SABINE RIGHETTI E TALITA BEDINELLI -
Folha de São Paulo - 09/07/2013 - São Paulo, SP
A mudança
de seis anos para oito anos no curso de medicina surpreendeu o meio
acadêmico.
`Realmente
não estávamos sabendo`, disse a diretora de
graduação da PUC-RS, Valderez Lima. A medida, porém,
foi avaliada como positiva pela diretora. `Os currículos são
uma estrutura viva que devem atender as demandas sociais`, diz.
A USP afirmou, via
assessoria de imprensa, que terá uma posição oficial
após discutir o tema.
Universidades
federais como a do Rio de Janeiro (UFRJ) e a de Minas Gerais (UFMG)
também anunciaram que não comentariam o caso antes de ver a
publicação da medida provisória.
Para Gustavo
Balduino, secretário-executivo da Andifes (Associação
Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino
Superior), haverá tempo para uma discussão com as entidades
antes de a medida entrar em vigor em 2015. Apesar de ter sido surpreendido,
a ideia é positiva.
`Quem faz a
demanda de médicos especialistas é o mercado. O médico
se forma onde tem emprego, e não onde a doença está`,
diz.
SUPERVISÃO
Carlos Vogt,
especialista em ensino superior e ex-reitor da Unicamp, também viu a
mudança com bons olhos.
`Como medida
social é muito bom. As universidades são autônomas, mas
não são soberanas`, diz.
Para Vanessa
Truda, presidente do Comitê de Acadêmicos da
Associação Paulista de Medicina, a medida precisa ser bem
discutida, pois `não há médicos para supervisionar os
alunos`.
O cardiologista
Sergio Timerman, diretor nacional das escolas médicas da Laureate
Brasil, concorda: `O projeto poderá ser uma boa
solução se houver boa supervisão`.