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Rombo nas contas externas tem novo recorde em janeiro, aponta BC
Rombo nas contas externas tem novo recorde em janeiro, aponta BC
O Brasil
registrou déficit recorde de 11,591 bilhões de dólares nas transações
correntes de janeiro, influenciado, sobretudo, pelo fraco desempenho da
balança comercial e pelas remessas de lucros e dividendos das empresas —
cifra que não foi coberta pelos investimentos estrangeiros diretos
(IED). No acumulado em 12 meses encerrados no mês passado, o rombo nas
contas externas do país ficou em 3,67% do Produto Interno Bruto (PIB),
informou o Banco Central nesta sexta-feira. Economistas já previam
elevado saldo negativo — de 11,7 bilhões de dólares. O déficit
registrado no mês passado está levemente acima do apurado em janeiro de
2013, que foi de 11,3 bilhões de dólares.
O BC
informou ainda que os Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) no país
somaram 5,098 bilhões de dólares no mês passado, melhor do que o
esperado – de 4 bilhões de dólares -, mas insuficientes para cobrir
integralmente o saldo negativo do mês.
O déficit
nas transações correntes, que abrangem a importação e a exportação de
bens e serviços e as transações unilaterais do Brasil com o exterior,
foi impactado pelo déficit recorde de 4,058 bilhões de dólares na
balança comercial em janeiro.
O BC
informou ainda que as remessas de lucros e dividendos somaram 2,499
bilhões de dólares em janeiro, ante 2,068 bilhões em igual mês do ano
passado. Pesaram também os gastos líquidos de brasileiros no exterior
com viagens, que somaram 1,478 bilhão de dólares, ante 1,603 bilhão de
dólares em igual mês do ano passado.
A
trajetória das contas externas do país tem se deteriorado de maneira
mais intensa desde meados de 2013. Esse fator, aliado à inflação e à
deterioração fiscal, constitui a principal razão para a crescente
desconfiança do investidor externo em relação ao Brasil. Analisando,
sobretudo, as contas externas dos países emergentes, o Federal Reserve
(Fed, o banco central americano), divulgou um relatório há algumas
semanas apontando quais países estavam em situação mais vulnerável em
relação a possíveis turbulências causadas pela retirada dos estímulos. O
Brasil foi citado pelo Fed como um dos mais vulneráveis.
Apesar da
saída de capital registrada nos últimos meses (em 2013, o fluxo cambial
ficou negativo em 12,261 bilhões de dólares), o BC verifica uma leve
retomada da entrada de moeda estrangeira no país. Segundo relatório
parcial do fluxo cambial de fevereiro, o BC informa que a entrada de
dólares superou a saída em 318 milhões de dólares na primeira quinzena
do mês. Os ingressos se deram, diz o BC, pela chamada conta financeira,
que registra a entrada de investimentos estrangeiros diretos no país.