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24 janeiro 2011

O 'quase' estadista Lula

Por Ricardo Setti (Veja.com):

O que Lula deixou de fazer na educação

Merece leitura o longo e substancioso artigo “As oportunidades que Lula perdeu”, de Gustavo Iochpe, economista especialista em educação, publicado na última edição de VEJA de 2010 – a de 29 de dezembro.
Confira este trecho:
“Creio que os historiadores do futuro distante – presumindo que no futuro haverá historiadores não marxistas no Brasil – serão menos generosos com o governo Lula do que a atual população brasileira. As avaliações históricas dependem também do que ocorre depois que um governante sai do poder, no período em que suas ações frutificam. Meu receio é que esse tempo futuro haverá de demonstrar o tamanho das oportunidades perdidas pelo governo Lula.
Por sua biografia, pelo legado macroeconômico interno que recebeu, pelo ambiente externo que, exceto pelo ano de 2009, Lula teve a fortuna de vivenciar e pela popularidade que granjeou ao longo de sua vida e de seu mandato: por tudo isso, era de esperar que este seria o mandatário que faria as reformas profundas, essenciais para que o Brasil abandonasse o status de eterna promessa e finalmente se juntasse ao rol das nações desenvolvidas.
Mas Lula não foi esse personagem. Teve grande habilidade par perceber os desejos do povo, mas não empreendeu esforços para ir além disso, para mudar percepções ou criar novas demandas, sempre que isso significasse potencial conflito.
Alguém já disse que políticos pensam na próxima eleição e estadistas, na próxima geração. Lula tinha tudo para ser estadista, mas preferiu ser um grande político, cuja maestria foi comprovada nas eleições. Em nenhuma outra área esse viés conservador e acomodatício ficou mais claro do que no setor de educação, e creio que em nenhuma outra o custo, a longo prazo, será mais alto.”