Pesquisar este blog

05 março 2013

“PIBINHO” DO BRASIL LEVA BAILE ESPETACULAR DO PERU

Por Ricardo Setti em Veja.com:

(Ilustração: american.org)
Pois é, meus amigos. Com toda essa cascata de elogios ao lulalato e seus prodígios, o Peru, outrora miserável e eterno patinho feio da economia da América Latina — quem diria? — , está dando um baile espetacular no nosso país em matéria de desenvolvimento.
Vejam só: contra os miseráveis, raquíticos, quase humilhantes 0,9% de crescimento do nosso Produto Nacional Bruto (PIB) em 2012 — governaço da “gerentona” que tudo sabe, tudo vê, tudo supervisiona e em tudo manda –, o Peru cresceu 6,3%.
Façam as contas: EXATAS SETE VEZES MAIS DO QUE O BRASIL!
Humala: no governo do ex-nacionalista ferrenho, o Peru continuou sendo país seguro para investimentos estrangeiros (Foto: elcomercio.com)
E isso no governo de Ollanta Humala, o coronel da reserva que ostentava perfil ultranacionalista, parecia ser o terror dos mercados e cujo governo, com equilíbrio e sensatez, manteve o Peru como campo fértil e seguro para os investimentos estrangeiros.
Mas, na verdade, o Peru cresce acima de 6% desde 2002! E os salários vêm tendo aumento real anual de 6% a 7%.
A consequência foi que o número de miseráveis — pessoas vivendo com menos de 2 dólares por dia — baixou de espantosos 56% para a metade, 28%, nesse período. Humala promete baixar o percentual para 15% até deixar o governo, em 2015.
As vendas no comércio explodiram em 2012, aumentando 20% em relação ao ano anterior.
Velarde: presidente do Banco Central, respeitado pelos mercados, foi mantido por Humala no cargo (Foto: lamula.pe)
“Isso é apenas o que acontece com qualquer país quando começa a tornar-se mais dinâmico em termos de demanda doméstica por uma classe média emergente que começa a consumir cada vez mais”, diz o presidente do Banco Central do Peru, Julio Velarde, um respeitado economista formado no Peru com estudos complementares na Alemanha e um doutorado na Universidade Brown, nos Estados Unidos.
Ah! Antes que me esqueça: o Banco Central do Peru goza de autonomia, prevista na Constituição.
E a reputação de Velarde junto à comunidade de negócios é tal que, quando o recém-eleito Humala indicou seu nome ao Congresso para continuar por mais quatro anos no posto que já ocupava, a Bolsa de Lima cresceu quase 5% — num dia em que os principais mercados do mundo despencavam — e o índice de risco do Peru, que já era baixo comparado com vários países europeus na faixa de 300 pontos para cima, caiu de 185 para 176 pontos.