Um dia após
o pronunciamento de Dilma Rousseff em cadeia nacional em resposta aos
protestos populares por melhorias no serviço público, as
entidades médicas nacionais divulgaram neste sábado nota de
repúdio ao anúncio de importação de
médicos estrangeiros feito pela presidente. `O caminho trilhado
é de alto risco e simboliza uma vergonha nacional. Ele expõe
a população, sobretudo a parcela mais vulnerável e
carente, à ação de pessoas cujos conhecimentos e
competências não foram devidamente comprovados. Além
disso, tem valor inócuo, paliativo, populista e esconde a falta os
reais problemas que afetam o Sistema Único de Saúde (SUS)`,
diz o texto.
No documento,
assinado pela Associação Médica Brasileira (AMB), a
Associação Nacional de Médicos Residentes (ANMR), o
Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Federação Nacional dos
Médicos (Fenam), as entidades cobram o aumento dos investimentos na
área da saúde e a qualificação do setor no
País. Segundo o texto, dados da Organização Mundial de
Saúde (OMS) mostram que governos de países com economias mais
frágeis investem mais que o Brasil na assistência. Na
Argentina, o percentual de aplicação fica em 66%. No Brasil,
esbarra em 47%. `Além disso, há denúncias de que o
recurso orçado não é devidamente aplicado`, dizem as
entidades.
`O apelo
desesperado das ruas é por mais investimentos do Estado em
saúde. É assim que o Brasil terá a saúde e os
`hospitais padrão Fifa`, exigidos pela população, e
não com a importação de médicos`, afirmam as
entidades. De forma conjunta, as entidades prometem usar `todos os
mecanismos possíveis para barrar a decisão`, inclusive na
Justiça.
Dilma promete
pacto por melhor serviço público
Após
três dias de silêncio sobre a onda de
manifestações que atingiu várias cidades do
País, a presidente Dilma Rousseff se dirigiu direto à
nação, por meio da cadeia de rádio e televisão
para propor respostas às principais queixas dos manifestantes. A
mensagem de Dilma, de cerca de 10 minutos, foi transmitida para todo o
Brasil. Na gravação, a presidente anunciou um plano para o
País. `O foco será: primeiro, a elaboração do
Plano Nacional de Mobilidade Urbana, que privilegie o transporte coletivo.
Segundo, a destinação de 100% dos recursos do petróleo
para a educação. Terceiro, trazer de imediato milhares de
médicos do exterior para ampliar o atendimento do Sistema
Único de Saúde, o SUS`, disse.
`Irei conversar,
nos próximos dias, com os chefes dos outros poderes para somarmos
esforços. Vou convidar os governadores e os prefeitos das principais
cidades do País para um grande pacto em torno a melhoria dos
serviços públicos`, prometeu a presidente.