder Executivo. E não é só por causa do reduzido número de parlamentares na oposição. É porque realmente os congressistas não querem apurar a conduta de nenhum colega e não querem fiscalizar o governo. Vivemos um momento crítico, de total submissão. De um lado, temos o Executivo mandando por meio de medidas provisórias e, de outro, o Congresso sem cumprir sua obrigação, a ponto de a quase totalidade das leis aprovadas ter origem no Palácio do Planalto. No fim das contas, o Congresso se comporta bovinamente.
(…)
O que falta, afinal, para a oposição agir como oposição?Os partidos devem se fortalecer. Eu defendo a idéia de que o DEM deve abrir as porteiras e deixar sair quem não quiser mais cerrar fileiras conosco. Depois da debandada, temos de nos manter fiéis ao nosso ideário e descartar hipóteses absurdas como uma fusão com o PSDB. Os dois partidos têm origens muito diferentes. Até hoje temos visões antagônicas em determinados pontos. O que devemos fazer é nos aliar e prosseguir juntos.
PALOCCI
Como o senhor avalia o caso que envolve o ministro Antônio Palocci?
Ainda é preciso esclarecer exatamente o que Palocci fez nessa consultoria. O silêncio dele só faz aumentar as suspeitas de que tenha enriquecido ilicitamente. Até porque sua empresa é bastante atípica: tem poucos clientes e um faturamento equivalente ao das maiores consultorias do país. Tudo indica que, depois do escândalo do caseiro, ele novamente tenha caído em tentação. Mais uma vez, a mão forte do governo parece estar pesando sobre o Congresso. Essa tentativa de blindagem que foi arquitetada pela base aliada só transmite duas mensagens: que Palocci realmente deve e que o governo é conivente com as atitudes dele, o que é inconcebível em um país democrático. Todo homem público deve prestar contas à população.
(…)

BANDEIRAS DA OPOSIÇÃO

Quais são elas [as reais bandeiras da oposição]?
Defendemos uma política de segurança pública sem tantos benefícios aos detentos, como indultos e progressão de pena. A violência só refluiu em locais nos quais se aplicaram com rigor as políticas convencionais. É o caso do estado de São Paulo, onde os índices de homicídio diminuem ano a ano. A frouxidão penal é uma lástima e um incentivo para os criminosos. O que me estarrece é que o próprio governo reconhece isso. Na educação, defendemos firmemente o modelo de ensino integral, com incentivos para a pesquisa científica. Nas universidades, as cotas raciais devem ser substituídas por cotas sociais.
 
(…)
Qual é o perigo de um país com uma oposição debilitada?Um país cujo governo não tem contraponto fica preso a uma “ditadura branca”. O governo passa a controlar a máquina pública de tal forma que estrangula a atividade parlamentar e elimina qualquer forma de fiscalização. Vivemos em um estado de viés autoritário. Além de o Congresso já não funcionar mais. Instituições de controle, como o Tribunal de Contas da União, são constantemente bombardeadas, e o Ministério Público aparenta ter se cansado. Só nos resta o Supremo Tribunal Federal. Não é nossa intenção impedir o governo de agir, mas temos de ter condição de debater suas propostas.
 
(…)
A DIREITA E A DEMOCRACIA
O DEM deve se assumir como um partido de direita?
Não tenha dúvida disso. É um partido que deve representar esse posicionamento conservador, e não ter vergonha disso. O que significa ser de direita? Significa defender o liberalismo, o livre mercado, o mérito e a eficiência máxima do estado. Embora comum, é descabida a associação automática e oportunista que a esquerda faz do pensamento de direita a extremistas monstruosos como Adolf Hitler e a governos de exceção como a ditadura militar. A direita não tem compromisso com a quebra da ordem constitucional. Ao contrário, ser de direita é justamente defender os valores institucionais, como a lei e a democracia. Por isso, a meu ver, ser de direita significa combater o ideário que põe em risco os valores mais nobres da democracia ao pregar o aparelhamento e o inchaço do estado, o desperdício de dinheiro público e o assistencialismo desmedido.
Por que o seu partido não se assume assim?O termo “direita” foi estigmatizado e associado a posturas retrógradas, sem compromisso com a democracia. Eu defendo a idéia de que todo partido tenha um perfil muito definido e se mantenha coerente com seus princípios. O DEM precisa se assumir como um partido de direita democrático. Eu ficaria muito mal em um casaquinho vermelho, encampando idéias nas quais não acredito. Muitos dos meus colegas de partido rechaçam o rótulo de conservadores. O DEM é o quê, então? Se não podemos nos assumir conservadores, é melhor fundir o partido com um partido de esquerda, então.
COTAS RACIAIS
O senhor acredita que a política de cotas raciais é apenas uma manifestação do assistencialismo desmedido que o senhor condena?
Sim. Sou contra qualquer tipo de cota. Se tivermos de estabelecer um critério, deve-se utilizar a renda. Uma cota social é mais justa que a racial. Os tribunais raciais que foram criados nas universidades são arbitrários. Apesar de reconhecer o sofrimento e a exclusão histórica que a população negra sofreu no Brasil, acredito que o grande problema em nosso país não é racial, mas econômico. O brasileiro é discriminado por ser pobre, e não pela cor de sua pele.
(…)
NÃO À DESCRIMINAÇÃO DAS DROGAS
VEJA publica nesta edição uma reportagem sobre um corajoso documentário que discute a descriminalizacão da maconha. Qual é sua opinião a respeito?
Acho uma bobagem rematada, pois parte do pressuposto de que isso vai acabar com o tráfico. Todos os países que liberaram o consumo de drogas estão voltando atrás, caso de Portugal e Holanda. A droga é a origem de inúmeros crimes, e o usuário não pode ser tratado apenas como uma vítima, uma vez que alimenta esse ecossistema pernicioso. Além disso, a lei já o protege, impedindo o cumprimento de pena. Em vez de liberar o consumo de drogas, o governo deve construir centros dignos de tratamento e reabilitação para viciados.
Leia íntegra da entrevista na revista

29 maio 2011

Mandela se despede da vida... (Por Ricardo Setti em Veja.com)


Um aperto no coração dos sul-africanos: Mandela, um dos gigantes do século XX, pode estar se despedindo para sempre

Mandela: a tradição de sua etnia diz que as pessoas devem voltar aonde os ancestrais repousam para morrer. E ele regressou à aldeia da infância
Dispõe a tradição da etnia xhosa da África do Sul, à qual pertence o ex-presidente e pai da pátria Nelson Mandela, 92 anos, que as pessoas mantêm uma ligação permanente com seus ancestrais, e devem voltar para onde eles repousam para morrer. Assim, foi com consternação que o país ficou sabendo que Mandela e a esposa, Graça Machel, haviam voado de Johannesburgo, onde vivem, e chegado à aldeia de Qunu, na província do Cabo Oriental onde foi criado o líder da derrubada do regime racista do apartheid e introdutor da democracia no país.
O avião que conduzia o velho líder e a mulher aterrissou no aeroporto da cidade de Mthatha, 875 quilõmetros ao sul de Johannesburgo e a alguns quilômetros da pequena aldeia, acompanhado de um impressionante esquema médico e de segurança: outros 4 aviões, uma ambulância militar e 12 automóveis.
“Quero ir para casa”
“Quero ir para casa”, teria dito Mandela à família, meses depois de ter se recuperado de uma pneumonia que o levou a passar 2 dias num hospital de Johannesburgo. Já há tempos ele se encontra muito fragilizado, e passa meses sem aparecer em público.
Qunu é uma aldeia simples, com muitas choças e casas de paredes de barro, que até há pouco não dispunha de eletrecidade. Ao deixar o cárcere em 1990, depois de 27 anos de prisão – boa parte em solitária — por sua ação contra o regime racista, a primeira viagem do líder do então ilegal Congresso Nacional Africano foi exatamente a Qunu, onde acabou construindo uma casa que ainda mantém. Não há prazo para sua volta a Johannesburgo.
Além dos longos e duríssimos anos de prisão – durante anos a fio, ele só podia receber uma visita e uma carta a cada 6 meses –, Mandela sofreu golpes terríveis da vida, como perder 2 filhos e uma filha, dos 6 que teve em dois casamentos, além de uma neta muito querida, que morreu num acidente de tráfego justamente quando se realizava a Copa do Mundo de 2010 em seu país.
Um aperto no coração de muita gente
Tem, porém, uma vasta família, e um de seus porta-vozes é o bisneto Luvuyo Mandela, que assegura que o ex-presidente (1990-1995) e Nobel da Paz de 1993 está bem.
Muita gente na África do Sul, porém, sente um aperto no coração, por temer que o homem exemplar que estendeu a mão aos algozes para virar a página do regime racista e reconciliar os sul-africanos, que deixou a luta armada em prol da paz, da tolerância e da democracia, que nunca deixou de pregar contra o ódio entre negros e brancos, que foi para a casa depois de exercer um mandato, quando poderia se reeleger quantas vezes quisesse, o último dos gigantes do século XX, Madiba – como é conhecido – ou Tata (“papai”, no idioma xhosa) pode aos poucos estar se despedindo para sempre.

Crianças numa escola de Johannesburgo sob a placa “Nós te amamos, Madiba”

O perigo mora em Campinas_Por Augusto Nunes (Veja.com)


À saída do gabinete do procurador-geral do Estado, Fernando Grella, o presidente do PT paulista, Edinho Silva, informou nesta quarta-feira que a conversa de 40 minutos tratara do caso da quadrilha homiziada nos porões da prefeitura de Campinas. Como o elenco envolvido na roubalheira calculada em R$ 630 milhões inclui dois amigos do peito de Lula ─ o empresário José Carlos Bumlai e o prefeito, Doutor Hélio ─ a comitiva formada por cinco deputados estaduais estava lá para impedir que as investigações conduzidas pelos promotores do GAECO, grupo cuja missão primordial é o combate a organizações criminosas, ultrapassassem as divisas do município.
“O partido não vai admitir especulações políticas em torno do ex-presidente Lula”, declamou Edinho, que também considerou absurda a decisão de engaiolar preventivamente o vice-prefeito Demétrio Vilagra, chefão do PT campineiro. “Não existe um único dado que justifique o pedido de prisão do companheiro Demétrio, que tem uma história vinculada aos movimentos sociais e não pode ser condenado publicamente”, protestou.
Ele desconfiou que a tentativa de intimidação não funcionara ao saber da réplica de Grella: “O procurador-geral reafirma seu apoio ao trabalho firme, sereno e imparcial desenvolvido pelos membros do Ministério Público no sentido do esclarecimento da verdade e da correta aplicação da lei, em cumprimento ao papel da instituição”. Nos dois dias seguintes,como comprova o site de VEJA, teve certeza de que dera um tiro no pé.
Preso nesta quinta-feira no aeroporto de Guarulhos, ao voltar da viagem a Madri, Vilagra passou a noite na cadeia. Nesta sexta-feira, Bumlai foi interrogado durante três horas. Acusada de liderar a quadrilha, a primeira-dama Rosely Nassim Jorge Santos precisará de muita imaginação para provar que o marido não sabia de nada. A história ainda em seu começo escapou de vez ao controle dos especialistas em livrar delinquentes do castigo.
Para abafar o escândalo que envolve também o amigo Ítalo Hamilton Barioni, o inevitável José Dirceu acampou em Campinas no domingo. Em reuniões com a turma, o consultor alertou-a para o risco de versões contraditórias. Dirceu certamente imaginou que a barulhenta passagem de Lula por Brasília impediria que o país ouvisse os estrondos em Campinas. Errou.  A consultoria gratuita só serviu para identificar com nitidez o caso que mais inquieta os comandantes do PT.
O que lhes tem tirado o sono nos últimos dias não é o que se soube de Antonio Palocci. É o que falta saber sobre a quadrilha que desviou centenas de milhões dos cofres públicos com licitações fraudadas. Os Altos Companheiros acham que a crise provocada pelo milagre da multiplicação do patrimônio pode ser resolvida com o afastamento do chefe da Casa Civil e, como o governo está conseguindo bloquear o avanço das apurações, ficará circunscrita a Palocci. O tumor descoberto em Campinas é mais perturbador.
O Ministério Público paulista já demonstrou que não se subordina a interesses políticos nem teme arreganhos autoritários. Os promotores do GAECO estão decididos a fazer Justiça. Ainda à espera de artistas veteranos, o elenco já em movimento promete fortes emoções. Quando estiver completo, a plateia não vai querer perder nenhum capítulo. E torcer para que os vilões não escapem novamente no final.

Os desastres da dupla Dilma-Palocci_(Editorial do Estadão)


Leia editorialdo Estadão:
Onde não costuma chover, quando chove é um dilúvio. No governo Dilma, fazia bom tempo até que o céu veio abaixo por força da conjunção de duas questões tempestuosas: a revelação do enriquecimento em surdina, entre 2006 e 2010, do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, e o trâmite da reforma do Código Florestal, aprovada esta semana na Câmara dos Deputados. A tormenta ilhou o Palácio do Planalto, expôs a fragilidade congênita da base parlamentar do governo, cuja amplitude é inversamente proporcional à sua consistência programática, e trouxe de volta ao centro das decisões o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o inevitável apequenamento da liderança e do capital político de sua sucessora.
A crise em dose dupla levou à beira da desagregação o enlace de conveniência entre PT e PMDB, já combalido pelo ressentimento da legenda do vice-presidente Michel Temer com a expansão da presença petista no governo e a preferência de sua titular por quadros técnicos pinçados por ela mesma, em detrimento de apadrinhados políticos. Para a presidente, ficou difícil escolher o pior dos males, entre a má vontade do PMDB em assumir a defesa de Palocci - e o flerte de uma parcela de seus congressistas com a iniciativa da oposição de criar uma CPI sobre o escândalo - e a obstinação do líder do partido na Câmara, Henrique Alves, em fazer aprovar a emenda ao projeto do código que anistia plantações em áreas de proteção permanente e que Dilma considerou “vergonhosa”.
A seu mando, Palocci ligou no dia da votação para Temer para informá-lo de que os cinco ministros do PMDB, a começar do titular da Agricultura, Wagner Rossi - indicado pessoalmente pelo interlocutor -, seriam exonerados caso o partido seguisse na contramão das posições da presidente. Abespinhado, o vice retrucou que a demissão seria desnecessária “porque amanhã cedo mesmo todos entregarão os seus cargos”. A ríspida conversa, testemunhada em ambas as pontas da linha, revela, de um lado, a mão pesada de Dilma e a sua tremenda falta de traquejo político; de outro, a arrogância de seu “primeiro-ministro”, conhecido antes pela sua afabilidade com aqueles em quem reconhece atributos de poder. Mais tarde, Palocci telefonou para se desculpar, mas o estrago estava feito. Lula decerto não deixaria as coisas chegar a tal ponto.
Ele sabe que a presidente precisa do PMDB, não tivesse sido ele quem costurou com a sigla a aliança eleitoral pró-Dilma - e, no embalo, acatou a demanda de Temer de ser o vice -, de olho tanto nas urnas quanto na governança. Ele acha também que Dilma não pode passar sem Palocci. Na mesma conversa com senadores petistas em que o comparou a Pelé, Lula teria prognosticado que, desprovida do ministro, Dilma “se arrastaria até o final do mandato”. Está claro que foi por instigação de seu mentor que ela enfim veio a público “assegurar” que Palocci estava dando todas as explicações necessárias e atacar a oposição por “politizar” o caso, citando a acusação tucana à Receita Federal de privilegiar uma empresa cliente de Palocci, a WTorre.
Por inadvertência ou cautela, porém definitivamente não a pedido de Lula, Dilma se guardou de dizer que tinha “absoluta confiança” no ministro, como afirmou diante dos boatos - alegadamente insuflados por ele - de que o titular da Fazenda, Guido Mantega, estava com os dias contados no governo. Faz parte das aptidões dos políticos profissionais prestar atenção não só no que diz um governante, como também no que omite. É verdade que o PMDB parece ter se desvinculado de qualquer tentativa de inquirição parlamentar do ministro que foi de excepcional rudeza com o seu dirigente, mas, como diria Dilma (quando perguntada se manteria suspensas as multas aos desflorestadores), “o futuro a Deus pertence”.
E o futuro continua carregado para Palocci. O Ministério Público Federal do DF acaba de abrir uma investigação, na esfera cível, para averiguar se os valores faturados pela Projeto, a empresa aberta em 2006 pelo então deputado, são compatíveis com os serviços prestados por ele. E no fim da semana que vem expira o prazo dado pela Procuradoria-Geral da República para o ministro se explicar.

25 maio 2011

Será que o Palocci embolsou "sobras de campanha" da Dilma e está levando chumbo dos "companheiros"?

Essa é uma boa pergunta, não acham?
Porque, de outra forma, qual a razão de o Palocci não poder explicar estes ganhos? Será porque ele não pode afirmar que são sobras de campanhas que ele embolsou e a companheirada "sobrou" na parada? Se foi isso, ele teria de inventar essa coisa de "consultoria", etc. E aí, se ele "abrir" os nomes das firmas para as quais prestou "consultorias" pode ser que as mesmas fossem aquelas que contribuíram com boas somas para a campanha da "companheira". Hiiiiiiii.

22 maio 2011

Como falar "Amazonês" em lugar do "lulês"


Primeiramente, você tem que treinar falar com as pessoas pegando nelas.
No braço, no ombro, no cotovelo. Mas tem de pegar.
A linguagem corporal é tão importante para o amazonense, quanto o descanso para o baiano e a desconfiança para o mineiro.
Beijinhos de cumprimento são sempre dois. Os paulistas têm de aumentar um e os gaúchos têm de reduzir um. Isso pode causar uma série de beijos órfãos no ar para aqueles que estão em fase de adaptação.
O pegar e o beijinho do amazonense não devem ser entendidos, como invasivos, mas como parte mesmo de sua enunciação, parte do sentido do dizer.
Outra coisa: amazonense aponta com a boca. Pergunte a um amazonense onde está algo e ele, muito provavelmente, em vez de levantar a mão e apontar, fará um biquinho em direção à coisa procurada. Aliás, um biquinho não, um beicinho.
Amazonense bom mesmo, típico, é aquele que não respeita sinais de trânsito. Faixa de velocidade, então... vixe! Nem pensar. Muitos até fazem da faixa uma espécie de guia para centralizar seu carro, como fazem os aviões.
E vá tentar andar na faixa! Você é considerado o pior motorista do mundo, com direito a olhares feios e até alguns xingamentos.kkkkkkkkkk Mas por outro lado, se seu carro quebrar, logo aparecem muitos amazonenses querendo dar uma mãozinha.
Amazonense é muito solidário... Pergunte e ele responderá. Peça e ele lhe ajudará. Dê trela e ele grudará.
O amazonense é muito caloroso. Não só pelo calor que faz em Manaus, mas porque facilmente puxa papo e se integra a um grupo.
Basta uma possibilidade de entrada na conversa e..zapt! Estamos dentro, na maior intimidade. Isso pode causar certo choque para as pessoas do sul e sudeste, mais reservadas no assunto amizade.
É mais difícil 'aprochegar-se' em São Paulo do que em Manaus,definitivamente. Mas há doces exceções.
Noves fora essas questões de relacionamento, há a questão da língua mesmo. Algumas palavras e expressões que realmente levam algum tempinho para que sejam dominadas e internalizadas.
Seguem abaixo algumas palavras e expressões típicas com suas explicações e
comentários.
 
ÉGUA - Égua pode ser usado em várias situações:
Alguém faz algo que você não entendeu: "égua..."
Uma situação estapafúrdia?
"Éééguaa, maninho..."
 
QUE SÓ - Locução adverbial de intensidade, similar a "pra caramba".
"Hoje está quente que só".
"Ela é lesa que só".
"A sala estava lotada que só".
 
LESO (A), LESEIRA - Um leso é alguém que sofre de leseira.
Leseira é um abestalhamento momentâneo que acomete o leso.
Se a leseira for uma característica contínua, dizemos que o leso sofre de
leseira baré.
Segundo cientistas da Universidade de Kuala Lumpur, a leseira baré ocorre
entre os amazonenses devido ao sol quente na moleira, que frita o cérebro
e queima alguns neurônios.
 
Temos ainda as expressões derivadas:
"Deixa de ser leso!" e "Pára de leseira!".
Mas como tudo tem seus dois lados, dizem que o sol também causa nos
amazonense algo chamado "tesão de mormaço". (Auto-explicativo)
 
AGORINHA - Diferentemente do uso no sudeste, agorinha quer dizer 'há
alguns segundos', Referindo-se ao passado e não ao futuro. "Ela estava
aqui agorinha, mas sumiu".
 
OLHA JÁ! - Expressão de indignação correspondente a 'Mas que abuso!'.
E aí, gata, me dá um beijo?
"Mas, olha já esse aí...Te manca!"
 
MANO(A) - Tratamento carinhoso entre conhecidos ou não.
Muito usado para fazer perguntas e pedidos:
"Mana, faz um favor pra mim".
"E aí, tudo bem, mano?'
 
MANINHO(A) - Tratamento não carinhoso usado por pessoas que já estão
estressadas
"Maninho, tu não tem o que fazer não?"
 
TÉLÉSÉ - é a mesma coisa que "tu é leso é?"
 
PITIÚ - Cheiro. Geralmente associado a peixe.
"Tá sentindo um pitiú danado aqui?"
 
 
BORIMBORA - Vamos embora.
"A gente não tem mais nada a fazer aqui. Borimbora!"
 
COM BORRA (E TUDO) - Com tudo. Expressão de alopro.
"Ela estava aprendendo a dirigir. Foi entrar na garagem e pisou no
acelerador ao invés de pisar no freio. Aí entrou com borra e tudo na
Garagem, arrebentando o carro todo.
 
MAS QUANDO? - Quer dizer que nunca, nem pensar.
"Ele disse pra eu ir lá na casa dele.. Mas quando?.
 
MACETA - Grande, imenso, de proporções anormais.
"Eu disse que ia lá brigar com ele e quando eu olhei o cara era
maaaaaaaaaaceta. Saí fora..."
 
QUERIDA - Cuidado! Esse é um falso cognato. O uso da palavra "querida" aqui em  Manaus denota um certo sarcasmo ou uma certa ironia.
"Escuta aqui, minha querida. Eu sou a mulher dele, entendeu?"
"Você não está entendendo, querido? (Significa você é um burro!)
 
CARAPANÃ - Pernilongo. Só que mais chato e mais chupador.
Termo indígena para 'lança voadora', segundo a lenda urbana.
 
MAIS VOU MERMO - Indica uma afirmativa veemente .
Vamos à Ponta Negra no domingo?
Resposta: Mais vou mermo.
 
Ainda pode ser usada uma variação: MAIS QUERO MERMO:
"Tá afim de um sorvete de creme de cupuaçu?
Resposta: Mais quero mermo".
(Obs.: Uma verdadeira Manauara nunca rejeita um sorvete de cupuaçu ou tapioca)
 
NEM COM NOJO - Indica uma negativa veemente.
"Não empresto dinheiro para ele nem com nojo",
"Vai ter que comer este peixe hoje, sem farinha amarela e sem pimenta.
Reposta: Nem com nojo."
 
MÁ RAPÁZ - O mesmo que 'Olha já!'.
"Me empresta teu carro?"
Reposta: "Má rapáz! Claro que não!'

Relatório sobre Jirau e violações aos direitos humanos

DHESCA BRASIL INFORMA ▪ PAUTA
Plataforma Brasileira de Direitos Humanos, Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (DHESCA) - www.dhescbrasil.org.br
Relatório sobre Jirau e violações aos direitos humanos será lançado amanhã (18) em Brasília
O Relator Nacional para o Direito Humano ao Meio Ambiente, José Guilherme Zagallo, irá nesta semana entregar à autoridades em Brasília o relatório oficial que aponta violações aos direitos humanos nas obras das Hidrelétricas Jirau e Santo Antônio, do Rio Madeira. O documento  também aponta preocupações com relação a Usina de Belo Monte, onde a obra é ainda maior.
 Na quarta-feira (18), o Relator participará da Audiência Pública na Comissão de Direitos Humanos, às 11h, no Plenário 15, Anexo 2 – Câmara Federal, e estará disponível para entrevistas a partir das 13h, no seguinte número de telefone: 098 8144-6250.
Mais informações: Laura Schühli – assessora de comunicação – 041 8858-9600
Jirau hoje, Belo Monte amanhã 
Relatório aponta violações em Jirau e prevê repetição em Belo Monte
Além das violações trabalhistas denunciadas na construção da Hidrelétrica no Madeira, em Porto Velho o índice de migração foi 22% maior que o previsto, os casos de estupro aumentaram em 208% e quase 200 crianças permanecem fora da escola. Os dados estão no Relatório sobre Jirau, que será lançado nesta semana em Brasília. A maior preocupação é que violações desse tipo tendem a se repetir em Belo Monte.
Dois meses após a revolta dos operários na usina de Jirau, em Porto Velho, aRelatoria Nacional para o Direito Humano ao Meio Ambiente entrega nesta semana à autoridades em Brasília, o relatório que aponta inúmeras violações aos direitos humanos na obra. Além do desrespeito à legislação trabalhista e das violações de direitos humanos encontradas (leia mais), a relatoria constatou que a infraestrutura montada pelos consórcios para a obra é insuficiente. Resultado disso é que centenas de crianças estão fora da sala de aula, a qualidade de vida das comunidades piorou, houve aumento expressivo nos índices de violência, incluindo as ocorrências de estupro, que aumentaram em 208%.
O relatório é resultado de uma missão emergencial realizada em abril, motivada pelo levante dos operários que incendiaram 54 ônibus e 70% dos alojamentos. Apenas na usina de Jirau eram 21 mil trabalhadores compartilhando alojamentos, denunciando surtos de viroses, jornada excessiva de trabalho e outras más condições que a magnitude e a pressa em acabar a obra ocasionaram. As comunidades realocadas reclamam da piora na qualidade de vida: estão em casas de alvenaria de má qualidade, longe de suas terras, onde plantavam e colhiam, e do rio, onde pescavam. Elas afirmam que a renda hoje é muito inferior ao que recebiam antes.
Segundo o Relator para o Direito Humano ao Meio Ambiente, José Guilherme Zagallo, as conseqüências das obras do Madeira constatadas pela relatoria tendem a se repetir em Belo Monte em uma escala ainda maior. A Relatoria já havia realizado umamissão no Madeira em 2008 e também esteve em Belo Monte no ano passado. Na opinião de Zagallo, o Pará, assim como Rondônia, não possui estrutura para receber esse contingente de trabalhadores e migrantes, o que acarretará em mais violações. “O estudo de impacto ambiental de Belo Monte prevê que a população de Altamira vai duplicar com a construção da usina”, afirma o relator.
Na avaliação da Relatoria o Estado Brasileiro não está preparado para essas grandes obras. “Em uma única semana, em março, 80 mil trabalhadores de obras diferentes estavam em greve por más condições de trabalho. Só em Jirau e Santo Antonio, o Ministério do Trabalho fez 2.000 autuações por violações à legislação trabalhista”, afirma o Relator. Tanto as usinas no Rio Madeira como a usina de Belo Monte, no Rio Xingu, são obras de envergadura do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), financiadas com recursos públicos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A Relatoria pretende mobilizar autoridades para que o Governo Brasileiro tome as medidas cabíveis que reparem as violações constatadas e evitem novas violações.
Saiba mais sobre a Relatoria:
As Relatorias de Direitos Humanos são uma iniciativa da sociedade civil brasileira, que têm como objetivo contribuir para que o Brasil adote um padrão de respeito aos direitos humanos econômicos, sociais, culturais e ambientais. O projeto foi implantado pela rede Dhesca Brasil em 2002, inspirado no modelo dos Relatores Especiais da ONU.
O desafio dos/as Relatores/as é o de diagnosticar, relatar e recomendar soluções para violações apontadas pela sociedade civil. Para verificar as denúncias acolhidas, as Relatorias visitam os locais realizando missões, audiências públicas, incidências junto aos poderes públicos e publicam relatórios com recomendações para a superação dos problemas identificados.
Mais informações: www.dhescabrasil.org.br
EXPEDIENTE
Secretaria Executiva da Plataforma Dhesca Brasil
Danilo Uler Corregliano: secretaria@dhescbrasil.org.br
Laura Bregenski Schühli (MTB 8405 – PT): comunicacao@dhescbrasil.org.br
Rua Des. Ermelino de Leão, 15, conj. 72 – Centro – CEP: 80410-230 – Curitiba/PR – Brasil
Tel: +55 (41) 3014-4651 - + 55 (41) 3232-4660
Acesse o site: www.dhescbrasil.org.br

Professora do RN resume a educação do país em 8 minutos

Vejam esse vídeo com a impressionante fala dessa professora de Rio Grande do Norte e me digam como está a educação no Brasil de Lula e Dilma...

15 maio 2011

O "lulês" quer se impor no Brasil!!


Vejam que risco aguardam nossos filhos e netos nas escolas "do MEC": "doutora" lança livro esinando a falar errado. Trata-se do livro 'Por uma vida melhor", que tem Heloísa Ramos como uma de seus atores. Vejam a pérola:
livro-didatico2
Que tal? Dá para encarar? Desse jeito vão chamar o Lula para escrever dicionário e vendê-lo para o MEC...