Deu no Jornal o Globo, em reportagem de Ontem, de Maria Lima:
Quinta-feira
de anúncio de novos números negativos da inflação seria, como avaliou
um líder governista, dia de a oposição ocupar as tribunas e “nadar de
braçada” nas críticas ao governo. Mas, no Senado, nenhum senador ou
líder do PSDB ou do DEM apareceu para faturar. Só os governistas
ocuparam o espaço da tribuna, com transmissão ao vivo pela TV Senado.
Além da criticada omissão em relação às eleições de Renan Calheiros
(PMDB-AL) e Henrique Alves (PMDB-RN) para os comandos do Senado e da
Câmara, esta quinta-feira foi só mais um exemplo de como, num período em
que o governo da presidente Dilma Rousseff enfrenta dificuldades de
gestão e na condução da política econômica, a oposição se encolhe e
silencia, em vez de partir para o ataque.
Ausentes
desde a quarta-feira — alguns desde terça — para uma folga carnavalesca
de duas semanas, os líderes da oposição fazem um mea-culpa da
desarticulação, mas prometem unificar a atuação depois do carnaval. “A
constatação é: o processo eleitoral do ano passado provocou um
distanciamento da oposição. Mas nós do DEM, o PPS e o PSDB já superamos
essas dificuldades e nos entendemos, e o diálogo voltou a ficar
lubrificado. Vamos nos reunir depois do Carnaval para retomar uma ação
unificada. O governo está errando e surfando sozinho porque nos
distanciamos”, admitiu ontem, por telefone, o líder do DEM, senador
Agripino Maia (RN).
Em
conversas esta semana com colegas da oposição, o ex-líder do PSDB no
Senado Álvaro Dias (PR) admitiu que o partido se perdeu na eleição do
Senado. E culpa a eterna briga entre as alas ligadas ao senador Aécio
Neves (MG) e ao ex-governador José Serra (SP). Ele chegou a defender que
o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) abrisse mão da 1ª Secretaria da Mesa
para reduzir o estrago no partido. Sem sucesso.
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O professor de Filosofia Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Roberto Romano lembra que, na História recente do país, a oposição quase sempre foi minoria no Congresso Nacional, mas considera que nunca foi tão dramática a sensação de sua inexistência como na atualidade. “Em troca de um cargo na Mesa do Senado Federal, eles traíram, em sigilo, a palavra de ordem oposicionista. Essa oposição não diz a que veio, ela não tem uma alternativa de curto, médio e longo prazos para a economia do Brasil. A oposição nunca foi tão insignificante do ponto de vista político e legal como neste momento”, afirmou.
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O professor de Filosofia Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Roberto Romano lembra que, na História recente do país, a oposição quase sempre foi minoria no Congresso Nacional, mas considera que nunca foi tão dramática a sensação de sua inexistência como na atualidade. “Em troca de um cargo na Mesa do Senado Federal, eles traíram, em sigilo, a palavra de ordem oposicionista. Essa oposição não diz a que veio, ela não tem uma alternativa de curto, médio e longo prazos para a economia do Brasil. A oposição nunca foi tão insignificante do ponto de vista político e legal como neste momento”, afirmou.
Os líderes
governistas comemoram a ausência de ação do campo adversário. No
plenário quase vazio do Senado, ontem, o líder do PMDB, Eunício Oliveira
(CE), subiu à tribuna para defender o governo Dilma. “Hoje seria um
prato cheio para a oposição, com esses números da inflação, que é uma
preocupação nossa. Mas é a cabeça de cada um, né?”, comentou Eunício.
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