Por Reinaldo Azevedo (O título é meu).
Dunga é uma equação triste.
Dunga é o resultado da soma viciosa da disciplina com a segurança.
Na sua entrevista coletiva, afirmou que o melhor resultado do seu trabalho era o estado de consternação dos jogadores com a derrota. Ao falar de seu trabalho na Seleção, afirmou (vai em dunguês):
“Talvez o maior resultado foi o resgate do [orgulho] de jogar pela Seleção Brasileira. Se você entrar no vestiário agora e ver (sic) a fisionomia do jogador, poderias (sic) entender melhor. E eu me sinto muito orgulhoso de ter estado à frente deste grupo de trabalho, com esses jogadores, com a dignidade com que eles sempre se comportaram na Seleção brasileira”.
Como se nota, Dunga nos ensinou o sentido da tragédia sem ter nos dado a grandeza heróica. Ele não sabe como ganhar uma Copa do Mundo, mas sabe perder com a dignidade dos bravos.
Em outro momento estupefaciente de sua entrevista, afirmou — e é preciso um pouco de boa-vontade para entender o que quis dizer:
“É lógico que esse nervosismo veio pelo fato de o adversário virar e que o comprometimento que esses jogadores estavam tendo na Seleção Brasileira… Se você pegar a história da Seleção, poucas vezes uma Seleção ficou 52 dias sem folga, sem nada, e ninguém reclamar… Poucas vezes você viu uma a seleção ficar 52 dias, e não foi a primeira vez, e não tem nenhuma polêmica, as coisas transcorreram normalmente, como têm que ser, com muita transparência. E aí é óbvio que muitos jogadores olham essa Copa do Mundo, viram essa copa do mundo, como a grande oportunidade da vida de cada um, de fazer a sua história dentro da Seleção Brasileira. Então isso acaba acontecendo o nervosismo, você começa a querer acelerar o jogo, querer fazer as coisas, muita falta, muito jogo truncado, o jogo não andava, cada falta demorava 10, 20, 30 segundos para dar seguimento, o juiz dava explicação, por que que dá falta, por que não, apitava pra lá e pra cá, e isso acaba fazendo com que o jogador vá ficando nervoso durante o jogo”
Entendi. O time de Dunga ficava nervoso com o apito do juiz e se descontrolava. Quando a seleção de Kim Dung-Il fez aquele jogo medíocre contra a seleção de Kim Jong-Il, comparei o treinador brasileiro a uma inspetora do meu colégio. Havia as regras da escola, e havia aquelas que ela mesma inventava. O “bom elemento” era o que seguia as dela, não as da instituição. Foi mais ou menos esse princípio que fez de Felipe Melo o nome do jogo, um craque no time de Dunga.
Ele está orgulhoso? Está! Fez uma seleção diferente daquela de 2006, quando, então, o país perdeu, e os jogadores pareciam não se importar muito. Estes não! Perdem, mas sofrem barbaridade!
A fala é esgarçada, não faz sentido, é expressão de um raciocínio embolado e embotado. Quantos não se lembram com carinho da Seleção de 1982? Perdeu também! Mas, ao menos, a gente gostava de ver aquela gente jogar. Dunga nos tirou o prazer sem nos dar a eficiência do dever.
Sem contar que, numa mesma fala, Dunga exalta o seu método, o seu jeito Coréia de Norte de ser, do qual ninguém reclama, e anuncia, ao mesmo tempo, a sua ineficiência. Se bem entendi, o regime de concentração, que ele exalta, levou a um resultado desastroso, e, por isso mesmo, ele o defende!!! É a equação perfeita dos loucos.
Para Dunga, o poema de Ascenso Ferreira, já citado aqui algumas vezes:
“Riscando os cavalos!
Tinindo as esporas!
Través das cochilhas!
Sai de meus pagos em louca arrancada!
- Para que?
- Pra nada!”
Dunga é triste, é chato, é malcriado, é teimoso e sabe jogar feio.
— Pra quê?
— Pra nada!
Por Reinaldo Azevedo