
Deputado
Leonardo Quintão: foi ele quem conseguiu 199 assinaturas -- 52 de seu
partido, o PMDB, supostamente parte da base papara formar uma CPI sobre a
Petrobras que o governo não quer ver nem pintada
Leiam essa frase do deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG), em entrevista concedida ao site de VEJA:
“Boa parte do PMDB tem simpatia pelo Aécio Neves. Mas o jogo político
começa no ano que vem. O senador tem uma habilidade muito grande de
convencimento. A gente tem de ser franco nesse diálogo: se a parceria
não for boa para o PT e o PMDB, o partido tem a obrigação de procurar os
seus caminhos.”
Leonardo Quintão não é um deputado qualquer. Como você verá na
entrevista, “enquanto o Palácio do Planalto tentava contornar a crise
que travou a articulação política no Congresso nas últimas semanas, ele
percorreu o plenário coletando assinaturas de deputados para criar uma
CPI da Petrobras”
Aproveitando os ânimos acirrados — diz ainda a matéria — recolheu 199
nomes, bem acima do número necessário para instalar uma CPI. E, vejam
bem, 52 dos deputados que pediram a CPI — num momento em que o governo
quer ver Belzebu em pessoa do que a comissão funcionando — são do PMDB,
partido do vice-presidente da República, Michel Temer, e esteio do
governo Dilma no Congresso.
“O descontentamento dos parlamentares do PMDB com o governo tem
aumentado muito”, afirmou Quintão ao site de VEJA. Para o deputado, a
crise tem duas frentes: a dificuldade dos parlamentares em conseguir
recursos nos ministérios e as negociações eleitorais nos Estados.
E esta, meus amigos, é apenas uma das pedras no sapato da campanha de
reeleição da presidente Dilma, lançada como candidata pelo próprio Lula
no começo do ano e que, em discursos, inaugurações e pronunciamentos à
nação, pode-se considerar que, mesmo fora da época e da lei, já começou.
As pedras não são poucas. Vamos a elas:
1. Crescimento do PIB. A economia vai capengando.
Dilma caminha para um provável terceiro ano com taxas de crescimento do
PIB inferiores às do lulalato. A oferta de empregos declinou um pouco,
mas o problema nessa área é que a grande maioria dos postos oferecidos é
de baixo salário.
2. Ameaça da inflação. A inflação voltou a
assombrar, ameaçando duas décadas de conquistas dos brasileiros, e as
mágicas tentadas pela área econômica do governo — como cortar impostos,
intrometer-se na política de preços da Petrobras e das elétricas, entre
outras ações — não vêm funcionando a contento, tanto é que o Comitê de
Política Monetária (Copom), acaba de decretar a segunda alta consecutiva
nas taxas básicas de juros.
3. Um aliado que pode debandar. O eleitorado
potencial de Dilma em 2014 pode ser corroído pela candidatura do
governador de Pernambuco, Eduardo Campos, chefão do PSB, partido
que vinha fechando com o PT em todas as disputas presidenciais desde
1989. Também Marina Silva, com seu novo partido de nome esquisito, tem
cacife para atrair eleitores potenciais de Dilma.
4. Um aliado duvidoso. O PSD do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab remancha e é reticente quando se fala na eleição de 2014.
5. Problemas sérios em alguns Estados. Vou ficar em
apenas um — o Rio de Janeiro, Estado que possui o terceiro maior
eleitorado após São Paulo e Minas Gerais. O governador Sérgio Cabral e o
prefeito Eduardo Paes, ambos do mesmo PMDB do deputado Leonardo
Quintão, são, sim, aliados da presidente Dilma. Mas estão furiosos com a
manutenção, pelo PT, da candidatura do senador e ex-prefeito de Nova
Iguaçu Lindbergh Farias. Diante da ameaça clara de não eleger o
candidato do partido, o vice-governador Luiz Fernando de Souza, o Pezão,
não custa lembrar que ambos mantêm excelentes relações com o
presidenciável tucano Aécio Neves, que foi criado no Rio de Janeiro e
mantém na cidade um largo círculo de amizades e influências.
Cabral é aliado de Dilma, sim — mas será que vai querer um rival do
PT em seu lugar no Palácio Guanabara? A cunha aberta no PMDB pode
beneficiar Aécio. Se a ruptura não ocorrer, o senador já confidenciou a
amigos ter uma carta surpreendente no bolso, alguém de muito prestígio
mas de fora da política. A ver.
O Rio, de todo modo, é um entre vários Estados onde os palanques estaduais ameaçam a aliança do PMDB com a presidente.
6. Um adversário que vai dar trabalho. Quem acredita
na pecha de gozador da vida pouco conectado com os grandes problemas
nacionais que os adversários querem colar no senador Aécio Neves poderá
se surpreender na campanha. Diferentemente de José Serra — que, não
custa lembrar, levou Lula e Dilma ao segundo turno –, Aécio é vastamente
conhecido como um agregador, um aparador de arestas. Diferentemente de
Geraldo Alckmin — que deu um susto em Lula em 2006, indo também para o
segundo turno — é dotado de forte carisma.
Tem um bom currículo como político: foi um deputado ativo, um
presidente da Câmara dos Deputados que articulou proezas antes
consideradas impossíveis, como acabar com a imunidade total para
deputados e senadores e um governador de Minas bem avaliado e popular
por dois mandatos, a ponto de eleger como sucessor seu vice, Antonio
Anastasia, que começou a campanha com 3% de intenção de votos.
Como presidente recém-eleito do PSDB, obteve carta branca de
governadores e cardeais do partido para a montagem dos palanques
estaduais tendo em vista sempre o objetivo de obter o melhor resultado
eleitoral — e quem vai montar é ele mesmo. Pretende trabalhar duro para
tornar-se conhecido em São Paulo (que, somado à sua Minas natal,
perfazem 43% do eleitorado brasileiro). Está muito mais próximo do
governador Alckmin do que se imagina. Vai viajar por todo o país a
partir de agosto e, no problemático (para os tucanos) Nordeste, acha que
a ação de seu governo e do de Anastasia no empobrecido norte de Minas
(incluído na área da Sudene) — Minas chegou a investir na região o
triplo do que fazia no restante do Estado — pode servir de vitrine sobre
o que representaria um presidente tucano para a região.
Além do mais, está armando palanques que incluem os poucos
governadores que PSDB tem na região e no Norte (Rosalba Carlini, do DEM,
no Rio Grande do Norte, e Simão Jatene, do PSDB, no Pará) mas uma boa
rede de prefeitos de grandes cidades, que vai de ACM Neto (DEM) em
Salvador a Arthur Virgílio (PSDB) em Manaus.
A eleição de 2014, não é ousado arriscar, não deve ser um passeio para a presidente Dilma.