SAUDAÇÃO AO PROFESSOR JOSÉ HUMBERTO MICHILES
Prezados amigos:
Poucas são as oportunidades que se nos oferecem para homenagearmos amigos vivos, em virtude da propriedade necessária e justa de reconhecimento incontestável de seus elevados méritos por sua trajetória laboral imaculada.
Poucas são as oportunidades que se nos oferecem para homenagearmos amigos vivos, com íntima formalidade afetiva moldada neste ato cerimonial fraterno de união entre homens justos e de bons costumes.
Inicio minhas palavras elogiando a iniciativa do Professor Milanez Silva de Souza de congregar professores e servidores vinculados ao Departamento de Contabilidade e alunos do Curso de Graduação em Ciências Contábeis, para, espontaneamente, tendo em vista apenas a justeza do ato de reverenciarmos o nobre Professor José Humberto Michiles pelos seus 45 anos de bom trabalho nesta Universidade Federal do Amazonas dedicado à formação de contadores.
Atrevo-me a asseverar muito poucos, e não vislumbro ninguém, nesta instituição seriam dignos de tão elevara honraria. Alías, poucos professores no Brasil deram tanto de si; mantiveram-se dedicados, fiéis e íntegros. Poucos se fizeram constantes, mesmo diante dos desestimulantes enfrentamentos do cotidiano, por vezes oriundos de quem deveria, no mínimo, respeitar-lhes os cabelos enluarados... A tudo isso Michiles sorri...
À soberba Michilies responde com sua humildade, própria de quem é nobre; à prepotência, sempre ridícula, Michiles mantém-se sereno e condescendente, uma característica dos que são mansos de coração; à pseudo-intelectualidade científica, obscura e ambiciosa, a lição de Michiles nos chega através de sua incontroversa dedicação e produtividade, o trabalho com amor eleva o espírito. Afinal de que valem os doutorados custeados com recursos de contribuintes, se a ciência acumulada não for transferida à massa de graduandos e se espraiar em benefício da sociedade?
Para superar as intempéries dos banzeiros adversos, provocadas por correntes transitórias superiores, o Professor José Humberto Michiles “trabalha”, dedicando-se, de corpo e alma, àqueles que têm sido e serão sempre a razão maior da sua e da nossa missão: “os alunos da graduação”. Para tanto, ele se mantém atualizado, aprimorando-se nos avanços da moderna gestão do Poder Público; seja no campo da Contabilidade, do Planejamento e/ou da Auditoria Pública.
Enfim, esta é uma singela síntese do perfil do Professor José Humberto Michiles e um esboço do seu caráter como profissional e de missionário do ensino superior; o que faz dele um ícone singular desta Universidade, do Departamento de Contabilidade e do Curso de Graduação em Ciências Contábeis e Faculdade de Estudos Sociais. De todos nós, ele é um muito querido e exemplar colega de trabalho.
Para mim, em particular, Michiles é um AMIGO muito amado, com quem tenho compartilhado ideais e embates institucionais, aliados pelo bem e pelo crescimento de nossa Universidade. Tenho no amigo Michiles um parceiro leal e destemido de quase tudo. Porque acredito que, como eu, ele também pode fazer suas, palavras do ex-vice-presidente José Alencar: “Não tenho medo da morte, tenho medo da desonra”.
Em síntese, de sua vida no magistério desta Universidade, dois atributos lhe são conferidos: “Competência e Presteza”.
Mas, como posso eu ter autoridade e proficiência para lhe identificar na vida tais atributos? Que procedimento eu adotei, para escrever tudo isto? Simples: Retrocedi no tempo, explorando, no meu arquivo de memórias, as boas coisas que mantenho...
Ontem, estava preocupado por não tê-lo visto há dias; encontramo-nos e encostamos o lado esquerdo do peito, para que nossos corações se reabastecessem de amizade...
Ontem, compusemos algumas bancas de monografias de que faço parte, aludindo aos novos horizontes a serem explorados...
Ontem, participamos de embates eleitorais pelo bem desta Universidade...
Ontem, dialogamos sobre estratégias eficazes para incentivar potencialidades de alunos talentosos, e torná-los professores. Hoje, assistimos alguns em sobrevôos científicos elevados como seres alados nas ciências. Não é próprio compará-los a águias e condores; afinal, ambos são aves de rapina, as fêmeas são ligeiramente maiores e agressivas que os machos...
Ontem, ele colaborou comigo na estratégia e cuidados na condução do Departamento de Contabilidade e na Coordenação do Curso de Ciências Contábeis, recomendando-me zelo com os alunos e suas demandas, e trabalhar para elevar o nível do ensino e aprendizagem...
Ontem, ele me recepcionou como Professor do Departamento de Contabilidade, ali nas dependências da Faculdade de Estudos Sociais, na Rua Monsenhor Coutinho...
Ontem, estávamos recebendo ensinamentos de Wilson Alves Lopes, Osvaldo Alves da Silva, Orlando Lemos Falcone, Danilo Benayon do Amaral, Raimundo Nogueira, José Lopes da Silva, Jefferson Carpinteiro Peres... E assimilando exemplos morais de conduta pessoal do nosso amigo saudoso e inesquecível Desembargador Mário Verçosa...
Ontem, participamos dos debates político-ideológicos na UESA - União dos Estudantes Secundarista do Amazonas, abeberando-nos do nacionalismo de líderes como Almino Affonso, Arthur Virgílio Filho, Plínio Ramos Coelho; e pelo rádio, ouvimos os roncos dos tanques e urros dos gorilas implantando a ditadura. Gostávamos mais do barulho das lambretas... Choramos amigos torturados e amigos desaparecidos, como Thomaz Antônio Meireles, o Thomazinho...
Ontem, ao nosso modo, pelejamos contra a ditadura, em nome de nosso superior dever cívico, sem jamais declinarmos dos ideais de liberdade, à sombra de “Ajuricaba”, bravo e indômito, herói libertário nativo do Amazonas, de sangue genuinamente brasileiro...
Ontem, acalentamos nossos jovens corações sobressaltados, hora cantando “Prá Não Dizer que Não Falei de Flores, de Geraldo Vandré; hora, dançando o som inovador e moderno de Bill Halley e seus Cometas, de Elvis Presley, dos Beatles e dos Rolling Stones. Abafamos nossos ouvidos agredidos pelos sons das metralhadoras dos militares ditadores, com baladas da Jovem Guarda. E sem perder nosso lirismo romântico, cantamos para nossas namoradas serenatas de amor em ritmo de bossa nova...
Ontem, estivemos nas amplas salas de aula do majestoso Colégio Dom Bosco, onde uma grande dádiva nos foi concedida por Deus: Fomos formados por preceptores como Padre Agostín Caballero Martin, Padre Stéllio Dálison, Padre José Pereira Neto, Padre Pascoal Filipelli, Padre Hermano Schilp, Padre Leonardo Donno, Padre Waldir Gaspar, Padre Felinto Santiago e outros, que nos aprimoraram o caráter e nos ensinaram a manter a Honra.
Ontem, o Padre Catequista, nos ensinou dez das sabedorias de São Thomaz de Aquino e fez com que eles povoassem nossos pensamentos para sempre:
1. Um indivíduo, vivendo em sociedade, é uma parte ou um membro dessa sociedade. Por isso, aquele que faz algo para o bem ou para o mal de um de seus membros atinge, com isso, a toda a sociedade;
2. Dê-me, Senhor, agudeza para entender, capacidade para reter, método e faculdade para aprender, sutileza para interpretar, graça e abundância para falar. Dê-me, Senhor, acerto ao começar, direção ao progredir e perfeição ao concluir;
3. Uma boa intenção não justifica fazer algo mal;
4. Os professores devem ser elevados em suas vidas, de modo que iluminem aos fiéis com sua pregação, ilustrem estudantes com seus ensinamentos, e defendam a Fé mediante suas disputas contra o erro;
5. Qualquer amigo verdadeiro quer para seu amigo: 1) que exista e viva; 2) fazer-lhe o bem; 4) deleitar-se com sua convivência; e, 5) compartilhar com ele suas alegrias e tristezas, vivendo com ele um só coração;
6. Ubi amor ibi oculus - Onde está o amor, aí está o olhar;
7. A humildade faz o homem digno de Deus;
8. Três coisas são necessárias para a salvação do homem: saber o que deve crer, saber o que deve desejar, saber o que deve fazer;
9. Sustinere est difficilius quam aggredi - Suportar é mais difícil que atacar;
10. Quem diz verdades perde amizades.
Ontem, aprendemos que o sol sempre brilha iluminando nossos caminhos, apesar das tristezas que nos acometem inevitavelmente. Aprendemos, tomando banho de chuva na Avenida Getúlio Vargas, que a água caída do céu, não apenas lava nosso corpo, mas, se olharmos para o alto, refletindo, ela limpa nossa alma, o que nos dá paz de espírito...
Ontem, aprendemos com salesianos a aprimorar a inteligência para ver a luz do sol, o brilho da lua e das estrelas, e através deles, reconhecer a perfeição harmoniosa dos astros celestes que compõem e integram a sinfonia deste complexo e imenso universo em que vivemos, obra sublime da criação de Deus...
Ontem, aprendemos a respeitar os nossos semelhantes, em permeio a fundamentos das ciências e das artes, permitindo que nos tornássemos o que somos hoje...
Ontem, vivemos os “anos dourados”, “anos rebeldes” e “anos de chumbo” de nossas vidas e namoramos ao pôr-do-sol, à sombra de flores de bouganvilles, nos bancos de uma praça chamada Saudade...
Ontem, acalentamos transformar sonhos juvenis em realidade, namoradas em esposas, sem jamais esquecer que ainda somos, todos, discípulos de Dom Bosco...
Ontem, estávamos guardando os lugares de nossas namoradas nos Cinemas Avenida e Odeon; depois de trocarmos gibis, nas filas dos Cines Guarani e Politeama...
Ontem, fomos coroinhas e batemos os sinos da torre da na Igreja de São Sebastião...
Ontem... Ontem... Crianças, nós não pensávamos que o tempo iria passar tão depressa...
Que Deus te abençoe amigo muito querido e a tua família.
Abraços do
CARDOZINHO, EM NOME DOS TEUS AMIGOS DA UFAM. (1º/04/2011).