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02 setembro 2012

O direito de nascer

Nestes dias confusos, nos quais os valores da sociedade materialista e consumista se chocam com antigos valores culturais, principalmente religiosos, o direito de nascer está em jogo.
Impactados pelos recentes conhecimentos sobre a vida em seus aspectos fundamentalmente biológicos, genéticos, os valores de nossa sociedade estão sendo relativizados com uma rapidez jamais vista.
Nunca a ciência exerceu tanta influência em nossa forma de pensar a própria existência quanto nestes dias, chegando a rivalizar diretamente com a religião. Esta, diante de tão grande progresso científico, perdeu há tempos a sua capacidade de exercer a outrora influência sobre as mentes e as consciências.
Confrontada pelas explicações inexoráveis da ciência, a religião e outros valores sociais tem se deixado anestesiar e tem aceitado com certa "naturalidade" as recentes decisões políticas sobre a "audeterminação do indivíduo sobre seu próprio corpo". Essa verdadeira "ditadura" científica, nos deixa perplexos - pelo menos àqueles que não aceitam que a vida seja apenas um acidente biológico.
Assim, pouco a pouco, certas minorias organizadas e "barulhentas" - feministas, racialistas, anticlericalistas, etc. - impõem suas pautas políticas a uma maioria apática, distante, satisfeita com o que esta sociedade lhe proporciona em termos unicamente materiais.
A História revela que, quando homens e mulheres acomodados deixaram que minorias organizadas e barulhentas lhes determinassem a vida, não raro somente muito tarde acordaram para a perda de suas liberdades, as quais tiveram de reconquistar com custos inimagináveis.
O aborto é uma dessas práticas que se está tolerando em nome de uma certa "neutralidade"  moral, ditada pela ciência, que torna a autoafirmação do indivíduo sobre o próprio corpo uma "necessidade".
Ocorre que, paradoxalmente, a ciência ainda não consegue explicar a vida em toda a sua complexidade. A concepção é um fato até certo ponto involuntário do ponto de vista biológico. Por mais que alguém deseje que isso ocorra - ou que não deseje -, as pessoas não têm nenhum controle sobre essa ocorrência - nem mesmo quando da concepção assistida em laboratório se tem pleno controle, daí a recorrente gravidez múltipla, ou seja, a razão sob o comando da sorte...
Não se está aqui querendo que a inexorabilidade da vida comande a razão, não. Pelo contrário, mas não se pode afastar questões morais e éticas que estão envolvidas na questão do aborto.
A sociedade tem relativizado o direito da mulher praticar o aborto quando a concepção decorre de violência (estupro), perigo para a vida da mãe, anencéfalos, etc. No entanto, a decisão de provocar o aborto - uma violência em si mesma - é da futura mãe, o que muitas vezes não a deixa em situação confortável do ponto de vista moral e emocional no momento dela decidir se exerce ou não o direito de autodeterminar-se quanto ao próprio corpo e praticar o aborto permitido.
Contudo, a pressão social exercida pelos grupos minoritários organizados é tamanho que é capaz de pautar a imprensa, o governo e o Congresso para a feitura das leis do aborto, que muitas vezes não deixa nenhuma margem para o exercício da propolada autodeterminação da mulher sobre o seu próprio corpo - na verdade sobre o corpo de outrem que medra no seu próprio corpo -, tendo como objetivo último o direito de abortar em quaisquer circunstâncias.
Assim é que esses grupos organizadoss se preparam para outros embates políticos no sentido da relativização total do direito de nascer. Querem que a mulher exerça - de preferência sob sua supervisão ideológoca - sobre seus futuros rebentos um poder totalitário, passando pela escolha de filhos eugenicamente sadios, ou melhorados geneticamente, e finalmente como método anticontraceptivo ou de simplesmente se desviar eticamente do fato de ter engravidado de maneira irresponsável.
A humanidade é capaz de coisas inacreditáveis... Não duvido de nada por acreditar em tudo...
Oxalá nossa sociedade acorde a tempo de evitar catástrofes anunciadas...