Pesquisar este blog

21 abril 2013

"Eleição" na Ufam

No último dia 04 de abril, uma ínfima parte da comunidade universitária, cerca de 25% (portanto com abstenção de cerca de 75%), compareceu para participar do processo de escolha do próximo reitor.
Caso fosse o inverso, ou seja, 75% de participação, já seria ruim ter uma abstenção de 25%, mas não seria tão preocupante quanto verificar que cerca de dois terços da comunidade acadêmica está se lixando para o seu destino.
Deve-se perguntar a razão dessa apatia. Por que a comunidade acadêmica não se mobiliza para a escolha de seu dirigente maior? Qual a causa para tanto alheamento?
Seria o caso de impor o voto obrigatório também para a comunidade acadêmica? Não creio que pudesse resolver a questão de fundo que é o despertar do interesse para as questões referentes à gestão acadêmica.
Aos aposentados realmente não se poderia cobrar maior participação, pois que já estão alheados ao processo por força do natural afastamento das lides universitárias, após anos de serviços prestados.
Dos 25% que participam ativamente do processo, muitos o fazem em razão dos vínculos imediatos que mantém com a atual direção, e estes raciocinam que é melhor manter as vantagens que já têm e não arriscar com uma nova administração, remetendo assim ao velho fisiologismo.
Quanto ao processo em si, de "consulta" e não de "eleição", isso pode influenciar na participação visto que ao fim e ao cabo é o Conselho Universitário (Consuni), órgão maior da Ufam, que escolhe a lista tríplice que é encaminhada à presidência da República a fim de ser escolhido um nome - geralmente o primeiro da lista e, portanto, o "mais votado" na consulta.
Outra razão para a apatia da comunidade acadêmica no processo de consulta, pode ser a forma centralizadora de como se dá a gestão universitária, tendente à prática de barganhas tais como:
      - a distribuição de vagas para concursos de professores;
      - a distribuição de bolsas, projetos, programas que envolvem valores consideráveis;
      - a construção ou reforma de espaços acadêmicos.
Tudo isso tendo como desaguadouro os processos de consultas para a escolha dos diretores das unidades acadêmicas, que vêem nisso, além dos ganhos com CDs (gratificações), uma forma de satisfação pessoal ao incluir no curriculum essa condição de "diretor", os quais não tem nenhuma autonomia financeira e nem são ordenadores de despesa, dependentes que são das pró-reitorias de administração e de planejamento - do reitor de turno.
A gestão acadêmica se dá então por meio de um petit comité que cria em torno dos diretores e do reitor uma espécie de pacto pelo continuismo. Daí a apatia que se espalha pelo restante da comunidade, como a dizer que contra esse "esquema" não se pode fazer nada. Melhor se ausentar, até por medo de retaliações que lhes podem advir. Este escriba mesmo já passou por "poucas e boas" com relação a isso...
No entanto, isso não explica tudo. É necessário se fazer um estudo profundo para se chegar a um diagnóstico mais preciso. Mas, passada a refrega "eleitoral" todo mundo se volta para seus afazeres cotidianos, até a próxima "disputa", em que tudo se repete...
Oremos...