Leia editorial do Estadão:
Parece ter sido escrito pelo presidente Lula o Decálogo do Chefe, criação humorística que de há muito corre o mundo. Reza o seu primeiro mandamento que “o chefe sempre tem razão”. O segundo determina que, “na improvável hipótese de alguma vez o chefe não ter razão, vale o mandamento anterior”. Foi rigorosamente isso que Lula quis transmitir nos encontros de segunda e terça-feira com ministros, governadores e parlamentares eleitos, aliados da candidata Dilma Rousseff.
As reuniões, a propósito, ocorreram no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República. Mas, para quem se esmerou em transgredir a legislação antes e durante a campanha, não faz a menor diferença servir-se de novo de um bem público para fins eleitorais.
Tratava-se, na reunião do Alvorada, do que foi considerada uma derrota, apesar da ampla vitória de Dilma nas urnas de domingo: a necessidade de um segundo turno para a decisão final. E entre os correligionários de Dilma ali presentes alguns dos mais importantes atribuíram ao comportamento agressivo de Lula na fase crítica da disputa a migração de uma parcela dos votos dilmistas para Marina Silva.
Os escândalos na Receita e na Casa Civil e a polêmica do aborto fizeram o resto. Por sinal, foi a divulgação das violações do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao tucano José Serra e do balcão de negócios instalado no centro do governo o que levou Lula a voltar-se com esbugalhada hostilidade contra os meios de comunicação. Quando, alertado, trocou a mordida pelo assopro, já no fim da campanha, o estrago estava feito.
A mídia não foi o único alvo da sua ira. Num comício em Santa Catarina, concitou seus comandados à “extirpação” do DEM, aguçando a inquietação daqueles setores da sociedade para os quais nem os êxitos do governo nem a popularidade estelar do seu condutor podem absolvê-lo pelo surto autoritário de que foi acometido. Eis que agora, numa das reuniões no Alvorada, ele invocou, para se justificar, um acerto de contas eleitorais. “Fui muito duro em alguns Estados por onde passei, mas precisava ajudar a eleger alguns senadores”, confessou, candidamente.
No íntimo, ele há de saber que a truculência o situou na contramão da sua absoluta prioridade - eleger Dilma. Em público, porém, se conduz de acordo com o segundo mandamento do Decálogo: quando o chefe erra, prevalece a lei de que o chefe jamais erra. Lula, como se sabe, não tolera más notícias, para as quais sempre encontrará um causador que não ele. Assim, tão logo se confirmou que a sucessão ia para o segundo turno, entrou na muda e saiu de cena. Não teve nem sequer a dignidade de aparecer no domingo à noite ao lado da candidata de sua criação - e se manteve em silêncio decerto por mais tempo do que em qualquer outro momento de seu governo.
É do caráter de Lula jamais assumir parcela de responsabilidade pelos erros e fracassos das equipes que comanda - no governo e em campanha eleitoral -, e, por outro lado, assumir com exclusividade os louros por seus êxitos e vitórias.
Por isso, quando recobrou a voz, tratou de avisar que não tinha nada a ver com o que havia acontecido. “Teve sapato alto e clima de já ganhou, no primeiro turno”, criticou, cobrando do PT “mais humildade”. Logo ele que, no palanque que comandou, foi o único que proclamou a certeza de tal vitória. Não foi apenas para eleitor ver. Muitos dos companheiros a quem se dirigia no Alvorada já tinham ouvido uma vez e outra de sua boca que a sucessão era assunto liquidado. Se, ao fim e ao cabo, der tudo errado, não faltarão culpados - a começar da própria Dilma, que não soube ser simpática com o eleitor. Se der tudo certo, o mérito, naturalmente, será todo dele.
Falta combinar com o eleitorado. A tática petista para o segundo turno terá a volta, de um lado, do Lulinha, paz e amor. De outro, da cantilena de que a ascensão de um tucano ao Planalto abrirá as portas para novas privatizações. A fórmula funcionou no segundo turno de 2006, mas, à parte qualquer outra consideração, não é fácil impingir ao público a visão de um Serra privatista. Afinal, o resultado do primeiro turno mostrou que pelo menos 51,9% do eleitorado conserva sua capacidade de discernimento.
No Brasil, onde faltam a cólera e a ira santas, quem, senão elas, hão de expulsar do Templo o renegado, o blasfemo, o profanador, o simoníaco? Ou exterminarão da ciência o apedeuta, o plagiário, o charlatão? Ou banirão da sociedade o imoral, o corruptor, o libertino? Quem, senão elas, a varrer dos serviços do Estado o prevaricador, o concussionário e o ladrão públicos? Quem, senão elas, a precipitar do governo o negocismo, a prostituição política e a tirania? (Rui Barbosa)
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08 outubro 2010
Blog da Dilma e petistas desancam Marina Silva_Por Reinaldo Azevedo
No dia 30 de setembro, três dias antes da eleição, acreditando no que diziam os institutos Ibope, Vox Populi e Sensus, os petistas estavam certos da vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno. Então já era hora de esculhambar Marina Silva. Como já afirmei aqui, o caráter fascitóide dessa gente faz com que sejam ainda mais violentos quando se imaginam triunfantes. O Blog da Dilma não teve dúvida e publicou o post abaixo.
Na charge, a candidata do PV é chamada de “Laranja verde”. Atribui-se a ela esta fala, com visível desdém pela militância verde:
“Distribuição de renda é com a Dilma. Eu farei entre as camadas menos favorecidas, a maior distribuição de oxigênio puro jamais visto neste país”
Abaixo do desenho, o texto afirma:
“Marina Silva é uma grande traidora. Traiu o povo brasileiro quando se posicionou contra o crescimento do país. Traiu o PT. Traiu também a memória de Chico Mendes quando se uniu àqueles que disfarçadamente se alegraram com a morte do grande líder seringueiro. Marina Silva jogou no lixo uma biografia de defensora dos povos da floresta, de defensora da Amazônia. Traiu por despeito e por vingança. (…) Marina não foi escolhida pelo presidente Lula porque não tem conhecimento, competência e caráter para governar (…)”
E vai por aí, leitor. Agora que o PT quer o apoio de Marina, o post foi tirado do ar. Mas vocês sabem como é a Internet. Tudo fica registrado.
Na charge, a candidata do PV é chamada de “Laranja verde”. Atribui-se a ela esta fala, com visível desdém pela militância verde:
“Distribuição de renda é com a Dilma. Eu farei entre as camadas menos favorecidas, a maior distribuição de oxigênio puro jamais visto neste país”
Abaixo do desenho, o texto afirma:
“Marina Silva é uma grande traidora. Traiu o povo brasileiro quando se posicionou contra o crescimento do país. Traiu o PT. Traiu também a memória de Chico Mendes quando se uniu àqueles que disfarçadamente se alegraram com a morte do grande líder seringueiro. Marina Silva jogou no lixo uma biografia de defensora dos povos da floresta, de defensora da Amazônia. Traiu por despeito e por vingança. (…) Marina não foi escolhida pelo presidente Lula porque não tem conhecimento, competência e caráter para governar (…)”
E vai por aí, leitor. Agora que o PT quer o apoio de Marina, o post foi tirado do ar. Mas vocês sabem como é a Internet. Tudo fica registrado.
Dilma e o PT apóiam aborto, mas negam por questão eleitoral
Por Estelite Hass Carazza, na Folha:
O bispo de Guarulhos, dom Luiz Gonzaga Bergonzini, disse que não vai recuar em seu posicionamento contra a candidata Dilma Rousseff (PT) e que o partido está sendo “oportunista” ao estudar voltar atrás na defesa da descriminalização do aborto.
O religioso foi o primeiro nesta eleição a se manifestar publicamente contra a presidenciável do PT -em julho, escreveu um artigo recomendando que os católicos não votassem em Dilma.
Durante a campanha, outros líderes católicos e evangélicos pregaram votos contra ela. Para Bergonzini, 74, a mobilização foi decisiva na votação e deve ter grande influência no segundo turno.
Folha - O PT anunciou que estuda retirar do programa partidário a defesa da descriminalização do aborto. Isso pode alterar seu posicionamento em relação a Dilma?
D. Luiz Gonzaga Bergonzini - Da minha parte, não muda absolutamente nada. Ela tem declarações claríssimas a respeito do aborto. Ou ela não falava com sinceridade naquela época, ou não está falando agora. Outra coisa: o partido, não é de hoje que eles têm essa questão fechada. Em dois congressos que o PT fez, eles aprovaram o aborto como plano de governo. Como é que se explica agora que ela venha falar isso? O fato de mudar agora é de interesse meramente político. Ela está levando a questão conforme as circunstâncias. Ela vai para o lado que o vento sopra. A minha posição é a mesma.
O senhor não acha que a iniciativa do PT em mudar o programa do partido indica um amadurecimento?
Não é amadurecimento, é oportunismo. Mero oportunismo. Por que eles não fizeram isso antes?
Na sua opinião, a questão do aborto e dos valores cristãos influenciou a votação de Dilma no primeiro turno?
Influenciou, sim. Porque eu bati firme nesse sentido, antes do primeiro turno, bem antes. O artigo que eu escrevi atingiu até a imprensa internacional. A partir daí, começou. A Dilma falando que não tinha nada a ver, que era posição do bispo… Não é minha posição, é a posição do Evangelho. Não tenho dúvida nenhuma de que os votos dos cristãos foram decisivos. Se isso vai se repetir, não sei, mas influência vai ter.
O bispo de Guarulhos, dom Luiz Gonzaga Bergonzini, disse que não vai recuar em seu posicionamento contra a candidata Dilma Rousseff (PT) e que o partido está sendo “oportunista” ao estudar voltar atrás na defesa da descriminalização do aborto.
O religioso foi o primeiro nesta eleição a se manifestar publicamente contra a presidenciável do PT -em julho, escreveu um artigo recomendando que os católicos não votassem em Dilma.
Durante a campanha, outros líderes católicos e evangélicos pregaram votos contra ela. Para Bergonzini, 74, a mobilização foi decisiva na votação e deve ter grande influência no segundo turno.
Folha - O PT anunciou que estuda retirar do programa partidário a defesa da descriminalização do aborto. Isso pode alterar seu posicionamento em relação a Dilma?
D. Luiz Gonzaga Bergonzini - Da minha parte, não muda absolutamente nada. Ela tem declarações claríssimas a respeito do aborto. Ou ela não falava com sinceridade naquela época, ou não está falando agora. Outra coisa: o partido, não é de hoje que eles têm essa questão fechada. Em dois congressos que o PT fez, eles aprovaram o aborto como plano de governo. Como é que se explica agora que ela venha falar isso? O fato de mudar agora é de interesse meramente político. Ela está levando a questão conforme as circunstâncias. Ela vai para o lado que o vento sopra. A minha posição é a mesma.
O senhor não acha que a iniciativa do PT em mudar o programa do partido indica um amadurecimento?
Não é amadurecimento, é oportunismo. Mero oportunismo. Por que eles não fizeram isso antes?
Na sua opinião, a questão do aborto e dos valores cristãos influenciou a votação de Dilma no primeiro turno?
Influenciou, sim. Porque eu bati firme nesse sentido, antes do primeiro turno, bem antes. O artigo que eu escrevi atingiu até a imprensa internacional. A partir daí, começou. A Dilma falando que não tinha nada a ver, que era posição do bispo… Não é minha posição, é a posição do Evangelho. Não tenho dúvida nenhuma de que os votos dos cristãos foram decisivos. Se isso vai se repetir, não sei, mas influência vai ter.
CNBB: Não votem em quem defende o aborto!
A Presidência e a Comissão Representativa dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, em sua Reunião ordinária, tendo já dado orientações e critérios claros para “VOTAR BEM”, acolhem e recomendam a ampla difusão do “APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS” elaborado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 que pode ser encontrado no seguinte endereço eletrônico www.cnbbsul1.org.br
São Paulo, 26 de Agosto de 2010.
Dom Nelson Westrupp, scj
Presidente do CONSER-SUL 1
Dom Benedito Beni dos Santos
Vice-presidente do CONSER-SUL 1
Dom Airton José dos Santos
Secretário Geral do CONSER SUL 1
******
APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS
Nós, participantes do 2º Encontro das Comissões Diocesanas em Defesa da Vida (CDDVs), organizado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB e realizado em S. André no dia 03 de julho de 2010,
- considerando que, em abril de 2005, no IIº Relatório do Brasil sobre o Tratado de Direitos Civis e Políticos, apresentado ao Comitê de Direitos Humanos da ONU (nº 45) o atual governo comprometeu-se a legalizar o aborto,
- considerando que, em agosto de 2005, o atual governo entregou ao Comitê da ONU para a Eliminação de todas as Formas de Descriminalização contra a Mulher (CEDAW) documento no qual reconhece o aborto como Direito Humano da Mulher,
- considerando que, em setembro de 2005, através da Secretaria Especial de Política das Mulheres, o atual governo apresentou ao Congresso um substitutivo do PL 1135/91, como resultado do trabalho da Comissão Tripartite, no qual é proposta a descriminalização do aborto até o nono mês de gravidez e por qualquer motivo, pois com a eliminação de todos os artigos do Código Penal, que o criminalizam, o aborto, em todos os casos, deixaria de ser crime,
- considerando que, em setembro de 2006, no plano de governo do 2º mandato do atual Presidente, ele reafirma, embora com linguagem velada, o compromisso de legalizar o aborto,
- considerando que, em setembro de 2007, no seu IIIº Congreso, o PT assumiu a descriminalização do aborto e o atendimento de todos os casos no serviço público como programa de partido, sendo o primeiro partido no Brasil a assumir este programa,
- considerando que, em setembro de 2009, o PT puniu os dois deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso por serem contrários à legalização do aborto,
- considerando como, com todas estas decisões a favor do aborto, o PT e o atual governo tornaram-se ativos colaboradores do Imperialismo Demográfico que está sendo imposto em nível mundial por Fundações Internacionais, as quais, sob o falacioso pretexto da defesa dos direitos reprodutivos e sexuais da mulher, e usando o falso rótulo de “aborto - problema de saúde pública”, estão implantando o controle demográfico mundial como moderna estratégia do capitalismo internacional,
- considerando que, em fevereiro de 2010, o IVº Congresso Nacional do PT manifestou apoio incondicional ao 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3), decreto nª 7.037/09 de 21 de dezembro de 2009, assinado pelo atual Presidente e pela ministra da Casa Civil, no qual se reafirmou a descriminalização do aborto, dando assim continuidade e levando às últimas consequências esta política antinatalista de controle populacional, desumana, antisocial e contrária ao verdadeiro progresso do nosso País,
- considerando que este mesmo Congresso aclamou a própria ministra da Casa Civil como candidata oficial do Partido dos Trabalhadores para a Presidência da República,
- considerando enfim que, em junho de 2010, para impedir a investigação das origens do financiamento por parte de organizações internacionais para a legalização e a promoção do aborto no Brasil, o PT e as lideranças partidárias da base aliada boicotaram a criação da CPI do aborto que investigaria o assunto,
RECOMENDAMOS encarecidamente a todos os cidadãos e cidadãs brasileiros e brasileiras, em consonância com o art. 5º da Constituição Federal, que defende a inviolabilidade da vida humana e, conforme o Pacto de S. José da Costa Rica, desde a concepção, independentemente de sua convicções ideológicas ou religiosas, que, nas próximas eleições, deem seu voto somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários à descriminalizacão do aborto.
Convidamos, outrossim, a todos para lerem o documento “Votar Bem” aprovado pela 73ª Assembléia dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, reunidos em Aparecida no dia 29 de junho de 2010 e verificarem as provas do que acima foi exposto no texto “A Contextualização da Defesa da Vida no Brasil” (http://www.cnbbsul1.org.br/arquivos/defesavidabrasil.pdf), elaborado pelas Comissões em Defesa da Vida das Dioceses de Guarulhos e Taubaté, ligadas à Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, ambos disponíveis no site desse mesmo Regional.
COMISSÃO EM DEFESA DA VIDA DO REGIONAL SUL 1 DA CNBB
São Paulo, 26 de Agosto de 2010.
Dom Nelson Westrupp, scj
Presidente do CONSER-SUL 1
Dom Benedito Beni dos Santos
Vice-presidente do CONSER-SUL 1
Dom Airton José dos Santos
Secretário Geral do CONSER SUL 1
******
APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS
Nós, participantes do 2º Encontro das Comissões Diocesanas em Defesa da Vida (CDDVs), organizado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB e realizado em S. André no dia 03 de julho de 2010,
- considerando que, em abril de 2005, no IIº Relatório do Brasil sobre o Tratado de Direitos Civis e Políticos, apresentado ao Comitê de Direitos Humanos da ONU (nº 45) o atual governo comprometeu-se a legalizar o aborto,
- considerando que, em agosto de 2005, o atual governo entregou ao Comitê da ONU para a Eliminação de todas as Formas de Descriminalização contra a Mulher (CEDAW) documento no qual reconhece o aborto como Direito Humano da Mulher,
- considerando que, em setembro de 2005, através da Secretaria Especial de Política das Mulheres, o atual governo apresentou ao Congresso um substitutivo do PL 1135/91, como resultado do trabalho da Comissão Tripartite, no qual é proposta a descriminalização do aborto até o nono mês de gravidez e por qualquer motivo, pois com a eliminação de todos os artigos do Código Penal, que o criminalizam, o aborto, em todos os casos, deixaria de ser crime,
- considerando que, em setembro de 2006, no plano de governo do 2º mandato do atual Presidente, ele reafirma, embora com linguagem velada, o compromisso de legalizar o aborto,
- considerando que, em setembro de 2007, no seu IIIº Congreso, o PT assumiu a descriminalização do aborto e o atendimento de todos os casos no serviço público como programa de partido, sendo o primeiro partido no Brasil a assumir este programa,
- considerando que, em setembro de 2009, o PT puniu os dois deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso por serem contrários à legalização do aborto,
- considerando como, com todas estas decisões a favor do aborto, o PT e o atual governo tornaram-se ativos colaboradores do Imperialismo Demográfico que está sendo imposto em nível mundial por Fundações Internacionais, as quais, sob o falacioso pretexto da defesa dos direitos reprodutivos e sexuais da mulher, e usando o falso rótulo de “aborto - problema de saúde pública”, estão implantando o controle demográfico mundial como moderna estratégia do capitalismo internacional,
- considerando que, em fevereiro de 2010, o IVº Congresso Nacional do PT manifestou apoio incondicional ao 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3), decreto nª 7.037/09 de 21 de dezembro de 2009, assinado pelo atual Presidente e pela ministra da Casa Civil, no qual se reafirmou a descriminalização do aborto, dando assim continuidade e levando às últimas consequências esta política antinatalista de controle populacional, desumana, antisocial e contrária ao verdadeiro progresso do nosso País,
- considerando que este mesmo Congresso aclamou a própria ministra da Casa Civil como candidata oficial do Partido dos Trabalhadores para a Presidência da República,
- considerando enfim que, em junho de 2010, para impedir a investigação das origens do financiamento por parte de organizações internacionais para a legalização e a promoção do aborto no Brasil, o PT e as lideranças partidárias da base aliada boicotaram a criação da CPI do aborto que investigaria o assunto,
RECOMENDAMOS encarecidamente a todos os cidadãos e cidadãs brasileiros e brasileiras, em consonância com o art. 5º da Constituição Federal, que defende a inviolabilidade da vida humana e, conforme o Pacto de S. José da Costa Rica, desde a concepção, independentemente de sua convicções ideológicas ou religiosas, que, nas próximas eleições, deem seu voto somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários à descriminalizacão do aborto.
Convidamos, outrossim, a todos para lerem o documento “Votar Bem” aprovado pela 73ª Assembléia dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, reunidos em Aparecida no dia 29 de junho de 2010 e verificarem as provas do que acima foi exposto no texto “A Contextualização da Defesa da Vida no Brasil” (http://www.cnbbsul1.org.br/arquivos/defesavidabrasil.pdf), elaborado pelas Comissões em Defesa da Vida das Dioceses de Guarulhos e Taubaté, ligadas à Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, ambos disponíveis no site desse mesmo Regional.
COMISSÃO EM DEFESA DA VIDA DO REGIONAL SUL 1 DA CNBB
06 outubro 2010
Força-tarefa petista para preservar Dilma dela mesma na imprensa
Por Reinaldo Azevedo (Veja):
Prepara-se uma verdadeira força-tarefa — que pretende, acreditem!, ser, antes de tudo, ética!!! — para tentar preservar a petista Dilma Rousseff de si mesma e de suas próprias opiniões. E a imprensa, especialmente a escrita, será o principal campo de operações — e, dali, para a Internet. O grito de guerra já foi dado pelo colunista Elio Gaspari numa notinha curta no domingo. Já chego lá. Ontem, nas suas aparições na TV, a candidata do PT à Presidência fez questão de declarar que é a favor da vida, o que, convenham, é, em sim, uma afirmação estupenda. O contrário, por óbvio, corresponderia a alinhar-se com a morte.
Todos entenderam por que ela fez isso. O PT está convicto de que uma parcela do eleitorado, ao saber, primeiro pela Internet, o que Dilma realmente pensava sobre o aborto, desembarcou de sua candidatura. A informação, de fato, circulou antes na rede, embora as suas declarações mais enfáticas em favor da descriminação e da legalização do aborto tenham sido dadas a um jornal — a Folha — e a uma revista, a Marie Claire. Gaspari, evocando pruridos éticos e apelando até à memória de Ruth Cardoso, chamou esse debate de baixaria. É? Coisa do andar de cima moral é fazer dossiê contra a mulher de um ex-presidente que era um exemplo de correção, não é mesmo?
Ao falar em Ruth, o colunista está atribuindo a “operação” ao PSDB, o que é falso como nota de R$ 3. Ele é o “Nosso Guia” de muitos epígonos na profissão; outros o seguirão na ladainha, acusando o debate de ser “conservador”, “reacionário”, “baixaria”, “irrelevante”. Digamos que estivéssemos mesmo diante de uma irrelevância (para mim e para outros cristãos, não é!!!), cabe a pergunta: quer dizer que esses setores da imprensa pretendem censurar uma VERDADE IRRELEVANTE sobre Dilma, mas jamais censuraram as MENTIRAS RELEVANTES que os petistas contam sobre o governo FHC, por exemplo? Que diabo de critério ético é esse?
Quando a campanha do PT diz que Lula assumiu o governo “com a inflação fora do controle”, o que é uma mentira estúpida, qual a reação? “Ah, política é assim mesmo; o PSDB que responda!” Algum pito na companheira quando sugere que o Brasil vivia um verdadeiro caos social na gestão tucana, que não se importaria com os pobres? Nada! Silêncio sepulcral. Alguém deu algum pito em Aloizio Mercadante por causa de sua campanha bucéfala contra a suposta “aprovação automática” em São Paulo? NADA!!!
ATENÇÃO PARA AS FRASES: PARA ESSA GENTE, AS VERDADES DITAS SOBRE DILMA SÃO REACIONÁRIAS; JÁ AS MENTIRAS DITAS SOBRE OS TUCANOS SÃO PROGRESSISTAS.
E, agora, em nome da ética, esses decorosos vêm acusar “baixaria” e cobrar “debate elevado”? Que tipo de sublime elevação pode haver numa máquina de propaganda que constrói todo o seu edifício retórico numa mentira, a saber: “O Brasil vivia nas trevas e de lá foi resgatado pelo PT, ignorando a óbvia continuidade do governo”. NEM MESMO A IDÉIA DE UNIFICAR OS PROGRAMAS SOCIAIS É DE LULA! ELE PRÓPRIO ADMITE EM VÍDEO QUE A IDÉIA LHE FOI DADA POR UM GOVERNADOR TUCANO (ver posts abaixo).
Está em curso uma operação para blindar Dilma Rousseff. O PT tem todo o direito de tentar. E alguns colunistas têm o direito, claro!,de entrar na corrente de propaganda. E eu tenho o direito de chamá-los por seus respectivos nomes. Não foi o PSDB que levou Dilma Rousseff a dar aquelas entrevistas. Ela o fez porque quis e porque considerava, até abril do ano passado, que aquilo era o certo. Demonstrou-o, diga-se, em atos, quando sua pasta deu o “ok” ao decreto que continha o Programa Nacional dos Direitos Humanos, em que o aborto aparece como um “direito humano”, o que certamente assombraria o mundo.
Dilma, agora, se diz “a favor da vida”. Muito bem! Só pode estar se referindo ao aborto. Em sua afirmação, pois, está contida a idéia de que defender a descriminação é estar contra a vida — de onde se deduz, e estou num exercício puramente lógico, que ela era contra a vida ao menos até abril de 2009, quando falou à revista Marie Claire.
De súbito, vejo alguns coleguinhas muito preocupados com “propostas”. E dizem: “Ah, esse negócio de aborto não tem importância. Por que não discutimos o Brasil?” Muito bem! Comecemos, então, por não mentir sobre o Brasil que o PT herdou e que deixará como herança. Eu topo deixar de lado essa suposta “verdade irrelevante” se os petistas pararem com suas “mentiras relevantes”. Vejam que é uma troca que evidencia a minha generosidade: com ironia, digo que eu até abriria mão do direito de dizer essa verdade sobre eles se eles cumprissem a obrigação de não dizer mentiras sobre os outros.
Prepara-se uma verdadeira força-tarefa — que pretende, acreditem!, ser, antes de tudo, ética!!! — para tentar preservar a petista Dilma Rousseff de si mesma e de suas próprias opiniões. E a imprensa, especialmente a escrita, será o principal campo de operações — e, dali, para a Internet. O grito de guerra já foi dado pelo colunista Elio Gaspari numa notinha curta no domingo. Já chego lá. Ontem, nas suas aparições na TV, a candidata do PT à Presidência fez questão de declarar que é a favor da vida, o que, convenham, é, em sim, uma afirmação estupenda. O contrário, por óbvio, corresponderia a alinhar-se com a morte.
Todos entenderam por que ela fez isso. O PT está convicto de que uma parcela do eleitorado, ao saber, primeiro pela Internet, o que Dilma realmente pensava sobre o aborto, desembarcou de sua candidatura. A informação, de fato, circulou antes na rede, embora as suas declarações mais enfáticas em favor da descriminação e da legalização do aborto tenham sido dadas a um jornal — a Folha — e a uma revista, a Marie Claire. Gaspari, evocando pruridos éticos e apelando até à memória de Ruth Cardoso, chamou esse debate de baixaria. É? Coisa do andar de cima moral é fazer dossiê contra a mulher de um ex-presidente que era um exemplo de correção, não é mesmo?
Ao falar em Ruth, o colunista está atribuindo a “operação” ao PSDB, o que é falso como nota de R$ 3. Ele é o “Nosso Guia” de muitos epígonos na profissão; outros o seguirão na ladainha, acusando o debate de ser “conservador”, “reacionário”, “baixaria”, “irrelevante”. Digamos que estivéssemos mesmo diante de uma irrelevância (para mim e para outros cristãos, não é!!!), cabe a pergunta: quer dizer que esses setores da imprensa pretendem censurar uma VERDADE IRRELEVANTE sobre Dilma, mas jamais censuraram as MENTIRAS RELEVANTES que os petistas contam sobre o governo FHC, por exemplo? Que diabo de critério ético é esse?
Quando a campanha do PT diz que Lula assumiu o governo “com a inflação fora do controle”, o que é uma mentira estúpida, qual a reação? “Ah, política é assim mesmo; o PSDB que responda!” Algum pito na companheira quando sugere que o Brasil vivia um verdadeiro caos social na gestão tucana, que não se importaria com os pobres? Nada! Silêncio sepulcral. Alguém deu algum pito em Aloizio Mercadante por causa de sua campanha bucéfala contra a suposta “aprovação automática” em São Paulo? NADA!!!
ATENÇÃO PARA AS FRASES: PARA ESSA GENTE, AS VERDADES DITAS SOBRE DILMA SÃO REACIONÁRIAS; JÁ AS MENTIRAS DITAS SOBRE OS TUCANOS SÃO PROGRESSISTAS.
E, agora, em nome da ética, esses decorosos vêm acusar “baixaria” e cobrar “debate elevado”? Que tipo de sublime elevação pode haver numa máquina de propaganda que constrói todo o seu edifício retórico numa mentira, a saber: “O Brasil vivia nas trevas e de lá foi resgatado pelo PT, ignorando a óbvia continuidade do governo”. NEM MESMO A IDÉIA DE UNIFICAR OS PROGRAMAS SOCIAIS É DE LULA! ELE PRÓPRIO ADMITE EM VÍDEO QUE A IDÉIA LHE FOI DADA POR UM GOVERNADOR TUCANO (ver posts abaixo).
Está em curso uma operação para blindar Dilma Rousseff. O PT tem todo o direito de tentar. E alguns colunistas têm o direito, claro!,de entrar na corrente de propaganda. E eu tenho o direito de chamá-los por seus respectivos nomes. Não foi o PSDB que levou Dilma Rousseff a dar aquelas entrevistas. Ela o fez porque quis e porque considerava, até abril do ano passado, que aquilo era o certo. Demonstrou-o, diga-se, em atos, quando sua pasta deu o “ok” ao decreto que continha o Programa Nacional dos Direitos Humanos, em que o aborto aparece como um “direito humano”, o que certamente assombraria o mundo.
Dilma, agora, se diz “a favor da vida”. Muito bem! Só pode estar se referindo ao aborto. Em sua afirmação, pois, está contida a idéia de que defender a descriminação é estar contra a vida — de onde se deduz, e estou num exercício puramente lógico, que ela era contra a vida ao menos até abril de 2009, quando falou à revista Marie Claire.
De súbito, vejo alguns coleguinhas muito preocupados com “propostas”. E dizem: “Ah, esse negócio de aborto não tem importância. Por que não discutimos o Brasil?” Muito bem! Comecemos, então, por não mentir sobre o Brasil que o PT herdou e que deixará como herança. Eu topo deixar de lado essa suposta “verdade irrelevante” se os petistas pararem com suas “mentiras relevantes”. Vejam que é uma troca que evidencia a minha generosidade: com ironia, digo que eu até abriria mão do direito de dizer essa verdade sobre eles se eles cumprissem a obrigação de não dizer mentiras sobre os outros.
Como o "datafolha" faz perguntas sobre religião/voto/aborto para o PT
Por Reinaldo Azevedo:
Como se vê abaixo, há um lugar, ao menos, em que os institutos de pesquisa não tiveram perda total: a cadeia. Faz sentido! Os eleitores brasileiros não deixam de ser tratados como cativos de uma doxa. As pesquisas se dão numa verdadeira cela fechada, assim: a) o eleitor aprova Lula?; b) votaria no candidato de Lula?; c) seguiria a orientação de Lula; d) quem é o candidato de Lula?
A ordem das questões nem sempre é essa - os não-venais costumam perguntar, primeiro, em quem o vivente vota. Mas o resultado costuma ser bem parecido.
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Um leitor me mandou o link do blog Coturno Noturno com a informação. Visitei o site do TSE para conferir. O Datafolha registrou ontem no TSE uma pesquisa, encomendada pela Folha e pela TV Globo, para o segundo turno da eleição presidencial, que ocorre no dia 31. Os questionários serão aplicados nos dias 7 e 8. Serão ouvidas 19.400 pessoas. O Datafolha quer saber as coisas de praxe: em quem o sujeito vai votar, em quem votou no primeiro turno, se o apoio de Lula a um candidato — e, agora, de Marina — altera a opinião do eleitor, a avaliação do governo Lula…
Até aí, vá lá, embora haja o que dizer a respeito das questões acima — fica para o fim do texto. Vamos ao que é essencial: o Datafolha resolveu saber o peso que a questão do aborto teve no primeiro turno e terá no segundo. Huuummm… É uma curiosidade que nasce de uma tese. Também isso vai para o fim. Quero abordar o que considero uma exorbitância e, vênia máxima, talvez um servicinho prestado ao PT — involuntário, é claro.
Uma coisa é tentar saber se a opinião de um candidato sobre o aborto pode ou não interferir na escolha do eleitor; outra, bem diferente, é transformar PESQUISA ELEITORAL NUM VERDADEIRO INQUÉRITO. É O QUE FAZ O DATAFOLHA. Querem ver?
P.17-18 - Pergunta a religião do entrevistado (evangélico pentecostal, não-pentecostal, umbanda, candomblé, espírita, católico etc…);
p.19 - A Igreja orientou a NÃO votar em algum candidato? (mostra o cartão com os nomes);
P.20 - A pessoa mudou?;
P.21 - Se mudou, em qual dos candidatos deixou de votar (mostrar cartão);
P.22 - Diz qual é o estatuto do aborto legal e pergunta se a pessoa é favorável à lei, à ampliação dos casos de aborto legal, ao fim da criminalização do aborto etc.;
P22ª - A entrevistado recebeu orientação para não votar naquele candidato da P.19 por causa do aborto?
Digamos, só digamos, que se constate que uma porcentagem relevante de eleitores recebeu, sim, a orientação de suas respectivas igrejas. E daí? A eventual confirmação dessa hipótese, com a indicação da confissão religiosa, exporá as igrejas e os religiosos — padres, pastores e outros — à pressão; no caso, é evidente que será à pressão oficial. Não sejamos hipócritas: embora, até agora, só a Igreja Universal do Reino de Deus tenha orientado seus fiéis a votar na candidata Dilma, é evidente que essa pesquisa tenta confirmar uma hipótese: foi a migração do voto evangélico que impediu a vitória de Dilma no primeiro turno.
O PT economiza um dinheirão. Poderia ele mesmo encomendar a algum instituto uma pesquisa como essa, não é mesmo? O Datafolha decidiu fazer de graça. É claro que isso pode ser, sim, matéria de interesse até sociológico — mas não durante o processo eleitoral. Nesse período, a divulgação desses dados pode servir de bússola de campanha a um único partido: o PT.
“E se a pesquisa constatar, Reinaldo, que isso não aconteceu?” Não muda o espírito da coisa. É evidente que se tenta buscar um “fenômeno” que explique a murchada da candidatura de Dilma Rousseff nos cinco ou seis dias finais do primeiro turno, num ritmo que não é lá muito usual, a menos que tenha acontecido, então, o tal evento excepcional ou que os institutos, os honestos, tenham andado errados durante um bom tempo.
E só para encerrar: Datafolha, Ibope e os demais precisam avaliar o governo Lula e a popularidade do presidente semana a semana, o que é repetido pelas TVs à exaustão? Isso já começa a ficar ridículo. Que variação se espera entre uma sexta-feira e outra?
****
Comento:
Viram como esses caras são isentos?
No Amazonas tem um sujeito que é funcionário (oops!prestador de serviços) do governo, da prefeitura de Manaus e os escambau e ainda posa de "pesquisador sério"...Qua! Qua! Qua! O nome dele? Vou dar apenas as iniciais: começa com "Du" e termina com "rango".
Como se vê abaixo, há um lugar, ao menos, em que os institutos de pesquisa não tiveram perda total: a cadeia. Faz sentido! Os eleitores brasileiros não deixam de ser tratados como cativos de uma doxa. As pesquisas se dão numa verdadeira cela fechada, assim: a) o eleitor aprova Lula?; b) votaria no candidato de Lula?; c) seguiria a orientação de Lula; d) quem é o candidato de Lula?
A ordem das questões nem sempre é essa - os não-venais costumam perguntar, primeiro, em quem o vivente vota. Mas o resultado costuma ser bem parecido.
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Um leitor me mandou o link do blog Coturno Noturno com a informação. Visitei o site do TSE para conferir. O Datafolha registrou ontem no TSE uma pesquisa, encomendada pela Folha e pela TV Globo, para o segundo turno da eleição presidencial, que ocorre no dia 31. Os questionários serão aplicados nos dias 7 e 8. Serão ouvidas 19.400 pessoas. O Datafolha quer saber as coisas de praxe: em quem o sujeito vai votar, em quem votou no primeiro turno, se o apoio de Lula a um candidato — e, agora, de Marina — altera a opinião do eleitor, a avaliação do governo Lula…
Até aí, vá lá, embora haja o que dizer a respeito das questões acima — fica para o fim do texto. Vamos ao que é essencial: o Datafolha resolveu saber o peso que a questão do aborto teve no primeiro turno e terá no segundo. Huuummm… É uma curiosidade que nasce de uma tese. Também isso vai para o fim. Quero abordar o que considero uma exorbitância e, vênia máxima, talvez um servicinho prestado ao PT — involuntário, é claro.
Uma coisa é tentar saber se a opinião de um candidato sobre o aborto pode ou não interferir na escolha do eleitor; outra, bem diferente, é transformar PESQUISA ELEITORAL NUM VERDADEIRO INQUÉRITO. É O QUE FAZ O DATAFOLHA. Querem ver?
P.17-18 - Pergunta a religião do entrevistado (evangélico pentecostal, não-pentecostal, umbanda, candomblé, espírita, católico etc…);
p.19 - A Igreja orientou a NÃO votar em algum candidato? (mostra o cartão com os nomes);
P.20 - A pessoa mudou?;
P.21 - Se mudou, em qual dos candidatos deixou de votar (mostrar cartão);
P.22 - Diz qual é o estatuto do aborto legal e pergunta se a pessoa é favorável à lei, à ampliação dos casos de aborto legal, ao fim da criminalização do aborto etc.;
P22ª - A entrevistado recebeu orientação para não votar naquele candidato da P.19 por causa do aborto?
Digamos, só digamos, que se constate que uma porcentagem relevante de eleitores recebeu, sim, a orientação de suas respectivas igrejas. E daí? A eventual confirmação dessa hipótese, com a indicação da confissão religiosa, exporá as igrejas e os religiosos — padres, pastores e outros — à pressão; no caso, é evidente que será à pressão oficial. Não sejamos hipócritas: embora, até agora, só a Igreja Universal do Reino de Deus tenha orientado seus fiéis a votar na candidata Dilma, é evidente que essa pesquisa tenta confirmar uma hipótese: foi a migração do voto evangélico que impediu a vitória de Dilma no primeiro turno.
O PT economiza um dinheirão. Poderia ele mesmo encomendar a algum instituto uma pesquisa como essa, não é mesmo? O Datafolha decidiu fazer de graça. É claro que isso pode ser, sim, matéria de interesse até sociológico — mas não durante o processo eleitoral. Nesse período, a divulgação desses dados pode servir de bússola de campanha a um único partido: o PT.
“E se a pesquisa constatar, Reinaldo, que isso não aconteceu?” Não muda o espírito da coisa. É evidente que se tenta buscar um “fenômeno” que explique a murchada da candidatura de Dilma Rousseff nos cinco ou seis dias finais do primeiro turno, num ritmo que não é lá muito usual, a menos que tenha acontecido, então, o tal evento excepcional ou que os institutos, os honestos, tenham andado errados durante um bom tempo.
E só para encerrar: Datafolha, Ibope e os demais precisam avaliar o governo Lula e a popularidade do presidente semana a semana, o que é repetido pelas TVs à exaustão? Isso já começa a ficar ridículo. Que variação se espera entre uma sexta-feira e outra?
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Comento:
Viram como esses caras são isentos?
No Amazonas tem um sujeito que é funcionário (oops!prestador de serviços) do governo, da prefeitura de Manaus e os escambau e ainda posa de "pesquisador sério"...Qua! Qua! Qua! O nome dele? Vou dar apenas as iniciais: começa com "Du" e termina com "rango".
Receita Federal "de Lula" é a favor do estupro...do sigilo fiscal
Por Leandro Colon, no Estadão:
Investigação da Receita Federal desmente o servidor petista Gilberto Souza Amarante, lotado em Formiga (MG), e afirma que ele acessou intencionalmente, sem motivação funcional, o banco de dados fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, em 3 de abril de 2009. “Os indícios encontrados não remetem a um acesso equivocado, mas sim a uma consulta direcionada”, diz relatório assinado pela corregedoria na última quinta-feira. Em cima disso, foi pedida a abertura de um processo disciplinar contra o funcionário.
A apuração da Receita, obtida pelo Estado, contradiz a versão de Amarante de que abriu os dados de Eduardo Jorge por “confusão”. Filiado ao PT desde 2001, ele alegou que buscava um “homônimo” do dirigente tucano. Mas corregedoria descarta essa possibilidade. Segundo a investigação, o servidor violou os dados do tucano e, em 41 segundos, abriu informações, inclusive, sobre as empresas de Eduardo Jorge, acessando cerca de 10 páginas cadastrais. “Disso se conclui inicialmente que Gilberto Souza Amarante realizou pesquisa direcionada ao CPF ou ao nome de Eduardo Jorge Caldas Pereira”, afirma o relatório da Receita.
De acordo com a investigação, ficou “caracterizada a plausibilidade das denúncias, bem como por não se comprovar, nessa fase da investigação, motivação funcional para realização de tais acessos”. A corregedoria diz que não há nenhum documento ou elemento na Receita em Formiga que justifique a abertura dos dados do tucano.
O resultado da apuração da Receita contraria ainda o discurso da presidenciável Dilma Rousseff (PT) em reunião ontem com governadores e senadores eleitos. Segundo gravação do ‘Blog do Noblat’, Dilma elencou a quebra do sigilo fiscal de tucanos como um dos fatores de sua não vitória no primeiro turno. Mas, segundo ela, “ficou caracterizado que havia uma situação em que se tratava de um esquema de corrupção específico da Receita”.
Dilma tentou referir-se ao caso das violações de Mauá e Santo André, em que a Receita e a Polícia Federal buscam descaracterizar o caráter político das quebras fiscais. Agora, em Minas Gerais, a investigação já aponta para um direcionamento, por parte de um filiado ao PT, no acesso aos dados de Eduardo Jorge.
O servidor Gilberto Souza Amarante declarou à Receita que não se lembra os motivos que o levaram a abrir os dados do vice-tucano. No mês passado, ele afirmou que buscava um homônimo. A investigação mostra o contrário. “Caso isso ocorresse, teria sido registrado como acesso todos os contribuintes que possuem tal denominação (Eduardo Jorge)”, diz o relatório da Receita.
A corregedoria diz que, além do vice-presidente do PSDB, apenas um outro Eduardo Jorge, também morador em Brasília, teve seus dados acessados. Mas, neste caso, o servidor não ficou um segundo sequer com a tela aberta. Logo em seguida, o petista acessou as informações do dirigente tucano por 41 segundos.
Investigação da Receita Federal desmente o servidor petista Gilberto Souza Amarante, lotado em Formiga (MG), e afirma que ele acessou intencionalmente, sem motivação funcional, o banco de dados fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, em 3 de abril de 2009. “Os indícios encontrados não remetem a um acesso equivocado, mas sim a uma consulta direcionada”, diz relatório assinado pela corregedoria na última quinta-feira. Em cima disso, foi pedida a abertura de um processo disciplinar contra o funcionário.
A apuração da Receita, obtida pelo Estado, contradiz a versão de Amarante de que abriu os dados de Eduardo Jorge por “confusão”. Filiado ao PT desde 2001, ele alegou que buscava um “homônimo” do dirigente tucano. Mas corregedoria descarta essa possibilidade. Segundo a investigação, o servidor violou os dados do tucano e, em 41 segundos, abriu informações, inclusive, sobre as empresas de Eduardo Jorge, acessando cerca de 10 páginas cadastrais. “Disso se conclui inicialmente que Gilberto Souza Amarante realizou pesquisa direcionada ao CPF ou ao nome de Eduardo Jorge Caldas Pereira”, afirma o relatório da Receita.
De acordo com a investigação, ficou “caracterizada a plausibilidade das denúncias, bem como por não se comprovar, nessa fase da investigação, motivação funcional para realização de tais acessos”. A corregedoria diz que não há nenhum documento ou elemento na Receita em Formiga que justifique a abertura dos dados do tucano.
O resultado da apuração da Receita contraria ainda o discurso da presidenciável Dilma Rousseff (PT) em reunião ontem com governadores e senadores eleitos. Segundo gravação do ‘Blog do Noblat’, Dilma elencou a quebra do sigilo fiscal de tucanos como um dos fatores de sua não vitória no primeiro turno. Mas, segundo ela, “ficou caracterizado que havia uma situação em que se tratava de um esquema de corrupção específico da Receita”.
Dilma tentou referir-se ao caso das violações de Mauá e Santo André, em que a Receita e a Polícia Federal buscam descaracterizar o caráter político das quebras fiscais. Agora, em Minas Gerais, a investigação já aponta para um direcionamento, por parte de um filiado ao PT, no acesso aos dados de Eduardo Jorge.
O servidor Gilberto Souza Amarante declarou à Receita que não se lembra os motivos que o levaram a abrir os dados do vice-tucano. No mês passado, ele afirmou que buscava um homônimo. A investigação mostra o contrário. “Caso isso ocorresse, teria sido registrado como acesso todos os contribuintes que possuem tal denominação (Eduardo Jorge)”, diz o relatório da Receita.
A corregedoria diz que, além do vice-presidente do PSDB, apenas um outro Eduardo Jorge, também morador em Brasília, teve seus dados acessados. Mas, neste caso, o servidor não ficou um segundo sequer com a tela aberta. Logo em seguida, o petista acessou as informações do dirigente tucano por 41 segundos.
Dilma é "aborteira"; Serra, não!
Por Reinaldo Azevedo:
Os petistas, quando flagrados numa ilegalidade ou numa posição considerada incômoda, têm uma primeira e imediata resposta: “Você também!”
Dilma, como se sabe, era favorável à descriminação e/ou legalização do aborto — defendeu as duas coisas, que, no caso, resultam em uma só — até abril de 2009. Já era a pré-candidata de Lula à Presidência, sem nenhuma dúvida. Aí resolveu descrever um arco para não atracar no cais. Ao perceber que a tese não é muito popular entre os brasileiros, embora seja uma resolução aprovada pelo congresso do PT, que todo militante (ela é uma) tem a obrigação de defender, começou a se dedicar à arte da “engrolação”, um neologismo a que recorro, a partir de um quase arcaísmo: o verbo ENGROLAR.
Pois bem. Os petistas, na rede, agora decidiram acusar Serra de suas coisas: a) de ter aprovado a pílula do dia seguinte; b) de ter aprovado o aborto em caso de estupro.
Duas mentiras:
1) A pílula do dia seguinte é anterior à gestão de Serra no Ministério da Saúde;
b) o Código Penal não pune o aborto em caso de estupro e risco de morte da mãe desde 1940. Serra não era nem um feto ainda. Nasceu em 1942! A norma técnica para o aborto em caso de estupro buscou apenas ordenar, no ambiente da Saúde, o que a lei não punia, protegendo a mulher. Mas atenção! Dois dos procedimentos necessários eram estes:
1) “Informação à mulher - ou a seu representante legal -, de que ela poderá ser responsabilizada criminalmente caso as declarações constantes no Boletim de Ocorrência Policial (BOP) forem falsas.
2) Cópia do Boletim de Ocorrência Policial.
Em 2004, Humberto Costa, primeiro ministro da Saúde do governo Lula, baixou nova norma dispensando o boletim de ocorrência:
“O Código Penal não exige qualquer documento para a prática do abortamento nesses casos e a mulher violentada sexualmente não tem o dever legal de noticiar o fato à polícia. Deve-se orientá-la a tomar as providências policiais e judiciais cabíveis, mas, caso ela não o faça, não lhe pode ser negado o abortamento”.
Estes são os fatos no detalhe:
a) Serra não autorizou a chamada pílula do dia seguinte;
b) a legislação não pune o aborto em caso de risco de morte da mãe e de estupro desde 1940. O PT gosta de culpar Serra de muita coisa. Mas parece difícil responsabilizá-lo por uma lei cuja vigência antecede o seu próprio nascimento em dois anos, não é mesmo?
Os petistas, quando flagrados numa ilegalidade ou numa posição considerada incômoda, têm uma primeira e imediata resposta: “Você também!”
Dilma, como se sabe, era favorável à descriminação e/ou legalização do aborto — defendeu as duas coisas, que, no caso, resultam em uma só — até abril de 2009. Já era a pré-candidata de Lula à Presidência, sem nenhuma dúvida. Aí resolveu descrever um arco para não atracar no cais. Ao perceber que a tese não é muito popular entre os brasileiros, embora seja uma resolução aprovada pelo congresso do PT, que todo militante (ela é uma) tem a obrigação de defender, começou a se dedicar à arte da “engrolação”, um neologismo a que recorro, a partir de um quase arcaísmo: o verbo ENGROLAR.
Pois bem. Os petistas, na rede, agora decidiram acusar Serra de suas coisas: a) de ter aprovado a pílula do dia seguinte; b) de ter aprovado o aborto em caso de estupro.
Duas mentiras:
1) A pílula do dia seguinte é anterior à gestão de Serra no Ministério da Saúde;
b) o Código Penal não pune o aborto em caso de estupro e risco de morte da mãe desde 1940. Serra não era nem um feto ainda. Nasceu em 1942! A norma técnica para o aborto em caso de estupro buscou apenas ordenar, no ambiente da Saúde, o que a lei não punia, protegendo a mulher. Mas atenção! Dois dos procedimentos necessários eram estes:
1) “Informação à mulher - ou a seu representante legal -, de que ela poderá ser responsabilizada criminalmente caso as declarações constantes no Boletim de Ocorrência Policial (BOP) forem falsas.
2) Cópia do Boletim de Ocorrência Policial.
Em 2004, Humberto Costa, primeiro ministro da Saúde do governo Lula, baixou nova norma dispensando o boletim de ocorrência:
“O Código Penal não exige qualquer documento para a prática do abortamento nesses casos e a mulher violentada sexualmente não tem o dever legal de noticiar o fato à polícia. Deve-se orientá-la a tomar as providências policiais e judiciais cabíveis, mas, caso ela não o faça, não lhe pode ser negado o abortamento”.
Estes são os fatos no detalhe:
a) Serra não autorizou a chamada pílula do dia seguinte;
b) a legislação não pune o aborto em caso de risco de morte da mãe e de estupro desde 1940. O PT gosta de culpar Serra de muita coisa. Mas parece difícil responsabilizá-lo por uma lei cuja vigência antecede o seu próprio nascimento em dois anos, não é mesmo?
Inquérito contra Lula por reunião com eleitos no Alvorada para cabalar votos
PPS pedirá inquérito contra Lula por reunião na Alvorada
Por Gustavo Uribe, da Agência Estado:
O PPS anunciou no início da tarde desta terça-feira, 5, que irá ingressar nesta semana com representação no Ministério Público Eleitoral (MPE) pedindo a abertura de inquérito contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em decorrência de reunião promovida na manhã desta segunda no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente. O evento contou com a participação de governadores e senadores eleitos que fazem parte da base de apoio do governo. O objetivo foi discutir estratégias para a campanha da candidata do PT, Dilma Rousseff, no segundo turno.
Na representação, o PPS deve alegar que o presidente infringiu o artigo 73 da Lei Eleitoral Nº 9.504/2007, que veda o uso de imóveis públicos em benefício de candidatos. A sigla oposicionista argumenta ainda que a reunião foi feita em “pleno horário de expediente”. “É claramente a utilização de recursos dos cofres públicos para fins eleitorais, o que configura um crime eleitoral”, acusa o deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE).
O parlamentar estuda ainda ingressar com representações contra os governadores e senadores presentes no evento, pelo suposto uso de dinheiro público no deslocamento até Brasília, bem como na hospedagem na capital federal. Alguns políticos presentes participaram ontem de encontro com a candidata Dilma e pernoitaram no Distrito Federal.
Comento:
Muito bem! O Lula não pode fazer o que bem quer porque tem o TSE e parte do STF na mão. Ele ainda não é o Chaves, é apenas "projeto", mas não se pode deixá-lo solto senão ele leva a delinquência política à frente, no que se especializou desde o mensalão.
Por Gustavo Uribe, da Agência Estado:
O PPS anunciou no início da tarde desta terça-feira, 5, que irá ingressar nesta semana com representação no Ministério Público Eleitoral (MPE) pedindo a abertura de inquérito contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em decorrência de reunião promovida na manhã desta segunda no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente. O evento contou com a participação de governadores e senadores eleitos que fazem parte da base de apoio do governo. O objetivo foi discutir estratégias para a campanha da candidata do PT, Dilma Rousseff, no segundo turno.
Na representação, o PPS deve alegar que o presidente infringiu o artigo 73 da Lei Eleitoral Nº 9.504/2007, que veda o uso de imóveis públicos em benefício de candidatos. A sigla oposicionista argumenta ainda que a reunião foi feita em “pleno horário de expediente”. “É claramente a utilização de recursos dos cofres públicos para fins eleitorais, o que configura um crime eleitoral”, acusa o deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE).
O parlamentar estuda ainda ingressar com representações contra os governadores e senadores presentes no evento, pelo suposto uso de dinheiro público no deslocamento até Brasília, bem como na hospedagem na capital federal. Alguns políticos presentes participaram ontem de encontro com a candidata Dilma e pernoitaram no Distrito Federal.
Comento:
Muito bem! O Lula não pode fazer o que bem quer porque tem o TSE e parte do STF na mão. Ele ainda não é o Chaves, é apenas "projeto", mas não se pode deixá-lo solto senão ele leva a delinquência política à frente, no que se especializou desde o mensalão.
05 outubro 2010
O mapa mentiroso dos "ibopes"_In Reinaldo de Azevedo (Veja)
O leitor Feliciano Maduro decidiu juntar dois mapas. As áreas vermelhas indicam vitória de Dilma; as azuis, de Serra; o que está em cinza, indefinição.
Pois bem: à esquerda, vocês têm o Brasil como o Ibope disse que ele era no dia 2. À direita, o Brasil que saiu das urnas um dia depois.
Não fosse a estúpida loquacidade dos responsáveis pelas pesquisas no Brasil, que passaram a falar mais do que diziam seus números já perturbados, há esse constrangedor contraste.
Ainda falaremos muito sobre pesquisas nos próximos dias e os analistas que se tornaram contínuos ou do erro ou da má fé. Os “especialistas em pesquisa” do Estadão, Daniel Bramatti e José Roberto de Tolerado, deram o seguinte título para a reportagem sobre os mapas de votação: “Marina tira eleitores de Dilma, que perde em mais estados do que se previa”.
O que faz aí este “se” como índice de indeterminação do sujeito, cara pálida? Quem previa? Preparem-se para a reação corporativista dos institutos. Reivindicarão o direito de continuar declarando que estão certos, mesmo errados. O resultado de seus levantamentos nos estados também é uma tragédia. Daqui a pouco um deles sai da toca para acusar os críticos de “obscurantistas”. Os honestos tratem de rever sua ciência, coisa que os desonestos não farão, é claro! Em qualquer dos casos, os loquazes diretores de instituto devem falar menos e acertar mais.
*****
A eleição de 2010 tem um grande derrotado, vença Serra ou Dilma: as pesquisas de opinião. E nem me refiro especialmente ao resultado, embora todos os institutos tenham errado: uns mais, outros menos. Refiro-me à derrota desse importante instrumento de avaliação da opinião pública. E isso só aconteceu porque o ambiente foi tomado por vigaristas e negociantes — que não vendem um serviço, mas um resultado. As pessoas sérias envolvidas com essa atividade deveriam evitar a defesa corporativa da “categoria”. Os que erram de boa-fé devem procurar afinar seus instrumentos. Os malandros continuarão a fazer malandragens; são pagos para isso. Por isso mesmo, os que procuram acertar — em vez de se acertar — devem evitar as más companhias.
Comecemos pelo óbvio: erraram, sim! Todos! Sem exceção! O Datafolha, mais perto da realidade, dava a Dilma 50% dos votos válidos no dia do pleito. Ela obteve 47,6% — fora da margem de erro. O Sensus via a candidata com 54,7% dos válidos. Para o Vox Populi, a petista estava 12 pontos à frente da soma dos adversários. No dia 29 de outubro, o Ibope atribuía a Dilma 55% dos votos válidos — 7,4 pontos a mais do que ela conseguiu. Os erros se repetiram em boa parte dos estados. Desse bola para os levantamentos, aquele que será, em números absolutos, o senador mais votado da história do Brasil —Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) — deveria ter entregado os pontos.
Vou insistir neste aspectos: embora o resultado não seja irrelevante, inaceitável mesmo foi o comportamento de alguns “responsáveis” (?) pelos institutos, que resolveram posar de analistas políticos e videntes. Não se contentavam em passar adiante números que, como vimos, se mostraram errados: também faziam perorações a respeito e expeliam sentenças definitivas.
O mais animado deles, sem dúvida, é Marcos Coimbra, o manda-chuva do Vox Populi, instituto que chegou a agonizar e que renasceu com força no petismo. Ele trabalha para e com o PT, embora suas pesquisas e ele próprio sejam vistos em certas áreas, só em certas áreas, como isentos. Coimbra é colunista de uma revista petista e escreve também no Correio Braziliense — como “cientista social”, é claro…
No quarta passada, ele concedeu uma entrevista a um blog. Divirtam-se:
Pergunta - Marina Silva está crescendo sobre votos de Dilma Rousseff?
Coimbra - Não dá para dizer. Dilma cresceu tanto após o início do horário gratuito da propaganda eleitoral que roubou votos dos outros dois. Agora, esses votos estão, ao que parece, voltando para eles.
Quantos votos, de fato, Dilma precisa perder para que haja segundo turno?
Nos dados de nosso tracking (corroborados por vários outros que temos de pesquisas desenvolvidas em paralelo), a vantagem dela para a soma dos outros estava em 12 pontos percentuais ontem. Se 6 pontos passassem dela para os outros, a eleição empataria e o prognóstico de vitória no primeiro turno seria impossível. Como cada ponto equivale a mais ou menos 1,35 milhão de eleitores, isso seria igual a 8 milhões de eleitores (sem raciocinar com abstenções).
Marina Silva pode ultrapassar José Serra?
É muito pouco provável, no conjunto do país. Possível em alguns lugares, como a região Norte e o DF. Talvez se consolide no Rio, onde ela já está na frente.
Qual o quadro que o senhor acha mais provável?
Vitória de Dilma no primeiro turno.
Voltei (Reinaldo):
Está muito claro, não? Em quatro dias, seria preciso uma migração de oito milhões de eleitores. Concordo com Coimbra: isso não aconteceu! É que seus números estavam, para ser simpático, errados. O curioso é que sua entrevista, claramente passada por e-mail — nunca vi alguém falar entre parênteses — foi “concedida” a dezenas de blogs de esquerda, inclusive àqueles com financiamento estatal.
Um dos blogueiros da turma, o mais circense deles — é mentira que estejam pensando em usá-lo naquele número do canhão —,escreveu a propósito dessa entrevista:
“O responsável pela Vox Populi, Marcos Coimbra, deu corajosa entrevista (…). Coimbra diz o que o tracking da Vox diz há 28 dias: não mudou nada e a Dilma vence no primeiro turno. Ou seja, Coimbra desmoralizou a última ‘pesquisa’ do Datafalha. Faltam 5 dias para a eleição. Coimbra joga a credibilidade de seu passado profissional e a integridade de sua empresa nessa afirmação: Dilma venceria no primeiro turno.”
Como se nota, segundo tal raciocínio, a integridade se desintegrou.
O Sensus faz pesquisa para a CNT (Confederação Nacional dos Transportes), presidida pelo dublê de empresário e político Clésio Andrade. É aquele instituto que me encanta particularmente por sua precisão decimal. No dia 29, Dilma teria 54,7% dos votos; Serra, 29,5%, e Marina, 13,3%. A previsão não ficou para Ricardo Guedes, diretor técnico do instituto, mas para o “especialista” Clésio: “Num período de quatro dias, é muito difícil reverter essa vantagem”.
Anteontem, o Ibope divulgou uma pesquisa: 51% dos válidos para Dilma, número reiterado na boca de urna realizada ontem. Ok, errou, paciência, certo? Mais ou menos. Carlos Augusto Montenegro, depois de fazer uma previsão temerária há alguns meses assegurando a vitória de Serra, passou a asseverar a vitória de Dilma no primeiro turno com a mesma convicção. E até chegou a sugerir que a oposição estava fazendo baixa exploração dos escândalos e não respeitava a democracia. São comportamentos inaceitáveis.
Pesquisas interferem no processo político
Pesquisas de opinião não são irrelevantes. Interferem no processo político: facilitam ou dificultam doações; facilitam ou dificultam a formação de palanques regionais; geram ondas de notícia positiva ou negativa; ajudam a plasmar a expectativa dos eleitores sobre o possível vitorioso etc. Tornam-se, pois, parte do jogo político.
O segundo turno está aí. Não pensem que os malandros desistiram de malandragens só porque foram flagrados. Ser flagrado é parte do seu ofício. está no preço. Sabem que os números que “apuram” acabarão divulgados de um modo ou de outro. Então que as pessoas eventualmente sérias envolvidas com essa atividade saibam fazer a diferença. Um bom caminho é não se sentir patrulhado por essa vizinhança incômoda, procurando ajustar os próprios números à metafísica influente da canalha.
*****
Comento:
Aqui no Amazonas os "ibopeiros" cometeram as mesmas sandices e posam por aí de "cientistas políticos". Claro, após as eleições as "bocas das urnas" falam por si mesmas. Todavia, os "ibopeiros" as apresentam (as pesquisas de boca-de-urna) como sua última e mais "precisa" pesquisa no afã de "apagar" as bobagens e tendenciosdaddades que pariram ao longo da campanha. Ora, vão-se!...
É a política, estúpido!
Por Reinaldo de Azevedo (Veja):
É bom o tucanato tomar cuidado para não repetir, com Marina Silva, a bobagem ocorrida há alguns meses na definição do vice na chapa. Naquele caso, criou-se a expectativa de que Aécio Neves aceitaria o desafio, ficou-se à espera dele por algum tempo, ele não veio, e os setores da imprensa ávidos por decretar o fim do PSDB proclamaram então: “Derrota!” O tempo agora é mais curto, mas a besteira pode se repetir. “Temos de ter Marina; temos de ter Marina”. E nada de a candidata verde declarar seu apoio. Quando e se não o fizer, virá o óbvio: “Decepção tucana; Marina declara neutralidade”.
Ouso divergir um tantinho dos que acreditam que política é mera conta de somar e subtrair. Fosse assim, bastaria juntar os votos do tucano e da verde, e a fatura estaria liquidada. POLÍTICA É CONTA DE MULTIPLICAR. Vamos devagar.
Primeiro Marina: ela vai ou não vai?
Tendo a achar que não. Será que lhe interessa uma possibilidade de mudança do eixo de poder? Ouço o discurso de Marina e entendo que ela, em uma das mãos, se considera o bom petismo, aquele autêntico, o que não abandonou as suas bandeiras. Na outra, vê-se como a superação das supostas dicotomias que separem petistas de tucanos. Ela seria uma síntese superior dessa oposição, podendo unir as bordas de ambos os lados, com a sua visão de política que chamo “holística” — à falta de algum termo consagrado da literatura política que defina o seu discurso. Realmente não sei se interessa a ela a vitória de um tucano. Tendo a achar que ela flerta mais com um eventual e suposto esgotamento do modo petista de fazer política — ou seja: com a vitória de Dilma. Seria um erro de análise, entendo. Mas não do ponto de vista dela.
Como obteve um resultado bastante expressivo nas urnas, Marina pode tentar vender muito caro o seu apoio. Durante os debates, ela tentou arrancar dos demais candidatos o comprometimento, por exemplo, com o tal Código Florestal, cuja aplicação seria desastrosa para a agricultura do país. Marina tentará impor a sua agenda como se tivesse sido ela a passar para o segundo turno? Se caminhar por aí, as coisas se complicam bem. Vamos ver.
Agora Serra: a questão é política
É claro que o eventual apoio de Marina a Serra seria, do ponto de vista do tucano, muito bem-vindo, desde que ele não tenha de trocar a sua agenda pela agenda dela — esse tipo de acordo não existe; a rigor, nem acordo é. Entendo que a questão é de natureza política. É a política que tem de ser resgatada na campanha.
Em 1998, Covas chegou em segundo lugar na disputa pelo governo de São Paulo (ver post anterior), bem atrás de Paulo Maluf. A campanha eleitoral era pautada pelo puro administrativismo: o governador fez isso, fez aquilo, melhorou aquilo outro… Enfrentava a virulência malufista e suas mistificações. Quase naufragou. Marta, a terceira colocada, declarou, sim, apoio a Covas no segundo turno. Mas, entendo, o que determinou a vitória do tucano foi o embate POLÍTICO com Paulo Maluf. Em vez de ficar no “fiz isso e fiz aquilo e vou fazer mais isto e isto”, fez-se um enfrentamento de valores. E ganhou.
É claro que era mais fácil bater em Maluf do que em Dilma — que continuará pendurada em Lula. Não ignoro isso. Mas não estou falando em “bater” em ninguém. Ao contrário até: acho que é preciso encontrar a linguagem afirmativa dos valores que Serra, como candidato tucano, encarna, em contraste, sim, com Dilma. Com ou sem Marina, opor meramente a “Continuidade de Superação” (tucanos) à “Continuidade de Exaltação” (petistas) não é uma boa idéia para a candidatura do PSDB.
É a política!
Há a tal máxima: “É a economia, estúpido!”, atribuída a um assessor de Clinton na disputa contra Bush pai, lá atrás. Em eleição, queridos, a única frase que faz sentido é esta: “É a política, estúpido!”, já que as virtudes e defeitos da economia são transformados em linguagem… política! Assim como é possível transformar salário, renda, consumo etc em votos, o mesmo se pode fazer com valores. São sempre eles que decidem as eleições. Só para ficar nos EUA: Bush filho, no primeiro mandato, já havia convertido os superávits gêmeos em déficits gêmeos — para não falar no desastre do Iraque, que já estava configurado. E foi reeleito. Obama pegou o país no osso, foi visto como um demiurgo de alcance mundial, o salvador… Duas semanas depois da posse, os republicanos resolveram lembrar que existe oposição no país. Há o risco de os democratas perderem a maioria na Câmara e no Senado.
Não estou chamando ninguém de “estúpido”. Estou apenas brincando com o clichê. Sempre será a política, estúpido!
Comento:
Essa coisa de Serra ficar no "promessômetro" realmente não lhe dará a vitória, mas sim se ele souber chamar Dilma para confrontar seus currículos e suas experiências políticas. Aí, sim, vamos ter novidade.
Ta,bém considero que Serra não pode ficar dando muita bola para Marina se esta quizer se impor como se tivesse ganho a eleição (ou mesmo a passagem para o segundo turno). Ela tem, sim, de calçar a sandália da humildade e pensar no melhor par4a o país e não para seus interesses "messiânicos" à lá Lula de saias. É isso aí...
É bom o tucanato tomar cuidado para não repetir, com Marina Silva, a bobagem ocorrida há alguns meses na definição do vice na chapa. Naquele caso, criou-se a expectativa de que Aécio Neves aceitaria o desafio, ficou-se à espera dele por algum tempo, ele não veio, e os setores da imprensa ávidos por decretar o fim do PSDB proclamaram então: “Derrota!” O tempo agora é mais curto, mas a besteira pode se repetir. “Temos de ter Marina; temos de ter Marina”. E nada de a candidata verde declarar seu apoio. Quando e se não o fizer, virá o óbvio: “Decepção tucana; Marina declara neutralidade”.
Ouso divergir um tantinho dos que acreditam que política é mera conta de somar e subtrair. Fosse assim, bastaria juntar os votos do tucano e da verde, e a fatura estaria liquidada. POLÍTICA É CONTA DE MULTIPLICAR. Vamos devagar.
Primeiro Marina: ela vai ou não vai?
Tendo a achar que não. Será que lhe interessa uma possibilidade de mudança do eixo de poder? Ouço o discurso de Marina e entendo que ela, em uma das mãos, se considera o bom petismo, aquele autêntico, o que não abandonou as suas bandeiras. Na outra, vê-se como a superação das supostas dicotomias que separem petistas de tucanos. Ela seria uma síntese superior dessa oposição, podendo unir as bordas de ambos os lados, com a sua visão de política que chamo “holística” — à falta de algum termo consagrado da literatura política que defina o seu discurso. Realmente não sei se interessa a ela a vitória de um tucano. Tendo a achar que ela flerta mais com um eventual e suposto esgotamento do modo petista de fazer política — ou seja: com a vitória de Dilma. Seria um erro de análise, entendo. Mas não do ponto de vista dela.
Como obteve um resultado bastante expressivo nas urnas, Marina pode tentar vender muito caro o seu apoio. Durante os debates, ela tentou arrancar dos demais candidatos o comprometimento, por exemplo, com o tal Código Florestal, cuja aplicação seria desastrosa para a agricultura do país. Marina tentará impor a sua agenda como se tivesse sido ela a passar para o segundo turno? Se caminhar por aí, as coisas se complicam bem. Vamos ver.
Agora Serra: a questão é política
É claro que o eventual apoio de Marina a Serra seria, do ponto de vista do tucano, muito bem-vindo, desde que ele não tenha de trocar a sua agenda pela agenda dela — esse tipo de acordo não existe; a rigor, nem acordo é. Entendo que a questão é de natureza política. É a política que tem de ser resgatada na campanha.
Em 1998, Covas chegou em segundo lugar na disputa pelo governo de São Paulo (ver post anterior), bem atrás de Paulo Maluf. A campanha eleitoral era pautada pelo puro administrativismo: o governador fez isso, fez aquilo, melhorou aquilo outro… Enfrentava a virulência malufista e suas mistificações. Quase naufragou. Marta, a terceira colocada, declarou, sim, apoio a Covas no segundo turno. Mas, entendo, o que determinou a vitória do tucano foi o embate POLÍTICO com Paulo Maluf. Em vez de ficar no “fiz isso e fiz aquilo e vou fazer mais isto e isto”, fez-se um enfrentamento de valores. E ganhou.
É claro que era mais fácil bater em Maluf do que em Dilma — que continuará pendurada em Lula. Não ignoro isso. Mas não estou falando em “bater” em ninguém. Ao contrário até: acho que é preciso encontrar a linguagem afirmativa dos valores que Serra, como candidato tucano, encarna, em contraste, sim, com Dilma. Com ou sem Marina, opor meramente a “Continuidade de Superação” (tucanos) à “Continuidade de Exaltação” (petistas) não é uma boa idéia para a candidatura do PSDB.
É a política!
Há a tal máxima: “É a economia, estúpido!”, atribuída a um assessor de Clinton na disputa contra Bush pai, lá atrás. Em eleição, queridos, a única frase que faz sentido é esta: “É a política, estúpido!”, já que as virtudes e defeitos da economia são transformados em linguagem… política! Assim como é possível transformar salário, renda, consumo etc em votos, o mesmo se pode fazer com valores. São sempre eles que decidem as eleições. Só para ficar nos EUA: Bush filho, no primeiro mandato, já havia convertido os superávits gêmeos em déficits gêmeos — para não falar no desastre do Iraque, que já estava configurado. E foi reeleito. Obama pegou o país no osso, foi visto como um demiurgo de alcance mundial, o salvador… Duas semanas depois da posse, os republicanos resolveram lembrar que existe oposição no país. Há o risco de os democratas perderem a maioria na Câmara e no Senado.
Não estou chamando ninguém de “estúpido”. Estou apenas brincando com o clichê. Sempre será a política, estúpido!
Comento:
Essa coisa de Serra ficar no "promessômetro" realmente não lhe dará a vitória, mas sim se ele souber chamar Dilma para confrontar seus currículos e suas experiências políticas. Aí, sim, vamos ter novidade.
Ta,bém considero que Serra não pode ficar dando muita bola para Marina se esta quizer se impor como se tivesse ganho a eleição (ou mesmo a passagem para o segundo turno). Ela tem, sim, de calçar a sandália da humildade e pensar no melhor par4a o país e não para seus interesses "messiânicos" à lá Lula de saias. É isso aí...
Dilma, PT e Lula chegam a 46% no ABC
Por Elizabeth Lopes, no Estadão Online:
Apesar de terminar a corrida eleitoral de ontem em primeiro lugar na cidade de São Bernardo do Campo — berço do PT e local onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a carreira política, como sindicalista —, a candidata petista Dilma Rousseff não alcançou 50% dos votos válidos. Na contagem geral na cidade do ABC paulista, Dilma teve 46% contra 32% do tucano José Serra e 19% de Marina Silva (PV), coincidentemente, o mesmo porcentual de votos que os três presidenciáveis tiveram em todo o País e que levou a eleição para a disputa em segundo turno.
“Mesmo na cidade do seu padrinho político e líder em popularidade, Dilma Rousseff não ganharia o pleito no primeiro turno”, afirma o especialista Sidney Kuntz, comparando a votação registrada em São Bernardo do Campo com o restante do País. Segundo ele, a votação da petista no reduto político de Lula, que ficou abaixo do esperado, acendeu a luz amarela entre os correligionários da legenda.
Reuniões emergenciais já estão sendo organizadas para discutir as eventuais falhas ocorridas na reta final do primeiro turno e definir os rumos desta nova fase da campanha. Ao falar do reduto político do presidente da República, o especialista lembra que Frank Aguiar, vice-prefeito de Luiz Marinho (PT) em São Bernardo do Campo, não conseguiu se eleger deputado federal nessas eleições.
Kuntz avalia que apesar do empenho e popularidade de Lula, o PSDB tem muita força em todo o Estado de São Paulo, tanto que o candidato do PSDB ao governo paulista, Geraldo Alckmin, foi eleito no primeiro turno, apesar da margem apertada para obter a maioria dos votos, e o tucano Aloysio Nunes Ferreira obteve uma das duas vagas ao Senado, deixando de fora Netinho de Paula (PCdoB), da coligação petista, e que era apontado pelas pesquisas de intenção de voto como um dos favoritos nessa corrida.
Outras cidades
Na análise da apuração nas cidades do ABC paulista, Dilma só registrou mais de 50% dos votos na cidade de Diadema, município administrado pelo PT. Ali, ela teve 56% dos votos válidos, Serra recebeu 23% e Marina, 19%. Em Mauá, outra cidade administrada pelo PT, Dilma também não chegou a atingir 50% dos votos válidos e ficou com 47%, contra 30% de Serra e 20% de Marina.
Em Santo André, cidade administrada pelo PTB, aliado dos tucanos, Dilma obteve 39%, Serra 36% e Marina 22%. Em São Caetano do Sul, administrada também pelo PTB, Serra liderou com 52%, seguido de Dilma com 23% e Marina com 21%.
Apesar de terminar a corrida eleitoral de ontem em primeiro lugar na cidade de São Bernardo do Campo — berço do PT e local onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a carreira política, como sindicalista —, a candidata petista Dilma Rousseff não alcançou 50% dos votos válidos. Na contagem geral na cidade do ABC paulista, Dilma teve 46% contra 32% do tucano José Serra e 19% de Marina Silva (PV), coincidentemente, o mesmo porcentual de votos que os três presidenciáveis tiveram em todo o País e que levou a eleição para a disputa em segundo turno.
“Mesmo na cidade do seu padrinho político e líder em popularidade, Dilma Rousseff não ganharia o pleito no primeiro turno”, afirma o especialista Sidney Kuntz, comparando a votação registrada em São Bernardo do Campo com o restante do País. Segundo ele, a votação da petista no reduto político de Lula, que ficou abaixo do esperado, acendeu a luz amarela entre os correligionários da legenda.
Reuniões emergenciais já estão sendo organizadas para discutir as eventuais falhas ocorridas na reta final do primeiro turno e definir os rumos desta nova fase da campanha. Ao falar do reduto político do presidente da República, o especialista lembra que Frank Aguiar, vice-prefeito de Luiz Marinho (PT) em São Bernardo do Campo, não conseguiu se eleger deputado federal nessas eleições.
Kuntz avalia que apesar do empenho e popularidade de Lula, o PSDB tem muita força em todo o Estado de São Paulo, tanto que o candidato do PSDB ao governo paulista, Geraldo Alckmin, foi eleito no primeiro turno, apesar da margem apertada para obter a maioria dos votos, e o tucano Aloysio Nunes Ferreira obteve uma das duas vagas ao Senado, deixando de fora Netinho de Paula (PCdoB), da coligação petista, e que era apontado pelas pesquisas de intenção de voto como um dos favoritos nessa corrida.
Outras cidades
Na análise da apuração nas cidades do ABC paulista, Dilma só registrou mais de 50% dos votos na cidade de Diadema, município administrado pelo PT. Ali, ela teve 56% dos votos válidos, Serra recebeu 23% e Marina, 19%. Em Mauá, outra cidade administrada pelo PT, Dilma também não chegou a atingir 50% dos votos válidos e ficou com 47%, contra 30% de Serra e 20% de Marina.
Em Santo André, cidade administrada pelo PTB, aliado dos tucanos, Dilma obteve 39%, Serra 36% e Marina 22%. Em São Caetano do Sul, administrada também pelo PTB, Serra liderou com 52%, seguido de Dilma com 23% e Marina com 21%.
01 outubro 2010
Porque Serra não "bate" em Dilma_Por Ethan Edwards_In Augusto Nunes
Com o brilho de sempre, Ethan Edwards fez algumas observações sobre a campanha de José Serra que merecem ser amplamente debatidas pelo timaço de comentaristas. Confiram o que diz nosso craque, amigos. A bola está com vocês.
Num país de cultura democrática fragílima, em que recorrer à lei é identificado (por intelectuais e jornalistas que se acreditam esclarecidos) com “tentativa de vencer no tapetão”, é possível que Serra tenha desistido de avançar pelo caminho das denúncias, principalmente depois que boa parte da imprensa passou a identificar – canalhamente, diga-se – a divulgação dos crimes cometidos dentro do Planalto como uma “tentativa de encontrar a bala de prata” que o levaria ao segundo turno.
É possível, também, que, num país em que jornais noticiam, penalizados, que “psicóloga da prisão diz que Suzane Richtoffen está cada vez mais deprimida”, e em que torcedores vão à porta de delegacias para aplaudir o ex-goleiro Bruno, Serra não tenha querido fabricar mais uma vítima e colocar-se no lugar do algoz. Pois a verdade é que, no Brasil, todo o mundo se diz indignado contra a corrupção, mas a maioria não vê nenhum problema em ser amigo do corrupto, se este for gentil, passar a mão na cabeça de uma criança, sorrir, apertar mãos e arrumar um emprego público para o amigo. Serra deve ter considerado essas variáveis e optado por margear as áreas problemáticas.
Serra conhece o PT e sabe que as denúncias de corrupção atingirão a candidata oficial, mesmo que ele não as faça (o PT nunca precisou de ajuda para produzir um escândalo todo dia). Sabe que será acusado de “estúpido” e “cruel” se atacar duramente Dilma (que é avó, tem câncer, lutou contra a ditadura, lágrimas, lágrimas…), mas que se Dilma afundar como conseqüência das centenas de denúncias originadas nos mais diferentes lugares, “no habrá más penas ni olvido”. Dilma afundará sob a “opinião anônima das ruas” e ele não precisará “sujar as mãos” com isso.
É possível que Serra e seu marqueteiro estejam certos. Talvez não se possa fazer diferente num ambiente em que os inúmeros crimes eleitorais do presidente da República são ignorados ou banalizados pela imprensa e pelos bem-pensantes e uma única palavra dura da oposição é denunciada como crime imprescritível contra a Humanidade (de Lula…). Nesta eleição, o bandido, definitivamente, não é Serra nem seu marqueteiro…
Como eu disse, é um exercício de interpretação. Podem jogar as pedras.
Num país de cultura democrática fragílima, em que recorrer à lei é identificado (por intelectuais e jornalistas que se acreditam esclarecidos) com “tentativa de vencer no tapetão”, é possível que Serra tenha desistido de avançar pelo caminho das denúncias, principalmente depois que boa parte da imprensa passou a identificar – canalhamente, diga-se – a divulgação dos crimes cometidos dentro do Planalto como uma “tentativa de encontrar a bala de prata” que o levaria ao segundo turno.
É possível, também, que, num país em que jornais noticiam, penalizados, que “psicóloga da prisão diz que Suzane Richtoffen está cada vez mais deprimida”, e em que torcedores vão à porta de delegacias para aplaudir o ex-goleiro Bruno, Serra não tenha querido fabricar mais uma vítima e colocar-se no lugar do algoz. Pois a verdade é que, no Brasil, todo o mundo se diz indignado contra a corrupção, mas a maioria não vê nenhum problema em ser amigo do corrupto, se este for gentil, passar a mão na cabeça de uma criança, sorrir, apertar mãos e arrumar um emprego público para o amigo. Serra deve ter considerado essas variáveis e optado por margear as áreas problemáticas.
Serra conhece o PT e sabe que as denúncias de corrupção atingirão a candidata oficial, mesmo que ele não as faça (o PT nunca precisou de ajuda para produzir um escândalo todo dia). Sabe que será acusado de “estúpido” e “cruel” se atacar duramente Dilma (que é avó, tem câncer, lutou contra a ditadura, lágrimas, lágrimas…), mas que se Dilma afundar como conseqüência das centenas de denúncias originadas nos mais diferentes lugares, “no habrá más penas ni olvido”. Dilma afundará sob a “opinião anônima das ruas” e ele não precisará “sujar as mãos” com isso.
É possível que Serra e seu marqueteiro estejam certos. Talvez não se possa fazer diferente num ambiente em que os inúmeros crimes eleitorais do presidente da República são ignorados ou banalizados pela imprensa e pelos bem-pensantes e uma única palavra dura da oposição é denunciada como crime imprescritível contra a Humanidade (de Lula…). Nesta eleição, o bandido, definitivamente, não é Serra nem seu marqueteiro…
Como eu disse, é um exercício de interpretação. Podem jogar as pedras.
STF do PT bagunça eleição_Por Reinaldo Azevedo
Aos poucos, o baguncismo vai se insinuando nas instituições brasileiras, e aquilo que deveria ser o comum, o corriqueiro, que é o cumprimento da lei, vai dependendo cada vez mais da ação de homens, da interpretação de juízes, ministros, de modo que uma das bases do arcabouço legal, que é a tempestividade, vai cedendo ao intempestivo.
Um ou dois documentos para votar? NO ANO PASSADO, graças a uma iniciativa do PC do B, concluiu-se que seriam necessários dois: o título e um documento com foto. TODOS OS PARTIDOS apoiaram a mudança, uma ampla maioria a aprovou, e o presidente da República a sancionou. Pode, agora, o Supremo, a três dias da eleição, dizer que aquela lei, EMBORA CONSTITUCIONAL, não vale? Desculpem-me os respeitáveis ministros que, até agora, acataram a Adin do PT: é um despropósito absoluto!
Uma pergunta dirigida a Marco Aurélio de Mello, José Antonio Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa e Carlos Ayres Britto: se o Congresso quiser votar amanhã uma nova Lei Eleitoral, com validade já para as próximas eleições, ele pode? Não! A Constituição não permite. Mas o Supremo pode, nesse caso, se comportar como um Legislativo acima da Constituição? É o que está fazendo. Só esse argumento bastaria para que o tribunal não se metesse nessa história.
Ora, os partidos se prepararam para a lei que existe, não? O que se muda ao dizer que a lei não vale é o próprio processo eleitoral. Se a que temos aí, aprovada pelo Congresso, não é boa, que os senhores parlamentares, no tempo e no foro adequados, a mudem. Não cabe ao Supremo dizer: “Ooopsss! Você aprovaram, é CONSTITUCIONAL, mas acho que a gente pode dar uma corrigidinha nos excessos, cuidar do tempero” — como disse Lewandowski, numa declaração que me parece um tanto leviana.
Qualquer lei que mude o processo eleitoral — e essa muda — só pode ser aprovada, no mínimo, um ano antes da eleição. Ora, se o Congresso quisesse voltar atrás agora, não poderia. Então pode o Supremo fazer o que o Parlamento não pode?
Estamos diante de uma aberração óbvia, contra a qual não cabe recurso a não ser a indignação. Mas é assim que as coisas começam; é assim que a ordem instituída inicia o processo de degenerescência, com pequenas concessões — até a hora em que se chega às grandes, que, cedo ou tarde, são cobradas de quem vai, como diria o mestre-cuca Lewandowski ,”temperando” a lei.
Quer dizer que o PT, por alguma razão, intuiu que seria prejudicado por uma lei que ajudou a aprovar, a favor da qual se mobilizou, e apela ao cartório, para resolver no tapetão o que ele próprio endossou no processo político? E os ministros, alegremente, assumem o lugar de 513 deputados e 81 senadores? Em que outras circunstâncias o STF se mostrará disposto a “corrigir” decisões CONSTITUCIONAIS tomadas pelo Poder Legislativo?
Já não era bom
E que se note: quando essa mudança foi discutida, o TSE foi alertado que o ideal seria que as seções eleitorais não tivessem aquelas folhas com o número dos títulos. Afinal, é esse número que, digitado, permite que se vote. Ora, se é para o sistema ser seguro, o ideal seria que:
a - as seções tivessem a listagem com os nomes dos eleitores;
b - um documento com foto identificasse o votante;
c - identificado, ele apresenta o título;
d - digitado o número, abre-se a possibilidade de votar.
Isso já não foi feito. No chamado “Brasil profundo”, nada impede que se vote em lugar do eleitor ausente. Bastam, para tanto, uma fiscalização frouxa e a disposição de fraudar. Abundam as duas coisas no país. A mudança não foi aceita. O processo já ficou menos seguro. A lei votada no ano passado era uma pequena garantia extra, que o STF agora vai derrubar. Mas as coisas não param por aí, não. As circunstâncias a tornam muito piores.
O marqueteiro pediu e os “ministros enquanto isso e enquanto aquilo”
O grande “legislador” intempestivo da causa se chama João Santana, o marqueteiro do PT. Foi ele quem pediu a Antonio Palocci, informou a coluna Painel (Folha), no domingo, que se recorresse contra a lei. E assim foi feito. Pois bem.
ATENÇÃO AGORA! Em julho, a questão foi debatida no TSE. Em favor de Marco Aurélio de Mello se diga uma coisa: ele defendeu que o eleitor pudesse votar apresentando apenas a carteira de identidade. Foi voto vencido. O tribunal soltou uma resolução endossando a lei aprovada: título mais documento com foto. Pois bem: Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia, no TSE, votaram pelos dois documentos; no STF, ambos votaram por um documento só.
Encerro
Olhem aqui: se João Santana pediu para mudar a lei, é porque ele acha que um só documento é coisa boa para o PT. Eu, sinceramente, tendo a acreditar que a questão é, em si, irrelevante (mecanismo para evitar que se vote em lugar do ausente seria, sim importante). Minha questão não é de natureza eleitoral ou eleitoreira.
O que me preocupa é ver o STF nessa areia, atropelando a Constituição em vez de protegê-la. Seria exagero dizer que se está dando um pequeno golpe na eleição. Mas não é exagero dizer que, se fosse um golpe, não haveria a quem apelar, uma vez que o tribunal ao qual se apela seria o seu próprio promotor.
Eis aí um péssimo sinal.
Adendo importante
A Folha de hoje publica um texto em que afirma que o ministro Gilmar Mendes, que pediu vista, e o tucano José Serra se falaram ontem. Ambos negam. Ainda que tivessem se falado. E daí?
Se a presunção é a de que Mendes teria pedido vista para privilegiar Serra, então seria de supor que os outros cederam ao pedido do PT para privilegiar Dilma — a única diferença, então, é que os jornalistas não saberiam com quem teriam falado ao telefone. É uma questão de lógica elementar.
Isso é irrelevante. Eu não acho que faça grande diferença apresentar um ou dois documentos. Quem acha é João Santana, o marqueteiro do PT. Terá falado com algum ministro? A questão, em si, não tem a menor importância.
Importante é o STF, a três dias da eleição, mudar uma lei aprovada no ano passado. Creio que os motivos foram suficientemente expostos acima.
Um ou dois documentos para votar? NO ANO PASSADO, graças a uma iniciativa do PC do B, concluiu-se que seriam necessários dois: o título e um documento com foto. TODOS OS PARTIDOS apoiaram a mudança, uma ampla maioria a aprovou, e o presidente da República a sancionou. Pode, agora, o Supremo, a três dias da eleição, dizer que aquela lei, EMBORA CONSTITUCIONAL, não vale? Desculpem-me os respeitáveis ministros que, até agora, acataram a Adin do PT: é um despropósito absoluto!
Uma pergunta dirigida a Marco Aurélio de Mello, José Antonio Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa e Carlos Ayres Britto: se o Congresso quiser votar amanhã uma nova Lei Eleitoral, com validade já para as próximas eleições, ele pode? Não! A Constituição não permite. Mas o Supremo pode, nesse caso, se comportar como um Legislativo acima da Constituição? É o que está fazendo. Só esse argumento bastaria para que o tribunal não se metesse nessa história.
Ora, os partidos se prepararam para a lei que existe, não? O que se muda ao dizer que a lei não vale é o próprio processo eleitoral. Se a que temos aí, aprovada pelo Congresso, não é boa, que os senhores parlamentares, no tempo e no foro adequados, a mudem. Não cabe ao Supremo dizer: “Ooopsss! Você aprovaram, é CONSTITUCIONAL, mas acho que a gente pode dar uma corrigidinha nos excessos, cuidar do tempero” — como disse Lewandowski, numa declaração que me parece um tanto leviana.
Qualquer lei que mude o processo eleitoral — e essa muda — só pode ser aprovada, no mínimo, um ano antes da eleição. Ora, se o Congresso quisesse voltar atrás agora, não poderia. Então pode o Supremo fazer o que o Parlamento não pode?
Estamos diante de uma aberração óbvia, contra a qual não cabe recurso a não ser a indignação. Mas é assim que as coisas começam; é assim que a ordem instituída inicia o processo de degenerescência, com pequenas concessões — até a hora em que se chega às grandes, que, cedo ou tarde, são cobradas de quem vai, como diria o mestre-cuca Lewandowski ,”temperando” a lei.
Quer dizer que o PT, por alguma razão, intuiu que seria prejudicado por uma lei que ajudou a aprovar, a favor da qual se mobilizou, e apela ao cartório, para resolver no tapetão o que ele próprio endossou no processo político? E os ministros, alegremente, assumem o lugar de 513 deputados e 81 senadores? Em que outras circunstâncias o STF se mostrará disposto a “corrigir” decisões CONSTITUCIONAIS tomadas pelo Poder Legislativo?
Já não era bom
E que se note: quando essa mudança foi discutida, o TSE foi alertado que o ideal seria que as seções eleitorais não tivessem aquelas folhas com o número dos títulos. Afinal, é esse número que, digitado, permite que se vote. Ora, se é para o sistema ser seguro, o ideal seria que:
a - as seções tivessem a listagem com os nomes dos eleitores;
b - um documento com foto identificasse o votante;
c - identificado, ele apresenta o título;
d - digitado o número, abre-se a possibilidade de votar.
Isso já não foi feito. No chamado “Brasil profundo”, nada impede que se vote em lugar do eleitor ausente. Bastam, para tanto, uma fiscalização frouxa e a disposição de fraudar. Abundam as duas coisas no país. A mudança não foi aceita. O processo já ficou menos seguro. A lei votada no ano passado era uma pequena garantia extra, que o STF agora vai derrubar. Mas as coisas não param por aí, não. As circunstâncias a tornam muito piores.
O marqueteiro pediu e os “ministros enquanto isso e enquanto aquilo”
O grande “legislador” intempestivo da causa se chama João Santana, o marqueteiro do PT. Foi ele quem pediu a Antonio Palocci, informou a coluna Painel (Folha), no domingo, que se recorresse contra a lei. E assim foi feito. Pois bem.
ATENÇÃO AGORA! Em julho, a questão foi debatida no TSE. Em favor de Marco Aurélio de Mello se diga uma coisa: ele defendeu que o eleitor pudesse votar apresentando apenas a carteira de identidade. Foi voto vencido. O tribunal soltou uma resolução endossando a lei aprovada: título mais documento com foto. Pois bem: Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia, no TSE, votaram pelos dois documentos; no STF, ambos votaram por um documento só.
Encerro
Olhem aqui: se João Santana pediu para mudar a lei, é porque ele acha que um só documento é coisa boa para o PT. Eu, sinceramente, tendo a acreditar que a questão é, em si, irrelevante (mecanismo para evitar que se vote em lugar do ausente seria, sim importante). Minha questão não é de natureza eleitoral ou eleitoreira.
O que me preocupa é ver o STF nessa areia, atropelando a Constituição em vez de protegê-la. Seria exagero dizer que se está dando um pequeno golpe na eleição. Mas não é exagero dizer que, se fosse um golpe, não haveria a quem apelar, uma vez que o tribunal ao qual se apela seria o seu próprio promotor.
Eis aí um péssimo sinal.
Adendo importante
A Folha de hoje publica um texto em que afirma que o ministro Gilmar Mendes, que pediu vista, e o tucano José Serra se falaram ontem. Ambos negam. Ainda que tivessem se falado. E daí?
Se a presunção é a de que Mendes teria pedido vista para privilegiar Serra, então seria de supor que os outros cederam ao pedido do PT para privilegiar Dilma — a única diferença, então, é que os jornalistas não saberiam com quem teriam falado ao telefone. É uma questão de lógica elementar.
Isso é irrelevante. Eu não acho que faça grande diferença apresentar um ou dois documentos. Quem acha é João Santana, o marqueteiro do PT. Terá falado com algum ministro? A questão, em si, não tem a menor importância.
Importante é o STF, a três dias da eleição, mudar uma lei aprovada no ano passado. Creio que os motivos foram suficientemente expostos acima.
CGU nada vê, nada ouve e nada fala das falcatruas da "Casa Servil"
Por Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo
A três dias das eleições, a Controladoria-Geral da União (CGU) anunciou a conclusão de auditorias em contratos mencionados no escândalo que derrubou Erenice Guerra da chefia da Casa Civil. O resultado da CGU blinda Erenice, não aprofunda o tráfico de influência de seus parentes, e não aponta qualquer indício de ligação dela com os episódios investigados. No máximo, admite que ela já foi sócia de um escritório contratado pelo governo.
As auditorias da CGU começaram no dia 14 de setembro a pedido do presidente Lula em meio ao movimento para dar respostas políticas durante o escândalo que levou à queda do braço-direito da ex-ministra e presidenciável Dilma Rousseff (PT). Em apenas duas semanas e às vésperas da eleição, o órgão do governo apresentou seus principais resultados, favoráveis para Erenice.
Para a CGU, o episódio que culminou com a queda da ex-ministra não teve qualquer irregularidade contratual. O empresário Rubnei Quicoli acusa integrantes da Casa Civil de tentarem intermediar o pedido de financiamento - para um projeto de usina solar - feito pela empresa ERDB ao BNDES. A CGU não aborda isso e explica: “A CGU concluiu que o pleito de financiamento teve o tratamento técnico previsto nas normas internas do BNDES e que o mesmo não foi aprovado por não atender aos requisitos exigidos pelos normativos internos daquela instituição financeira”.
Segundo a controladoria, não houve também qualquer irregularidade na compra do remédio Tamiflu, no ano passado. De acordo com a revista Veja, Vinicius Castro, ex-assessor da Casa Civil, recebeu R$ 200 mil de propina pela compra do medicamento. A CGU também afirma que não houve falhas nas multas aplicadas à Matra Mineração, empresa ligada ao marido de Erenice.
A CGU investigou ainda a contratação - revelada pelo Estado - do escritório Trajano e Silva Associados pela Empresa de Pesquisa Energética, vinculada ao Ministério de Minas e Energia. Uma irmã de Erenice, Maria Euriza, era funcionária do órgão e autorizou, em agosto de 2009, a contratação, sem licitação, do escritório, cujo um dos sócios era um irmão delas, Antônio Alves Carvalho. A CGU afirma que ele entrou oficialmente na sociedade só em novembro. Só que o advogado Márcio Silva, um dos sócios do escritório, informara por escrito ao Estado que o irmão de Erenice era sócio desde fevereiro do ano passado. Márcio Silva, aliás, é o advogado de campanha de Dilma.
A CGU revela que a própria Erenice já foi do quadro societário dessa banca. a auditoria admite falhas no processo de contratação sem licitação, mas minimiza o episódio, fazendo apenas recomendações. “A CGU está recomendando à EPE maior cuidado e precisão no enquadramento das hipóteses de inexigibilidade de licitações e recomendando que a empresa fundamente suas futuras contratações com base em amplas pesquisas de preço”. Segundo a CGU, todos os relatórios serão enviados à Polícia Federal.
A auditoria da CGU aponta problemas num contrato entre o Ministério das Cidades e a Fundação da Universidade de Brasília (FUB), que teria o envolvimento de José Euricélio Alves de Carvalho, irmão de Erenice. Diz que há irregularidades de R$ 2,1 milhões pelo pagamento de um produto que não atendeu à demanda do ministério. A CGU, porém, não diz que o irmão de Erenice seria o culpado direto por isso. Faz somente uma ressalva: “O que se tem até o momento é constatação de que ele foi assessor na Secretaria Nacional de Transportes e Mobilidade Urbana (Semob) do Ministério das Cidades, e contratado pela Editora UnB, em períodos próximos e seguidos, na época dos fatos”, diz.
A três dias das eleições, a Controladoria-Geral da União (CGU) anunciou a conclusão de auditorias em contratos mencionados no escândalo que derrubou Erenice Guerra da chefia da Casa Civil. O resultado da CGU blinda Erenice, não aprofunda o tráfico de influência de seus parentes, e não aponta qualquer indício de ligação dela com os episódios investigados. No máximo, admite que ela já foi sócia de um escritório contratado pelo governo.
As auditorias da CGU começaram no dia 14 de setembro a pedido do presidente Lula em meio ao movimento para dar respostas políticas durante o escândalo que levou à queda do braço-direito da ex-ministra e presidenciável Dilma Rousseff (PT). Em apenas duas semanas e às vésperas da eleição, o órgão do governo apresentou seus principais resultados, favoráveis para Erenice.
Para a CGU, o episódio que culminou com a queda da ex-ministra não teve qualquer irregularidade contratual. O empresário Rubnei Quicoli acusa integrantes da Casa Civil de tentarem intermediar o pedido de financiamento - para um projeto de usina solar - feito pela empresa ERDB ao BNDES. A CGU não aborda isso e explica: “A CGU concluiu que o pleito de financiamento teve o tratamento técnico previsto nas normas internas do BNDES e que o mesmo não foi aprovado por não atender aos requisitos exigidos pelos normativos internos daquela instituição financeira”.
Segundo a controladoria, não houve também qualquer irregularidade na compra do remédio Tamiflu, no ano passado. De acordo com a revista Veja, Vinicius Castro, ex-assessor da Casa Civil, recebeu R$ 200 mil de propina pela compra do medicamento. A CGU também afirma que não houve falhas nas multas aplicadas à Matra Mineração, empresa ligada ao marido de Erenice.
A CGU investigou ainda a contratação - revelada pelo Estado - do escritório Trajano e Silva Associados pela Empresa de Pesquisa Energética, vinculada ao Ministério de Minas e Energia. Uma irmã de Erenice, Maria Euriza, era funcionária do órgão e autorizou, em agosto de 2009, a contratação, sem licitação, do escritório, cujo um dos sócios era um irmão delas, Antônio Alves Carvalho. A CGU afirma que ele entrou oficialmente na sociedade só em novembro. Só que o advogado Márcio Silva, um dos sócios do escritório, informara por escrito ao Estado que o irmão de Erenice era sócio desde fevereiro do ano passado. Márcio Silva, aliás, é o advogado de campanha de Dilma.
A CGU revela que a própria Erenice já foi do quadro societário dessa banca. a auditoria admite falhas no processo de contratação sem licitação, mas minimiza o episódio, fazendo apenas recomendações. “A CGU está recomendando à EPE maior cuidado e precisão no enquadramento das hipóteses de inexigibilidade de licitações e recomendando que a empresa fundamente suas futuras contratações com base em amplas pesquisas de preço”. Segundo a CGU, todos os relatórios serão enviados à Polícia Federal.
A auditoria da CGU aponta problemas num contrato entre o Ministério das Cidades e a Fundação da Universidade de Brasília (FUB), que teria o envolvimento de José Euricélio Alves de Carvalho, irmão de Erenice. Diz que há irregularidades de R$ 2,1 milhões pelo pagamento de um produto que não atendeu à demanda do ministério. A CGU, porém, não diz que o irmão de Erenice seria o culpado direto por isso. Faz somente uma ressalva: “O que se tem até o momento é constatação de que ele foi assessor na Secretaria Nacional de Transportes e Mobilidade Urbana (Semob) do Ministério das Cidades, e contratado pela Editora UnB, em períodos próximos e seguidos, na época dos fatos”, diz.
27 setembro 2010
A 'bandalha' toma conta do Brasil...
Por Reinaldo de Azevedo:
Quando a corrupção faz ninho na Casa Civil da Presidência da República, a metros do gabinete presidencial, tem-se um sinal de que o ambiente anda favorável a falcatruas. A reportagem “O triângulo da Corrupção”, na VEJA desta semana, trata das investigações que mostram os vínculos dos governadores do Tocantins (Carlos Gaguim), Amapá (Pedro Paulo Dias) e Mato Grosso do Sul (André Puccinelli) com quadrilhas acusadas de desviar fortunas dos cofres públicos. E os três são candidatos à reeleição!
As histórias são espantosas. A do Tocantins de Carlos Garguim choca também pela ousadia. O governador se preparava, calculem!, para terceirizar nada menos de 22 mil funcionários públicos — que, diga-se, já são contratados sem concurso. A máquina administrativa do estado seria praticamente entregue ao empresário José Carlos Cepera, numa operação saudada por um dos intermediários do “negócio” como coisa de “um bilhão de real (sic)”.
Segue um trecho da reportagem de Marcelo Esperandio, Julia de Medeiros e André Vargas:
(…)
Proprietário de seis empresas de limpeza e segurança registradas em nome de laranjas, Cepera contava com a boa-vontade de autoridades para vencer licitações superfaturadas no Tocantins — e também nas cidades paulistas de Campinas, Hortolândia, Mauá e Indaiatuba. O Ministério Público paulista descobriu que o grupo operava o esquema desde 2004, pelo menos. Segundo os promotores, o bando amealhou contratos fraudulentos com órgãos públicos que somam, no total, 615 milhões de reais. Uma única licitação, lançada pela Secretaria de Educação do Tocantins, responde por mais da metade do total: 332 milhões de reais. Os indícios de superfaturamento eram tão gritantes que logo foi alvo de questionamentos do Tribunal de Contas do Tocantins. Nem por isso Manduca [intermediário de Cepera], Cepera e o governador Gaguim deixaram de festejar a bandalha.
Em 13 de março último, Cepera pagou um fim de semana cinco-estrelas para a turma em São Paulo. O empresário gastou 19800 reais para comprar um camarote para sua patota assistir à corrida da Fórmula Indy na capital paulista. Hospedou Gaguim no luxuoso Unique Hotel, ofereceu-lhe um churrasco e deixou um helicóptero à sua disposição. Preocupou-se até em evitar que Gaguim, que deve seu nome ao fato de tartamudear, padecesse da solidão do homem contemporâneo na metrópole fria e impessoal. Mandou-lhe uma moça que se apresenta como Delinda e que, pouco antes, tinha feito uma visitinha a Manduca - que, pelo jeito, provou, aprovou, antes de passar adiante. No dia seguinte. Cepera telefonou a Gaguim para saber se ele tinha gostado do fim de semana. “A carne que o Manduca ofereceu estava boa ou ‘meia’ dura?”, indagou Cepera. Gaguim não titubeou: “Show de bola!”.
Quando a corrupção faz ninho na Casa Civil da Presidência da República, a metros do gabinete presidencial, tem-se um sinal de que o ambiente anda favorável a falcatruas. A reportagem “O triângulo da Corrupção”, na VEJA desta semana, trata das investigações que mostram os vínculos dos governadores do Tocantins (Carlos Gaguim), Amapá (Pedro Paulo Dias) e Mato Grosso do Sul (André Puccinelli) com quadrilhas acusadas de desviar fortunas dos cofres públicos. E os três são candidatos à reeleição!
As histórias são espantosas. A do Tocantins de Carlos Garguim choca também pela ousadia. O governador se preparava, calculem!, para terceirizar nada menos de 22 mil funcionários públicos — que, diga-se, já são contratados sem concurso. A máquina administrativa do estado seria praticamente entregue ao empresário José Carlos Cepera, numa operação saudada por um dos intermediários do “negócio” como coisa de “um bilhão de real (sic)”.
Segue um trecho da reportagem de Marcelo Esperandio, Julia de Medeiros e André Vargas:
(…)
Proprietário de seis empresas de limpeza e segurança registradas em nome de laranjas, Cepera contava com a boa-vontade de autoridades para vencer licitações superfaturadas no Tocantins — e também nas cidades paulistas de Campinas, Hortolândia, Mauá e Indaiatuba. O Ministério Público paulista descobriu que o grupo operava o esquema desde 2004, pelo menos. Segundo os promotores, o bando amealhou contratos fraudulentos com órgãos públicos que somam, no total, 615 milhões de reais. Uma única licitação, lançada pela Secretaria de Educação do Tocantins, responde por mais da metade do total: 332 milhões de reais. Os indícios de superfaturamento eram tão gritantes que logo foi alvo de questionamentos do Tribunal de Contas do Tocantins. Nem por isso Manduca [intermediário de Cepera], Cepera e o governador Gaguim deixaram de festejar a bandalha.
Em 13 de março último, Cepera pagou um fim de semana cinco-estrelas para a turma em São Paulo. O empresário gastou 19800 reais para comprar um camarote para sua patota assistir à corrida da Fórmula Indy na capital paulista. Hospedou Gaguim no luxuoso Unique Hotel, ofereceu-lhe um churrasco e deixou um helicóptero à sua disposição. Preocupou-se até em evitar que Gaguim, que deve seu nome ao fato de tartamudear, padecesse da solidão do homem contemporâneo na metrópole fria e impessoal. Mandou-lhe uma moça que se apresenta como Delinda e que, pouco antes, tinha feito uma visitinha a Manduca - que, pelo jeito, provou, aprovou, antes de passar adiante. No dia seguinte. Cepera telefonou a Gaguim para saber se ele tinha gostado do fim de semana. “A carne que o Manduca ofereceu estava boa ou ‘meia’ dura?”, indagou Cepera. Gaguim não titubeou: “Show de bola!”.
A causa do "piti" de Lula contra a imprensa
Veja reproduz nas suas matérias as razões do "piti" de Lula contra a imprensa:
Os reflexos da sucessão de escândalos que fizeram a lama subir até o gabinete mais próximo da Presidência da República e derrubaram até agora sete servidores fizeram-se sentir pela primeira vez nas pesquisas eleitorais divulgadas na semana passada (…). A queda provocou uma violenta reação do governo. Não contra os acusados de malfeitorias e corrupção na Casa Civil, de onde emanaram os episódios mais cabeludos, mas contra quem os denunciou. Em uma série de comícios e entrevistas, o presidente Lula dedicou a semana a desferir ataques contra a imprensa com uma virulência inédita.
(…)
Nos países democráticos, a liberdade de imprensa não é um assunto discutível, mas um dado da realidade. E nem eventuais opiniões divergentes, exageros e mesmo erros passíveis de arbitragem e punição cometidos por jornalistas podem pôr em risco o direito de informar, o dever de fiscalizar e de alertar sobre os abusos perpetrados por quem está no poder. Quando um presidente da República tenta enxovalhar a imprensa que o critica e ameaça “derrotá-la”, significa que acaba de adentrar o temível pântano da censura - e pouca coisa pode ser mais deletéria do que isso para uma democracia. Ao sujar suas botas nesse lodo. Lula se aproxima do que há de pior na política da América Latina. Trilha o caminho dos caudilhos e ombreia-se com tiranetes do porte de Hugo Chávez, o presidente venezuelano que, para não ver suas próprias contradições expostas, solapou jornais, emissoras de rádio e chegou a fechar o principal canal de TV da Venezuela, a RCTV.
Os reflexos da sucessão de escândalos que fizeram a lama subir até o gabinete mais próximo da Presidência da República e derrubaram até agora sete servidores fizeram-se sentir pela primeira vez nas pesquisas eleitorais divulgadas na semana passada (…). A queda provocou uma violenta reação do governo. Não contra os acusados de malfeitorias e corrupção na Casa Civil, de onde emanaram os episódios mais cabeludos, mas contra quem os denunciou. Em uma série de comícios e entrevistas, o presidente Lula dedicou a semana a desferir ataques contra a imprensa com uma virulência inédita.
(…)
Nos países democráticos, a liberdade de imprensa não é um assunto discutível, mas um dado da realidade. E nem eventuais opiniões divergentes, exageros e mesmo erros passíveis de arbitragem e punição cometidos por jornalistas podem pôr em risco o direito de informar, o dever de fiscalizar e de alertar sobre os abusos perpetrados por quem está no poder. Quando um presidente da República tenta enxovalhar a imprensa que o critica e ameaça “derrotá-la”, significa que acaba de adentrar o temível pântano da censura - e pouca coisa pode ser mais deletéria do que isso para uma democracia. Ao sujar suas botas nesse lodo. Lula se aproxima do que há de pior na política da América Latina. Trilha o caminho dos caudilhos e ombreia-se com tiranetes do porte de Hugo Chávez, o presidente venezuelano que, para não ver suas próprias contradições expostas, solapou jornais, emissoras de rádio e chegou a fechar o principal canal de TV da Venezuela, a RCTV.
"Carta ao leitor" de Veja
Veja publica na revista desta semana o seguinte editorial:
Uma reportagem desta edição de VEJA reflete sobre os ataques que o exercício da imprensa livre vem sofrendo no Brasil e, mais radicalmente, em alguns países vizinhos, sendo os casos mais graves registrados na Venezuela e na Argentina. A reportagem mostra que, no Brasil, isso se deve em grande parte à concepção de mundo dos atuais governantes petistas, em que não cabe o conceito de jornalismo independente. Essa deformação decorre das convicções de alguns que continuam ruminando a idéia totalitária do leninismo, segundo a qual governo e povo se confundem e, portanto, a imprensa não tem o direito de criticar as autoridades.
Em uma reportagem de capa de agosto de 2004, VEJA já alertava para esse preocupante traço da identidade petista, que chamou de “tentação autoritária”.
Naquela ocasião, o que motivou a reportagem foi a tentativa de restabelecer controles externos à imprensa por meio de um projeto de lei enviado pelo governo ao Congresso. Dado o alerta por VEJA, o governo produziu as desculpas de sempre, segundo as quais “foi um engano”, recolheu o projeto e o engavetou. Mas continuou como brasa dormida a intenção de controlar, cercear, monitorar, constranger e punir jornalistas.
De lá para cá, houve muitas outras tentativas semelhantes, e ainda hoje a tentação autoritária paira no ar como uma ameaça permanente. Na semana passada, a brasa voltou a ser atiçada pelo presidente Lula e pelos dirigentes de seu partido, secundados pelo vasto contingente de mercenários recrutados a preço de ouro nos porões da internet e pagos com o suado dinheiro dos brasileiros que trabalham e recolhem impostos.
Por revelar a existência de um balcão de negócios escusos na Casa Civil da Presidência da República, VEJA e os grandes jornais foram chamados de “golpistas”, uma vez que a notícia poderia ter potencial para tirar votos da candidata oficial, Dilma Rousseff. Pela primeira vez houve uma forte reação de pessoas de consciência, que assinaram um manifesto pela manutenção do direito constitucional à liberdade de expressão e foram às ruas de São Paulo denunciar a veia autoritária do PT.
O manifesto teve como signatários ícones da defesa da liberdade e da luta contra a ditadura, gente da estatura de Hélio Bicudo, fundador do PT, do cardeal Paulo Evaristo Arns e de Therezinha Zerbini, pioneira na luta pelos direitos humanos no Brasil. Numericamente, é um grupo pequeno. Como símbolo de resistência democrática, dificilmente se poderia produzir uma manifestação mais enfática.
Uma reportagem desta edição de VEJA reflete sobre os ataques que o exercício da imprensa livre vem sofrendo no Brasil e, mais radicalmente, em alguns países vizinhos, sendo os casos mais graves registrados na Venezuela e na Argentina. A reportagem mostra que, no Brasil, isso se deve em grande parte à concepção de mundo dos atuais governantes petistas, em que não cabe o conceito de jornalismo independente. Essa deformação decorre das convicções de alguns que continuam ruminando a idéia totalitária do leninismo, segundo a qual governo e povo se confundem e, portanto, a imprensa não tem o direito de criticar as autoridades.
Em uma reportagem de capa de agosto de 2004, VEJA já alertava para esse preocupante traço da identidade petista, que chamou de “tentação autoritária”.
Naquela ocasião, o que motivou a reportagem foi a tentativa de restabelecer controles externos à imprensa por meio de um projeto de lei enviado pelo governo ao Congresso. Dado o alerta por VEJA, o governo produziu as desculpas de sempre, segundo as quais “foi um engano”, recolheu o projeto e o engavetou. Mas continuou como brasa dormida a intenção de controlar, cercear, monitorar, constranger e punir jornalistas.
De lá para cá, houve muitas outras tentativas semelhantes, e ainda hoje a tentação autoritária paira no ar como uma ameaça permanente. Na semana passada, a brasa voltou a ser atiçada pelo presidente Lula e pelos dirigentes de seu partido, secundados pelo vasto contingente de mercenários recrutados a preço de ouro nos porões da internet e pagos com o suado dinheiro dos brasileiros que trabalham e recolhem impostos.
Por revelar a existência de um balcão de negócios escusos na Casa Civil da Presidência da República, VEJA e os grandes jornais foram chamados de “golpistas”, uma vez que a notícia poderia ter potencial para tirar votos da candidata oficial, Dilma Rousseff. Pela primeira vez houve uma forte reação de pessoas de consciência, que assinaram um manifesto pela manutenção do direito constitucional à liberdade de expressão e foram às ruas de São Paulo denunciar a veia autoritária do PT.
O manifesto teve como signatários ícones da defesa da liberdade e da luta contra a ditadura, gente da estatura de Hélio Bicudo, fundador do PT, do cardeal Paulo Evaristo Arns e de Therezinha Zerbini, pioneira na luta pelos direitos humanos no Brasil. Numericamente, é um grupo pequeno. Como símbolo de resistência democrática, dificilmente se poderia produzir uma manifestação mais enfática.
Estadão vai de Serra!
Veja o editorial do Estadão:
O mal a evitar
A acusação do presidente da República de que a Imprensa “se comporta como um partido político” é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside. E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre “se comportar como um partido político” e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.
Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.
Efetivamente, não bastasse o embuste do “nunca antes”, agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder. É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir. O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.
Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa - iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique - de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana. Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.
Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia - a começar pelo Congresso. E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o “cara”. Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: “Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?” Este é o mal a evitar.
O mal a evitar
A acusação do presidente da República de que a Imprensa “se comporta como um partido político” é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside. E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre “se comportar como um partido político” e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.
Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.
Efetivamente, não bastasse o embuste do “nunca antes”, agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder. É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir. O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.
Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa - iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique - de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana. Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.
Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia - a começar pelo Congresso. E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o “cara”. Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: “Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?” Este é o mal a evitar.
21 setembro 2010
Tasso Jereissati afirma que "escândalo de corrupção está banalizado"
Por Silvio Navarro, na Folha:
Um dos poucos nomes da velha guarda da oposição que resiste à “onda vermelha” nas eleições, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), líder nas pesquisas à reeleição, afirma que o PSDB “precisará passar por um processo de renovação” se a vitória de Dilma Rousseff (PT) à Presidência se confirmar. Tasso aponta dificuldade em fazer campanha de oposição “quando a economia vai bem”, e diz temer pela “influência despudorada” de Lula nas campanhas.
“Se o Senado não tiver oposição, resistência, a democracia e as instituições correm sério risco.” Isolado num Estado onde Dilma e o atual governador, Cid Gomes (PSB), deverão obter índices acachapantes nas urnas, segundo pesquisas, o tucano retomou no interior o antigo jingle do “galeguinho dos zóio [sic] azul”.
De acordo com os últimos levantamentos do Datafolha, Tasso lidera a corrida ao Senado com 52% das intenções de voto, seguido pelo deputado federal Eunício Oliveira (PMDB, com 31%) e pelo ex-ministro da Previdência José Pimentel (PT, com 27%).
Ele falou com a Folha no seu escritório, em Fortaleza (CE), na última quinta. Leia trechos da entrevista.
Folha - Esta é a sua eleição mais difícil?
Tasso Jereissati - É dificílima, porque tem um ponto que não se pode negar: fazer campanha de oposição quando a economia vai bem é difícil. Segundo, porque praticamente a política acabou no Brasil, os partidos estão se liquidando em função do processo de cooptação que agora se institucionalizou e passou a ser a regra.
(…)
Esses antigos aliados estão hoje com os candidatos do presidente.
O envolvimento pessoal do presidente é uma coisa que, com a força e o simbolismo do cargo, é muito importante para a população, principalmente a mais humilde. Quando ele perde todo o pudor e vira garoto-propaganda, entra diariamente na campanha se colocando como principal militante, isso é uma coisa forte, não se pode deixar de reconhecer.
Mas, depois de jogar por terra os partidos, estão jogando por terra o respeito pela figura do presidente independente. Ele usa a Presidência para agir eleitoralmente.
Mas isso é apoio aos aliados…
Aqui, na campanha do Senado, eles não aparecem, é só o Lula. Nos Estados, todos os candidatos ao governo têm Lula ao lado. É uma mistura de vitória do populismo com aparelhamento fascista da máquina, usada de maneira despudorada, com recursos ilimitados. O adversário é visto por essa máquina como um inimigo a ser aniquilado. Sem a figura do Lula, essa massa se dissolveria.
E a liderança da Dilma nas pesquisas?
Ninguém é Dilma, não conheço ninguém que seja Dilma. Todo mundo vai votar na candidata do Lula.
As pesquisas apontam o crescimento do governo no Senado, como o senhor vê isso?
Se o Senado não tiver oposição, resistência, a democracia e as instituições correm sério risco.
Se Serra não vencer, a oposição precisará se reestruturar?
Não só oposição. Os partidos do governo também, porque formam uma massa disforme. O que há de comum entre José Dirceu, Dilma, Temer, Collor, Renan, Sarney e Maluf? Não há nada de ideológico. O que os une é a troca de vantagens no poder. É uma intensa busca por diretoria “fura-poço”.
O senhor acredita que haverá segundo turno?
Numa eleição normal, um escândalo como o da Erenice [Guerra] causaria um tremor sem precedentes. O presidente e a candidata Dilma passaram toda a campanha dizendo que a Casa Civil era o coração do governo. Disseram que a Erenice era o alter ego da Dilma. Ou seja, é a corrupção no coração do governo. Só que ocorre uma coisa perigosíssima: banalizou-se o escândalo da corrupção. Então, não dá para prever.
O que o senhor espera de um eventual governo Dilma?
Não tenho dúvida de que será um desastre.
Um dos poucos nomes da velha guarda da oposição que resiste à “onda vermelha” nas eleições, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), líder nas pesquisas à reeleição, afirma que o PSDB “precisará passar por um processo de renovação” se a vitória de Dilma Rousseff (PT) à Presidência se confirmar. Tasso aponta dificuldade em fazer campanha de oposição “quando a economia vai bem”, e diz temer pela “influência despudorada” de Lula nas campanhas.
“Se o Senado não tiver oposição, resistência, a democracia e as instituições correm sério risco.” Isolado num Estado onde Dilma e o atual governador, Cid Gomes (PSB), deverão obter índices acachapantes nas urnas, segundo pesquisas, o tucano retomou no interior o antigo jingle do “galeguinho dos zóio [sic] azul”.
De acordo com os últimos levantamentos do Datafolha, Tasso lidera a corrida ao Senado com 52% das intenções de voto, seguido pelo deputado federal Eunício Oliveira (PMDB, com 31%) e pelo ex-ministro da Previdência José Pimentel (PT, com 27%).
Ele falou com a Folha no seu escritório, em Fortaleza (CE), na última quinta. Leia trechos da entrevista.
Folha - Esta é a sua eleição mais difícil?
Tasso Jereissati - É dificílima, porque tem um ponto que não se pode negar: fazer campanha de oposição quando a economia vai bem é difícil. Segundo, porque praticamente a política acabou no Brasil, os partidos estão se liquidando em função do processo de cooptação que agora se institucionalizou e passou a ser a regra.
(…)
Esses antigos aliados estão hoje com os candidatos do presidente.
O envolvimento pessoal do presidente é uma coisa que, com a força e o simbolismo do cargo, é muito importante para a população, principalmente a mais humilde. Quando ele perde todo o pudor e vira garoto-propaganda, entra diariamente na campanha se colocando como principal militante, isso é uma coisa forte, não se pode deixar de reconhecer.
Mas, depois de jogar por terra os partidos, estão jogando por terra o respeito pela figura do presidente independente. Ele usa a Presidência para agir eleitoralmente.
Mas isso é apoio aos aliados…
Aqui, na campanha do Senado, eles não aparecem, é só o Lula. Nos Estados, todos os candidatos ao governo têm Lula ao lado. É uma mistura de vitória do populismo com aparelhamento fascista da máquina, usada de maneira despudorada, com recursos ilimitados. O adversário é visto por essa máquina como um inimigo a ser aniquilado. Sem a figura do Lula, essa massa se dissolveria.
E a liderança da Dilma nas pesquisas?
Ninguém é Dilma, não conheço ninguém que seja Dilma. Todo mundo vai votar na candidata do Lula.
As pesquisas apontam o crescimento do governo no Senado, como o senhor vê isso?
Se o Senado não tiver oposição, resistência, a democracia e as instituições correm sério risco.
Se Serra não vencer, a oposição precisará se reestruturar?
Não só oposição. Os partidos do governo também, porque formam uma massa disforme. O que há de comum entre José Dirceu, Dilma, Temer, Collor, Renan, Sarney e Maluf? Não há nada de ideológico. O que os une é a troca de vantagens no poder. É uma intensa busca por diretoria “fura-poço”.
O senhor acredita que haverá segundo turno?
Numa eleição normal, um escândalo como o da Erenice [Guerra] causaria um tremor sem precedentes. O presidente e a candidata Dilma passaram toda a campanha dizendo que a Casa Civil era o coração do governo. Disseram que a Erenice era o alter ego da Dilma. Ou seja, é a corrupção no coração do governo. Só que ocorre uma coisa perigosíssima: banalizou-se o escândalo da corrupção. Então, não dá para prever.
O que o senhor espera de um eventual governo Dilma?
Não tenho dúvida de que será um desastre.
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