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13 fevereiro 2012

Carlos Brickmann: Tem gato no telhado

Reproduzo as notas (as três primeiras e a quintada coluna do jornalista Carlos Brickmann publicada em cinco jornais. Seu título original segue em negrito logo abaixo:

Gato no Telhado (Arte: Evaldo de Moraes http://fama.zupi.com.br/petobazon, da série Adoradores da Lua)
Se o gato está no telhado, é bom ir buscá-lo antes que haja um acidente (Arte: Evaldo de Moraes, da série Adoradores da Lua)
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Greve de policiais na Bahia e no Rio, articulações entre dirigentes sindicais da polícia dos dois Estados, gravação que sugere vandalismo – como queimar duas carretas numa estrada, para paralisá-la.
Nos governos, duas pessoas que devem ser boas, simpáticas, agradáveis, mas que haja ou não problemas preferem viajar para o exterior.
O fluminense Sérgio Cabral, entre uma viagem e outra, fala grosso; e se falou, tá falado, não se preocupa em dar consequência ao que disse. O baiano Jaques Wagner nem fala grosso, e não pode: quando estava na oposição, apoiou greves iguais, como se uma tropa armada pudesse, na boa, ignorar o poder civil. E, mantida ou suspensa a greve, foi o que aconteceu na Bahia.
De volta para o passado? Não – ainda não. Não há insubordinação nas Forças Armadas, não há mobilização civil, ninguém sério pensa em derrubar o governo.
Não há hoje, no Exército, nenhuma liderança expressiva, exceto a do general Augusto Heleno, que já passou para a reserva (o que significa, entre os militares, a perda de boa parte da influência que pudesse ter tido).
Não há mais a Guerra Fria, que anabolizava conflitos internos e lhes dava repercussão internacional.
Tudo bem?
Também não: até 30 de março de 1964, o general Mourão Filho, que tomou a iniciativa de derrubar o governo, só era conhecido por algo folclórico, a elaboração, quase 30 anos antes, do Plano Cohen, usado como justificativa por Getúlio Vargas para implantar a ditadura de 1937.
Se o gato está no telhado, é bom ir buscá-lo antes que haja um acidente.
Com quem contar?
E, no caso, não dá nem para chamar os bombeiros para recolher o gato.
gato-rindo
Com quem contar?
Quem conta 
Um detalhe do caso da greve baiana passou despercebido. No ano passado, também em fevereiro, os deputados estaduais baianos receberam aumento de pouco mais de 60%, que eles mesmos se concederam no final de 2010.
Com isso, seus vencimentos chegaram pertinho dos R$ 20 mil mensais (fora auxílios, assessores, motoristas, secretárias, etc.).
Tudo bem, devem merecer o que ganham.
Mas o governador Jaques Wagner, na época, não fez qualquer referência a rigor fiscal, a falta de previsão orçamentária, àquilo que fala sobre aumento da PM. Resolveu todos os problemas legais e paga a Suas Excelências sem reclamar.
…ói ele aí tra veiz
A empresa-líder do consórcio que ganhou Viracopos é dirigida por um ex-ministro: João Santana, que foi ministro da Infraestrutura do governo Collor.
Quando Collor e Lula descobriram que nada poderia separá-los, Lula expressou a Collor só uma dúvida sobre suas opções de governo[durante seu período no Planalto, de 1990 a 1992]: por que João Santana?
Collor disse que não tinha outro.
João Bafo-de-Onça, personagem de Walt Disney
Como se chama mesmo esse personagem grandão de Walt Disney?
Ambos se referiram a ele pelo apelido tirado de um famoso personagem de Walt Disney, cujo nome também começa por João.