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16 dezembro 2011

FHC aponta um novo “Dossiê Cayman” e acusa a “calúnia organizada”

O presidente Fernando Henrique também se manifestou sobre a peça de propaganda tornada pública por uma quadrilha de analfabetos - também morais. Leia nota:

A infâmia, infelizmente, tem sido parte da política partidária. Eu mesmo, junto com eminentes homens públicos do PSDB, fomos vítimas em mais de uma ocasião, a mais notória das quais foi o “Dossiê Cayman”, uma papelada forjada por falsários em Miami para dizer que possuíamos uma conta de centenas de milhões de dólares na referida ilha. Foi preciso que o FBI pusesse na cadeia os malandros que produziram a papelada para que as vozes interessadas em nos desmoralizar se calassem. Ainda nesta semana a imprensa mostrou quem fez a papelada e quem comprou o falso dossiê Cayman para usá-lo em campanhas eleitorais contra os tucanos. Esse foi o primeiro. Quem não se lembra, também, do “Dossiê dos Aloprados” e do “Dossiê de Furnas”, desmascarado nestes dias?
Na mesma tecla da infâmia, um jornalista indiciado pela Polícia Federal por haver armado outro dossiê contra o candidato do PSDB na campanha de 2010, fabrica agora “acusações”, especialmente, mas não só, contra José Serra. Na audácia de quem já tem experiência em fabricar “documentos” não se peja em atacar familiares, como o genro e a filha do alvo principal, que, sem ter culpa nenhuma no cartório, acabam por sofrer as conseqüências da calúnia organizada, inclusive na sua vida profissional.
Por estas razões, quero deixar registrado meu protesto e minha solidariedade às vítimas da infâmia e pedir à direção do PSDB, seus líderes, militantes e simpatizantes que reajam com indignação. Chega de assassinatos morais de inocentes. Se dúvidas houver, e nós não temos, que se apele à Justiça, nunca à infâmia.
São Paulo, 15 de dezembro de 2011
Fernando Henrique Cardoso

13 dezembro 2011

FHC: Dilma tem de se responsabilizar por ministros (Em Veja.com)

"Dilma levou o ano todo com o peso morto desse entulho. Ela tem de se livrar desse entulho", disse o ex-presidente sobre herança de Lula

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (Paula Sholl/Agência PSDB)
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso chamou a presidente Dilma Rousseff à responsabilidade diante das denúncias contra ministros de seu governo. "Tem de haver um pouco mais de responsabilização", disse FHC, em entrevista à rádio Estadão ESPN nesta segunda-feira. Para o ex-presidente, os ministros precisam deixar o cargo diante do surgimento de denúncias. "Tem suspeita? Tem de cair fora."
FHC disse que em seu governo não existia tolerância com irregularidades e que seus auxiliares eram obrigados a deixar o cargo ao serem confrontados com denúncias. "Eu nunca tive leniência ou tolerância", afirmou. Na opinião do ex-presidente, hoje a responsabilidade é jogada sobre os partidos e a corrupção se tornou parte do jogo político. "Acho isso muito grave."
Durante entrevista de uma hora, Fernando Henrique disse que em seu primeiro ano de governo a presidente Dilma Rousseff carregou uma base aliada maior do que a necessária para governar e a herança do governo Luiz Inácio Lula da Silva se transformou em entulho. "Ela levou o ano todo com o peso morto desse entulho. Ela tem de se livrar desse entulho", disse.
Na avaliação do ex-presidente, se Dilma perder alguns partidos da base aliada, isso não comprometerá a governabilidade. "A Dilma tem uma base maior que o necessário. Se ela dispensar um ou dois partidos, não acontece nada (na coalizão)", comentou. Mesmo evitando dar conselhos a Dilma, FHC acredita que a reforma ministerial prevista para o início de 2012 será a oportunidade de a presidente mostrar coragem e dar sua cara ao ministério."Acho que ela tem uma bela chance de atuar firmemente", disse Fernando Henrique.
Clientelismo - Embora tenha cobrado firmeza de Dilma, o tucano culpou o sistema político clientelista pela corrupção no Brasil. "Nossa cultura aceita transgressões", disse. Segundo ele, a frouxidão da cultura política brasileira só pode ser mudada com o tempo e com exemplos. "É muito difícil mudar o sistema porque quem muda foi eleito pelo sistema", afirmou. Ainda que tenha sido rigoroso com as denúncias, FHC admitiu que possa ter ocorrido irregularidades em sua gestão. "Não vou dizer que não teve corrupção no meu governo, provavelmente teve."
(Com Agência Estado)

Governo tenta barrar depoimento de Fernando Pimentel no Senado

Por Gerson Camarotti, na Folha:
O Palácio do Planalto deflagrou estratégia para tentar esvaziar ao longo desta semana o caso envolvendo o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel. A avaliação interna é que, se conseguir desidratar o episódio envolvendo as consultorias de Pimentel antes do recesso de fim de ano, o caso estará encerrado. O GLOBO revelou que o ministro recebeu R$ 2 milhões em consultoria antes do governo Dilma.
A ordem do Planalto é barrar uma convocação do ministro para falar sobre caso no Senado. Para o governo, o risco de um depoimento é maior do que o desgaste para abafar uma convocação. Essa ação do governo tem o respaldo pessoal da presidente Dilma Rousseff. Segundo interlocutores, diferente dos outros episódios de queda de ministros, Dilma não emitiu sinais de substituição de Pimentel. Pelo contrário: a orientação é de que ele permanece na reforma ministerial.
Mas já há o reconhecimento interno de que ele ficará enfraquecido politicamente. De forma reservada, ministros admitem que, apesar das explicações, as denúncias criaram forte desgaste na imagem de Pimentel.
Nesta terça-feira, será votado o requerimento apresentado pelo líder do PSDB, senador Alvaro Dias, para convocação de Pimentel na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle. Mas, segundo um ministro, é melhor sofrer um pequeno desgaste para barrar a convocação, do que realimentar o noticiário com um depoimento considerado arriscado.
“Se ele não for, ficará muito mal para o governo. Até porque, os demais ministros que foram prestar esclarecimentos não eram do PT. A operação para barrar a convocação de Pimentel mostra que o governo está preocupado com as denúncias”, ressaltou Alvaro Dias.  “Se eles estivessem tranquilos, essa seria a melhor oportunidade para dar explicações. Ou esse dinheiro da consultoria é resultado de tráfico de influência ou, pior, é lavagem de dinheiro de caixa dois de campanha”.
O PT também reforça essa estratégia de esvaziar o caso, apesar do constrangimento dos aliados, que viram pela primeira vez a presidente Dilma mudar de ideia e blindar o ministro de sua cota pessoal. O líder do PT, senador Humberto Costa (PE), descartou a possibilidade de aprovar uma convocação: “Até o momento, não há motivação que justifique a convocação do ministro Pimentel. Os fatos citados não dizem respeito ao governo federal. Ele não exercia função pública quando prestou consultoria. E as empresas citadas não têm relação com o Executivo. Se tiver que falar sobre isso, o local adequado não é o Congresso, mas a Câmara dos Vereadores (de Belo Horizonte)”.
Estratégia de proteger ministro já incomoda aliados
Para reforçar Pimentel internamente, Dilma tem dado demonstrações de apreço por ele e chegou a aconselhá-lo a resistir às acusações, algo que não fez com os ministros que caíram ao longo desse ano. Essa estratégia já incomoda os aliados, pois, até então, os ministros acusados de irregularidade eram pressionados pelo Planalto a prestar depoimento no Congresso.

12 dezembro 2011

Com a arma na cabeça e com Deus no coração

O bairro Monte das Oliveiras nunca me pareceu muito diferente de qualquer outro de Manaus. No entanto, a partir desta sexta-feira, 09/12, vou prestar mais atenção por onde ando. Provavelmente nunca mais vou ficar tranquilo ao entrar no carro sem olhar detidamente para todos os lados, bem como em ficar "dando sopa pro azar, conversando, batendo papo"... Nunca imaginei que acontecesse comigo!
No momento em que baixei os vidros dianteiros e acionei o motor do carro, já com a família dentro - eu dirigindo, minha mulher Tatiane ao lado com nossa filha caçula Clara (1 ano e 8 meses) e a mais velha Alice (5anos) atrás, por volta das 19:30h, dois sujeitos em uma moto "cortaram a frente do carro" me impedindo de sair. Imaginei que fosse o filho da vizinha que mora ao lado, o qual tem uma moto e é chegado a tomar "umas e outras". Ledo engano! O garupa da moto saiu e violentamente me acertou no lado esquerdo da cabeça com o lado da arma que empunhava. Nisso eu caí para a poltrona do lado direito do carro, onde estava minha mulher e minha filha Clara, ainda sem saber muito bem o que estava acontecendo. Meio zonzo pela pancada do revólver, nada disse, apenas ouvi a minha mulher pedindo calma ao bandido e tentando me puxar para fora do carro. Neste momento caiu a ficha e eu já havia me dado conta da cena e estava retardando minha saída preocupado em não deixar que o bandido saísse no carro levando a minha outra filha Alice, mesmo com o bandido apontando a arma para mim e fazendo menção de atirar. Esperei um momento mais até ver minha mulher Tatiane com as nossas duas filhas fora do carro e então me apressei em sair, meio que me arrastando, tanto pelo efeito da pancada quanto para oferecer menor ângulo de tiro. Os dois meliantes, ambos armados, tentaram entrar na casa da minha sogra e nos dominar a todos, mas minha mulher nos colocou para dentro e tentou trancar a porta de alumínio do portão da garagem, mas não conseguia devido ao estado de nervos em que se encontrava. Foi então que eu mesmo consegui trancar o portão e vimos, por cima do mesmo, os bandidos saírem com o carro.
Muitos vizinhos viram tudo, mas não reagiram por razões óbvias. Contudo, acionaram outros amigos e estes a polícia. Nós também o fizemos. Liguei para o BB e bloqueei meus cartões. Minha carteira porta-cédulas e da OAB ficaram no console do carro. Também ficaram no veículo a bolsa da minha mulher, as compras para o aniversário da Alice na mala do carro, bem como minha pasta de trabalho como advogado, e meu blaiser por sobre o banco do motorista, como se fosse uma capa.
Dentro de casa, ainda sob o efeito psicológico da violência da ação, principalmente nossas filhas, demos graças a Deus pelo fato de que apenas o carro com os demais pertences foram levados. Confiando em que, de alguma forma, Deus cuidaria de tudo. Essa é a parte mais interessante! Por volta das 20 h, saí com a minha mulher, sua irmã e um amigo para fazer um B.O. na DERFV que fica no 12a DIP em frente ao Aeroclube. Quando já estava entrando para falar com os policiais de plantão, o celular tocou e minha sogra falou para voltarmos todos para o posto de gasolina que fica próximo de sua residência porque um vizinho  que conhece os policiais que já estavam no encalço dos bandidos avisou que haviam encontrado o carro abandonado. Não acreditei no que ouvia, pois lembrei que o carro de minha cunhada ficara 8 meses nas mãos de bandidos...
Quando já estávamos voltando, passamos por um posto de combustíveis na Av. Torquato Tapajós que fica em frente do bairro mais conhecido como "Carbrás" e vimos uma enorme quantidade de viaturas policiais estacionadas no posto, como que montando "campana", e nos admiramos disso. Alguns quilômetros à frente, percebemos que vinha um carro em altíssima velocidade, o qual passou pelo nosso lado direito quebrando o nosso retrovisor e raspando o para-lama dianteiro. Estava sendo perseguido pela polícia que havíamos visto.  Nele estavam 4 bandidos que haviam roubado o Corola de uma advogada. Foram todos presos e levados para a 18a DIP. Nos assustamos com a violência dos bandidos e fomos em frente, sem parar, até ao posto de combustíveis onde o conhecido estava aguardando em seu carro. Apenas lá vimos os estragos no carro de minha cunhada. Cumprimentei o vizinho amigo de minha sogra (empresário de mini-mercado que já foi assaltado 9 vezes!) e entrei no seu carro para irmos até onde possivelmente estaria o meu carro. Nunca vi lugar de tão difícil acesso quanto este do bairro vizinho chamado de Terra Nova! Após voltas e mais voltas, subidas e descidas, encontramos uma guarnição da PM esperando a nossa chegada. Constatei, quase sem acreditar, que era mesmo o nosso carro. Mentalizei uma oração de agradecimento a Deus e então fui verificar as condições do carro.
Provavelmente os bandidos o abandonaram por falta de condições de uso, pois, na pressa, bateram com a caixa de câmbio em um  quebra-mola que resultou em dano no reparo da alavanca de câmbio. A roda dianteira direita ficou dentro da vala, na subida da rua, e eles não souberam tirar o carro dessa situação. Os moradores do local viram que o carro "fumaçou muito" (na tentativa de os bandidos fazerem o carro andar em marcha errada)  e relataram que 4 bandidos armados saíram do carro bastante furiosos, chutando o carro e correndo a pé, subindo a rua. Revistei o carro e verifiquei que fizeram uma devassa dentro do mesmo, mas deixaram meu blaser e a carteira da OAB. Raciocinei: ufa! pelo menos posso provar quem sou! Deixaram também a bolsa da minha mulher no banco traseiro com seus documentos, mas sem os telefones, bem como as compras do aniversário da nossa filha Alice no porta-malas. Pensei: bandidos bonzinhos esses! Um dos meninos que mora no local viu quando os bandidos jogaram algo no mato lateral da "pista" quando fugiam. Presumi terem sido as chaves do carro e da nossa casa. Bingo! O mesmo menino as achou e me entregou. Não tive dúvidas: bandidos burros!
Sem dinheiro para o frete, dispensei o guincho que já estava esperando para levar o carro até a 18a DIP e resolvi novamente pôr em prática minhas velhas artes de conduzir carro com problema. As marchas  estavam em completa desordem: 5ª. em 1ª., 2ª. na 4ª, sem a ré, e sem força nas subidas, etc. Mesmo assim, consegui levar o carro à delegacia, onde foi feito o laudo de entrega do mesmo, e após segui em frente, até minha casa, onde cheguei já por volta de 1h do dia 10/12. Que noite essa! Foi difícil dormir...
Mesmo dormindo mal, acordei às 8h com o telefone tocando e alguém dizendo que fosse buscar meus documentos que estava com ele, pois haviam sido achados jogados em uma lixeira próxima de onde os bandidos abandonaram o carro. Como bom Tomé, pensei: fui "mordido de cobra", então é melhor pedir para esse sujeito deixar os documentos na 18a DIP. Sabia lá eu se não era um truque...Foi o que disse ao sujeito, mas também não estava querendo acreditar no que estava ouvindo... Como Deus fez tamanha bondade para uma pessoa tão pecadora quanto eu? Como um roubo de carro se resolveu assim tão rapidamente? Será apenas por que eu pedi, mesmo sem nenhum mérito, assim como ele providencia a salvação cristã? Deve ter sido, sem dúvida... Aguardei que alguém da 18a DIP entrasse em contato para eu ir buscar os documentos, mas nada até as 16h... Foi quando alguém bateu em meu portão se dizendo policial e relatando que era conhecido da pessoa que havia achado meus documentos em uma lixeira de um condomínio realmente próximo de onde o carro havia sido abandonado pelos bandidos e que os meus documentos estavam não na 18a DIP e sim na 12a DIP (Aeroclube, bem mais perto de casa), onde o tal policial disse que trabalhava, e que eu deveria ir buscá-los sem maior burocracia. Agradeci ao policial e a Deus... Às 19h fui buscar meus documentos. Estava quase tudo lá: carteira porta-cédulas com os cartões do BB (bloqueados), a CNH e os documentos do carro. Pronto! Estava encerrada assim a minha pior experiência pessoal de vida e a minha melhor prova de que Deus ouve a oração de um (in)justo!
Amanhã, que dizer hoje, daqui a pouco, irei consertar o carro. Deve custar apenas uns R$ 30,00.
P.S. 1) Os bandidos andaram ligando para o meu celular passando trote, mas os mandei para a tonga da milonga do kabuletê; 2) Cuidado quando entrarem e saírem de suas casas e de seus veículos. Não se demorem conversando, muito menos sem conhecer o local onde estão; 3) Deus existe e ouve a oração quando a gente pede confiando que Ele resolverá da melhor maneira as coisas.
Deus seja Louvado! 

11 dezembro 2011

“A banalidade do mal”_(“Carta ao Leitor” da VEJA desta semana)

Os legados positivos da era Lula estão sobejamente demonstrados por aliados e até por adversários. Lula manteve os fundamentos democráticos e de política econômica que funcionavam bem desde Fernando Henrique Cardoso, aprofundando a ajuda direta aos miseráveis brasileiros, que tiveram acesso a dinheiro e crédito. Pouco se fala, porém, do imenso passivo deixado pelas escusas manobras petistas feitas com o objetivo de livrar a cara do governo depois do escândalo do mensalão - o pagamento regular a parlamentares da base aliada com dinheiro público e sobras de recursos ilegais de campanhas políticas.
A mistificação, a mentira, a falsificação e o relativismo moral foram exercitados ao limite pelo PT e pelo próprio Lula para esconder suas responsabilidades no episódio tenebroso. A manipulação dos fatos salvou o governo Lula de um colapso logo nos seus primeiros anos, mas lançou a propaganda do governo e do PT em um perigoso jogo em que a versão oficial deveria sempre se sobrepor às evidências, por mais fortes que fossem. Assim, foi se tentando apagar a fronteira entre o certo e o errado. Quase conseguiram. Foi total o desprezo pelos efeitos pérfidos que essa cultura oficial da falta de ética e da mentira teria sobre o Brasil e os brasileiros. Uma reportagem desta edição de VEJA conta, com exclusividade, a história secreta da mais ousada incursão do petismo na falsificação deslavada. Com base em gravações feitas com autorização judicial pela Polícia Federal, a reportagem mostra petistas de todos os coturnos negociando com um conhecido estelionatário a montagem de uma lista falsa de tucanos que receberiam dinheiro da estatal Furnas. A lista seria a prova de que o mensalão não fora invenção petista, já sendo prática comum usar dinheiro público para comprar consciências e financiar campanhas de candidatos. A lista resulta falsa como uma cédula de 3 reais.
É assombroso o que se ouve nas gravações sobre o uso do estado para fins criminosos. A certa altura, o estelionatário, hoje preso, cobra promessas feitas pelos petistas. Quer proteção. Quer a aprovação de seus negócios junto ao BNDES e à Caixa Econômica Federal. Ameaça “acabar com eles tudinho” se não for atendido. Em abril do próximo ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar, na imortal designação do procurador-geral da República, o “chefe da quadrilha”, José Dirceu, e os demais 35 réus do mensalão. A lista falsa serviria de sustentação à tese dos defensores dos petistas de que o mensalão foi apenas um pequeno desvio de conduta como tantos que ocorreram antes na política brasileira. Nesse contexto, é bom saber que a Polícia Federal e a Justiça têm informações que demonstram como a lista é produto de uma elaborada contrafação. A tese da banalidade do mensalão é insustentável. O mensalão não foi banal. Espera-se que a punição aos culpados reflita a gravidade dos crimes cometidos.

10 dezembro 2011

O GANGSTERISMO PETISTA_(Revista Veja, publicado por Reinaldo Azevedo)


Eis a capa de VEJA. Ao raiar da manhã, vocês terão mais detalhes.
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VEJA teve acesso a conversas gravadas pela Polícia Federal com autorização da Justiça que revelam como o PT de José Dirceu se juntou a um notório estelionatário para falsificar documentos, destruir a imagem de adversários e tentar enganar os ministros do Supremo Tribunal no caso do mensalão.
É ESPANTOSO, MAS ACONTECEU!

VEJA EXPLICA EM MATÉRIA DA CAPA COMO O PT SE ORGANIZOU PARA INCRIMINAR INOCENTES E LIVRAR A CARA DOS CULPADOS. E TUDO ESTÁ GRAVADO!
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A saída que o PT encontrou para tentar se safar do mensalão foi afirmar que tudo não passava de caixa dois de campanha e que todos, afinal de contas, agem do mesmo modo. Só que era preciso “provar” a tese. E ONDE ESTAVAM AS TAIS PROVAS? NÃO EXISTIAM! ORA, SE NÃO EXISTIAM, ENTÃO ELES PRECISAVAM SER FORJADAS. É simples chegar a essa conclusão quando se é petista.
O que VEJA traz, numa reportagem de sete páginas, de autoria de Gustavo Ribeiro e Rodrigo Rangel, revela uma operação típica do mais descarado gangsterismo político. Pior: há evidências de que a cúpula do partido não só sabia de tudo como estava no controle. 
Lembram-se da tal “Lista de Furnas”? Ela trazia nomes de líderes da oposição que teriam recebido dinheiro da estatal de maneira ilegal, não-declarada, quando eram governistas e compunham a base de FHC. Gravações feitas pela Polícia Federal, com autorização da Justiça, a que VEJA teve acesso, provam que era tudo uma tramóia operada por dois deputados do PT de Minas. Veja um trecho da reportagem:
(…)
Os falsários apresentaram duas listas. A primeira, uma cópia xerox, e a segunda, que deveria ser a original, mas era uma fraude ainda mais grotesca. Uma perícia da polícia revelou depois que havia discrepâncias significativas entre os dois documentos, e um jamais poderia ter se originado do outro. O grupo de estelionatários, porém, precisava levar o plano a frente e, para tentar conferir alguma autenticidade à armação, decidiu também forjar recibos assinados pelos políticos beneficiados. É a partir desse momento da trama que as gravações feitas pela polícia são mais reveladoras da ousadia dos petistas em usar a máquina do estado para cometer crimes. Há conversas entre o estelionatárioNilton Monteiro, o fabricante das listas, e os deputados petistas Rogério Correia Agostinho Valente (hoje no PDT). Os diálogos mostram que, em todas as etapas da fabricação da lista, Nilton age sob os auspícios dos dois parlamentares, que lhe prometem, além do apoio logístico, dinheiro e, principalmente, “negócios” em empresas estatais ligadas ao governo federal como compensação pelos serviços prestados.
(…)
Assessores parlamentares estavam em contato frequente com Nilton para discutir formas de obter a assinatura do ex-diretor de Engenharia de Furnas Dimas Fabiano Toledo, o suposto autor do documento. Eles encaminham o estelionatário ao Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Energia do Rio de Janeiro, entidade filiada à CUT, a central sindical dominada pelo PT. Lá, ele seria ciceroneado por dirigentes sindicais e teria acesso a documentos da estatal. (…) Em uma conversa com Nilton, Simeão de Oliveira, assessor mais próximo d
deputado Rogério Correia, explica como proceder: “Eles [Furnas] assinam coisas para eles [o Sindicato] direto, aí eles vão olhar e falar se tem o do Dimas (…) Explica pra ele pra que é, o que é, entendeu?”. Como a tentativa de obter a assinatura junto ao sindicato fracassa, Simeão elabora uma estratégia paralela, que prefere não revelar ao falsário. Limita-se a dizer que as assinaturas chegarão por Sedex. São particularmente reveladoras as conversas em que os envolvidos discutem a obtenção de assinaturas de políticos da base de FHC para fabricar recibos do suposto caixa 2. Nilton e o assessor de Rogério Correia conversam sobre os padrões das assinaturas dos deputados da oposição - e se questionam se conseguiram mesmo as assinaturas corretas.
(…)
Em um dos diálogos, Nilton Monteiro discute com Simeão de Oliveira os padrões gráficos das assinaturas do então líder da minoria na Câmara, José Carlos Aleluia, do DEM , e do então líder do PSDB , Antônio Carlos Pannunzio. Em relação a Aleluia, Nilton não tem certeza quais os valores lhe serão atribuídos. “Não sei se é 75 000 reais ou 150 000 o recibo dele”, comenta o lobista. Eles também incluem na discussão os nomes de Gilberto Kassab, que assumiria a prefeitura de São Paulo no lugar do tucano José Serra, que renunciaria ao cargo para disputar a eleição para o governo paulista, e o então presidente do DEM , deputado Rodrigo Maia.
(…)
A recompensa pelos préstimos de Nilton incluía, segundo as gravações, a liberação de recursos em bancos públicos. Em uma discussão com Rogério Correia, Nilton se mostra confiante: “Vou acabar com eles tudinho”. Mas, antes, cobra o que foi prometido: “Eu quero aquele negócio que foi escrito no papel. São aqueles negócios que eu pedi da Caixa e do Banco do Brasil, pra liberar pra mim urgente no BNDES”, afirma.
(…)
Em alguns trechos, o lobista cita a necessidade de tratar do negócio com a então senadora Ideli Salvatti, atual ministra de Relações Institucionais, outra figura cativa nos episódios envolvendo dossiês suspeitos. “Tivemos contato em apenas dois episódios. Nem eu nem meus assessores participamos da obtenção da lista”, mentiu Correia quando ouvido por VEJA. A parceria entre o deputado Correia e o estelionatário inclui os serviços advocatícios do petista William dos Santos - que serve também como elo entre seu cliente e a figura de proa do petismo naquele era sombria, José Dirceu, principal réu do Mensalão.
(…)
Leiam a íntegra na versão impressa. A edição traz a transcrição de alguns diálogos. Reproduzo um:
O estelionatário Nilton Monteiro conversa com Simeão de Oliveira, assessor do deputado petista Rogério Correia. Eles combinam a fraude. Para dar autenticidade à chamada “lista de Furnas” era necessário a apresentação de recibos assinados pelos políticos acusados. Monteiro estava empenhado em arrumar as assinaturas para montar os documentos falsos.
Simeão: (…) Eu já estou aqui com José Carlos Aleluia.
(…)
Nilton: Vem cá, a assinatura dele é um JC. Parece um U.
S: Parece um M, isso.
N : Isso, então é isso mesmo. Então eu já recebi esse cara, viu?
S: É.
N: Não sei se é 75 000 reais ou 150 000 reais. Eu acho que é 75 000 o recibo dele.
S: O do Pannunzio.
N: Pannunzio é uma assinatura toda esquisita, né?
S: É um trem doido.
(…)
S: Quem mais? O Kassab.
N : O Kassab é um G Kassab.
(…)
S: Uai, então você tem esse trem tudo original, Nilton?
N: É lógico. Você fica na tua, sô. Por isso que eles estão tudo doido.
(…)
N: Rodrigo Maia é Rodrigo e o final Maia entre parênteses.
S: Ahn?N: Parece que é Rodrigo e depois um M.
S: Não, não é esse, não.
N: Então mudou a assinatura dele. Esse eu soube que ele tava mudando.
S: Não é, não.
N:
 Então, mudou. É Rodrigo…
S: Não, tem não.
N: Ih, então mudou a assinatura. Bem que falaram comigo, viu? Filho da p…, viu?
QUADR ILHA Nilton Monteiro, quando foi preso em outubro passado, e os deputados petistas Rogério Correia (acima) e Agostinho Valente (hoje no PDT): os políticos mineiros prometeram ao estelionatário dinheiro e “negócios” em bancos do governo federal como pagamento pela falsificação da chamada “lista de Furnas”
QUADRILHA - Nilton Monteiro, quando foi preso em outubro passado, e os deputados petistas Rogério Correia e Agostinho Valente (hoje no PDT): os políticos mineiros prometeram ao estelionatário dinheiro e “negócios” em bancos do governo federal como pagamento pela falsificação da chamada “lista de Furnas”