Leia o que publica o blog
Dinheiro Público & Cia, do jornal
Folha de S. Paulo, publicado por Ricardo Setti (Veja.com):

Este
gráfico foi publicado por VEJA em novembro de 2011 e mostrava que o
Brasil tinha o triplo de cargos comissionados existentes nos Estados
Unidos
Em 10 anos, comissionados no governo passam de 17,6 mil para 22,6 mil
“Enquanto o número de ministérios cresce para acomodar as dezenas
de partidos aliados ao governo federal, a quantidade de postos
comissionados se expande em cifras ainda maiores.
“Nos últimos dez anos, os ministros passaram de 35 a 39.
Subordinados a eles, os ocupantes de cargos de livre nomeação no Poder
Executivo passaram de 17,6 mil, no final de 2003, para 22,6 mil em
outubro de 2013, segundo os dados mais atualizados.
“Esses cargos são conhecidos como DAS (Direção e Assessoramento
Superior) e abrigam, como o nome indica, nomeados para funções de
comando ou assessoria. São classificados, conforme a hierarquia, de 1 a
6.
“A multiplicação dos DAS está concentrada nos escalões mais
altos, os mais utilizados nas negociações entre o governo e os partidos
de sua base de sustentação.
“Ao longo da administração petista, o número de ocupantes de DAS
4, 5 e 6 saltou 46% em uma década, chegando a 4.814. Nesse grupo estão
os secretários de Estado, chefes de gabinete, assessores especiais e
diretores”.
A grande malandragem é que a lei obriga a que 75% desses cargos,
chamados “de confiança”, sejam atribuídos a funcionários concursados,
de carreira. E o que ocorre? Ocorre que são preenchidos os de arraia
miúda. Os cargos de salários maiores ficam, quase todos, concentrados
nesses 25% de absurda livre nomeação.Em outras palavras, o camarada que entra pela na janela no
serviço público — sem ter se preparado para concursos, sem ter
comprovado suas habilitações em provas muitas vezes rigorosas — passa a
ter mais poder e a ganhar mais do que os servidores de carreira.O pior de tudo é o conceito de “confiança”.O funcionário trazido para trabalhar com um ministro ou com um
secretário-geral de Ministério, ou com algum outro chefão, é alguém “de
confiança” dele — o que significa muitas vezes que é cupincha do
partido, é amigo ou é parente.A única “confiança” que deveria valer no serviço público é a
confiança que a sociedade deposita no bom servidor, no servidor que
provou sua competência em concurso, que está habilitado a exercer as
funções e que, graças a seus esforços, poderá subir na carreira.A confiança do público no funcionário público devidamente admitido.Mas não. O que vigora, para os cargos de melhores salários, é a “confiança” matreira.Dilma não mexe nem vai mexer uma palha nisso — porque, afinal,
teve que inchar todo um Ministério para agradar os partidos que a
apoiam, este é um ano eleitoral e, portanto, a confiança da sociedade no
servidor habilitado que vá para as calendas gregas.