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25 junho 2011

Fotos incríveis (post de Ricardo Setti em Veja. com)

Encontros memoráveis entre personalidades famosas: Chaplin e Einstein, Muhammad Ali e os Beatles, Elvis e Sinatra, Brigitte Bardot e Picasso…
Você já imaginou ver na mesma foto Charlie Chaplin e Albert Einstein ou Martin Luther King Jr. e Marlon Brando? Ou ainda Elvis Presley, Sinatra e Fred Astaire? Michael Jackson e Paul McCartney? Ou, quem sabe, Brigitte Bardot e Pablo Picasso?
Pois o blog Awesome People Hanging Out Together (pessoas incríveis saindo juntas, em português), como o próprio nome já diz, reúne registros de encontros memoráveis entre as mais diferentes personalidades em fotos verdadeiras, e além disso naturais, quase nunca posadas.
O site é colaborativo, qualquer pessoa pode enviar uma nova imagem, corrigir dados ou fornecer créditos.
O jovem Bill Clinton cumprimentando John F. Kennedy na Casa Branca, em 1963
O jovem Bill Clinton cumprimentando John F. Kennedy, Casa Branca, 1963. Trinta anos depois, o jovem estudante se instalaria ali como presidente dos Estados Unidos
Simone de Beauvoir, Jean Paul Sartre e Ernesto ‘Che’ Guevara, em 1960, em Cuba
Simone de Beauvoir, Jean-Paul Sartre e Ernesto ‘Che’ Guevara, Cuba, 1960
Os Beatles e Muhammad Ali por Harry Benson, Miami, 1964
Martin Luther King Jr. e Marlon Brando
Martin Luther King Jr., o grande líder negro dos direitos civis nos EUA, e Marlon Brando, para muitos o maior ator que Hollywood já teve
Charlie Chaplin e Albert Einstein
Gênio encontra gênio: Charlie Chaplin e Albert Einstein
Mick Jagger, William S. Burroughs and Andy Warhol, 1980
Mick Jagger, o escritor beat William S. Burroughs e o multiartista Andy Warhol, 1980
Michael Jackson, Francis Ford Coppola and George Lucas
Michael Jackson com os dois cineastas que foram colegas de classe e depois revolucionaram Hollywood: Francis Ford Coppola e George Lucas
Elvis Presley, Joe Esposito, Frank Sinatra e Fred Astaire
Elvis Presley, Joe Esposito, Frank Sinatra e Fred Astaire
George Harrison e Bob Marley
George Harrison e Bob Marley
Micheal Jackson e Paul McCartney lavando a louça
Micheal Jackson e Paul McCartney lavando a louça
Salvador Dali & Walt Disney
Salvador Dali e Walt Disney
Steve Jobs e Bill Gates
Dois gigantes da indústria, dois arautos do futuro: Steve Jobs e Bill Gates
Paul Newman e Robert Redford jogando ping-pong
Jimi Hendrix e Eric Clapton
Jimi Hendrix e Eric Clapton
David Bowie, John Deacon, Brian May e Roger Taylor , no topo, e a princesa Diana e o príncipe Charles
Hunter S. Thompson, John Cusack e Johnny Depp dirigindo com uma boneca inflável
O jornalista doidão Hunter S. Thompson e os atores John Cusack e Johnny Depp num um esportivo conversível -- e com uma boneca inflável
Brigitte Bardot e Pablo Picasso
Brigitte Bardot e Pablo Picasso
Michael Jackson, Freddie Mercury & John Deacon
Michael Jackson, Freddie Mercury e John Deacon
Frank Sinatra e Grace Kelly
Frank Sinatra e Grace Kelly
Audrey Hepburn e Fred Astaire
Audrey Hepburn e Fred Astaire

Copa do Mundo

Festa macabra
ARTIGO PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA QUINTA-FEIRA
Demétrio Magnoli e Adriano Lucchesi
“Há uma percepção crescente de que a aritmética da Copa do Mundo é um tanto instável”, escreveu o Times de Johannesburgo um mês depois do triunfo da Espanha nos campos sul-africanos. “Temos estádios em excesso para nosso próprio uso. Talvez devêssemos exportar estádios para o Brasil, que fará sua Copa do Mundo?”. A constatação estava certa; a sugestão, errada. O Brasil, país do futebol, terá o mesmo problema que a África do Sul, país do rúgbi. Aqui, como lá, a festa macabra da Fifa é um sorvedouro implacável de recursos públicos.
Mafiosos usam a linguagem da máfia. Confrontado com evidências de corrupção na organização que dirige, Sepp Blatter avisou que tais “dificuldades” seriam solucionadas “dentro de nossa família”. As rendas de radiodifusão e marketing da Fifa ultrapassaram os US$ 4 bilhões no ciclo quadrienal encerrado com a Copa da África do Sul. O navio pirata já se moveu para o Brasil, onde a Fifa articula com seus sócios a rapina seguinte.
O brasileiro João Havelange planejou a globalização do futebol, expandindo a Copa para 24 seleções, em 1982, e 32, em 1998. Blatter concluiu a transformação, rompendo a regra de rodízio de sedes entre Europa e América. Como constatou a Sports Industry Magazine, sob um processo milionário de licitação do direito de hospedagem, as ofertas nacionais assumiram “a forma de promessas de mais e mais pródigos novos estádios para os jogos e novos hotéis luxuosos para uso dos dirigentes da Fifa e de fãs endinheirados”. A Copa é um roubo: as despesas são pagas com dinheiro público, de modo que a licitação “constitui, de fato, um esquema de extração de renda concebido para separar os contribuintes de seus tributos”.
O saque decorre da conivência de governos em busca de prestígio e de negociantes em busca de oportunidades. Na Europa a rapinagem é circunscrita por uma cultura política menos permeável à corrupção e pela existência prévia de modernas infraestruturas hoteleiras, esportivas e de transportes. Por isso a Fifa seleciona seus próximos alvos segundo critérios oportunistas de vulnerabilidade. Encaixam-se no perfil África do Sul e Brasil, países emergentes que ambicionam desfilar no círculo central do mundo, assim como a semiautoritária Rússia, sede de 2018, e a monarquia absoluta do Qatar, que bateu a Grã-Bretanha na disputa por 2022.
Antes das Copas, consultores associados às redes mafiosas produzem radiosas profecias sobre os efeitos econômicos do evento. Depois, quando emergem os resultados efetivos, eles já estão entregues à fabricação de ilusões no porto seguinte. A África do Sul gastou US$ 4,9 bilhões em estádios e infraestruturas, que gerariam rendas imediatas de US$ 930 milhões derivadas do afluxo de 450 mil turistas, mas só arrecadou US$ 527 milhões dos 309 mil turistas que de fato entraram no país.
O verdadeiro legado positivo da Copa de 2010 foi a mudança de paradigma no sistema de transporte público urbano, pela introdução de ônibus, em corredores dedicados, e do Gautrain, trem rápido de conexão com o aeroporto de Johannesburgo. Os ônibus enfrentavam selvagem resistência dos sindicatos de operadores de peruas, superada pelo imperativo urgente do evento esportivo. O Gautrain serve exclusivamente à classe média, com meios para adquirir bilhetes cujos preços excluem a população pobre. Mas o argumento de que sem uma Copa, não se realizariam obras necessárias de mobilidade urbana equivale a uma confissão de incompetência da elite dirigente.
Eventos esportivos globais tendem a gerar ruínas urbanas, mesmo em países mais inclinados a zelar pelo interesse público. Japoneses e sul-coreanos ainda subsidiam a manutenção das arenas da Copa de 2002. As dívidas contraídas para as obras da Olimpíada de Atenas e da Eurocopa de 2004 aceleraram a marcha rumo à falência da Grécia e de Portugal. A África do Sul incinerou US$ 2 bilhões na construção e reforma das dez arenas da Copa. Todas, com exceção do Soccer City, de Johannesburgo, usado para jogos de rúgbi e shows, figuram hoje como monumentos inúteis, conservados pela injeção de dinheiro público. A Cidade do Cabo paga US$ 4,5 milhões ao ano pela manutenção da arena de Green Point, erguida ao custo fabuloso de US$ 650 milhões e usada apenas 12 vezes depois da Copa. Lá se desenrola um melancólico debate sobre a alternativa de demolição do icônico estádio, emoldurado pela magnífica Table Mountain.
O Brasil decidiu ultrapassar a África do Sul. Aqui, serão 12 arenas, a um custo convenientemente incerto, mas bastante superior aos dispêndios sul-africanos. As futuras ruínas já drenam vultosos recursos públicos, mal escondidos sob as rubricas de empréstimos do BNDES e subsídios estaduais e municipais. O governo paulista prometeu não queimar o dinheiro do povo na festa macabra da Fifa, mas o alcaide Gilberto Kassab assinou um cheque público de US$ 265 milhões destinado ao estádio do Corinthians. São 16 centros educacionais, para 80 mil estudantes, sacrificados por antecipação no altar de oferendas às máfias da Copa. O gesto de desprezo pelas necessidades verdadeiras dos contribuintes reproduz iniciativas semelhantes adotadas, Brasil afora, por governos estaduais e municipais.
Segundo a lógica perversa do neopatriotismo, a Copa é um artigo de valor só mensurável sob o prisma da restauração do “orgulho nacional”. De fato, porém, a condição prévia para a Copa é a cessão temporária da soberania nacional à Fifa, que assume funções de governo interventor por meio do seu Comitê Local. O poder substituto, nomeado por Blatter, já obteve o compromisso federal de virtual abolição da Lei de Licitações e pressiona as autoridades locais pela revisão das regras de concorrência pública. Malemolentes, ao som dos acordes de um verde-amarelismo reminiscente da ditadura militar, cedemos os bens comuns à avidez dos piratas.

Ideli, a "aloprada"_(post de Reinaldo Azevedo em Veja.com)

IDELI, A ALOPRADA, TEM DE IR PARA A RUA, JUNTO COM MERCADANTE! OU MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES INSTITUCIONAIS VIRA O MINISTÉRIO DO CRIME
Ideli Salvatti, a ministra das relações nada institucionais: "Quem? Eeeuuu???"
Ideli Salvatti, a ministra das relações nada institucionais: "Quem? Eeeuuu???"
Todos já sabiam que Ideli Salvatti não reunia condições, digamos assim, intelectuais de ser a coordenadora política do governo. Sua inteligência política sempre foi correspondente à sua elegância em plenário, ao tempo em que funcionava como pit bull do lulismo para as tarefas mais escabrosas: melar a CPI do mensalão, defender José Sarney, alinhar-se com Renan Calheiros… Era passar a missão, e Ideli executava. Muito bem! A VEJA desta semana traz uma revelação escabrosa: ELA PARTICIPOU, COMO SENADORA E LÍDER DO PT, DE UMA REUNIÃO COM O ALTO COMANDO DOS ALOPRADOS NO GABINETE DE ALOIZIO MERCADANTE E FOI A PRIMEIRA A MOBILIZAR A IMPRENSA PARA FAZER A “DENÚNCIA”. MAIS: MANIPULOU OS DOCUMENTOS FALSOS DO CRIME. Aconteceu no dia 4 de fevereiro de 2006, 11 dias antes de estourar o imbróglio. Lá estavam, além dos atuais ministros, Expedito Veloso, Osvaldo Bargas e Jorge Lorenzetti. Leiam trecho da reportagem de Hugo Marques e Gustavo Ribeiro:
(…)
Logo depois do encontro, do gabinete da senadora foi iniciada a preparação do que deveria ser a etapa derradeira do plano - a publicação do falso dossiê. As negociações do PT com os empresários que atuariam na farsa já estavam acertadas. Os criminosos queriam 20 milhões de reais pelo serviço, mas acabaram aceitando o valor de 1,7 milhão de reais oferecido pelo partido, dinheiro que Mercadante se comprometeu a conseguir com a ajuda do ex-governador Orestes Quércia, segundo as revelações de um dos participantes da reunião, o bancário Expedito Veloso. Na reunião, os cinco - Mercadante, Ideli, Expedito. Lorenzetti e Bargas - manusearam uma lista com números de cheques e fotos de um empresário já falecido que, na montagem da história, seria apresentado como elo da quadrilha com os tucanos. Uma cópia do material foi deixada com a senadora. E ela deu início ao que deveria ser a apoteose do trabalho: procurou jornalistas interessados em divulgar o conteúdo, exibiu os papéis e disse que aquilo era apenas uma pequena amostra da munição que o PT tinha para fulminar os tucanos. Ela conhecia todos os detalhes do dossiê e deixou sua assessoria à disposição para ajudar no trabalho de divulgação. A senadora, aliás, não escondia os motivos de seu empenho: as revelações, segundo ela, atingiriam Serra e beneficiariam o PT na eleição em São Paulo, mas também repercutiriam na disputa presidencial em favor da reeleição do presidente Lula.

23 junho 2011

O MEC está "fazendo a cabeça" de nossos filhos com ideias "comunas"


“O governo federal está fazendo educação ideologizada e criminosa”, diz o senador Demóstenes, citando livros didáticosDenúncia do Senador Demóstenes Torres (DEM, GO) In: Ricardo Setti (Veja.com):

Demóstenes Torres: livros da rede pública contêm "idiotia", menção a guerra racial, loas ao MST e propaganda do governo, entre outros problemas
(Da Agência Senado)
Citando trechos de livros das coleções distribuídas para as escolas públicas de todo o país, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) disse nesta terça-feira, 21, que “o governo federal está fazendo educação ideologizada e criminosa”. Ele afirmou que, além de ensinar matemática errada e agredir o idioma, o Ministério da Educação tenta fazer de cada aluno “um militante de ONG, sindicato ou partido ligado ao Palácio do Planalto”.
– Folhear o livro [Viver, Aprender] é um passeio pelos diversos ensaios da idiotia. Lê-lo é ter contato com um texto confuso, às vezes patético. Estudar por ele é tomar aula primária de militância esquerdista com argumentos pré-revolução russa de 1917. Duvida do descobrimento do Brasil, repete a catilinária da guerra racial e sai semeando aleivosias — assinalou.
Segundo Demóstenes, o livro Vivências e Diversidades informa que há apenas dois grupos de jovens no Brasil, o dos negros e pardos, com 51% da população, e o de brancos, com 49%. Na estatística do ministério, disse o senador, não existem no país os amarelos, cafuzos, mamelucos, polacos, mulatos, mestiços e índios. O senador também disse que o “marketing chapa-branca” fez com que os livros incorporassem propaganda explícita do governo, com reprodução integral de peças publicitárias.
– Na lavagem cerebral do governo, a desigualdade social chegou com os portugueses e só começou a melhorar mais de cinco séculos depois, em 2003, quando o salvador de Cesare Battisti tomou posse.
Ele chamou a atenção para uma frase sobre as capitanias hereditárias encontrada em um dos livros autorizados pelo MEC: “Esse foi o início da formação de grandes propriedades de terra no Brasil, em geral concentradas nas mãos de poucos”.
– Pela lógica da companheirada – analisa Demóstenes — os chacareiros de agora são todos herdeiros de Francisco Giraldes, Jorge Dalbuquerque e Vasco Coutinho, com alguns primos de Mem de Sá e Tomé de Souza.
Demóstenes também citou trecho dos livros que apresentam os barracos de lona do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) como “habitações provisórias enquanto lutam pela posse definitiva da terra” e uma foto que mostra uma invasão de terra em que, conforme afirmou, “a ilegalidade é rebatizada de ocupação”.
Ele ressaltou que o livro “nada diz a respeito do líder quadrilheiro José Rainha, agora preso por roubar dos pequenos agricultores para se divertir com carrões, viagens e festas”.
– Esse amontoado de loas ao MST é estudado nas escolas urbanas e rurais, de Roraima ao Rio Grande do Sul, da Paraíba ao Acre. Fico imaginando qual seria a reação de um pai ou mãe de um aluno ao ler isso. Em nome de quê? Qual é o objetivo final de tudo isso? — questionou.
(…)
Leia a íntegra da reportagem da Agência Senado.

21 junho 2011

Cassab, o "malufista"


Kassab põe as manguinhas de fora: aceitaria Maluf em seu novo partido(Por Ricardo Setti, em Veja.com)

Maluf e Kassab: “Aceitaria todos aqueles que aceitem nosso plano de governo”, diz o prefeito de São Paulo
Amigos, eta partidinho, esse PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.
Eleito por uma legenda de oposição ao lulo-petismo, o DEM, aliado histórico do PSDB em São Paulo o prefeito tranquilamente traiu a aliança que retirou-o da desimportância para colocá-lo à frente da maior cidade do país e fundou um novo partido, para “ajudar” a presidente Dilma — e para atender a um grande números de interesses próprios e alheios, nenhum deles exposto com clareza.
O que ficou claro é que a fundação do partido consistiu em burla à legislação eleitoral: os políticos fundadores não perderam o mandato por quebra da fidelidade partidária, porque tecnicamente não trocaram de legenda.
Pois bem, para algum inocente que ainda imaginava que o prefeito pretendia trazer algo de novo à viciada cena política do país, Kassab deixou hoje mais do que claro, claríssimo, o tipo e a qualidade do saco de gatos é seu PSD: agora há pouco, em sabatina promovida pelo jornalFolha de S. Paulo e pelo portal UOL, não descartou uma eventual filiação do deputado Paulo Maluf (PP-SP) a seu partido, caso o ex-prefeito pretenda deixar seu partido, o PP. “Aceitaria todos aqueles que aceitem nosso plano de governo”, disse Kassab.
Se isso vier a ocorrer, dois velhos parceiros se reencontrariam: Kassab já foi malufista e integrou, como secretário de Planejamento, o candidato que Maluf conseguiu eleger como seu sucessor, o falecido ex-prefeito Celso Pitta (1997-2001).

Dilma e "petralhas" atingem o "virtuose": roubalheira em segredo!


O Tribunal de Contas da União não tem o direito de endossar o mais descarado assalto aos cofres públicos da história do Brasil

(Por Augusto Nunes em Veja.com)
No dilmês, essa ramificação degenerada da língua portuguesa que a presidente inventou, a forma é sempre mais reveladora que o conteúdo. O que diz Dilma Rousseff é invariavelmente tão raso que pode ser atravessado por uma formiga com água pelas canelas. O jeito de dizer confirma a cada 10 palavras que o governo brasileiro é chefiado por uma mulher incapaz de produzir uma frase com começo, meio e fim ─ além de inteligível. Hipnotizados pela discurseira inverossímil, os jornalistas às vezes nem percebem que a oradora sem rumo está soltando uma informação que vale manchete.
O fenômeno se repetiu durante a visita a Ribeirão Preto. Nos primeiros minutos do vídeo que registra o palavrório de sexta-feira, Dilma jurou três vezes que a ladroagem sem limites, sem vigilância e protegida pelo sigilo foi abençoada pelo Tribunal de Contas da União. “Esse regime e a lei foram discutidos amplamente pelo governo e com o TCU”, começou a presidente. “Sugiro que as pessoas… os jornalistas que fizeram a matéria que investiguem junto ao TCU”, insistiu. “Não é possível chamar o governo de que está garantindo roubalheira ou qualquer coisa assim”, fingiu indignar-se em seguida. “Isso foi negociado com o TCU!”
A revelação gravíssima não mereceu sequer um canto de página de jornal. Tampouco houve espaço para a nota divulgada na mesma sexta-feira pelo presidente do tribunal, Benjamin Zymler, que transforma os ministros em cúmplices de um ato criminoso. “O Regime Diferenciado de Contratações pode aperfeiçoar o controle de recursos públicos e o andamento das licitações e contratações”, murmurou Zymler, tentando abrandar a confissão de culpa com uma ressalva: o TCU só apoiará oficialmente a malandragem bilionária depois de aprovada pelo Congresso. A Câmara dos Deputados já disse amém. Falta o Senado.
A secretaria de Comunicação do TCU fez um único reparo às declarações de Dilma: nas reuniões com parlamentares governistas encarregados de cuidar do assunto, o tribunal foi representado não pelo presidente, mas por técnicos da instituição. Pior ainda. Os nove ministros, todos nomeados pelo chefe do Poder Executivo, poderiam invocar a ignorância como atenuante. Técnicos no assunto têm o dever de saber que o RDC é só uma sigla para camuflar a vigarice longamente planejada. Não haveria motivos para pressa se os preparativos para a Copa do Mundo tivessem começado no mesmo instante em que o Brasil soube que seria o anfitrião do evento marcado para 2014. (Veja post de maio de 2010).
Uns por inépcia, outros por cretinice, quase todos por se tratarem de corruptos de carteirinha, os pais-da-pátria incumbidos de tocar os trabalhos deixaram as coisas nas mãos de Deus ─ que, além de brasileiro, conversa com Lula todo dia. Passados três anos e meio, os arquitetos do conto da Copa tiraram do armário o instrumento que permite roubar sem sobressaltos. Até um bebê de colo sabe que está em curso o maior assalto aos cofres públicos desde 1500. Os ministros do TCU estão obrigados a impedi-lo. Embora nomeados pelo Planalto, todos têm como patrão a sociedade. Devem obediência aos brasileiros que pagam as contas. Todas, inclusive os salários do Tribunal de Contas.