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15 abril 2012

Demóstenes, o fariseu

Dois homens subiram ao templo para orar; um fariseu, e o outro publicano. O fariseu, de pé, assim orava consigo mesmo: ó Deus, graças te dou que não sou como os demais homens, roubadores, injustos, adúlteros, nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou o dízimo de tudo quanto ganho. Mas o publicano, estando em pé de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: ó Deus, sê propício a mim, o pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que a si mesmo se exaltar será humilhado; mas o que a si mesmo se humilhar será exaltado. (Jesus cristo, in Lucas 18:9-14).
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Como viram no texto acima, Jesus foi o maior de todos os "demolidores" de "auto-imagem positiva", ou de desconstrução da teologia judaica de seu tempo, pela qual se alcançava proeminência entre os homens e certeza da salvação de Deus pelo simples fato de se auto-louvarem em sua "justiça própria". 
Em que pese as inúmeras dificuldades para isso, em nosso tempo, cultivar a "auto-imagem positiva" tem sido mesmo uma busca frenética como base para o sucesso na vida, nas carreiras, etc. Nos meios políticos,  então, conseguir construir uma "imagem positiva" é coisa para poucos.
No Congresso Nacional, contam-se nos dedos aqueles que a sociedade julga - com dois pés atrás, é claro - como sendo homens honestos. Demóstenes Torres conseguiu a rara proeza de construir um imagem positiva de si mesmo e de galvanizar a admiração de todos, inclusive de seus pares, que o viam como um novo Jefferson Péres (senador pelo Amazonas, morto em 2008). Era um aríete duro e certeiro contra os desvios éticos da canalha em geral.
Ninguém, mas ninguém mesmo, imaginaria que hoje estivéssemos assistindo ao seu "calvário" ético!
Mas isso ocorre porque a sua imagem - assim como a do "bom fariseu" - se baseava apenas em uma estratégia de marketing bem elaborada e não em uma moral superior que vivenciasse, como demonstram as escutas telefônicas feitas pela PF (mesmo que ilegalmente) colocando-o como um dos homens de Carlinhos Cachoeira (que ainda deve se transformar em verdadeira Cataratas do Iguaçu).
Essa moral superior, baseada em princípios universais - cristãos, por que não? -, ainda hoje se pode - sim, felizmente! - notar em homens simples e "mortais". Estes têm a exata dimensão de si mesmos, desconfiam de suas virtudes e evitam  ter-se a si mesmos em alta conta, mas vivem uma vida o mais reta possível a seres errantes como nós os humanos pecadores, degredados "filhos de Eva".
Ficamos todos nos perguntando se haveria uma forma melhor dos governistas demonstrarem sua tese cretina de que "todos são iguais mesmo", isto é, todos roubam ou se pautam por desvios éticos... Demóstenes seria, assim, a "prova suprema" dessa máxima.
Ledo engano, senhores! Essa farsa é bastante conhecida desde os tempos de Cristo, que a desmascarou de forma definitiva, como podemos ler nos Evangelhos. Até hoje o fariseu é sinônimo de "justiça própria" que o lavará ao inferno da desmoralização, enquanto que aquele que se tem em pouca conta - não de forma patológica, diga-se -, que vive uma vida de trabalho honesto, temor a Deus e respeito pelo seu próximo, é quem realmente conta no final da história para Deus e para os homens de bem.
Não podemos nos deixar abater pelo fato de haver um fariseu entre nós, seja em que situação for. Devemos continuar acreditando que existem, sim, homens e mulheres honrados, dentro e fora do governo.