No Brasil, onde faltam a cólera e a ira santas, quem, senão elas, hão de expulsar do Templo o renegado, o blasfemo, o profanador, o simoníaco? Ou exterminarão da ciência o apedeuta, o plagiário, o charlatão? Ou banirão da sociedade o imoral, o corruptor, o libertino? Quem, senão elas, a varrer dos serviços do Estado o prevaricador, o concussionário e o ladrão públicos? Quem, senão elas, a precipitar do governo o negocismo, a prostituição política e a tirania? (Rui Barbosa)
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30 julho 2010
Os petralhas, o Vox Populi e o Data Folha
Os petralhas não são fácil, não! Quando o seu "instituto de pesquisa" Vox Populi se lança a campo, eles manipulam até a próxima pesquisa séria do Data Folha (que mostra Serra 1 ponto percentual à frente de Dilma). Os petralhas - de acordo com seu caráter, ou falta dele - se adiantam e apresentam números fraudulentos pelos quais sua Dilma aparece com 8, 9 pontos percentuais acima de Serra. Seu objetivo claro é perturbar os dados do Data Folha com seus números falsos e assim "convencer" a "massa" ignara de que sua "criatura" eleitoral tem vida própria...
29 julho 2010
Ópera dos malandros_In Augusto Nunes
(1989. Lula e Collor estão num estúdio de televisão, em bancadas próximas. Há um apresentador entre eles. O cenário informa que se trata de um debate eleitoral)
Lula: Meu adversário representa a elite exploradora. É moço na aparência, mas representa o Brasil antigo, o Brasil velho, o Brasil que precisa acabar.
Collor: O outro candidato defende abertamente a luta armada, a invasão de casas e apartamentos. (Vira-se para Lula). Você é um cambalacheiro. Fez cambalacho com o Sarney.
Lula: O Sarney é um incompetente, incapaz. Mas se quiser pode votar em mim. (Vira-se para Collor). Você também pode. Mas mesmo assim eu não teria nada de parecido com você.
Collor: Você não saba a diferença entre uma duplicata e uma fatura. É um ignorante.
(1989. Lula está sozinho num estúdio de TV. O cenário mostra que se trata do programa eleitoral do PT)
Lula: Meu adversário é o candidato dos corruptos. Ele representa a elite que sempre explorou os pobres do Brasil.
(1989. Collor está sozinho num estúdio de TV. O cenário mostra que se trata do programa eleitoral do PRN)
Collor: Não sou eu quem diz que Lula quis forçar o aborto. Quem diz é Miriam Cordeiro, mãe da Lurian.
(1992. Lula está num estúdio de rádio ao lado de um jornalista. O jornalista pergunta se tem pena de Collor. O entrevistado responde com voz pausada)
Lula: Tenho pena do Collor. Não é que eu tenho pena. Como ser humano eu acho que uma pessoa que teve uma oportunidade que aquele cidadão teve de fazer alguma coisa de bem para o Brasil, um homem que tinha respaldo da grande maioria do povo brasileiro, ou seja. E ao invés de construir um governo, construir uma quadrilha como ele construiu, me dá pena, porque deve haver qualquer sintoma de debilidade no funcionamento do cérebro do Collor. Efetivamente eu fico com pena, porque eu acho que o povo brasileiro esperava que essa pessoa pudesse pelo menos conduzir o país, se não a uma solução definitiva, pelo menos a indícios de soluções para os velhos problemas que nós vivemos. Lamentavelmente a ganância, a vontade de roubar, a vontade de praticar corrupção, fez com que o Collor jogasse o sonho de milhões e milhões de brasileiros por terra. Mas de qualquer forma eu acho que foi uma grande lição que o povo brasileiro aprendeu e eu espero que o povo brasileiro, em outras eleições, escolha pessoas que pelo menos eles conheçam o passado político”.
(2005. Collor está numa sala de sua casa em Maceió, ao lado de um jornalista)
Collor: O mensalão mostrou quem são os corruptos, os ladrões do país. Eles hoje estão no governo. O Lula é o chefe.
(2007. Lula está cercado de jornalistas numa sala grande no Palácio do Planalto)
Lula: O senador Fernando Collor tem tudo para fazer um grande mandato.
(2009. Claramente irritado, Collor está na tribuna do Senado)
Collor: Nenhum ataque ao presidente Lula ficará sem resposta!
(2009. Lula e Collor estão juntos num palanque em Alagoas)
Lula: Tenho de agradecer o companheiro Fernando Collor pelo bom trabalho que está fazendo.
(2010. Num palanque em Maceió, Lula, Collor e Dilma Rousseff estão de mãos dadas, dançando e cantando, em coro com a plateia, o refrão do jingle da campanha do candidato a governador de Alagoas)
Todos: É Lula apoiando Collor,/é Collor apoiando Dilma/pelos mais carentes./É Lula apoiando Dilma,/é Dilma apoiando Collor/para o bem da nossa gente.
**********
Vinte anos depois da cena inicial, Collor ajuda Lula a tentar eleger a sucessora e Lula ajuda Collor a reiniciar a aventura que resultou, entre outras obscenidades, no confisco da poupança, na roubalheira medonha e no despejo vergonhoso. A ausência de valores morais e princípios éticos é o traço comum que permitiu a dois sessentões descobrirem só agora que foram amigos de infância. A Ópera dos Malandros encontrou a apoteose mais que perfeita.
Lula: Meu adversário representa a elite exploradora. É moço na aparência, mas representa o Brasil antigo, o Brasil velho, o Brasil que precisa acabar.
Collor: O outro candidato defende abertamente a luta armada, a invasão de casas e apartamentos. (Vira-se para Lula). Você é um cambalacheiro. Fez cambalacho com o Sarney.
Lula: O Sarney é um incompetente, incapaz. Mas se quiser pode votar em mim. (Vira-se para Collor). Você também pode. Mas mesmo assim eu não teria nada de parecido com você.
Collor: Você não saba a diferença entre uma duplicata e uma fatura. É um ignorante.
(1989. Lula está sozinho num estúdio de TV. O cenário mostra que se trata do programa eleitoral do PT)
Lula: Meu adversário é o candidato dos corruptos. Ele representa a elite que sempre explorou os pobres do Brasil.
(1989. Collor está sozinho num estúdio de TV. O cenário mostra que se trata do programa eleitoral do PRN)
Collor: Não sou eu quem diz que Lula quis forçar o aborto. Quem diz é Miriam Cordeiro, mãe da Lurian.
(1992. Lula está num estúdio de rádio ao lado de um jornalista. O jornalista pergunta se tem pena de Collor. O entrevistado responde com voz pausada)
Lula: Tenho pena do Collor. Não é que eu tenho pena. Como ser humano eu acho que uma pessoa que teve uma oportunidade que aquele cidadão teve de fazer alguma coisa de bem para o Brasil, um homem que tinha respaldo da grande maioria do povo brasileiro, ou seja. E ao invés de construir um governo, construir uma quadrilha como ele construiu, me dá pena, porque deve haver qualquer sintoma de debilidade no funcionamento do cérebro do Collor. Efetivamente eu fico com pena, porque eu acho que o povo brasileiro esperava que essa pessoa pudesse pelo menos conduzir o país, se não a uma solução definitiva, pelo menos a indícios de soluções para os velhos problemas que nós vivemos. Lamentavelmente a ganância, a vontade de roubar, a vontade de praticar corrupção, fez com que o Collor jogasse o sonho de milhões e milhões de brasileiros por terra. Mas de qualquer forma eu acho que foi uma grande lição que o povo brasileiro aprendeu e eu espero que o povo brasileiro, em outras eleições, escolha pessoas que pelo menos eles conheçam o passado político”.
(2005. Collor está numa sala de sua casa em Maceió, ao lado de um jornalista)
Collor: O mensalão mostrou quem são os corruptos, os ladrões do país. Eles hoje estão no governo. O Lula é o chefe.
(2007. Lula está cercado de jornalistas numa sala grande no Palácio do Planalto)
Lula: O senador Fernando Collor tem tudo para fazer um grande mandato.
(2009. Claramente irritado, Collor está na tribuna do Senado)
Collor: Nenhum ataque ao presidente Lula ficará sem resposta!
(2009. Lula e Collor estão juntos num palanque em Alagoas)
Lula: Tenho de agradecer o companheiro Fernando Collor pelo bom trabalho que está fazendo.
(2010. Num palanque em Maceió, Lula, Collor e Dilma Rousseff estão de mãos dadas, dançando e cantando, em coro com a plateia, o refrão do jingle da campanha do candidato a governador de Alagoas)
Todos: É Lula apoiando Collor,/é Collor apoiando Dilma/pelos mais carentes./É Lula apoiando Dilma,/é Dilma apoiando Collor/para o bem da nossa gente.
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Vinte anos depois da cena inicial, Collor ajuda Lula a tentar eleger a sucessora e Lula ajuda Collor a reiniciar a aventura que resultou, entre outras obscenidades, no confisco da poupança, na roubalheira medonha e no despejo vergonhoso. A ausência de valores morais e princípios éticos é o traço comum que permitiu a dois sessentões descobrirem só agora que foram amigos de infância. A Ópera dos Malandros encontrou a apoteose mais que perfeita.
Mercadante e a educação brasileira-In Augusto Nunes
Na mais recente edição do Monitoramento de Educação para Todos, divulgado em janeiro pela Unesco, o Brasil ocupa um bisonho 88° lugar no ranking que incluiu 128 países. Nenhuma surpresa. O sistema educacional brasileiro está em frangalhos. Os investimentos do governo Lula são anêmicos. O ministro Fernando Haddad não consegue organizar sem sobressaltos sequer um exame do Enem. Existem no país 14,2 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais, metade dos quais sobrevive no Nordeste.
O Tribunal Superior Eleitoral divulgou há dias o tamanho e o perfil do eleitorado brasileiro. Como registra Roberto Pompeu de Toledo na edição de VEJA desta semana, 5,9% dos 135,8 milhões de eleitores são analfabetos, 14,6 dizem saber ler e escrever, mas não frequentaram a escola, e 33% frequentaram a escola, mas não chegaram a concluir o primeiro grau. “Na soma das três categorias, 53,5% do eleitorado na melhor das hipóteses resvalou pela escola”, constata o colunista.
Até os carrinhos de pipoca estacionados nas portas dos colégios sabem que São Paulo, embora também esteja longe do estágio alcançado por países do Primeiro Mundo, tem o desempenho menos lastimável entre todos os Estados. Só o senador Aloizio Mercadante não sabe disso ─ ou finge que não sabe, o que dá no mesmo. Nesta quarta-feira, durante a sabatina promovida pelo UOL, o candidato a governador ensinou que a educação vai bem no Brasil inteiro, menos em São Paulo. Por culpa dos tucanos, naturalmente.
Depois de afirmar que as escolas paulistas foram transformadas em fábricas de ignorantes (e por isso mesmo fortes candidatos ao desemprego), Mercadante declarou-se prisioneiro da angústia. “O que você fala para um menino que está há 12 anos na escola do PSDB e agora chega no final do ensino médio e não sabe o que vai fazer?”, perguntou aos brados o Herói da Rendição. “Como é que vai entrar no mercado de trabalho se não tem o domínio básico da leitura, das primeiras contas, da aritmética, da matemática, do conhecimento básico?”
Há pelo menos 30 anos, afinado com todos os companheiros diplomados ou não, ele garante que não é preciso estudar para ser presidente da República. Há pelo menos 20 recita que qualquer reparo à formação indigente do chefe é coisa de preconceituoso. Há sete anos e meio repete que o maior dos governantes desde a primeira caravela é a prova viva de que a acumulação de conhecimentos é hobby de elitista. Só agora resolveu inquietar-se com o fantasma da ignorância.
O que dizer a um jovem que precisa de emprego mas “não tem o domínio básico da leitura, das primeiras contas, da aritmética, da matemática, do conhecimento básico?” Boa pergunta, deveriam apartear em coro os jornalistas presentes, para em seguida responder aos berros: “Diga ao menino que ele pode virar presidente da República!” Talvez consiga um segundo mandato. E escreva o prefácio de outro livro do companheiro Aloízio Mercadante.
O Tribunal Superior Eleitoral divulgou há dias o tamanho e o perfil do eleitorado brasileiro. Como registra Roberto Pompeu de Toledo na edição de VEJA desta semana, 5,9% dos 135,8 milhões de eleitores são analfabetos, 14,6 dizem saber ler e escrever, mas não frequentaram a escola, e 33% frequentaram a escola, mas não chegaram a concluir o primeiro grau. “Na soma das três categorias, 53,5% do eleitorado na melhor das hipóteses resvalou pela escola”, constata o colunista.
Até os carrinhos de pipoca estacionados nas portas dos colégios sabem que São Paulo, embora também esteja longe do estágio alcançado por países do Primeiro Mundo, tem o desempenho menos lastimável entre todos os Estados. Só o senador Aloizio Mercadante não sabe disso ─ ou finge que não sabe, o que dá no mesmo. Nesta quarta-feira, durante a sabatina promovida pelo UOL, o candidato a governador ensinou que a educação vai bem no Brasil inteiro, menos em São Paulo. Por culpa dos tucanos, naturalmente.
Depois de afirmar que as escolas paulistas foram transformadas em fábricas de ignorantes (e por isso mesmo fortes candidatos ao desemprego), Mercadante declarou-se prisioneiro da angústia. “O que você fala para um menino que está há 12 anos na escola do PSDB e agora chega no final do ensino médio e não sabe o que vai fazer?”, perguntou aos brados o Herói da Rendição. “Como é que vai entrar no mercado de trabalho se não tem o domínio básico da leitura, das primeiras contas, da aritmética, da matemática, do conhecimento básico?”
Há pelo menos 30 anos, afinado com todos os companheiros diplomados ou não, ele garante que não é preciso estudar para ser presidente da República. Há pelo menos 20 recita que qualquer reparo à formação indigente do chefe é coisa de preconceituoso. Há sete anos e meio repete que o maior dos governantes desde a primeira caravela é a prova viva de que a acumulação de conhecimentos é hobby de elitista. Só agora resolveu inquietar-se com o fantasma da ignorância.
O que dizer a um jovem que precisa de emprego mas “não tem o domínio básico da leitura, das primeiras contas, da aritmética, da matemática, do conhecimento básico?” Boa pergunta, deveriam apartear em coro os jornalistas presentes, para em seguida responder aos berros: “Diga ao menino que ele pode virar presidente da República!” Talvez consiga um segundo mandato. E escreva o prefácio de outro livro do companheiro Aloízio Mercadante.
22 julho 2010
Cuba é um bordel a céu aberto_Por Nelson Mota no Estadão_Comentado por Augusto Nunes
Enquanto a ditadura cubana solta presos políticos, o Congresso dos Estados Unidos debate a lei que libera os americanos para viajar à Disneylândia socialista. O momento histórico não é só dramático, também é muito irônico.
Há 51 anos, um dos orgulhos míticos da revolução é ter livrado Cuba de ser “um bordel dos americanos”. Com a liberação das viagens aos vizinhos, hordas de turistas mal-educados e cheios de dólares invadirão a ilha, e serão muito bem-vindos, como uma salvadora fonte de divisas para a indigente economia da ilha. Será o encontro feliz do consumismo com o comunismo.
Mesmo com a proibição, mais de 100 mil americanos viajaram para Cuba no ano passado, via México, se arriscando a multas e chateações judiciais. Imaginem liberando geral. Não haverá rum para tanta gente.
Viagens baratas, de pouco mais de meia hora de voo, levarão o melhor e o pior dos turistas americanos a Cuba, em busca de sol e mar, mas também de diversão, negócios, aventura e, naturalmente, sexo.
Com o agravamento da crise econômica e sem perspectiva de trabalho, jovens cubanos de todos os sexos e formações estão se prostituindo para sobreviver. Fidel fez piada, dizendo que em Cuba até as putas são universitárias, mas a ironia da história é que, em volta dos hotéis, dos bares e boates, Havana se tornou um bordel a céu aberto. Mas não só de americanos.
Como não há nada mais conservador do que a revolução cubana, só Fidel e a velha guarda do partido ainda continuam odiando e esperando a agressão dos “yankis”. As novas gerações os chamam, com simpatia, de “yumas”, admiram suas qualidades e sonham consumir as maravilhas que eles produzem com liberdade e tecnologia. Estão loucos para trocar ideias com eles. E, se possível, ganhar algum dinheiro, porque, apesar do salário de 20 dólares mensais, há cada vez mais desempregados.
Pior: ultimamente só foram criados empregos de fiscais, para tentar conter o roubo sistêmico nas fábricas e empresas estatais. Diz um amigo cubano que endureceu sem perder o humor: “O que vai mudar é que agora os que roubam para sobreviver vão ter que rachar com os fiscais.”
Embarco no artigo de Nelson Motta para espantar-me com outra ironia. Nos anos 50, quando Fidel Castro lutava pelo poder, havia em Cuba uma ditadura ultradireitista a derrubar, uma economia asfixiada pela monocultura da cana e prostitutas demais em Havana. Mais de meio século depois, há prostitutas demais na ilha inteira, um oceano de canaviais asfixiando a economia e uma ditadura comunista a derrubar. Fidel continua lutando pelo poder.
Há 51 anos, um dos orgulhos míticos da revolução é ter livrado Cuba de ser “um bordel dos americanos”. Com a liberação das viagens aos vizinhos, hordas de turistas mal-educados e cheios de dólares invadirão a ilha, e serão muito bem-vindos, como uma salvadora fonte de divisas para a indigente economia da ilha. Será o encontro feliz do consumismo com o comunismo.
Mesmo com a proibição, mais de 100 mil americanos viajaram para Cuba no ano passado, via México, se arriscando a multas e chateações judiciais. Imaginem liberando geral. Não haverá rum para tanta gente.
Viagens baratas, de pouco mais de meia hora de voo, levarão o melhor e o pior dos turistas americanos a Cuba, em busca de sol e mar, mas também de diversão, negócios, aventura e, naturalmente, sexo.
Com o agravamento da crise econômica e sem perspectiva de trabalho, jovens cubanos de todos os sexos e formações estão se prostituindo para sobreviver. Fidel fez piada, dizendo que em Cuba até as putas são universitárias, mas a ironia da história é que, em volta dos hotéis, dos bares e boates, Havana se tornou um bordel a céu aberto. Mas não só de americanos.
Como não há nada mais conservador do que a revolução cubana, só Fidel e a velha guarda do partido ainda continuam odiando e esperando a agressão dos “yankis”. As novas gerações os chamam, com simpatia, de “yumas”, admiram suas qualidades e sonham consumir as maravilhas que eles produzem com liberdade e tecnologia. Estão loucos para trocar ideias com eles. E, se possível, ganhar algum dinheiro, porque, apesar do salário de 20 dólares mensais, há cada vez mais desempregados.
Pior: ultimamente só foram criados empregos de fiscais, para tentar conter o roubo sistêmico nas fábricas e empresas estatais. Diz um amigo cubano que endureceu sem perder o humor: “O que vai mudar é que agora os que roubam para sobreviver vão ter que rachar com os fiscais.”
Embarco no artigo de Nelson Motta para espantar-me com outra ironia. Nos anos 50, quando Fidel Castro lutava pelo poder, havia em Cuba uma ditadura ultradireitista a derrubar, uma economia asfixiada pela monocultura da cana e prostitutas demais em Havana. Mais de meio século depois, há prostitutas demais na ilha inteira, um oceano de canaviais asfixiando a economia e uma ditadura comunista a derrubar. Fidel continua lutando pelo poder.
Bandoleiros do PT querem usar a estrela de xerife_Por Augusto Nunes
O primeiro presidente do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, atravessou o último quarto de século acusando de corruptos todos os políticos de outros partidos. Hoje é amigo de infância dos campeões da ladroagem.
O segundo, José Dirceu, passou anos berrando que “o PT não róba nem deixa robá”. Denunciado pela Procuradoria Geral da República como “chefe da organização criminosa sofisticada” que protagonizou o escândalo do mensalão, hoje aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal e prospera como facilitador de negócios.
O terceiro, José Genoíno, fez do combate à corrupção, em 2002, a principal bandeira da candidatura ao governo de São Paulo. Derrotado, formou com Delúbio Soares e Marcos Valério a trinca de gerentes do mensalão. Também aguarda julgamento no Supremo.
O quarto, Ricardo Berzoini, ficou nacionalmente conhecido pela ideia, que lhe ocorreu logo depois da posse no Ministério da Previdência, de exigir que todos os aposentados com mais de 90 anos provassem que estavam vivos. Na presidência do PT, consolidou a fábrica de dossiês malandros e a expandiu com a inauguração da filial paulista administrada pelos aloprados.
O quinto, José Eduardo Dutra, confirma a suspeita de que todos os ocupantes do cargo cobrem o rosto com pelos para prevenirem a remotíssima possibilidade do rubor provocado pelo descompasso entre o que dizem e o que fazem. Três preferiram defender-se com uma barba. Dois acharam que o cavanhaque é suficiente. Um deles é o sergipano José Eduardo Dutra. Pelo que já fez em tão pouco tempo, não vai demorar a encobrir o rosto inteiro.
Confrontado com a reativação da velha fábrica de dossiês malandros, para atender à encomenda dos interessados em divulgar abjeções inventadas para prejudicarem José Serra, Dutra acusou as vítimas e resolveu acionar judicialmente o candidato à Presidência. Confrontado com a criminosa quebra do sigilo fiscal de Eduardo Jorge Caldas Pereira, não ficou constrangido com o estupro das declarações de imposto de renda do vice-presidente do PSDB. “O PT age dentro dos limites do Estado de Direito”, fantasiou.
Em seguida, o cartola partidário que não age sem consultar José Dirceu (melhor amigo de Valdomiro Diniz) e Antônio Palocci (estuprador de contas bancárias) ameaçou processar o deputado Índio da Costa porque o candidato a vice de Serra disse o que até os bichos da selva colombiana sabem: o PT e os narcoguerrilheiros das FARC são muito mais que bons companheiros; são cúmplices. E conferiu dimensões assombrosas à ofensiva dos cínicos com a declaração de guerra contra a vice-procudoradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, suspeita de acreditar que a lei vale para todos.
No começo do faroeste da Era Lula, os vilões se contentavam com a impunidade. Estava de bom tamanho farrear no saloon e colecionar bandidagens em paz. Agora andam bem mais atrevidos. Já tentam prender o mocinho. E querem botar no peito a estrela do xerife.
O segundo, José Dirceu, passou anos berrando que “o PT não róba nem deixa robá”. Denunciado pela Procuradoria Geral da República como “chefe da organização criminosa sofisticada” que protagonizou o escândalo do mensalão, hoje aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal e prospera como facilitador de negócios.
O terceiro, José Genoíno, fez do combate à corrupção, em 2002, a principal bandeira da candidatura ao governo de São Paulo. Derrotado, formou com Delúbio Soares e Marcos Valério a trinca de gerentes do mensalão. Também aguarda julgamento no Supremo.
O quarto, Ricardo Berzoini, ficou nacionalmente conhecido pela ideia, que lhe ocorreu logo depois da posse no Ministério da Previdência, de exigir que todos os aposentados com mais de 90 anos provassem que estavam vivos. Na presidência do PT, consolidou a fábrica de dossiês malandros e a expandiu com a inauguração da filial paulista administrada pelos aloprados.
O quinto, José Eduardo Dutra, confirma a suspeita de que todos os ocupantes do cargo cobrem o rosto com pelos para prevenirem a remotíssima possibilidade do rubor provocado pelo descompasso entre o que dizem e o que fazem. Três preferiram defender-se com uma barba. Dois acharam que o cavanhaque é suficiente. Um deles é o sergipano José Eduardo Dutra. Pelo que já fez em tão pouco tempo, não vai demorar a encobrir o rosto inteiro.
Confrontado com a reativação da velha fábrica de dossiês malandros, para atender à encomenda dos interessados em divulgar abjeções inventadas para prejudicarem José Serra, Dutra acusou as vítimas e resolveu acionar judicialmente o candidato à Presidência. Confrontado com a criminosa quebra do sigilo fiscal de Eduardo Jorge Caldas Pereira, não ficou constrangido com o estupro das declarações de imposto de renda do vice-presidente do PSDB. “O PT age dentro dos limites do Estado de Direito”, fantasiou.
Em seguida, o cartola partidário que não age sem consultar José Dirceu (melhor amigo de Valdomiro Diniz) e Antônio Palocci (estuprador de contas bancárias) ameaçou processar o deputado Índio da Costa porque o candidato a vice de Serra disse o que até os bichos da selva colombiana sabem: o PT e os narcoguerrilheiros das FARC são muito mais que bons companheiros; são cúmplices. E conferiu dimensões assombrosas à ofensiva dos cínicos com a declaração de guerra contra a vice-procudoradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, suspeita de acreditar que a lei vale para todos.
No começo do faroeste da Era Lula, os vilões se contentavam com a impunidade. Estava de bom tamanho farrear no saloon e colecionar bandidagens em paz. Agora andam bem mais atrevidos. Já tentam prender o mocinho. E querem botar no peito a estrela do xerife.
A copa sem São Paulo na farra das empreiteiras_In Augusto Nunes
(Título é meu):
O presidente Lula ofereceu-se nesta segunda-feira para tratar de um problema resolvido cinco dias antes pelo governador Alberto Goldman. “Estou disposto a entrar nessa conversa sobre a participação de São Paulo na Copa de 2014″, ofereceu-se o palanqueiro que, segundo a FIFA, até agora não fez nada do que prometeu há três anos. Lula está liberado para cuidar desse débito colossal: não existe nenhuma roda de conversa à espera de quem fala muito e pouco faz. Foi desfeita no momento em que Goldman informou que não seriam investidos sequer 10 centavos de dinheiro público na construção de um novo estádio.
É o que o governador guardou para dizer nesta manhã, numa reunião no Palácio dos Bandeirantes, ao presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e ao ministro do Esporte, Orlando Silva. O anfitrião e o prefeito Gilberto Kassab têm prioridades bem mais relevantes a atender. Ambos entenderam que é extorsivo o preço a pagar pelo ingresso no clube das cidades-sedes. São Paulo não precisa da Copa. A Copa é que precisa de São Paulo.
Se a CBF e a FIFA se derem por satisfeitas com o Morumbi reformado ou com o Pacaembu expandido, ótimo. Se acharem que isso é insuficiente, estejam à vontade para promover o jogo de abertura em outras paragens, programar para a maior metrópole do país partidas menos relevantes ou mesmo excluir São Paulo de vez do mapa da Copa. Porque as opções param por aí. O elefante branco não virá.
Para aflição da turma dos contratos sem licitação, das comissões milionárias, dos canteiros de obras transformados em viveiros de larápios, Lula e Ricardo Teixeira enfim encontraram um interlocutor altivo. Orlando Silva e seus sócios não encontraram outro cúmplice ativo. Os que sonham com os cifrões do estádio novo vão ficar sem dormir.
Goldman lavaria a alma dos homens de bem se, depois de anunciada a decisão, entregasse aos visitantes um recorte de jornal e um vídeo. No recorte, estariam assinaladas em vermelho duas frases que Ricardo Teixeira repetiu em todas as entrevistas concedidas em Zurique depois de formalizada a escolha do país-sede da Copa. Primeira: “Não vamos nos meter na construção de estádios e estradas nem em licitações”. Segunda: “Faço questão absoluta de garantir que a Copa de 2014 será uma Copa em que o poder público nada gastará em atividades desportivas”.
O vídeo registra o que disse Lula em 7 de junho deste ano numa entrevista à jornalista Adriana Saldanha, da ESPN. Trechos: “O Brasil não tem o direito de ter um estádio como o Morumbi e inventar que ele não serve e tentar fazer um estádio novo só para a Copa do Mundo. (…) Vamos parar com esse negócio de achar que não tem área de estacionamento, não tem área pra isso, não tem área pra aquilo… Se a gente quiser encontrar defeitos, a gente vai encontrar defeitos em qualquer coisa. Mas vamos olhar um pouco as virtudes, o estádio está pronto. É só fazer algumas modificações e torná-lo pronto para a Copa do Mundo”.
Goldman não deveria perder a chance de escancarar o oportunismo obsceno do governo Lula e a arrogância gulosa dos parceiros de Ricardo Teixeira com o argumento de que está apenas cumprindo promessas feitas pelo presidente da República e pelo presidente da CBF.
O presidente Lula ofereceu-se nesta segunda-feira para tratar de um problema resolvido cinco dias antes pelo governador Alberto Goldman. “Estou disposto a entrar nessa conversa sobre a participação de São Paulo na Copa de 2014″, ofereceu-se o palanqueiro que, segundo a FIFA, até agora não fez nada do que prometeu há três anos. Lula está liberado para cuidar desse débito colossal: não existe nenhuma roda de conversa à espera de quem fala muito e pouco faz. Foi desfeita no momento em que Goldman informou que não seriam investidos sequer 10 centavos de dinheiro público na construção de um novo estádio.
É o que o governador guardou para dizer nesta manhã, numa reunião no Palácio dos Bandeirantes, ao presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e ao ministro do Esporte, Orlando Silva. O anfitrião e o prefeito Gilberto Kassab têm prioridades bem mais relevantes a atender. Ambos entenderam que é extorsivo o preço a pagar pelo ingresso no clube das cidades-sedes. São Paulo não precisa da Copa. A Copa é que precisa de São Paulo.
Se a CBF e a FIFA se derem por satisfeitas com o Morumbi reformado ou com o Pacaembu expandido, ótimo. Se acharem que isso é insuficiente, estejam à vontade para promover o jogo de abertura em outras paragens, programar para a maior metrópole do país partidas menos relevantes ou mesmo excluir São Paulo de vez do mapa da Copa. Porque as opções param por aí. O elefante branco não virá.
Para aflição da turma dos contratos sem licitação, das comissões milionárias, dos canteiros de obras transformados em viveiros de larápios, Lula e Ricardo Teixeira enfim encontraram um interlocutor altivo. Orlando Silva e seus sócios não encontraram outro cúmplice ativo. Os que sonham com os cifrões do estádio novo vão ficar sem dormir.
Goldman lavaria a alma dos homens de bem se, depois de anunciada a decisão, entregasse aos visitantes um recorte de jornal e um vídeo. No recorte, estariam assinaladas em vermelho duas frases que Ricardo Teixeira repetiu em todas as entrevistas concedidas em Zurique depois de formalizada a escolha do país-sede da Copa. Primeira: “Não vamos nos meter na construção de estádios e estradas nem em licitações”. Segunda: “Faço questão absoluta de garantir que a Copa de 2014 será uma Copa em que o poder público nada gastará em atividades desportivas”.
O vídeo registra o que disse Lula em 7 de junho deste ano numa entrevista à jornalista Adriana Saldanha, da ESPN. Trechos: “O Brasil não tem o direito de ter um estádio como o Morumbi e inventar que ele não serve e tentar fazer um estádio novo só para a Copa do Mundo. (…) Vamos parar com esse negócio de achar que não tem área de estacionamento, não tem área pra isso, não tem área pra aquilo… Se a gente quiser encontrar defeitos, a gente vai encontrar defeitos em qualquer coisa. Mas vamos olhar um pouco as virtudes, o estádio está pronto. É só fazer algumas modificações e torná-lo pronto para a Copa do Mundo”.
Goldman não deveria perder a chance de escancarar o oportunismo obsceno do governo Lula e a arrogância gulosa dos parceiros de Ricardo Teixeira com o argumento de que está apenas cumprindo promessas feitas pelo presidente da República e pelo presidente da CBF.
Lula esturra contra Fifa_Por Augusto Nunes
(O título é meu):
Nunca antes na história do futebol, garantiu o presidente Lula no meio da festança em Zurique, a FIFA tomou uma decisão tão acertada quanto a que conferiu ao País do Carnaval o privilégio de organizar a Copa do Mundo de 2014. “Será uma tarefa incomensurável, mas poderemos fazer essa Copa”, caprichou o palanqueiro em 30 de outubro de 2007. Pausa ligeira, uma lágrima furtiva e o cutucão no vizinho: “Faremos uma Copa para argentino nenhum botar defeito. Vocês verão coisas lindas da natureza e nossa capacidade de construir bons estádios.” Passados quase três anos, nenhum argentino enxerga alguma coisa que mereça reparos: a revisita ao palavrório na Suiça informa que só estão prontas as “coisas lindas da natureza” ─ pelo menos as que não dependem do governo.
O resto ─ um mundaréu de obras abrangendo estádios, aeroportos, a malha de transportes urbanos, o sistema de trânsito, a rede hoteleira e outros pontos críticos ─ continua no papel. “Falta tudo”, resumiu no fim da Copa da África do Sul o secretário-geral da FIFA, Jerôme Valcke. Se a Seleção tivesse conquistado o hexa, o carnaval temporão inibiria ou acabaria abafando qualquer cobrança da entidade que controla o futebol mundial. Caso algum cartola com sotaque ousasse atrapalhar o feriadão nacional, seria silenciado aos gritos pela pátria de chuteiras: um país que ganha seis vezes a taça é capaz de fazer em seis meses o que outros não fazem em seis anos.
O fiasco do time de Dunga mostrou que o presidente foi traído pelo complexo de Deus. Nem combinou com os holandeses nem preparou um plano B. Surpreendido pelo pito de Jerôme Valcke, entrou em campo sem aquecimento e viajou na bravata aloprada. “Terminou uma Copa do Mundo na África do Sul agora e já começam aqueles a dizer: ‘Cadê os aeroportos brasileiros? Cadê os estádios brasileiros? Cadê os corredores de trem brasileiros? Cadê os metrôs brasileiros?’”, improvisou. “Como se nós fôssemos um bando de idiotas que não soubéssemos fazer as coisas e não soubéssemos definir as nossas prioridades”.
O uso do sujeito indeterminado comprova que Lula sabe com quem está falando: “aqueles” são os dirigentes da FIFA, entidade que não se impressiona com chiliques de devedores. O uso da primeira pessoa do plural comprova que Lula se considera um Macunaíma mais esperto: o “nós” transforma todos os brasileiros em alvo do petardo endereçado ao destinatário com endereço certo e sabido. Valcke circunscreveu o diagnóstico a uma fantasia batizada de “PAC da Copa”. Mas vale para o PAC1, o PAC 2 e demais filhotes da família aos cuidados da mãe que não diz coisa com coisa. Quem não sabe fazer o que promete é Lula. Quem não sabe definir prioridades e materializá-las é Lula.
Sabe-se há muitos anos que a diferença entre um estadista e um político é que, enquanto o primeiro pensa na próxima geração, o segundo pensa na próxima eleição. Graças a Lula, constatou-se que a segunda categoria se divide entre os que pensam na próxima eleição todos os dias e os que só pensam nisso o tempo todo. Para vencer, fazem qualquer negócio. Vendem a mãe, não admitem erros nem se responsabilizam por estragos causados por gente que nomeou. Os culpados são sempre os outros, vem confirmando o presidente desde que a FIFA denunciou a farsa que ainda ilude milhões de brasileiros.
Dois dias depois do truque do sujeito indeterminado, o camelô de si mesmo reapresentou em Diadema o truque do vilão misterioso. “Tem uma pessoa, que eu não sei quem é, mas que cria muitas dificuldades para dar licenças ambientais não só aqui, mas em várias cidades de São Paulo”, acusou. As risadas subalternas na plateia subalterna avisaram que, se o orador está em dúvida, os ouvintes amestrados sabem que é José Serra. A invencionice explica porque ainda não deram as caras em território paulista o trem-bala que Lula prometeu começar a construir em 2006, o terceiro aeroporto que Dilma Rousseff prometeu começar a construir em 2007 e outros colossos que só aparecem no comício de todos os dias.
Lula, na opinião de Lula, é o maior governante da História. A afilhada Dilma Rousseff, na opinião do padrinho, é a maior gerente de país de todos os tempos. E no entanto nada acontece, além da multiplicação dos dependentes do Bolsa Família e da liberação de verbas que não chegam ao destino oficial. Favorecido pelo crescimento econômico que segue seu curso apesar do governo, o Brasil é contemplado uma vez por semana com algum milagre visível apenas aos olhos de quem crê nos superpoderes do enviado pela Divina Providência para salvar o Brasil.
Por enxergar as coisas como as coisas são, o secretário-geral da FIFA está cobrando o cumprimento das promessas que fizeram do país a sede da Copa de 2014. Valcke tem motivos para desconfiar de que andou lidando com tratantes e ineptos, mas não usou a expressão “um bando de idiotas”. Quem trata os brasileiros como se fôssemos todos idiotas é o presidente da República.
Nunca antes na história do futebol, garantiu o presidente Lula no meio da festança em Zurique, a FIFA tomou uma decisão tão acertada quanto a que conferiu ao País do Carnaval o privilégio de organizar a Copa do Mundo de 2014. “Será uma tarefa incomensurável, mas poderemos fazer essa Copa”, caprichou o palanqueiro em 30 de outubro de 2007. Pausa ligeira, uma lágrima furtiva e o cutucão no vizinho: “Faremos uma Copa para argentino nenhum botar defeito. Vocês verão coisas lindas da natureza e nossa capacidade de construir bons estádios.” Passados quase três anos, nenhum argentino enxerga alguma coisa que mereça reparos: a revisita ao palavrório na Suiça informa que só estão prontas as “coisas lindas da natureza” ─ pelo menos as que não dependem do governo.
O resto ─ um mundaréu de obras abrangendo estádios, aeroportos, a malha de transportes urbanos, o sistema de trânsito, a rede hoteleira e outros pontos críticos ─ continua no papel. “Falta tudo”, resumiu no fim da Copa da África do Sul o secretário-geral da FIFA, Jerôme Valcke. Se a Seleção tivesse conquistado o hexa, o carnaval temporão inibiria ou acabaria abafando qualquer cobrança da entidade que controla o futebol mundial. Caso algum cartola com sotaque ousasse atrapalhar o feriadão nacional, seria silenciado aos gritos pela pátria de chuteiras: um país que ganha seis vezes a taça é capaz de fazer em seis meses o que outros não fazem em seis anos.
O fiasco do time de Dunga mostrou que o presidente foi traído pelo complexo de Deus. Nem combinou com os holandeses nem preparou um plano B. Surpreendido pelo pito de Jerôme Valcke, entrou em campo sem aquecimento e viajou na bravata aloprada. “Terminou uma Copa do Mundo na África do Sul agora e já começam aqueles a dizer: ‘Cadê os aeroportos brasileiros? Cadê os estádios brasileiros? Cadê os corredores de trem brasileiros? Cadê os metrôs brasileiros?’”, improvisou. “Como se nós fôssemos um bando de idiotas que não soubéssemos fazer as coisas e não soubéssemos definir as nossas prioridades”.
O uso do sujeito indeterminado comprova que Lula sabe com quem está falando: “aqueles” são os dirigentes da FIFA, entidade que não se impressiona com chiliques de devedores. O uso da primeira pessoa do plural comprova que Lula se considera um Macunaíma mais esperto: o “nós” transforma todos os brasileiros em alvo do petardo endereçado ao destinatário com endereço certo e sabido. Valcke circunscreveu o diagnóstico a uma fantasia batizada de “PAC da Copa”. Mas vale para o PAC1, o PAC 2 e demais filhotes da família aos cuidados da mãe que não diz coisa com coisa. Quem não sabe fazer o que promete é Lula. Quem não sabe definir prioridades e materializá-las é Lula.
Sabe-se há muitos anos que a diferença entre um estadista e um político é que, enquanto o primeiro pensa na próxima geração, o segundo pensa na próxima eleição. Graças a Lula, constatou-se que a segunda categoria se divide entre os que pensam na próxima eleição todos os dias e os que só pensam nisso o tempo todo. Para vencer, fazem qualquer negócio. Vendem a mãe, não admitem erros nem se responsabilizam por estragos causados por gente que nomeou. Os culpados são sempre os outros, vem confirmando o presidente desde que a FIFA denunciou a farsa que ainda ilude milhões de brasileiros.
Dois dias depois do truque do sujeito indeterminado, o camelô de si mesmo reapresentou em Diadema o truque do vilão misterioso. “Tem uma pessoa, que eu não sei quem é, mas que cria muitas dificuldades para dar licenças ambientais não só aqui, mas em várias cidades de São Paulo”, acusou. As risadas subalternas na plateia subalterna avisaram que, se o orador está em dúvida, os ouvintes amestrados sabem que é José Serra. A invencionice explica porque ainda não deram as caras em território paulista o trem-bala que Lula prometeu começar a construir em 2006, o terceiro aeroporto que Dilma Rousseff prometeu começar a construir em 2007 e outros colossos que só aparecem no comício de todos os dias.
Lula, na opinião de Lula, é o maior governante da História. A afilhada Dilma Rousseff, na opinião do padrinho, é a maior gerente de país de todos os tempos. E no entanto nada acontece, além da multiplicação dos dependentes do Bolsa Família e da liberação de verbas que não chegam ao destino oficial. Favorecido pelo crescimento econômico que segue seu curso apesar do governo, o Brasil é contemplado uma vez por semana com algum milagre visível apenas aos olhos de quem crê nos superpoderes do enviado pela Divina Providência para salvar o Brasil.
Por enxergar as coisas como as coisas são, o secretário-geral da FIFA está cobrando o cumprimento das promessas que fizeram do país a sede da Copa de 2014. Valcke tem motivos para desconfiar de que andou lidando com tratantes e ineptos, mas não usou a expressão “um bando de idiotas”. Quem trata os brasileiros como se fôssemos todos idiotas é o presidente da República.
21 julho 2010
'Evolução' da educação no Brasil
Uma aluna me mandou um texto sobre a 'evolução da educação' no Brasil. Veja:
*A Evolução da Educação...*
Antigamente se ensinava e cobrava tabuada, caligrafia, redação, datilografia...
Havia aulas de Educação Física, Moral e Cívica, Práticas Agrícolas, Práticas Industriais e cantava-se o Hino Nacional, hasteando a Bandeira Nacional antes de iniciar as aulas.
*Leiam relato de uma Professora de Matemática:*
Semana passada, comprei um produto que custou R$ 15,80. Dei à balconista R$ 20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer.
Tentei explicar que ela tinha que me dar 5,00 reais de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la. Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender. Por que estou contando isso?
Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim:
*1. Ensino de matemática em 1950: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda. Qual é o lucro?
*2. Ensino de matemática em 1970: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$ 80,00. Qual é o lucro?
*3. Ensino de matemática em 1980: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Qual é o lucro?
*4. Ensino de matemática em 1990: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
a) ( )R$ 20,00
b) ( )R$ 40,00
c) ( )R$ 60,00
d) ( )R$ 80,00
e) ( )R$ 100,00
*5. Ensino de matemática em 2000: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. O lucro é de R$ 20,00.
Está certo?
a) ( )SIM b) ( ) NÃO
*6. Ensino de matemática em 2009: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00.
a) ( )R$ 20,00
b) ( )R$ 40,00
c) ( )R$ 60,00
d) ( )R$ 80,00
e) ( )R$ 100,00
*7. Em 2010 vai ser assim: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00. (Se você é afro
descendente, especial, indígena ou de qualquer outra minoria social não precisa responder)
a) ( )R$ 20,00
b) ( )R$ 40,00
c) ( )R$ 60,00
d) ( )R$ 80,00
e) ( )R$ 100,00
E se um moleque resolve pichar a sala de aula e a professora faz com que ele pinte a sala novamente, os pais ficam enfurecidos, pois a professora provocou traumas na criança.
Essa pergunta foi vencedora em um congresso sobre vida sustentável:
Todo mundo 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos... Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"
*A Evolução da Educação...*
Antigamente se ensinava e cobrava tabuada, caligrafia, redação, datilografia...
Havia aulas de Educação Física, Moral e Cívica, Práticas Agrícolas, Práticas Industriais e cantava-se o Hino Nacional, hasteando a Bandeira Nacional antes de iniciar as aulas.
*Leiam relato de uma Professora de Matemática:*
Semana passada, comprei um produto que custou R$ 15,80. Dei à balconista R$ 20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer.
Tentei explicar que ela tinha que me dar 5,00 reais de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la. Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender. Por que estou contando isso?
Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim:
*1. Ensino de matemática em 1950: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda. Qual é o lucro?
*2. Ensino de matemática em 1970: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$ 80,00. Qual é o lucro?
*3. Ensino de matemática em 1980: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Qual é o lucro?
*4. Ensino de matemática em 1990: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
a) ( )R$ 20,00
b) ( )R$ 40,00
c) ( )R$ 60,00
d) ( )R$ 80,00
e) ( )R$ 100,00
*5. Ensino de matemática em 2000: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. O lucro é de R$ 20,00.
Está certo?
a) ( )SIM b) ( ) NÃO
*6. Ensino de matemática em 2009: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00.
a) ( )R$ 20,00
b) ( )R$ 40,00
c) ( )R$ 60,00
d) ( )R$ 80,00
e) ( )R$ 100,00
*7. Em 2010 vai ser assim: *
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00. (Se você é afro
descendente, especial, indígena ou de qualquer outra minoria social não precisa responder)
a) ( )R$ 20,00
b) ( )R$ 40,00
c) ( )R$ 60,00
d) ( )R$ 80,00
e) ( )R$ 100,00
E se um moleque resolve pichar a sala de aula e a professora faz com que ele pinte a sala novamente, os pais ficam enfurecidos, pois a professora provocou traumas na criança.
Essa pergunta foi vencedora em um congresso sobre vida sustentável:
Todo mundo 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos... Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"
11 julho 2010
RF confessa que quebrou sigilo de EJ_Por Igor Gielow, na Folha deste sábado
Depois de um longo silêncio, a Receita divulgou nota em que subverte a ordem das coisas e anuncia que não houve invasão “externa” do sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB. Segundo o texto, é quase detalhe que o fisco confirme que auditores bisbilhotaram sem ordem aparente as declarações de renda de Eduardo Jorge -que teve investigação sobre suposta irregularidade arquivada.
É preocupante a ligeireza com a qual é tratado um crime, e como isso se aproxima da mulher que almeja ser presidente e seu partido.
Dilma Rousseff afirma que nunca ordenou a confecção de tal dossiê, que circulou entre petistas. Fica em seu favor o benefício da dúvida, embora ela tenha dito o mesmo sobre um papelório com gastos de FHC e de sua mulher -apenas para sabermos que ele foi gestado nos computadores da repartição na qual ela dava as ordens.
No poder, o PT acostumou-se com a prática de fuçar o alheio, e o caso dos aloprados de 2006 é apenas a prova mais vistosa. É sintomático que o Rasputin da Medvedev de Lula atenda pelo nome de Antonio Palocci. “Boa fonte”, como dizem alguns jornalistas, geralmente os mesmos que relativizam sua participação no episódio da quebra de sigilo do caseiro Francenildo para abafar a divulgação de lobbies “y otras cositas más”.
Todos os políticos fazem dossiês e os vazam para a imprensa. O chamado jornalismo investigativo não passa, em digamos 90% dos casos, de apuração de informações que surgem de interesses contrariados. É do jogo. Mas há uma diferença entre levantar informações públicas e usar de meios ilegais para a desconstrução do adversário -em especial quando o resultado é manipulado para parecer algo que não é.
É o caso do dossiê contra EJ. Que diz menos ao tucano e mais à segurança da sociedade. É imperativo saber o nome de quem quebrou seu sigilo, e para quem ele foi vazado.
É preocupante a ligeireza com a qual é tratado um crime, e como isso se aproxima da mulher que almeja ser presidente e seu partido.
Dilma Rousseff afirma que nunca ordenou a confecção de tal dossiê, que circulou entre petistas. Fica em seu favor o benefício da dúvida, embora ela tenha dito o mesmo sobre um papelório com gastos de FHC e de sua mulher -apenas para sabermos que ele foi gestado nos computadores da repartição na qual ela dava as ordens.
No poder, o PT acostumou-se com a prática de fuçar o alheio, e o caso dos aloprados de 2006 é apenas a prova mais vistosa. É sintomático que o Rasputin da Medvedev de Lula atenda pelo nome de Antonio Palocci. “Boa fonte”, como dizem alguns jornalistas, geralmente os mesmos que relativizam sua participação no episódio da quebra de sigilo do caseiro Francenildo para abafar a divulgação de lobbies “y otras cositas más”.
Todos os políticos fazem dossiês e os vazam para a imprensa. O chamado jornalismo investigativo não passa, em digamos 90% dos casos, de apuração de informações que surgem de interesses contrariados. É do jogo. Mas há uma diferença entre levantar informações públicas e usar de meios ilegais para a desconstrução do adversário -em especial quando o resultado é manipulado para parecer algo que não é.
É o caso do dossiê contra EJ. Que diz menos ao tucano e mais à segurança da sociedade. É imperativo saber o nome de quem quebrou seu sigilo, e para quem ele foi vazado.
Marcos Mazoni, Diretor do Serpro, faz campanha ilegal_Por Silvio Navarro, na Folha:
Instalado no comando de um órgão estratégico da máquina pública, o diretor-presidente do Serpro (serviço de processamento de dados do governo federal), Marcos Mazoni, desempenha simultaneamente a função de arregimentar servidores na Esplanada e organizar carreatas em Brasília para a campanha de Dilma Rousseff (PT). O ponto de encontro, segundo o próprio Mazoni, é o estacionamento do Serpro. A convocatória dos funcionários é feita pela internet, em horário de expediente.
A maioria da comitiva petista é composta de servidores do Serpro, do Ministério da Educação e da Casa Brasil, órgão do Ministério de Ciência e Tecnologia para acesso gratuito à internet. Segundo a legislação eleitoral, funcionários públicos não podem participar de campanha em horário de trabalho. As recomendações constam da cartilha da AGU (Advocacia-Geral da União), avalizada pela Comissão de Ética Pública da Presidência.
O dirigente atua em parceria com Marcelo Branco, coordenador de Dilma na internet, de quem é amigo. Gaúchos, trabalharam juntos no órgão de processamento de dados do RS. Um dos eventos ocorreu anteontem. O número um do Serpro fez o chamado pelo seu Twitter, às 11h34: “Hoje vamos fazer uma carreata pró-Dilma ao meio dia aqui em Brasília”. Ontem, ele mandou o seguinte recado, às 11h43, para Branco: “Avisa a “companheirada” de Brasília que estamos fazendo carreatas todas as quintas ao meio dia saindo da frente da sede Serpro”.
A partir da semana que vem, os atos pró-Dilma conduzidos por ele serão semanais. “Para não precisar toda hora dizer, vai ter uma programação permanente, toda quinta-feira”, disse à Folha. Mazoni e Marcelo Branco também trocam mensagens sobre acordos políticos no Rio Grande do Sul. Na terça-feira passada, Branco escreveu no Twitter, às 13h16: “Exclusivo: ex-governador Collares do PDT apoia Tarso para governador e Dilma para presidente”. Mazoni respondeu quatro minutos depois: “Como é bom ser conselheiro de Itaipu hahaha”. Collares é conselheiro da empresa binacional e, para apoiar Tarso, rompeu com seu partido, que indicou o vice de José Fogaça (PMDB) ao governo.
A maioria da comitiva petista é composta de servidores do Serpro, do Ministério da Educação e da Casa Brasil, órgão do Ministério de Ciência e Tecnologia para acesso gratuito à internet. Segundo a legislação eleitoral, funcionários públicos não podem participar de campanha em horário de trabalho. As recomendações constam da cartilha da AGU (Advocacia-Geral da União), avalizada pela Comissão de Ética Pública da Presidência.
O dirigente atua em parceria com Marcelo Branco, coordenador de Dilma na internet, de quem é amigo. Gaúchos, trabalharam juntos no órgão de processamento de dados do RS. Um dos eventos ocorreu anteontem. O número um do Serpro fez o chamado pelo seu Twitter, às 11h34: “Hoje vamos fazer uma carreata pró-Dilma ao meio dia aqui em Brasília”. Ontem, ele mandou o seguinte recado, às 11h43, para Branco: “Avisa a “companheirada” de Brasília que estamos fazendo carreatas todas as quintas ao meio dia saindo da frente da sede Serpro”.
A partir da semana que vem, os atos pró-Dilma conduzidos por ele serão semanais. “Para não precisar toda hora dizer, vai ter uma programação permanente, toda quinta-feira”, disse à Folha. Mazoni e Marcelo Branco também trocam mensagens sobre acordos políticos no Rio Grande do Sul. Na terça-feira passada, Branco escreveu no Twitter, às 13h16: “Exclusivo: ex-governador Collares do PDT apoia Tarso para governador e Dilma para presidente”. Mazoni respondeu quatro minutos depois: “Como é bom ser conselheiro de Itaipu hahaha”. Collares é conselheiro da empresa binacional e, para apoiar Tarso, rompeu com seu partido, que indicou o vice de José Fogaça (PMDB) ao governo.
O 'programa' de Dilma_Na "Carta ao Leitor" da revista Veja
Uma reportagem desta edição de VEJA analisa o episódio - bizarro - em que Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência da República, assinou e depois voltou atrás a respeito do conteúdo de seu programa de governo, dando publicidade a uma segunda versão do texto, mais amena do que o original furiosamente esquerdista.
Além de revelar a falta de controle da candidata sobre os radicais de seu partido, o fato deixa evidente o descaso dos governistas com um documento programático que, por sua natureza, deveria ter sido fruto da mais detida atenção. Mas não reside nessa confusão o potencial de dano maior do episódio. O mais espantoso é a permanência no segundo documento petista de uma visão de mundo distorcida e perigosa, em especial no que se refere a um dos pilares consagrados da democracia - a liberdade de expressão.
Estava no primeiro texto, e foi mantida no segundo, a afirmação de que os órgãos de imprensa são “pouco afeitos à qualidade, ao pluralismo, ao debate democrático”, sendo, portanto, necessário “compensar o monopólio e concentração dos meios de produção”.
Além do uso ignorante do adjetivo “afeito”, a proposta do PT trai o mesmo e irrefreável ímpeto liberticida que na União Soviética, Cuba e Coréia do Norte serviu de base para a supressão da imprensa independente. A liberdade de jornais, revistas, televisão e rádio começa a morrer quando um governo acredita ser seu papel avaliar e aprimorar os meios de comunicação.
Expressões como essas não passam de eufemismos para esconder as reais intenções. Ninguém pode cobrar do PT que entenda o papel da imprensa nas democracias, como não se pode cobrar de um índio do Xingu que formule a Segunda Lei da Termodinâmica. Mas nenhum programa de governo, petista ou não, pode se arvorar em juiz da imprensa ou quaisquer outras atividades que, por serem conquistas civilizatórias, não pertencem ao universo oficial.
A imprensa não tem lições a receber de quem não compreende esse valor universal da democracia - à esquerda ou à direita. Para justificar a supressão de jornais livres, o ditador comunista Vladimir Lênin disse que “nosso governo não aceitaria uma oposição de armas letais. Mas idéias são mais letais que armas”. Na mesma linha, o ditador fascista Benito Mussolini afirmava que “os franceses eram decadentes por culpa da sífilis, do absinto e da liberdade de imprensa”.
Que o PT não perca de vista que ambos, e suas respectivas ideologias, foram varridos da história - enquanto a imprensa livre sobreviveu aos totalitarismos que ajudou a combater.
Além de revelar a falta de controle da candidata sobre os radicais de seu partido, o fato deixa evidente o descaso dos governistas com um documento programático que, por sua natureza, deveria ter sido fruto da mais detida atenção. Mas não reside nessa confusão o potencial de dano maior do episódio. O mais espantoso é a permanência no segundo documento petista de uma visão de mundo distorcida e perigosa, em especial no que se refere a um dos pilares consagrados da democracia - a liberdade de expressão.
Estava no primeiro texto, e foi mantida no segundo, a afirmação de que os órgãos de imprensa são “pouco afeitos à qualidade, ao pluralismo, ao debate democrático”, sendo, portanto, necessário “compensar o monopólio e concentração dos meios de produção”.
Além do uso ignorante do adjetivo “afeito”, a proposta do PT trai o mesmo e irrefreável ímpeto liberticida que na União Soviética, Cuba e Coréia do Norte serviu de base para a supressão da imprensa independente. A liberdade de jornais, revistas, televisão e rádio começa a morrer quando um governo acredita ser seu papel avaliar e aprimorar os meios de comunicação.
Expressões como essas não passam de eufemismos para esconder as reais intenções. Ninguém pode cobrar do PT que entenda o papel da imprensa nas democracias, como não se pode cobrar de um índio do Xingu que formule a Segunda Lei da Termodinâmica. Mas nenhum programa de governo, petista ou não, pode se arvorar em juiz da imprensa ou quaisquer outras atividades que, por serem conquistas civilizatórias, não pertencem ao universo oficial.
A imprensa não tem lições a receber de quem não compreende esse valor universal da democracia - à esquerda ou à direita. Para justificar a supressão de jornais livres, o ditador comunista Vladimir Lênin disse que “nosso governo não aceitaria uma oposição de armas letais. Mas idéias são mais letais que armas”. Na mesma linha, o ditador fascista Benito Mussolini afirmava que “os franceses eram decadentes por culpa da sífilis, do absinto e da liberdade de imprensa”.
Que o PT não perca de vista que ambos, e suas respectivas ideologias, foram varridos da história - enquanto a imprensa livre sobreviveu aos totalitarismos que ajudou a combater.
7 dias de campanha oficial de Dilma_Por Celso Arnando
“Eu digo pra vocês uma outra coisa”, inicia Dilma mais um vídeo vexaminoso de discurso de campanha disponível em seu site oficial – desta vez na favela de Heliópolis, a maior de São Paulo, onde o governo Lula mantém vagos programas.
Uma pessoa que sempre inicia um pensamento por muletas do tipo “Eu digo pra vocês uma outra coisa”, ou suas variáveis “Eu quero dizer uma coisa” ou “Eu queria dizer uma coisa pra vocês”, não sabe o que quer dizer, nem como dizer, uma coisa ou outra coisa. No caso de Dilma, ela não sabe dizer coisa alguma.
A boia introdutória e os gestos que a acompanham, vê-se no vídeo, são seguidos por um vácuo verbal de súbita apoplexia de segundos, com a mão repousada ao peito, que parece durar uma eternidade – essa “outra coisa” que ela quer dizer é apenas mais um pensamento nulo, pela redundância oca, expresso numa forma ainda mais primitiva:
– Nesta questão da moradia, essa é uma questão fundamental, é uma questão de cidadania.
Uma bolha de ar tem mais consistência que isso. O assunto é moradia? Dilma não sabe do que está falando. Nem sabe que mente:
“Nós estamos prevendo um milhão de moradias até o final deste ano tem de tá contratada e já deixamos pronto um projeto para mais 2 milhões a partir de 2011”
A indigência verbal disfarça o número falso, desonesto, impossível de cumprir até com peças de Lego. Ela apenas repete o que ouviu ou leu, por alto, em algum papel deixado sobre sua mesa.
O assunto é educação? A começar de sua própria, Dilma nada sabe também. José Serra passou-lhe um pito nesta sexta-feira, por Dilma ter insinuado estupidamente que, no sistema de dois professores por sala de aula, implantado em São Paulo com bons resultados, um único salário é dividido pela dupla. Não foi apenas má-fé, mas desconhecimento puro, produto de uma extraordinária incultura geral. Dilma nada sabe sobre o Brasil, sequer sobre o governo Lula, de quem se apresenta como “coordenadora geral”.
O assunto é saúde? Dilma não tem uma única ideia saudável sobre o tema, nem sequer sobre o câncer que teve – como informa o vídeo que gravou para um simpósio de ginecologia, deixando como mensagem que o câncer “passa, com certeza absoluta”.
O assunto é Bolsa-Família? Pelo menos disso – menina dos olhos encachaçados de Lula – ela entende, pois não? Nada. Neste vídeo em Heliópolis, ela chuta uma informação sobre o sistema em São Paulo. Mercadante, com a boca encoberta, parece tentar corrigi-la de um erro grosseiro. Ela fez cara feia e insiste no erro, mas fica claro o constrangimento.
O início oficial da campanha presidencial, sem os travos da hipocrisia pré-eleitoral, escancarou para a opinião pública, pelo menos para quem quiser ver e ouvir, o que há nove meses vinha sendo solidificado, através de transcrições, trechos de vídeo e “denúncias” em fóruns de discussão inteligente, mas alternativos, como esta coluna – nunca na grande imprensa, que se mantém até hoje estranhamente omissa diante da aberração: Dilma Rousseff, com seu assombroso despreparo pessoal, intelectual e gerencial, envergonha não só os brasileiros que votarão em Serra, e correm o risco de ter uma fraude como presidente, como deveria envergonhar também os petistas que fecham os olhos, por causa dos bilionários interesses em jogo, diante da absurda unção e ascensão da candidata fabricada perversamente por Lula.
Os dirigentes petistas sabem disso desde o momento em que Lula colocou Dilma na rua, ordenando – se soubesse o que isso significa –“Parla”.
Mercadante, Temer, Marta perceberam isso desde o começo, assim que ouviram o primeiro discurso de Dilma. Tremeram na base, achavam que estava tudo liquidado.
Não contavam, porém, que no Brasil de Lula, o Brasil da falta de educação, Dilma subiria nas pesquisas na mesma proporção de sua extraordinária produção de sandices.
Justiça seja feita: Dilma sempre foi absolutamente democrática na escolha das tribunas para expor sua ignorância essencial — de encontros com misses, numa TV local, ao programa nacional da Luciana Gimenez; de uma modesta emissora comunitária do interior da Paraíba aos estúdios da maior rádio do país, a Jovem Pan de São Paulo. Da quadra “multiesportiva” de Heliópolis, como neste vídeo, ao auditório principal da Fiesp.
Nunca disse nada que se aproveitasse, rigorosamente nada. E – fenômeno – Dilma tem piorado a olhos vistos. Ao final do primeiro mandato de quatro anos, a analfabeta funcional de hoje terá regredido à condição de analfabeta de nascença, de dona Lindu.
Só nestes sete dias de campanha oficial – período saudado euforicamente pelo site dela com a manchete “milhares de pessoas com Dilma na primeira semana de campanha à presidência” – seu portfólio de cretinices e erros grotescos de concordância, lógica, sintaxe, geografia, história, teoria política e qualquer outra cadeira do conhecimento humano já é o maior da história de nossa pobre República.
Dilma na presidência, com essa gravíssima fragilidade mental, será joguete na mão da petralhada sedenta por mais oito anos de botim — uma rubrica da presidente valerá milhões.
E ela nem poderá ser tratada como Rainha decorativa, pois falta-lhe a nobreza.
Uma pessoa que sempre inicia um pensamento por muletas do tipo “Eu digo pra vocês uma outra coisa”, ou suas variáveis “Eu quero dizer uma coisa” ou “Eu queria dizer uma coisa pra vocês”, não sabe o que quer dizer, nem como dizer, uma coisa ou outra coisa. No caso de Dilma, ela não sabe dizer coisa alguma.
A boia introdutória e os gestos que a acompanham, vê-se no vídeo, são seguidos por um vácuo verbal de súbita apoplexia de segundos, com a mão repousada ao peito, que parece durar uma eternidade – essa “outra coisa” que ela quer dizer é apenas mais um pensamento nulo, pela redundância oca, expresso numa forma ainda mais primitiva:
– Nesta questão da moradia, essa é uma questão fundamental, é uma questão de cidadania.
Uma bolha de ar tem mais consistência que isso. O assunto é moradia? Dilma não sabe do que está falando. Nem sabe que mente:
“Nós estamos prevendo um milhão de moradias até o final deste ano tem de tá contratada e já deixamos pronto um projeto para mais 2 milhões a partir de 2011”
A indigência verbal disfarça o número falso, desonesto, impossível de cumprir até com peças de Lego. Ela apenas repete o que ouviu ou leu, por alto, em algum papel deixado sobre sua mesa.
O assunto é educação? A começar de sua própria, Dilma nada sabe também. José Serra passou-lhe um pito nesta sexta-feira, por Dilma ter insinuado estupidamente que, no sistema de dois professores por sala de aula, implantado em São Paulo com bons resultados, um único salário é dividido pela dupla. Não foi apenas má-fé, mas desconhecimento puro, produto de uma extraordinária incultura geral. Dilma nada sabe sobre o Brasil, sequer sobre o governo Lula, de quem se apresenta como “coordenadora geral”.
O assunto é saúde? Dilma não tem uma única ideia saudável sobre o tema, nem sequer sobre o câncer que teve – como informa o vídeo que gravou para um simpósio de ginecologia, deixando como mensagem que o câncer “passa, com certeza absoluta”.
O assunto é Bolsa-Família? Pelo menos disso – menina dos olhos encachaçados de Lula – ela entende, pois não? Nada. Neste vídeo em Heliópolis, ela chuta uma informação sobre o sistema em São Paulo. Mercadante, com a boca encoberta, parece tentar corrigi-la de um erro grosseiro. Ela fez cara feia e insiste no erro, mas fica claro o constrangimento.
O início oficial da campanha presidencial, sem os travos da hipocrisia pré-eleitoral, escancarou para a opinião pública, pelo menos para quem quiser ver e ouvir, o que há nove meses vinha sendo solidificado, através de transcrições, trechos de vídeo e “denúncias” em fóruns de discussão inteligente, mas alternativos, como esta coluna – nunca na grande imprensa, que se mantém até hoje estranhamente omissa diante da aberração: Dilma Rousseff, com seu assombroso despreparo pessoal, intelectual e gerencial, envergonha não só os brasileiros que votarão em Serra, e correm o risco de ter uma fraude como presidente, como deveria envergonhar também os petistas que fecham os olhos, por causa dos bilionários interesses em jogo, diante da absurda unção e ascensão da candidata fabricada perversamente por Lula.
Os dirigentes petistas sabem disso desde o momento em que Lula colocou Dilma na rua, ordenando – se soubesse o que isso significa –“Parla”.
Mercadante, Temer, Marta perceberam isso desde o começo, assim que ouviram o primeiro discurso de Dilma. Tremeram na base, achavam que estava tudo liquidado.
Não contavam, porém, que no Brasil de Lula, o Brasil da falta de educação, Dilma subiria nas pesquisas na mesma proporção de sua extraordinária produção de sandices.
Justiça seja feita: Dilma sempre foi absolutamente democrática na escolha das tribunas para expor sua ignorância essencial — de encontros com misses, numa TV local, ao programa nacional da Luciana Gimenez; de uma modesta emissora comunitária do interior da Paraíba aos estúdios da maior rádio do país, a Jovem Pan de São Paulo. Da quadra “multiesportiva” de Heliópolis, como neste vídeo, ao auditório principal da Fiesp.
Nunca disse nada que se aproveitasse, rigorosamente nada. E – fenômeno – Dilma tem piorado a olhos vistos. Ao final do primeiro mandato de quatro anos, a analfabeta funcional de hoje terá regredido à condição de analfabeta de nascença, de dona Lindu.
Só nestes sete dias de campanha oficial – período saudado euforicamente pelo site dela com a manchete “milhares de pessoas com Dilma na primeira semana de campanha à presidência” – seu portfólio de cretinices e erros grotescos de concordância, lógica, sintaxe, geografia, história, teoria política e qualquer outra cadeira do conhecimento humano já é o maior da história de nossa pobre República.
Dilma na presidência, com essa gravíssima fragilidade mental, será joguete na mão da petralhada sedenta por mais oito anos de botim — uma rubrica da presidente valerá milhões.
E ela nem poderá ser tratada como Rainha decorativa, pois falta-lhe a nobreza.
06 julho 2010
O programa liberticida do PT da Dilma_In Augusto Nunes
Em parceria, o presidente que jamais levou um livro no isopor da praia e a Irmandade dos Órfãos do Muro de Berlim produziram um indispensável esboço ideológico do governo Dilma Rousseff. Sob o codinome Programa Nacional de Direitos Humanos, foi lançada no Natal a primeira edição do Guia do Stalinismo Farofeiro.
A constatação acima reproduzida encerrou o texto publicado aqui no Direto ao Ponto em 12 de janeiro. Dois dias depois, a coluna retomou o tema no post com o título A liberdade não foi convidada. Confiram:
A Declaração Universal dos Direitos Humanos tem 30 artigos. O 1° constata que todos nascemos livres. O 3° estabelece que todo homem tem direito à liberdade. O 17° sublinha o direito irrevogável à liberdade de opinião e expressão. Sempre claros e coerentes, outros registros condensam em linguagem diplomática uma concisa lição de Don Quixote a Sancho Pança.
“A liberdade”, ensinou o personagem de Miguel de Cervantes, “é um dos mais preciosos dons que aos homens deram os céus; a ela não podem igualar-se os tesouros que encerra a terra e nem o mar encobre; pela liberdade, assim como pela honra, se pode e deve aventurar a vida; e, pelo contrário, o cativeiro é o maior mal que pode vir aos homens”.
O 3° Programa Nacional de Direitos Humanos tem 71 páginas e 29.538 palavras. Nesse pântano de vogais e consoantes, a expressão liberdade vem à tona 19 vezes, sempre com significado diverso ─ e muito menos nobre ─ do que lhe atribuíram o magnífico escritor e os arquitetos do mais belo documento político da era moderna. A Liberdade ─ substantiva, maiúscula, luminosa ─ não figura entre os direitos humanos vislumbrados por pastores do autoritarismo. A Liberdade não foi convidada para o comício da companheirada.
O Programa Nacional de Direitos Humanos é também o esqueleto da plataforma política da candidata Dilma Rousseff (que chancelou o papelório irresponsável com o selo de má qualidade da Casa Civil). A palanqueira sem rumo e seu padrinho sem siso andam sonhando com um Brasil polarizado entre os soldados do povo e a elite golpista. Se o Guia do Stalinismo Farofeiro não for atirado ao lixo a tempo, o casal de caçadores de votos pode acabar enredado num duelo perigoso.
Do lado de lá estarão os liberticidas. Do lado de cá, os democratas que jamais capitularam. Eles não passarão sem resistência.
A esquerda psicótica continua a mesma, atestou a chegada ao Tribunal Superior Eleitoral da primeira versão do programa de governo de Dilma Rousseff, que denuncia na forma e no conteúdo o estreito parentesco com o Programa Nacional de Direitos Humanos. O que mudou foi o cacife dos parceiros da base alugada, informou a pronta substituição do documento por outro que o sócio majoritário considerasse aceitável.
“O que foi registrado foi o programa do PT”, esclareceu em nome do PMDB o ex-governador fluminense Moreira Franco, vice-presidente da Caixa Econômica Federal. “Vamos ter um programa de governo que retrate a visão política dos partidos que compõem a coligação”. Para os morubixabas que escoltam o vice Michel Temer, a Irmandade dos Órfãos do Muro de Berlim pode até usar a política externa para viajar de volta à Guerra Fria na máquina do tempo do Itamaraty. Mas devem permanecer intocadas as diretrizes da política interna que o PMDB e seus congêneres utilizam como instrumento de poder e fábrica de dinheiro sujo.
Se Dilma Rousseff for eleita, portanto, o futuro estará condicionado ao desfecho do confronto entre a caravela dos insensatos tripulada pelo PT e o navio pirata a serviço do PMDB. Chegou a hora de juntá-los no mesmo naufrágio e conduzir o Brasil a um porto seguro.
A constatação acima reproduzida encerrou o texto publicado aqui no Direto ao Ponto em 12 de janeiro. Dois dias depois, a coluna retomou o tema no post com o título A liberdade não foi convidada. Confiram:
A Declaração Universal dos Direitos Humanos tem 30 artigos. O 1° constata que todos nascemos livres. O 3° estabelece que todo homem tem direito à liberdade. O 17° sublinha o direito irrevogável à liberdade de opinião e expressão. Sempre claros e coerentes, outros registros condensam em linguagem diplomática uma concisa lição de Don Quixote a Sancho Pança.
“A liberdade”, ensinou o personagem de Miguel de Cervantes, “é um dos mais preciosos dons que aos homens deram os céus; a ela não podem igualar-se os tesouros que encerra a terra e nem o mar encobre; pela liberdade, assim como pela honra, se pode e deve aventurar a vida; e, pelo contrário, o cativeiro é o maior mal que pode vir aos homens”.
O 3° Programa Nacional de Direitos Humanos tem 71 páginas e 29.538 palavras. Nesse pântano de vogais e consoantes, a expressão liberdade vem à tona 19 vezes, sempre com significado diverso ─ e muito menos nobre ─ do que lhe atribuíram o magnífico escritor e os arquitetos do mais belo documento político da era moderna. A Liberdade ─ substantiva, maiúscula, luminosa ─ não figura entre os direitos humanos vislumbrados por pastores do autoritarismo. A Liberdade não foi convidada para o comício da companheirada.
O Programa Nacional de Direitos Humanos é também o esqueleto da plataforma política da candidata Dilma Rousseff (que chancelou o papelório irresponsável com o selo de má qualidade da Casa Civil). A palanqueira sem rumo e seu padrinho sem siso andam sonhando com um Brasil polarizado entre os soldados do povo e a elite golpista. Se o Guia do Stalinismo Farofeiro não for atirado ao lixo a tempo, o casal de caçadores de votos pode acabar enredado num duelo perigoso.
Do lado de lá estarão os liberticidas. Do lado de cá, os democratas que jamais capitularam. Eles não passarão sem resistência.
A esquerda psicótica continua a mesma, atestou a chegada ao Tribunal Superior Eleitoral da primeira versão do programa de governo de Dilma Rousseff, que denuncia na forma e no conteúdo o estreito parentesco com o Programa Nacional de Direitos Humanos. O que mudou foi o cacife dos parceiros da base alugada, informou a pronta substituição do documento por outro que o sócio majoritário considerasse aceitável.
“O que foi registrado foi o programa do PT”, esclareceu em nome do PMDB o ex-governador fluminense Moreira Franco, vice-presidente da Caixa Econômica Federal. “Vamos ter um programa de governo que retrate a visão política dos partidos que compõem a coligação”. Para os morubixabas que escoltam o vice Michel Temer, a Irmandade dos Órfãos do Muro de Berlim pode até usar a política externa para viajar de volta à Guerra Fria na máquina do tempo do Itamaraty. Mas devem permanecer intocadas as diretrizes da política interna que o PMDB e seus congêneres utilizam como instrumento de poder e fábrica de dinheiro sujo.
Se Dilma Rousseff for eleita, portanto, o futuro estará condicionado ao desfecho do confronto entre a caravela dos insensatos tripulada pelo PT e o navio pirata a serviço do PMDB. Chegou a hora de juntá-los no mesmo naufrágio e conduzir o Brasil a um porto seguro.
05 julho 2010
As esquerdas irrelevantes do PT_Por Ethan Edwards_In Augusto Nunes
“A cada vez que Lula sentia necessidade de enforcar alguém, parte da esquerda corria a lhe oferecer um pedaço de corda, outra lhe trazia um pescoço”, constata Ethan Edwards em mais um texto admirável, que amplia e ilumina o post sobre a subordinação do PT à vontade de Lula e à cupidez do PMDB. É o tipo de leitura que não se adia:
Em 1980, a esquerda entregou a Lula a direção do processo de construção do PT. Compreendia que, de outro modo (isto é, com base nos princípios do marxismo ─ na hipótese de que alguém os conhecesse), não conseguiria construir o partido com que sonhava. Ou entregava a chefia do partido a Lula e seus amigos despolitizados (sabendo que daquilo adviria, na melhor hipótese, um partido populista) ou ficava à margem desse processo onde já se encontravam embarcados os militantes da Teologia da Libertação e o “novo sindicalismo”.
Optou, depois de pensar um pouco (na verdade, bem pouco), por associar-se a estes e ajudar a construir o partido que se dizia “dos trabalhadores”, reservando-se a ilusão de que, com o tempo, acabaria por arrebatar do operário personalista e seus cortesãos o comando do processo. Essa capitulação tinha um fundo realista. A esquerda já suspeitava (embora nunca tenha examinado de frente essa suspeita) que, em vez de complicados problemas teóricos, o que tornava impossível, no Brasil, a construção de um partido “verdadeiramente revolucionário” era algo bem mais difícil de “equacionar”: o povo brasileiro.
Cristão, conservador, respeitador das hierarquias, profundamente ligado à família, avesso a regras impessoais, o máximo de “comunismo” a que o brasileiro comum alguma vez se permitiu foi o de Dias Gomes e de João Saldanha, que estavam para Lênin e Trotsky assim como a umbanda está para a reforma protestante. Quem insistisse em construir no Brasil um partido marxista estaria condenado a viver num gueto. Lula, ao contrário da esquerda que o cercava, falava diretamente ao coração do “brasileiro médio”. O mais inteligente era entregar-lhe a chefia do novo partido.
Trinta anos depois, a situação da esquerda petista não melhorou. Na verdade, deteriorou-se por completo. Se lhe serve de consolo, entretanto, deve-se registrar que nessa jornada em direção à irrelevância a esquerda jamais pediu ajuda a ninguém. Caminhou sempre com as próprias pernas. A cada vez que Lula sentia necessidade de enforcar alguém, parte da esquerda corria a lhe oferecer um pedaço de corda, outra lhe trazia um pescoço. O executado quase sempre era um dos seus – mas isso não tinha importância.
O que importava, então? Boa pergunta. Aceitemos, por generosidade, que tudo não passou de um enorme erro de cálculo. Mas a pergunta que realmente interessa, no entanto, é outra, e não se refere ao passado: por que, trinta anos depois daquela decisão infeliz, a esquerda continua, como um velho serviçal desfibrado, a apoiar todos os atos, mesmo os mais desprezíveis, de um governo banalmente populista, que enriqueceu os milionários e se aliou ao que havia de pior na política brasileira, e que evidentemente jamais abrirá caminho para a “revolução”, qualquer que seja a revolução que a esquerda diz almejar?
A pessoa ideal para responder a essa pergunta já faleceu: a Dra. Nise da Silveira. Ex-trotskista, dedicou toda sua vida madura a tratar de esquizofrênicos. Ela provavelmente compreenderia, melhor do que ninguém, o que se passa na alma de um petista que continua a se imaginar “revolucionário”. Ela lhe daria tinta e pincel e o estimularia: “Pinte, meu filho. Pinte mandalas. Você vai se sentir muito melhor”.
Em 1980, a esquerda entregou a Lula a direção do processo de construção do PT. Compreendia que, de outro modo (isto é, com base nos princípios do marxismo ─ na hipótese de que alguém os conhecesse), não conseguiria construir o partido com que sonhava. Ou entregava a chefia do partido a Lula e seus amigos despolitizados (sabendo que daquilo adviria, na melhor hipótese, um partido populista) ou ficava à margem desse processo onde já se encontravam embarcados os militantes da Teologia da Libertação e o “novo sindicalismo”.
Optou, depois de pensar um pouco (na verdade, bem pouco), por associar-se a estes e ajudar a construir o partido que se dizia “dos trabalhadores”, reservando-se a ilusão de que, com o tempo, acabaria por arrebatar do operário personalista e seus cortesãos o comando do processo. Essa capitulação tinha um fundo realista. A esquerda já suspeitava (embora nunca tenha examinado de frente essa suspeita) que, em vez de complicados problemas teóricos, o que tornava impossível, no Brasil, a construção de um partido “verdadeiramente revolucionário” era algo bem mais difícil de “equacionar”: o povo brasileiro.
Cristão, conservador, respeitador das hierarquias, profundamente ligado à família, avesso a regras impessoais, o máximo de “comunismo” a que o brasileiro comum alguma vez se permitiu foi o de Dias Gomes e de João Saldanha, que estavam para Lênin e Trotsky assim como a umbanda está para a reforma protestante. Quem insistisse em construir no Brasil um partido marxista estaria condenado a viver num gueto. Lula, ao contrário da esquerda que o cercava, falava diretamente ao coração do “brasileiro médio”. O mais inteligente era entregar-lhe a chefia do novo partido.
Trinta anos depois, a situação da esquerda petista não melhorou. Na verdade, deteriorou-se por completo. Se lhe serve de consolo, entretanto, deve-se registrar que nessa jornada em direção à irrelevância a esquerda jamais pediu ajuda a ninguém. Caminhou sempre com as próprias pernas. A cada vez que Lula sentia necessidade de enforcar alguém, parte da esquerda corria a lhe oferecer um pedaço de corda, outra lhe trazia um pescoço. O executado quase sempre era um dos seus – mas isso não tinha importância.
O que importava, então? Boa pergunta. Aceitemos, por generosidade, que tudo não passou de um enorme erro de cálculo. Mas a pergunta que realmente interessa, no entanto, é outra, e não se refere ao passado: por que, trinta anos depois daquela decisão infeliz, a esquerda continua, como um velho serviçal desfibrado, a apoiar todos os atos, mesmo os mais desprezíveis, de um governo banalmente populista, que enriqueceu os milionários e se aliou ao que havia de pior na política brasileira, e que evidentemente jamais abrirá caminho para a “revolução”, qualquer que seja a revolução que a esquerda diz almejar?
A pessoa ideal para responder a essa pergunta já faleceu: a Dra. Nise da Silveira. Ex-trotskista, dedicou toda sua vida madura a tratar de esquizofrênicos. Ela provavelmente compreenderia, melhor do que ninguém, o que se passa na alma de um petista que continua a se imaginar “revolucionário”. Ela lhe daria tinta e pincel e o estimularia: “Pinte, meu filho. Pinte mandalas. Você vai se sentir muito melhor”.
04 julho 2010
FHC e a crise internacional
O mundo continua se contorcendo sem encontrar caminhos seguros para superar as consequências da crise desencadeada no sistema financeiro. Até a ideia (que eu defendi nos anos 1990 e parecia uma heresia) de impor taxas à movimentação financeira reapareceu na voz dos mais ortodoxos defensores do rigor dos bancos centrais e da intocabilidade das leis de mercado. No afã de estancar a sangria produzida pelas exacerbações irracionais dos mercados, outros tantos ortodoxos passaram a usar e até a abusar de incentivos fiscais e benesses de todo tipo para salvar os bancos e o consumo.
Paul Krugman, mais recentemente, lamentou a resistência europeia à frouxidão fiscal. Ele pensa que o corte aos estímulos pode levar a economia mundial a algo semelhante ao que ocorreu em 1929. Quando a crise parecia acalmada, em 1933, suspenderam-se estímulos e medidas facilitadoras do crédito, devolvendo a recessão ao mundo. Será isso mesmo? É cedo para saber. Mas, barbas de molho, as notícias que vêm do exterior, e não só da Europa, mas também da zigue-zagueante economia americana e da letárgica economia japonesa, afora as dúvidas sobre a economia chinesa, não são sinais de uma retomada alentadora.
Enquanto isso, vive-se no Brasil oficial como se nos tivéssemos transformado numa Noruega tropical, na feliz ironia deste jornal em editorial recente. E em tão curto intervalo que estamos todos atônitos com tanto dinheiro e tantas realizações. Basta ler o último artigo presidencial no Financial Times. A pobreza existia na época da “estagnação”. Agora assistimos ao espetáculo do crescimento, sem travas, dispensando reformas e desautorizando preocupações. Se no governo Geisel se dizia que éramos uma ilha de prosperidade num mundo em crise, hoje a retórica oficial nos dá a impressão de que somos um mundo de prosperidade e o mundo, uma distante ilha em crise. Baixo investimento em infraestrutura? Ora, o PAC resolve. Receio com o aumento do endividamento público e o crescente déficit previdenciário? Ora, preocupação com isso é lá na Europa. Aqui, não. Afinal, Deus é brasileiro.
Só que a realidade existe. A prosperidade de uns depende da de outros no mundo globalizado. Por mais que estejamos relativamente bem em comparação com os países de economia mais madura, se estes estagnarem ou crescerem a taxas baixas, haverá problemas. A queda nos preços das matérias-primas prejudicará as nossas exportações, grande parte delas composta de commodities. A ausência de crescimento complicará a solução dos desequilíbrios monetários e fiscais dos países ricos e isso significará menos recursos disponíveis para o Brasil no mercado financeiro global. Não devemos ser pessimistas, mas não nos podemos deixar embalar em devaneios quase infantis, que nos distraem de discutir os verdadeiros desafios do País.
Infelizmente, estamos às voltas com distrações. Um cântico de louvor às nossas grandezas, de uma falta de realismo assustador. Embarcamos na antiga tese do Brasil potência e, sem olhar em volta, propomo-nos a dar saltos sem saber com que recursos: trem-bala de custos desconhecidos, pré-sal sem atenção ao impacto do desastre no Golfo do México sobre os custos futuros da extração do petróleo, capitalização da Petrobrás de proporções gigantescas, uma Petro-Sal de propósitos incertos e tamanho imprevisível. Tudo grandioso. Fala-se mais do que se faz. E o que se faz é graças a transferências maciças do bolso dos contribuintes para o caixa das grandes empresas amigas do Estado, por meio de empréstimos subsidiados do BNDES, que de quebra engordam a dívida bruta do Tesouro.
A encenação para a eleição de outubro já está pronta. Como numa fábula, a candidata do governo, bem penteada e rosada, quase uma princesinha nórdica, dirá tudo o que se espera que diga, especialmente o que o “mercado” e os parceiros internacionais querem ouvir. Mas a própria candidata já alertou: não é um poste. E não é mesmo, espero. Tem uma história, que não bate com o que se quer que ela diga. Cumprirá o que disse?
No México do PRI, cujo domínio durou décadas, o presidente apontava sozinho o candidato a suceder-lhe, num processo vedado ao olhar e às influências da opinião pública. No entanto, quando a escolha era revelada ao público – “el destape del tapado” -, o escolhido via-se obrigado a dizer o que pensava. Aqui, o “dedazo” de Lula apontou a candidata. Só que ela não pode dizer o que pensa para não pôr em risco a eleição. Estamos diante de uma personagem a ser moldada pelos marqueteiros. Antigamente, no linguajar que já foi da candidata, se chamava isso de “alienação”.
Esconde-se, assim, o que realmente está em jogo. Queremos aperfeiçoar nossa democracia ou aceitaremos como normais os grandes delitos de aloprados e as pequenas infrações sistemáticas, como as de um presidente que dá de ombros diante de seis multas a ele aplicadas por desrespeito à legislação eleitoral? Queremos um Estado partidariamente neutro ou capturado por interesses partidários? Que dialogue com a sociedade ou se feche para tomar decisões baseadas em pretensa superioridade estratégica para escolher o que é melhor para o País? Que confunda a Nação com o Estado e o Estado com empresas e corporações estatais, em aliança com poucos grandes grupos privados, ou saiba distinguir uma coisa da outra em nome do interesse público? Que aposte no desenvolvimento das capacidades de cada indivíduo, para a cidadania e para o trabalho, ou veja o povo como massa e a si próprio como benfeitor? Que enxergue no meio ambiente uma dimensão essencial ou um obstáculo ao desenvolvimento?
Está na hora de cada candidato, com a alma aberta e a cara lavada, dizer ao País o que pensa.
Paul Krugman, mais recentemente, lamentou a resistência europeia à frouxidão fiscal. Ele pensa que o corte aos estímulos pode levar a economia mundial a algo semelhante ao que ocorreu em 1929. Quando a crise parecia acalmada, em 1933, suspenderam-se estímulos e medidas facilitadoras do crédito, devolvendo a recessão ao mundo. Será isso mesmo? É cedo para saber. Mas, barbas de molho, as notícias que vêm do exterior, e não só da Europa, mas também da zigue-zagueante economia americana e da letárgica economia japonesa, afora as dúvidas sobre a economia chinesa, não são sinais de uma retomada alentadora.
Enquanto isso, vive-se no Brasil oficial como se nos tivéssemos transformado numa Noruega tropical, na feliz ironia deste jornal em editorial recente. E em tão curto intervalo que estamos todos atônitos com tanto dinheiro e tantas realizações. Basta ler o último artigo presidencial no Financial Times. A pobreza existia na época da “estagnação”. Agora assistimos ao espetáculo do crescimento, sem travas, dispensando reformas e desautorizando preocupações. Se no governo Geisel se dizia que éramos uma ilha de prosperidade num mundo em crise, hoje a retórica oficial nos dá a impressão de que somos um mundo de prosperidade e o mundo, uma distante ilha em crise. Baixo investimento em infraestrutura? Ora, o PAC resolve. Receio com o aumento do endividamento público e o crescente déficit previdenciário? Ora, preocupação com isso é lá na Europa. Aqui, não. Afinal, Deus é brasileiro.
Só que a realidade existe. A prosperidade de uns depende da de outros no mundo globalizado. Por mais que estejamos relativamente bem em comparação com os países de economia mais madura, se estes estagnarem ou crescerem a taxas baixas, haverá problemas. A queda nos preços das matérias-primas prejudicará as nossas exportações, grande parte delas composta de commodities. A ausência de crescimento complicará a solução dos desequilíbrios monetários e fiscais dos países ricos e isso significará menos recursos disponíveis para o Brasil no mercado financeiro global. Não devemos ser pessimistas, mas não nos podemos deixar embalar em devaneios quase infantis, que nos distraem de discutir os verdadeiros desafios do País.
Infelizmente, estamos às voltas com distrações. Um cântico de louvor às nossas grandezas, de uma falta de realismo assustador. Embarcamos na antiga tese do Brasil potência e, sem olhar em volta, propomo-nos a dar saltos sem saber com que recursos: trem-bala de custos desconhecidos, pré-sal sem atenção ao impacto do desastre no Golfo do México sobre os custos futuros da extração do petróleo, capitalização da Petrobrás de proporções gigantescas, uma Petro-Sal de propósitos incertos e tamanho imprevisível. Tudo grandioso. Fala-se mais do que se faz. E o que se faz é graças a transferências maciças do bolso dos contribuintes para o caixa das grandes empresas amigas do Estado, por meio de empréstimos subsidiados do BNDES, que de quebra engordam a dívida bruta do Tesouro.
A encenação para a eleição de outubro já está pronta. Como numa fábula, a candidata do governo, bem penteada e rosada, quase uma princesinha nórdica, dirá tudo o que se espera que diga, especialmente o que o “mercado” e os parceiros internacionais querem ouvir. Mas a própria candidata já alertou: não é um poste. E não é mesmo, espero. Tem uma história, que não bate com o que se quer que ela diga. Cumprirá o que disse?
No México do PRI, cujo domínio durou décadas, o presidente apontava sozinho o candidato a suceder-lhe, num processo vedado ao olhar e às influências da opinião pública. No entanto, quando a escolha era revelada ao público – “el destape del tapado” -, o escolhido via-se obrigado a dizer o que pensava. Aqui, o “dedazo” de Lula apontou a candidata. Só que ela não pode dizer o que pensa para não pôr em risco a eleição. Estamos diante de uma personagem a ser moldada pelos marqueteiros. Antigamente, no linguajar que já foi da candidata, se chamava isso de “alienação”.
Esconde-se, assim, o que realmente está em jogo. Queremos aperfeiçoar nossa democracia ou aceitaremos como normais os grandes delitos de aloprados e as pequenas infrações sistemáticas, como as de um presidente que dá de ombros diante de seis multas a ele aplicadas por desrespeito à legislação eleitoral? Queremos um Estado partidariamente neutro ou capturado por interesses partidários? Que dialogue com a sociedade ou se feche para tomar decisões baseadas em pretensa superioridade estratégica para escolher o que é melhor para o País? Que confunda a Nação com o Estado e o Estado com empresas e corporações estatais, em aliança com poucos grandes grupos privados, ou saiba distinguir uma coisa da outra em nome do interesse público? Que aposte no desenvolvimento das capacidades de cada indivíduo, para a cidadania e para o trabalho, ou veja o povo como massa e a si próprio como benfeitor? Que enxergue no meio ambiente uma dimensão essencial ou um obstáculo ao desenvolvimento?
Está na hora de cada candidato, com a alma aberta e a cara lavada, dizer ao País o que pensa.
02 julho 2010
O triste fim da era Dunga. Graças a Deus!!
Por Reinaldo Azevedo (O título é meu).
Dunga é uma equação triste.
Dunga é o resultado da soma viciosa da disciplina com a segurança.
Na sua entrevista coletiva, afirmou que o melhor resultado do seu trabalho era o estado de consternação dos jogadores com a derrota. Ao falar de seu trabalho na Seleção, afirmou (vai em dunguês):
“Talvez o maior resultado foi o resgate do [orgulho] de jogar pela Seleção Brasileira. Se você entrar no vestiário agora e ver (sic) a fisionomia do jogador, poderias (sic) entender melhor. E eu me sinto muito orgulhoso de ter estado à frente deste grupo de trabalho, com esses jogadores, com a dignidade com que eles sempre se comportaram na Seleção brasileira”.
Como se nota, Dunga nos ensinou o sentido da tragédia sem ter nos dado a grandeza heróica. Ele não sabe como ganhar uma Copa do Mundo, mas sabe perder com a dignidade dos bravos.
Em outro momento estupefaciente de sua entrevista, afirmou — e é preciso um pouco de boa-vontade para entender o que quis dizer:
“É lógico que esse nervosismo veio pelo fato de o adversário virar e que o comprometimento que esses jogadores estavam tendo na Seleção Brasileira… Se você pegar a história da Seleção, poucas vezes uma Seleção ficou 52 dias sem folga, sem nada, e ninguém reclamar… Poucas vezes você viu uma a seleção ficar 52 dias, e não foi a primeira vez, e não tem nenhuma polêmica, as coisas transcorreram normalmente, como têm que ser, com muita transparência. E aí é óbvio que muitos jogadores olham essa Copa do Mundo, viram essa copa do mundo, como a grande oportunidade da vida de cada um, de fazer a sua história dentro da Seleção Brasileira. Então isso acaba acontecendo o nervosismo, você começa a querer acelerar o jogo, querer fazer as coisas, muita falta, muito jogo truncado, o jogo não andava, cada falta demorava 10, 20, 30 segundos para dar seguimento, o juiz dava explicação, por que que dá falta, por que não, apitava pra lá e pra cá, e isso acaba fazendo com que o jogador vá ficando nervoso durante o jogo”
Entendi. O time de Dunga ficava nervoso com o apito do juiz e se descontrolava. Quando a seleção de Kim Dung-Il fez aquele jogo medíocre contra a seleção de Kim Jong-Il, comparei o treinador brasileiro a uma inspetora do meu colégio. Havia as regras da escola, e havia aquelas que ela mesma inventava. O “bom elemento” era o que seguia as dela, não as da instituição. Foi mais ou menos esse princípio que fez de Felipe Melo o nome do jogo, um craque no time de Dunga.
Ele está orgulhoso? Está! Fez uma seleção diferente daquela de 2006, quando, então, o país perdeu, e os jogadores pareciam não se importar muito. Estes não! Perdem, mas sofrem barbaridade!
A fala é esgarçada, não faz sentido, é expressão de um raciocínio embolado e embotado. Quantos não se lembram com carinho da Seleção de 1982? Perdeu também! Mas, ao menos, a gente gostava de ver aquela gente jogar. Dunga nos tirou o prazer sem nos dar a eficiência do dever.
Sem contar que, numa mesma fala, Dunga exalta o seu método, o seu jeito Coréia de Norte de ser, do qual ninguém reclama, e anuncia, ao mesmo tempo, a sua ineficiência. Se bem entendi, o regime de concentração, que ele exalta, levou a um resultado desastroso, e, por isso mesmo, ele o defende!!! É a equação perfeita dos loucos.
Para Dunga, o poema de Ascenso Ferreira, já citado aqui algumas vezes:
“Riscando os cavalos!
Tinindo as esporas!
Través das cochilhas!
Sai de meus pagos em louca arrancada!
- Para que?
- Pra nada!”
Dunga é triste, é chato, é malcriado, é teimoso e sabe jogar feio.
— Pra quê?
— Pra nada!
Por Reinaldo Azevedo
Dunga é uma equação triste.
Dunga é o resultado da soma viciosa da disciplina com a segurança.
Na sua entrevista coletiva, afirmou que o melhor resultado do seu trabalho era o estado de consternação dos jogadores com a derrota. Ao falar de seu trabalho na Seleção, afirmou (vai em dunguês):
“Talvez o maior resultado foi o resgate do [orgulho] de jogar pela Seleção Brasileira. Se você entrar no vestiário agora e ver (sic) a fisionomia do jogador, poderias (sic) entender melhor. E eu me sinto muito orgulhoso de ter estado à frente deste grupo de trabalho, com esses jogadores, com a dignidade com que eles sempre se comportaram na Seleção brasileira”.
Como se nota, Dunga nos ensinou o sentido da tragédia sem ter nos dado a grandeza heróica. Ele não sabe como ganhar uma Copa do Mundo, mas sabe perder com a dignidade dos bravos.
Em outro momento estupefaciente de sua entrevista, afirmou — e é preciso um pouco de boa-vontade para entender o que quis dizer:
“É lógico que esse nervosismo veio pelo fato de o adversário virar e que o comprometimento que esses jogadores estavam tendo na Seleção Brasileira… Se você pegar a história da Seleção, poucas vezes uma Seleção ficou 52 dias sem folga, sem nada, e ninguém reclamar… Poucas vezes você viu uma a seleção ficar 52 dias, e não foi a primeira vez, e não tem nenhuma polêmica, as coisas transcorreram normalmente, como têm que ser, com muita transparência. E aí é óbvio que muitos jogadores olham essa Copa do Mundo, viram essa copa do mundo, como a grande oportunidade da vida de cada um, de fazer a sua história dentro da Seleção Brasileira. Então isso acaba acontecendo o nervosismo, você começa a querer acelerar o jogo, querer fazer as coisas, muita falta, muito jogo truncado, o jogo não andava, cada falta demorava 10, 20, 30 segundos para dar seguimento, o juiz dava explicação, por que que dá falta, por que não, apitava pra lá e pra cá, e isso acaba fazendo com que o jogador vá ficando nervoso durante o jogo”
Entendi. O time de Dunga ficava nervoso com o apito do juiz e se descontrolava. Quando a seleção de Kim Dung-Il fez aquele jogo medíocre contra a seleção de Kim Jong-Il, comparei o treinador brasileiro a uma inspetora do meu colégio. Havia as regras da escola, e havia aquelas que ela mesma inventava. O “bom elemento” era o que seguia as dela, não as da instituição. Foi mais ou menos esse princípio que fez de Felipe Melo o nome do jogo, um craque no time de Dunga.
Ele está orgulhoso? Está! Fez uma seleção diferente daquela de 2006, quando, então, o país perdeu, e os jogadores pareciam não se importar muito. Estes não! Perdem, mas sofrem barbaridade!
A fala é esgarçada, não faz sentido, é expressão de um raciocínio embolado e embotado. Quantos não se lembram com carinho da Seleção de 1982? Perdeu também! Mas, ao menos, a gente gostava de ver aquela gente jogar. Dunga nos tirou o prazer sem nos dar a eficiência do dever.
Sem contar que, numa mesma fala, Dunga exalta o seu método, o seu jeito Coréia de Norte de ser, do qual ninguém reclama, e anuncia, ao mesmo tempo, a sua ineficiência. Se bem entendi, o regime de concentração, que ele exalta, levou a um resultado desastroso, e, por isso mesmo, ele o defende!!! É a equação perfeita dos loucos.
Para Dunga, o poema de Ascenso Ferreira, já citado aqui algumas vezes:
“Riscando os cavalos!
Tinindo as esporas!
Través das cochilhas!
Sai de meus pagos em louca arrancada!
- Para que?
- Pra nada!”
Dunga é triste, é chato, é malcriado, é teimoso e sabe jogar feio.
— Pra quê?
— Pra nada!
Por Reinaldo Azevedo
01 julho 2010
Mais sobre pesquisas_In Augusto Nunes
Em 1982, iludido pela vantagem mantida por Jair Soares ao longo do primeiro dia da apuração, espertamente amplificada pelo berreiro triunfalista dos adversários, o senador Pedro Simon incorreu no pecado da precipitação: reconheceu formalmente a vitória do candidato do PDS ao governo gaúcho, desmobilizou o esquema de fiscalização montado pelo PMDB e foi descansar. Já estava na casa na praia quando a distância que o separava de Jair Soares começou a encurtar ─ e então descobriu que a contagem dos votos começara pelos municípios controlados pelo PDS e passara ao largo dos redutos oposicionistas. Voltou às pressas para Porto Alegre e exortou os fiscais do PMDB a retomarem as posições abandonadas. Tarde demais. Entre a rendição e o recomeço do combate, a fraude correu solta nas sessões eleitorais sem vigilância. Simon perdeu por 22.373 votos de diferença. Foi derrotado não por falta de eleitores, mas por excesso de ingenuidade.
Vale a pena evocar o equívoco de Pedro Simon antes que os democratas, confrontados com a barulheira forjada para fantasiar Dilma Rousseff de presidente eleita por uma pesquisa, caiam numa armadilha semelhante à montada em 1982. Faz de conta que não se trata de outro prodígio estatístico. Faz de conta que Dilma é vista com simpatia pela maior parte dos entrevistados. Ainda assim, só os cretinos fundamentais e os vigaristas de ofício ousam afirmar, sem ficarem ruborizados, que o duelo que nem começou foi encerrado a quatro meses da eleição. Nenhum programa foi apresentado no horário gratuito. Não houve um único debate entre os candidatos. Mas Dilma deve ser empossada de imediato, repetem os balidos do rebanho. Em 1982, os farsantes ao menos se ampararam em urnas e cédulas. Passados quase 30 anos, bastam intenções de voto colhidas por um instituto cujo acervo de erros tem o tamanho do que guarda as mentiras contadas por Dilma Rousseff.
Em 2002, depois de eleito senador, o companheiro Aloízio Mercadante acusou o Ibope de tê-lo prejudicado com a fabricação de índices sem parentesco com a realidade. “Na véspera da votação, eu aparecia com 15% a menos do que tive”, choramingou o Herói da Rendição. “Muitos eleitores deixaram de votar em mim por acharem quer eu não tinha chances”. Para fazer com os adversários o que acha que o Ibope lhe fez, Mercadante voltou a acreditar em pesquisas. Mas só em âmbito federal. Continua descrente, por exemplo, dos índices que mostram a quantas anda a sucessão paulista. Segundo o Ibope, o candidato a governador do PT patina abaixo dos 20%, enquanto Geraldo Alckmin flutua na faixa dos 50%. Mercadante diz que a campanha nem começou.
Muito mais espantoso que o índice atribuído a Dilma é o conferido a José Serra. Convencido de que a maior obra de um governante é eleger o sucessor, Lula impôs a candidata a todos os partidos e está em campo ilegalmente desde 2007 para vincular Dilma à sua imagem. Depois de uma boa largada, Serra não assumiu efetivamente o comando da campanha e hesita em vincular-se à oposição real. O PT do Maranhão engoliu até a família Sarney. Serra perde tempo com o DEM, que deveria ter mandado às favas há muito tempo em nome da moral e dos bons costumes.
Dilma e Lula passam o tempo celebrando proezas imaginárias. O candidato oposicionista não conseguiu, até agora, transformar-se no porta-voz das legiões de inconformados com a Era da Mediocridade. E ainda assim continua a ostentar um índice que lhe garante o apoio de mais de 40 milhões de brasileiros. Lula elege até um poste? Os índices atribuídos a Serra e Dilma gritam que não. Os descontentes com o governo não passam de 4 milhões (ou zero, se a margem de erro oscilar para baixo)? Nesse caso, nem quem engole o convívio com Lula consegue digerir Dilma Rousseff.
O que falta a Serra para entender que o presidente só ficou melhor no retrato por que a oposição partidária não se opõe? O que espera para dispensar a Dilma Rousseff o tratamento que merece um embuste? Por que não trata de denunciar ─ com todas as letras, sem tantas cautelas e ressalvas ─ o que deve ser denunciado? Milhões de brasileiros desconhecem o que há por trás do país de ficção propagandeado por marqueteiros federais: a corrupção endêmica, a roubalheira colossal, a impunidade desavergonhada, a política externa infame, o assalto ao aparelho estatal, o fracasso do PAC, a gastança criminosa, a aliança que une velhos oligarcas, neogatunos e esquerdistas psicóticos, as ameaças à democracia e à liberdade, o ovo da serpente camuflado no Plano Nacional de Direitos Humanos, a arrogância fora-da-lei de Lula, sobretudo o despreparo incomparável da candidata à presidência. Cabe a Serra escancarar os tumores camuflados pela discurseira oficial.
Campanha eleitoral não é vale-tudo, precisam aprender o monarca e seus cortesãos. Nem um curso de boas maneiras, precisam aprender os oposicionistas em campanha. Quem insiste em dançar um minueto ao som de um trio elétrico acaba atropelado por um bloco de sujos.
Vale a pena evocar o equívoco de Pedro Simon antes que os democratas, confrontados com a barulheira forjada para fantasiar Dilma Rousseff de presidente eleita por uma pesquisa, caiam numa armadilha semelhante à montada em 1982. Faz de conta que não se trata de outro prodígio estatístico. Faz de conta que Dilma é vista com simpatia pela maior parte dos entrevistados. Ainda assim, só os cretinos fundamentais e os vigaristas de ofício ousam afirmar, sem ficarem ruborizados, que o duelo que nem começou foi encerrado a quatro meses da eleição. Nenhum programa foi apresentado no horário gratuito. Não houve um único debate entre os candidatos. Mas Dilma deve ser empossada de imediato, repetem os balidos do rebanho. Em 1982, os farsantes ao menos se ampararam em urnas e cédulas. Passados quase 30 anos, bastam intenções de voto colhidas por um instituto cujo acervo de erros tem o tamanho do que guarda as mentiras contadas por Dilma Rousseff.
Em 2002, depois de eleito senador, o companheiro Aloízio Mercadante acusou o Ibope de tê-lo prejudicado com a fabricação de índices sem parentesco com a realidade. “Na véspera da votação, eu aparecia com 15% a menos do que tive”, choramingou o Herói da Rendição. “Muitos eleitores deixaram de votar em mim por acharem quer eu não tinha chances”. Para fazer com os adversários o que acha que o Ibope lhe fez, Mercadante voltou a acreditar em pesquisas. Mas só em âmbito federal. Continua descrente, por exemplo, dos índices que mostram a quantas anda a sucessão paulista. Segundo o Ibope, o candidato a governador do PT patina abaixo dos 20%, enquanto Geraldo Alckmin flutua na faixa dos 50%. Mercadante diz que a campanha nem começou.
Muito mais espantoso que o índice atribuído a Dilma é o conferido a José Serra. Convencido de que a maior obra de um governante é eleger o sucessor, Lula impôs a candidata a todos os partidos e está em campo ilegalmente desde 2007 para vincular Dilma à sua imagem. Depois de uma boa largada, Serra não assumiu efetivamente o comando da campanha e hesita em vincular-se à oposição real. O PT do Maranhão engoliu até a família Sarney. Serra perde tempo com o DEM, que deveria ter mandado às favas há muito tempo em nome da moral e dos bons costumes.
Dilma e Lula passam o tempo celebrando proezas imaginárias. O candidato oposicionista não conseguiu, até agora, transformar-se no porta-voz das legiões de inconformados com a Era da Mediocridade. E ainda assim continua a ostentar um índice que lhe garante o apoio de mais de 40 milhões de brasileiros. Lula elege até um poste? Os índices atribuídos a Serra e Dilma gritam que não. Os descontentes com o governo não passam de 4 milhões (ou zero, se a margem de erro oscilar para baixo)? Nesse caso, nem quem engole o convívio com Lula consegue digerir Dilma Rousseff.
O que falta a Serra para entender que o presidente só ficou melhor no retrato por que a oposição partidária não se opõe? O que espera para dispensar a Dilma Rousseff o tratamento que merece um embuste? Por que não trata de denunciar ─ com todas as letras, sem tantas cautelas e ressalvas ─ o que deve ser denunciado? Milhões de brasileiros desconhecem o que há por trás do país de ficção propagandeado por marqueteiros federais: a corrupção endêmica, a roubalheira colossal, a impunidade desavergonhada, a política externa infame, o assalto ao aparelho estatal, o fracasso do PAC, a gastança criminosa, a aliança que une velhos oligarcas, neogatunos e esquerdistas psicóticos, as ameaças à democracia e à liberdade, o ovo da serpente camuflado no Plano Nacional de Direitos Humanos, a arrogância fora-da-lei de Lula, sobretudo o despreparo incomparável da candidata à presidência. Cabe a Serra escancarar os tumores camuflados pela discurseira oficial.
Campanha eleitoral não é vale-tudo, precisam aprender o monarca e seus cortesãos. Nem um curso de boas maneiras, precisam aprender os oposicionistas em campanha. Quem insiste em dançar um minueto ao som de um trio elétrico acaba atropelado por um bloco de sujos.
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