
Neste
local, junto à cidade d e Rocha, no Uruguai, está prevista a construção
do superporto — em boa parte com o dinheiro brasileiro (Foto:
elpais.com.uy)
O BNDES vai precisar explicar as razoes que levaram o governo Dilma
Rousseff a apoiar a construção, no Uruguai, de um porto de águas
profundas que — acreditem!!! — poderá, por ser moderno e projetado para
ter custos baixos, “roubar” cargas de terminais brasileiros.
Repetindo o caso Cuba — e enquanto os
obsoletos portos brasileiros aumentam o custo Brasil e prejudicam a
competitividade das nossas exportações –, o governo está prestes a
colocar pelo menos 1 BILHÃO DE DÓLARES nas mãos do governo uruguaio para
o porto, a ser erigido na cidade de Rocha, que fica a menos de 300
quilômetros de um dos principais portos brasileiros, o de Rio Grande
(RS).
O requerimento de informação para
esclarecer o caso é de autoria do líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes
Ferreira (SP), e foi protocolado na Secretaria Geral da Mesa, após o
jornal O Globo ter revelado que as negociações entre Brasil e Uruguai estão “a pleno vapor”.
A reportagem mostra que o apoio brasileiro deve ser forte: “cerca de
US$ 1 bilhão do BNDES, recursos do Orçamento, via Fundo de Convergência
Estrutural do Mercosul (Focem), e conhecimento técnico, segundo fontes
que acompanham a negociação. Maior oferta de frequências marítimas,
fretes mais baratos, tempo de deslocamento menor e, principalmente,
possibilidade de alcance do mercado asiático pelo Estreito de Magalhães
(na extremo sul do continente), em condições de concorrência com o Canal
do Panamá, atraem o Brasil.”

O
senador Aloysio Nunes Ferreira, líder do PSDB: país está exportando sua
poupança em vez de investir na própria infraestrutura (Foto: Agência
Senado)
Para Aloysio, porém, o governo brasileiro, além de exportar a
poupança do país, prejudica cada vez mais o investimento em
infraestrutura. “O BNDES precisa enviar ao Senado todas as informações
que esclareçam essa tentativa de gastar recursos do povo brasileiro em
obras que não sejam para melhorar a infraestrutura do país”.
O Globo registrou que operadores
portuários brasileiros temem uma concorrência com um porto mais moderno,
mais capacitado e menos burocrático (e caro) que os nacionais,
principalmente no Sul do Brasil.
Caso o empreendimento de fato saia do papel, poderá contar não só com
recursos do BNDES e do Focem, como do Programa de Financiamento às
Exportações (Proex), que prevê, por exemplo, subsídios para tornar a
taxa de juros compatível com as do mercado internacional.
Do tamanho de Paranaguá e Rio Grande juntos
Diz ainda o jornal: “Como os navios no mundo são cada vez maiores,
para ganho de escala, o porto deve se consolidar como parte das grandes
rotas intercontinentais, deixando os terminais brasileiros de fora.
“O próprio governo uruguaio publica em sua página na internet algumas
estimativas sobre o novo porto, que em 2025 deve movimentar 87,5
milhões de toneladas, mais do que a soma dos terminais de Paranaguá
(PR), com 44,7 milhões de toneladas em 2013) e de Rio Grande (com 33,2
milhões de toneladas em 2013).
“Os preços dos fretes serão competitivos a ponto de atrair
empresários brasileiros. Nas rotas para China — maior destino das
exportações brasileiras –, Japão e Sudeste Asiático, a tonelada
transportada pode ficar entre 12,50 e 22,50 dólares mais barata,
enquanto para a Europa a redução de custos pode chegar a 3,50 dólares
por tonelada.