Datam de 1984 os comícios pelas "diretas já!", quando os partidos políticos e sindicatos, uns sendo "braços" dos outros, saiam às ruas e praças para externar seu inconformismo com a eleição indireta do presidente da República pelo Congresso Nacional.
Contudo, Tancredo Neves - mineiro esperto -, avô do hoje provável candidato pelo PSDB à presidência da República, Aécio Neves, ao mesmo tempo em que participava dos "showmícios" nas praças pedindo "diretas já!" ao mesmo tempo costurava nos bastidores sua eleição indireta pelo Congresso, reunindo em sua "arca" toda sorte de "bichos políticos", de um extremo a outro do espectro. Afinal de contas, Paulo Maluf e os "milicos" eram os inimigos a serem batidos. Como sabemos, Tancredo estava certo. Se elegeu, mas a doença não o deixou assumir e governar. Causou ao povo brasileiro uma enorme frustração com Sarney e seu governo desastroso.
Desse caldo de cultura, surgiu um arrivista colorido que levou de roldão o resto de esperança do povo brasileiro: Collor de Melo. Caiu sob impecheament dois anos após sua aventura autoritária.
O país conheceu alguma racionalidade na economia e na política apenas com Fernando Henrique Cardoso, que surgiu pela mão de um homem obstinado pelo fim da inflação: Itamar Franco.
O capital econômico e político construído durante oito anos por FHC - mesmo tendo de enfrentar as crises externas do México, dos Tigres, da Rússia, da Argentina e do próprio Brasil -, deixou um legado extremamente positivo de estabilidade econômica, profissionalização da burocracia, privatizações bem-sucedidas das teles, agências reguladoras, distribuição de renda, em um cenário externo apontando para um ciclo virtuoso nos anos 2000.
Lula assumiu nesse cenário, renegando o programa de seu partido quanto a honrar com os contratos, com o superávit primário para garantir o pagamento dos juros da dívida, com a meta de inflação e com a responsabilidade fiscal herdada de seu antecessor, ou seja, uma bendita herança sob a qual navegou em mar de calmaria e não fez mais nenhuma reforma por mais necessária que fosse. Resignou-se com o que tinha herdado e passou a apresentar essa herança como sendo na verdade obra sua, a qual deveria simplesmente ser preservada e distribuir a renda por meio do programa de transferência de renda - o bolsa família -, que antes combatera como "eleitoreiro", este também na verdade uma herança de seu antecessor.
O tempo passou, Lula quase se perde politicamente com a história do mensalão, sobreviveu, se reelegeu, o tempo passou, as economia internacional dava sinais de exuberância a não mais perder de vista, o homem se assanhou, tentou o terceiro mandadato e, como não consegiu, vingou-se da classe política - e infelzmente também do país, que nenhum mal lhe fez -, e empurrou goela abaixo uma senhora incapaz, um "poste": Dilma Roussef.
Esta senhora, com fama de "gerenta", virou "presidenta" e a gora está se demonstrando na verdade ser "incompetenta", metida a xereta em matéria de economia - até porque cercada de "incompetentos" - deixou que a coisa degringolasse, passando a administrar por meio do marketing político, pois afinal de contas havia dado certo até aqui.
Algo mudou repentinamente pegando todo mundo desprevenido: o movimento das ruas de hoje, uma coisa totalmente diferente em seu modus operandi, e em quantidade de gente, de tudo o que já se tinha visto, em sua origem de classe média, em sua juventude "estudada", que se uniu em um abraço mortal para a classe política atordoada.
Essa turba antes pacífica, longínqua, apática, amorfa, inodora, insípida, desconhecida, passou a exigir dos políticos justamente as reformas não feitas, os investimentos não realizados, as oportunidades não aproveitadas, e também novas posturas na administração pública, tanto ética quanto de gestão capaz.
Até ainda há pouco não se vislumbrava quem poderia tirar alguma vantagem da situação, se é que podia. Após as primeiras pesquisas, ao que tudo indica, surgem Aécio Neves, neto do Tancredo, como o candidato "dos políticos", dado a acordos palacianos herdado do avô, em contraposição a Marina Silva, candidata "das ruas" e "da rede", isto é, do não-partido. Trata-se de uma aposta perigosa, do tipo collorido, em uma messias de saia e da floresta, um ícone do "santo daime". Vamos ver.
A "presidenta", tonta, não tem brioches para dar para ao povo, tenta obter de seu oráculo Lula alguma luz, mas nada... O seu partido PT, tarado pela "democracia" direta (desde que amestrada, bolivariana), se fixa em plebiscitos, referendos, reformas políticas, eleitorais, etc., como hiena tentando se aproveitar de alguma "carniça" que lhe sobre dentre os cadáveres políticos...
Que tempos! Que costumes!