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04 abril 2012

A "prova" de que Deus existe é o uso da razão e a moral e ética humanas

Dá para acreditar em Deus usando apenas a razão? Esse filósofo e teólogo diz que sim. E vocês, o que acham?Publicado no blog de Ricardo Setti (Veja.com):

William Lane Craig: "Sem Deus, não é possível explicar a existência de valores e deveres morais objetivos" (Divulgação)
William Lane Craig: "Sem Deus, não é possível explicar a existência de valores e deveres morais objetivos" (Foto: VEJA)
Amigos do blog, leiam esta entrevista e depois me digam: concordam com o entrevistado? É possível acreditar em Deus usando apenas a razão?
“É POSSÍVEL ACREDITAR EM DEUS USANDO A RAZÃO”, AFIRMA WILLIAM LANE CRAIG

O filósofo e teólogo defende o cristianismo, a ressurreição de Jesus e a veracidade da Bíblia a partir de construção lógica e racional, e se destaca em debates com pensadores ateus.
Quando o escritor britânico Christopher Hitchens, um dos maiores defensores do ateísmo, travou um longo debate nos Estados Unidos, em abril de 2009, com o filósofo e teólogo William Lane Craig sobre a existência de Deus, seus colegas ateus ficaram tensos. Momentos antes de subir ao palco, Hitchens — que morreu em dezembro de 2011, aos 62 anos — falou a jornalistas sobre a expectativa de enfrentar Craig.
“Posso dizer que meus colegas ateus o levam bem a sério”, disse. “Ele é considerado um adversário muito duro, rigoroso, culto e formidável”, continuou. “Normalmente as pessoas não me dizem ‘boa sorte’ ou ‘não nos decepcione’ antes de um debate — mas hoje, é o tipo de coisa que estão me dizendo”.
Difícil saber se houve um vencedor do debate. O certo é que Craig se destaca pela elegância com que apresenta seus argumentos, mesmo quando submetido a fogo cerrado.
O teólogo evangélico é considerado um dos maiores defensores da doutrina cristã na atualidade. Craig, que vive com a esposa em Atlanta, no Estado norte-americano da Geórgia, sustenta que a existência de Deus e a ressurreição de Jesus, por exemplo, não são apenas questões de fé, mas passíveis de prova lógica e racional.
Em seu currículo de debates estão o famoso químico e autor britânico Peter Atkins e o neurocientista americano Sam Harris (veja lista com vídeos legendados de Craig). Basta uma rápida procura no Youtube para encontrar uma vastidão de debates travados entre Craig e diversos estudiosos. Richard Dawkins, um dos maiores críticos do teísmo, ainda se recusa a discutir com Craig sobre a existência de Deus.
Em artigo publicado no jornal inglês The Guardian, Dawkins afirma que Craig faz apologia ao genocídio, por defender passagens da Bíblia que justificam a morte de homens, mulheres e crianças por meio de ordens divinas. “Vocês apertariam a mão de um homem que escreve esse tipo de coisa? Vocês compartilhariam o mesmo palco que ele? Eu não, eu me recuso”, escreveu. Na entrevista abaixo, Craig fala sobre o assunto.

Autor de diversos livros — entre eles  Em Guarda – Defenda a fé cristã com razão e precisão (Ed. Vida Nova), lançado no fim de 2011 no Brasil, — Craig é doutor em filosofia pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra, e em teologia pela Universidade de Munique, Alemanha. O filósofo esteve no Brasil para o 8º Congresso de Teologia da Editora Vida Nova, em Águas de Lindoia, entre 13 e 16 de março. Durante o simpósio, Craig deu palestras e dedicou a última apresentação a atacar, ponto a ponto, os argumentos de Richard Dawkins sobre a inexistência de Deus.

Por que deveríamos acreditar em Deus?
Porque os argumentos e evidências que apontam para a Sua existência são mais plausíveis do que aqueles que apontam para a negação.
Vários argumentos dão força à ideia de que Deus existe.
Ele é a melhor explicação para a existência de tudo a partir de um momento no passado finito, e também a para o ajuste preciso do universo, levando ao surgimento de vida inteligente. Deus também é a melhor explicação para a existência de deveres e valores morais objetivos no mundo. Com isso, quero dizer valores e deveres que existem independentemente da opinião humana.

Se Deus é bondade e justiça, por que ele não criou um universo perfeito onde todas as pessoas vivem felizes?
Acho que esse é o desejo de Deus. É o que a Bíblia ensina.
O fato de que o desejo de Deus não é realizado implica que os seres humanos possuem livre-arbítrio. Não concordo com os teólogos que dizem que Deus determina quem é salvo ou não.
Parece-me que os próprios humanos determinam isso. A única razão pela qual algumas pessoas não são salvas é porque elas próprias rejeitam livremente a vontade de Deus de salvá-las.

Alguns cientistas argumentam que o livre-arbítrio não existe. Se esse for o caso, as pessoas poderiam ser julgadas por Deus?
Não, elas não poderiam. Acredito que esses autores estão errados. É difícil entender como a concepção do determinismo pode ser racional. Se acreditarmos que tudo é determinado, então até a crença no determinismo foi determinada.
Nesse contexto, não se chega a essa conclusão por reflexão racional. Ela seria tão natural e inevitável como um dente que nasce ou uma árvore que dá galhos. Penso que o determinismo, racionalmente, não passa de absurdo. Não é possível acreditar racionalmente nele. Portanto, a atitude racional é negá-lo e acreditar que existe o livre-arbítrio.

O senhor defende em seu site uma passagem do Velho Testamento em que Deus ordena a destruição da cidade de Canaã, inclusive autorizando o genocídio, argumentando que os inocentes mortos nesse massacre seriam salvos pela graça divina. Esse não é um argumento perigosamente próximo daqueles usados por terroristas motivados pela religião?
A teoria ética desses terroristas não está errada. Isso, contudo, não quer dizer que eles estão certos. O problema é a crença deles no deus errado. O verdadeiro Deus não ordena atos terroristas e, portanto, eles estariam cometendo uma atrocidade moral. Quero dizer que se Deus decide tirar a vida de uma pessoa inocente, especialmente uma criança, a Sua graça se estende a ela.

Se o terrorista é cristão o ato terrorista motivado pela religião é justificável, por ele acreditar no Deus ‘certo’?
Não é suficiente acreditar no deus certo. É preciso garantir que os comandos divinos estão sendo corretamente interpretados. Não acho que Deus dê esse tipo de comando hoje em dia. Os casos do Velho Testamento, como a conquista de Canaã, não representam a vontade normal de Deus.

O sr. está querendo dizer que Deus também está sujeito a variações de humor? Não é plausível esperar que pelo menos Ele seja consistente?
Penso que Deus pode fazer exceções aos comandos morais que dá. O principal exemplo no Velho Testamento é a ordem que ele dá a Abraão para sacrificar seu filho Isaac. Se Abraão tivesse feito isso por iniciativa própria, isso seria uma abominação. O deus do Velho Testamento condena o sacrifício infantil.
Essa foi uma das razões que o levou a ordenar a destruição das nações pagãs ao redor de Israel. Elas estavam sacrificando crianças aos seus deuses. E, no entanto, Deus dá essa ordem extraordinária a Abraão: sacrificar o próprio filho Isaac. Isso serviu para verificar a obediência e fé dele. Mas isso é a exceção que prova a regra.
Não é a forma normal com que Deus conduz os assuntos humanos. Mas porque Deus é Deus, Ele tem a possibilidade de abrir exceções em alguns casos extremos, como esse.

O sr. disse que não é suficiente ter o deus certo, é preciso fazer a interpretação correta dos comandos divinos. Como garantir que a sua interpretação é objetivamente correta?
As coisas que digo são baseadas no que Deus nos deu a conhecer sobre si mesmo e em preceitos registrados na Bíblia, que é a palavra d’Ele.
Refiro-me a determinações sobre a vida humana, como “não matarás”. Deus condena o sacrifício de crianças, Seu desejo é que amemos uns ao outros. Essa é a Sua moral geral. Seria apenas em casos excepcionalmente extremos, como o de Abraão e Isaac, que Deus mudaria isso.
Se eu achar que Deus me comandou a fazer algo que é contra o Seu desejo moral geral, revelado na escritura, o mais provável é que eu tenha entendido errado. Temos a revelação do desejo moral de Deus e é assim que devemos nos comportar.

O sr. deposita grande parte da sua argumentação no conteúdo da Bíblia. Contudo, ela foi escrita por homens em um período restrito, em uma área restrita do mundo, em uma língua restrita, para um grupo específico de pessoas. Que evidência se tem de que a Bíblia é a palavra de um ser sobrenatural?
A razão pela qual acreditamos na Bíblia e sua validade é porque acreditamos em Cristo.
Ele considerava as escrituras hebraicas como a palavra de Deus. Seus ensinamentos são extensões do que é ensinado no Velho Testamento. Os ensinamentos de Jesus são direcionados à era da Igreja, que o sucederia.
A questão, então, se torna a seguinte: temos boas razões para acreditar em Jesus? Ele é quem ele diz ser, a revelação de Deus? Acredito que sim. A ressurreição dos mortos, por exemplo, mostra que ele era quem afirmava.

Existem provas que confirmem a ressurreição de Jesus?
Temos boas bases históricas. A palavra ‘prova’ pode ser enganosa porque muitos a associam com matemática. Certamente, não temos prova matemática de qualquer coisa que tenha acontecido na história do homem.
Não temos provas, nesse sentido, de que Júlio César foi assassinado no Senado romano, por exemplo, mas temos boas bases históricas para isso. Meu argumento é que se você considera os documentos do Novo Testamento como fontes da história antiga, — como os historiadores gregos Tácito, Heródoto ou Tucídides — o Evangelho aparece como uma fonte histórica muito confiável para a vida de Jesus de Nazaré.
A maioria dos historiadores do Novo Testamento concorda com os fatos fundamentais que balizam a inferência sobre a ressurreição de Cristo. Coisas como a sua execução sob autoridade romana, a descoberta das tumbas vazias por um grupo de mulheres no domingo depois da crucificação e o relato de vários indivíduos e grupos sobre os aparecimentos de Jesus vivo após sua execução.
Com isso, nos resta a seguinte pergunta: qual é a melhor explicação para essa sequência de acontecimentos? Penso que a melhor explicação é aquela que os discípulos originais deram — Deus fez Jesus renascer dos mortos.
Não podemos falar de uma prova, mas podemos levantar boas bases históricas para dizer que a ressurreição é a melhor explicação para os fatos. E como temos boas razões para acreditar que Cristo era quem dizia ser, portanto temos boas razões para acreditar que seus ensinamentos eram verdade. Sendo assim, podemos ver que a Bíblia não foi criação contingente de um tempo, de um lugar e de certas pessoas, mas é a palavra de Deus para a humanidade.

O textos da Bíblia passaram por diversas revisões ao longo do tempo. Como podemos ter certeza de que as informações às quais temos acesso hoje são as mesmas escritas há 2.000 anos? Além disso, como lidar com o fato de que informações podem ser perdidas durante a tradução?
Você tem razão quanto a variedade de revisões e traduções. Por isso, é imperativo voltar às línguas originais nas quais esses textos foram escritos.
Hoje, os críticos textuais comparam diferentes manuscritos antigos de modo a reconstruir o que os originais diziam.
O Novo Testamento é o livro mais atestado da história antiga, seja em termos de manuscritos encontrados ou em termos de quão próximos eles estão da data original de escrita. Os textos já foram reconstruídos com 99% de precisão em relação aos originais. As incertezas que restam são trivialidades.
Por exemplo, na Primeira Epístola de João, ele diz: “Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra”. Mas alguns manuscritos dizem: “Estas coisas vos escrevemos, para que o nosso gozo se cumpra”. Não temos certeza se o texto original diz ‘vosso’ ou ‘nosso’.
Isso ilustra como esse 1% de incerteza é trivial. Alguém que realmente queira entender os textos deverá aprender grego, a língua original em que o Novo Testamento foi escrito. Contudo, as pessoas também podem comprar diferentes traduções e compará-las para perceber como o texto se comporta em diferentes versões.

É possível explicar a existência de Deus apenas com a razão? Qual o papel da ciência na explicação das causas do universo?
A razão é muito mais ampla do que a ciência. A ciência é uma exploração do mundo físico e natural.
A razão, por outro lado, inclui elementos como a lógica, a matemática, a metafísica, a ética, a psicologia e assim por diante.
Parte da cegueira de cientistas naturalistas, como Richard Dawkins, é que eles são culpados de algo chamado ‘cientismo’. Como se a ciência fosse a única fonte da verdade.
Não acho que podemos explicar Deus em sua plenitude, mas a razão é suficiente para justificar a conclusão de que um criador transcendente do universo existe e é a fonte absoluta de bondade moral.

Por que o cristianismo deveria ser mais importante do que outras religiões que ensinam as mesmas questões fundamentais, como o amor e a caridade?
As pessoas não entendem o que é o cristianismo. É por isso que alguns ficam tão ofendidos quando se prega que Jesus é a única forma de salvação.
Elas pensam que ser cristão é seguir os ensinamentos éticos de Jesus, como amar ao próximo como a si mesmo. É claro que não é preciso acreditar em Jesus para se fazer isso. Isso não é o cristianismo.
O Evangelho diz que somos moralmente culpados perante Deus. Espiritualmente, somos separados d’Ele. É por isso que precisamos experimentar Seu perdão e graça. Para isso, é preciso ter um substituto que pague a pena dos nossos pecados. Jesus ofereceu a própria vida como sacrifício por nós.
Ao aceitar o que ele fez em nosso nome, podemos ter o perdão de Deus e a limpeza moral. A partir disso, nossa relação com Deus pode ser restaurada. Isso evidencia por que acreditar em Cristo é tão importante.
Repudiá-lo é rejeitar a graça de Deus e permanecer espiritualmente separado d’Ele. Se você morre nessa condição você ficará eternamente separado de Deus. Outras religiões não ensinam a mesma coisa.

A crença em Deus é necessária para trazer qualidade de vida e felicidade?
Penso que a crença em Deus ajuda, mas não é necessária. Ela pode lhe dar uma fundação para valores morais, propósito de vida e esperança para o futuro. Contudo, se você quiser viver inconsistentemente, é possível ser um ateu feliz, contanto que não se pense nas implicações do ateísmo.
Em última análise, o ateísmo prega que não existem valores morais objetivos, que tudo é uma ilusão, que não há propósito e significado para a vida e que somos um subproduto do acaso.

Por que importa se acreditamos no deus do cristianismo ou na ‘mãe natureza’ se na prática as pessoas podem seguir, fundamentalmente, os mesmos ensinamentos? Deveríamos acreditar em uma mentira se isso for bom para a sociedade? As pessoas devem acreditar em uma falsa teoria, só por causa dos benefícios sociais?
Eu acho que não. Isso seria uma alucinação. Algumas pessoas passam a acreditar na religião por esse motivo. Já que a religião traz benefícios para a sociedade, mesmo que o indivíduo pense que ela não passa de um ‘conto de fadas’, ele passa a acreditar. Digo que não.
Se você acha que a religião é um conto de fadas, não acredite. Mas se o cristianismo é a verdade — como penso que é — temos que acreditar nele independente das consequências. É o que as pessoas racionais fazem, elas acreditam na verdade.
A via contrária é o pragmatismo. “Isso funciona?”, perguntam elas. “Não importa se é verdade, quero saber se funciona”. Não estou preocupado se na Suécia alguns são felizes sem acreditar em Deus ou se há alguma vantagem em acreditar n’Ele.
Como filósofo, estou interessado no que é verdade e me parece que a existência desse ser transcendente que criou e projetou o universo, fonte dos valores morais, é a verdade.

PERFIL
Nome: William Lane Craig
Profissão: Filósofo, teólogo e professor universitário na Universidade de Biola, Califórnia
Nascimento: 23 de agosto de 1949
Livros destacados: Apologética Contemporânea – A veracidade da Fé CristãEm Guarda, Defenda a fé cristã com razão e precisão, ambos publicados no Brasil pela editora Vida Nova
Principal contribuição para a filosofia: Craig foi responsável por reformular o Argumento Cosmológico Kalam (variação do argumento cosmológico que defende a existência de uma primeira causa para o universo) nos seguintes termos: 1) Tudo que começa a existir tem uma causa de existência. 2) O universo começou a existir. 3) Portanto, o universo tem uma causa para sua existência.
Informações pessoais: William Lane Craig é conhecido pelo trabalho na filosofia do tempo e na filosofia da religião, especificamente sobre a existência de Deus e na defesa do teísmo cristão.
Escreveu e editou mais de 30 livros, é doutor em filosofia e teologia em universidades inglesa e alemã e desde 1996 é pesquisador e professor de filosofia na Universidade de Biola, na Califórnia.
Atualmente vive em Atlanta, nos EUA, com a esposa. Craig pratica exercícios regularmente como forma de combater a APM (Atrofia Peronial Muscular) uma doença degenerativa do sistema nervoso que lhe afetou nervos das mãos e pernas. Especialista em debates desde o ensino médio, o filósofo passa a maior parte do tempo estudando.
(Reportagem publicada em VEJA.com , por Marco Túlio Pires, om colaboração de Gabriel Castro)


William Lane Craig em ação
Se Deus existe, por que ele permite que exista sofrimento no mundo? Neste vídeo, Craig fala sobre o tema.

Craig fala sobre o que considera os melhores argumentos para a existência de Deus

Craig fala sobre um dos principais questionamentos da filosofia: o Universo tem um propósito?

Craig explica o Argumento Cosmológico Kalam, aperfeiçoado por ele.

Trecho de debate sobre moral com o ateísta Sam Harris, filósofo e neurocientista que acredita que a ciência pode substituir a religião como definidora do que é certo e errado


30 março 2012

Como e porque sou anistiado político "insepulto"...Ou: ninguém liga para a minha 'verdade'...

Aos 18 anos, iniciei minha vida profissional com CTPS assinada como office-boy da loja Credilar Centro -loja da senhora e esposa (a "madame") do Sr. Nathan -, onde ganhava a enorme cifra de 1 salário mínimo.
Após 5 meses que me renderam uma enorme experiência nessa "profissão" - misto de xereta e "sabe tudo", pois o antigo office-boy se metia em tudo, porque para tudo era usado (menos, é claro, para aquilo...) -, na qual aprendia-se como "se virar" na vida. Eu ia e voltava a pé do trabalho para casa e vice-versa, pela manhã e pela tarde, sob o esplêndido e escaldante sol manauara. Cheirava como um bode. Não por acaso havia um colega lá que apelidavam de "Bodinho".
Bem, deixei esse honroso cargo para estagiar na Secretaria de Obras da Prefeitura Municipal de Manaus, em 1972, sob a batuta do prefeito Franklin Abrahim Lima, como aluno de Estradas da Escola Técnica Federal do Amazonas (Etfam). Como estagiário da PMM, passei a ganhar 2 salários mínimos. Findo o estágio, fui contratado como Auxiliar de Engenharia I-7-A, com CTPS assinada e tudo, ganhando 6 salários mínimos. Não poderia ter sido um desfecho melhor de tão rápida "carreira"!...
Foi - como estão vendo - uma "carreira" meteórica para quem havia chegado em Manaus vindo do Careiro da Várzea (ainda não era município) em 1967, analfabeto aos 13 anos. Minha tia Alice Pinheiro pagou para eu estudar 2 anos na Escola Industrial Salesiana Domingos Sávio da Rua Visconde de Porto Alegre, na paróquia de São José, onde alem de estudar e fazer 'arte na madeira' assistia a todos os filmes clássicos de capa-e-espada, aventuras, comédias, e lia de tudo na sala de leitura dominical. Nunca esquecerei ambas: minha tia e minha escola. Ali aprendi a viver, amar e sofrer. Minha vida se circunscrevia à praça 14 de Janeiro, com expedições ao Parque Dez, ao Japiim, ao Igarapé do 40....
Quando tinha 21 anos, em 1975, fui recrutado e selecionado dentre todos os alunos do terceiro e do quarto ano do curso de Estradas da antiga Escola Técnica Federal do Amazonas (Etfam), passei no quarto lugar das 5 vagas, e fui trabalhar no INCRA (Projeto Fundiário Manaus) como Topógrafo (que minha namoradinha chamava "fotógrafo", coitadinha). Passei a ganhar então, além dos mesmos 6 salários mínimos, cerca de mais 25 diárias de campo ao mês (como topógrafo de campo). Não me limitei ao campo e nem à profissão de topógrafo. Passei no primeiro vestibular de que participei, em 1976, para o curso de Matemática da Universidade do Amazonas (UA, hoje Ufam).
A vida ia de vento em popa, fruto de muito estudo e dedicação, pois minha tia Alice me advertira de que não deveria nunca ser reprovado em nenhum curso, pois estava muito atrasado nos estudos.
Contudo, uma surpresa a vida me reservara: em 1977, após a morte de meu pai ceifado pelo câncer aos 55 anos, meus chefes do Incra, o superintendente José Carioca (um "coronel") e seu chefe do ASI (Assessoria de Informações do SNI - um "tenente"), Castelo Branco, me trancaram na sala do primeiro e sob ameaças de demissão me transferiram para Tabatinga...
Dessa forma, em um só golpe, me cortaram do curso de matemática, da minha vida familiar e da esperança por dias melhores em Manaus.
Sem entender as razões da transferência "manu militari" - pois estas nunca me foram dadas, a não ser aos berros naquela única ocasião: "...não tem 'que' nem 'por que'..., ou vai, ou te demitimos, seu merda! -, fui deportado... Minhas CTPS assim rezam: "demitido" em 31.07.1977 no PF-Manaus e "readmitido" em 01.08.1977 no Projeto Integrado de Colonização (PIC) Tabatinga.
Fiquei me perguntando: 'será que foi porque demarcava as terras dos colonos que não constavam dos Projetos?' 'Mas se eles viviam nas terras centrais e os técnicos do Incra nunca os encontravam, como poderiam constar dos Projetos?'. 'Será que foi por que eu era colega daquele 'comunista' do João Pedro?'  (ex-senador suplente do Alfredo Nascimento). Nenhuma razão me foi dada. E nem mais perguntei. Segui a regra daquele velho agrônomo: "anula-te e vive..."
Após 2 longuíssimos anos em Tabatinga, onde li a Bíblia umas 4 vezes todinha (uma delas em espanhol - chique, não?), quando já achava que finalmente encontrara a razão da minha vida, ou seja, meu encontro com o Deus da Bíblia (que não tem nada a ver com o Deus dos padres nem dos pastores) e ter tempo para estudar tudo quanto me chegava às mãos, dos clássicos aos modernos... Estava numa felicidade de dar dó...
Foi quando novamente fui reencontrado por um outro meganha do Incra de Manaus, o qual, vendo o meu "estado de felicidade geral", novamente me transferiu na marra para Manaus... Ele me perguntou: o que você está fazendo aqui? Eu respondi: - bem, vocês é que me mandaram, para cá.... "Não tem 'que' nem 'por que'. Esteja transferido!
Novamente fui demitido e readmitido com requintes de crueldade: demissão: 31.07.1979 e readmissão: 01.08.1979, respectivamente (mudando apenas os anos nas datas). Chegando em Manaus, tive de fazer outro vestibular. Desta vez para Administração Noturno, uma vez que assim me diziam que seria possível estudar... Na verdade, não acreditavam que após o degredo de 2 anos em Tabatinga ainda seria capaz de emitir qualquer raciocínio lógico que demonstrasse algum parentesco como qualquer símio...
Quebraram - aliás, quebrei - a cara novamente. 'Quebraram a cara' por que logrei êxito...'Quebrei a cara' porque não me deixaram estudar coisa nenhuma. O lema daqueles tempos era o seguinte: "ou estuda ou trabalha...".
Bem, diante disso não me restou outra saída: passei a evitar as viagens e a estudar à noite sem que eles soubessem. Mas naqueles tempos todos sabiam de tudo... Me demitiram do Incra em maio de 1980... Fui trabalhar no Instituto de Terras do Amazonas (Iteram), órgão estadual onde pude estudar em paz... Lá cheguei a Diretor Técnico em exercício. Fiz o curso de Administração ente os anos de 1980 e 1984. Em 1985 prestei novo vestibular para Direito. Bingo! Terceira aprovação. 100% de aproveitamento. Êita Tabatinga boa, sô! Depois disso relaxei um pouco... Terminei Direito apenas em 1992. Nesse ano terminei também a Especialização em Docência Superior. Desde 1990 fui professor de administração do Centro Integrado de Ensino Superior do Amazonas (Ciesa), a primeira faculdade particular do Amazonas.
Fui então, depois de formado em Administração, delegado federal do Ministério da Agricultura do Amazonas, entre 1988 e 1990, por indicação do Senador Carlos Alberto De Carli.
Por indicação do Ministro da Justiça Bernardo Cabral, voltei triunfalmente ao Incra como seu Superintendente em agosto de 1990, mas fiquei pouco tempo, o suficiente para fazer uma devassa administrativa e jurídica naquele órgão - não por vingança ou coisa parecida, mas por solicitação do então Presidente Collor e do próprio Incra em Brasília, Sr. José Reinaldo Vieira da Silva. Isso rendeu a minha exoneração, pois as verdades que revelei feriu muitas susceptibilidades políticas. As patifarias reveladas eram muitas e de muitos milhões... muita gente grande estava envolvida.
Em 1994 ingressei com pedido de anistia política e logrei êxito, sendo reintegrado ao Incra, mas tendo de novamente bater em retirada por força de ter de escolher entre esse órgão e a Universidade Federal do Amazonas - Ufam, onde fui aprovado em concurso para docente do curso de Administração, minha grande paixão acadêmica. Entre 1991 e 1992 fui delegado federal dos ministérios dos Transportes e das Comunicações no Amazonas por indicação do senador Carlos Alberto De Carli. 
Entre 1995 até hoje me dedico à faina diária de estudar e ensinar na Ufam. Fiz mestrado em 1999. Fui chefe do departamento acadêmico de Administração da Ufam em duas oportunidades: de 1998 a 2001 e entre 2008 e 2010. Fui representante da Ufam em Brasília entre julho de 2001 e julho de 2002.
Hoje luto pela indenização como anistiado político, mas não está fácil... Me pergunto: será por que não fui esquerdista suficiente lá em 1975-85? Ou será que me consideram hoje um direitista extremado? Por qual das ditaduras devo ser mais execrado? Por aqueloutra ou por esta?
Julguem os senhores que leem estas mal traçadas...




24 março 2012

Encenação no Planalto

Leia editorial do Estadãoi:
A presidente Dilma Rousseff chamou ao Palácio do Planalto 28 dos maiores empresários do País para pedir-lhes mais investimentos - como se algum deles precisasse de um apelo presidencial para investir na ampliação de seus negócios e para ganhar mais dinheiro e mais espaço em seus respectivos mercados. Quanto a esse ponto, pelo menos, dificilmente haverá diferença entre esses líderes da indústria, do comércio e do setor financeiro e a maioria dos dirigentes de empresas pequenas e médias. Os chamados espíritos animais estão bem vivos no empresariado brasileiro, apesar de todas as dificuldades para investir, produzir e vender, especialmente para o mercado externo. A presidente não deveria preocupar-se com isso. Mas os dirigentes de companhias de todos os tamanhos têm motivos para se preocupar com a pouca disposição do governo de adotar as políticas necessárias ao fortalecimento do setor produtivo e ao crescimento seguro da economia brasileira.
 Como era previsível, a reunião serviu para a presidente encenar alguma iniciativa, num momento de muita dificuldade com a base governamental e de vexaminosas derrotas no Congresso. Além disso, converteu-se, como era também previsível, em mais uma oportunidade para os empresários desfiarem o novelo de suas queixas e reivindicações, todas bem conhecidas e diariamente citadas pela imprensa.
Os convidados falaram de câmbio, carga tributária, encargos trabalhistas, custo do dinheiro, problemas de infraestrutura e escassez de mão de obra qualificada. Trataram também, é claro, de uma aberração inventada por alguns governadores, a guerra dos portos, gravemente prejudicial à indústria brasileira: produtos importados com incentivos fiscais, por meio de um protecionismo às avessas, são vendidos com grande vantagem de preço em outros Estados, impondo uma concorrência absurdamente desleal ao produtor nacional.
As falas da presidente e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, foram igualmente sem novidades, apesar da abundância de palavras. As autoridades prometeram, mais uma vez, um grande plano de redução de custos fiscais e financeiros. O corte de encargos trabalhistas, iniciado em 2011, será estendido a novos setores, haverá diminuição de impostos federais e crédito mais barato será oferecido aos empresários. Além disso, o governo investirá em obras de infraestrutura e tentará baixar o custo da energia. Todas essas promessas eram conhecidas.
Não valeria a pena os empresários irem a Brasília para repetir suas queixas e para ouvir de novo as declarações de bons propósitos do governo, exceto, talvez, por um detalhe: pelo interesse de participar, ao lado de figuras muito importantes do setor privado, de um encontro com a chefe do governo. No caso da presidente Dilma Rousseff, muito menos propensa do que seu antecessor a reuniões desse tipo, a raridade do evento também pode ter sido um atrativo.
Mas a presidente foi além das promessas e da cobrança de mais investimentos. Ela pediu uma atuação mais forte dos empresários a favor da Resolução 72/2011 do Senado, sujeita a forte resistência de várias bancadas estaduais. Se essa Resolução for aprovada, a redução das alíquotas interestaduais tornará muito mais difícil a guerra dos portos.
Mas vários empresários importantes e sindicalistas já estiveram no Congresso, nos últimos dias, participando de sessões especiais sobre o assunto e já deram seu recado. A presidente deve saber disso. Muito mais que um esforço de argumentação e de esclarecimento, ela pediu, portanto, um trabalho para a conquista de votos. Recorreu aos empresários, em suma, na esperança de terem êxito onde ela fracassou. Nesse, como em vários outros casos importantes, o Executivo tem sido incapaz de unir a base governamental em torno de um projeto considerado de alto interesse para o País.
A maior parte do encontro foi mera encenação de uma reunião produtiva entre a presidente e um grande grupo de pesos pesados da economia. O resto foi uma demonstração explícita dos problemas de um governo forçado a comprar e a recomprar, num comércio sem fim, a fidelidade de sua base no Congresso.

Governo não faz crescer o PIB sem aumentar a inflação

COISA DE FICÇÃO
É irreal a presunção dos governos de possuir superpoderes para inflar o crescimento do PIB com incentivos públicos, sem aumentar a inflação

super-dilma
O governo decidiu tolerar uma inflação mais elevada para, assim, permitir um crescimento mais acelerado.
As intenções da presidente Dilma Rousseff e de sua equipe foram escancaradas quando o IBGE divulgou o desempenho do PIB (o produto interno bruto, soma de tudo aquilo que é produzido pelo país) e confirmou a forte desaceleração da economia brasileira em 2011.
O crescimento foi de apenas 2,7%, um tombo expressivo em relação ao forte avanço de 7,5% em 2010. Tão logo os números foram divulgados, ministros e assessores de Dilma diziam que havia chegado a hora de o Banco Central (BC) apressar a queda nos juros.
No dia seguinte, o BC decidiu reduzir sua taxa básica, a Selic, de 10,5% para 9,75% ao ano. Os juros mais baixos, além de estimular a economia, teriam o efeito de combater a valorização do real.
Nem uma palavra sobre os riscos de alimentar a inflação
O governo promete ainda oferecer novos incentivos, entre eles a redução de tributos para alguns setores da indústria e também a ampliação das linhas de financiamento do BNDES. O objetivo declarado é alcançar um crescimento de pelo menos 4% em 2012.
Quanto aos riscos de essa política jogar lenha na fornalha da inflação, nenhuma palavra. O governo se julga assim dotado de superpoderes. Se fosse fácil assim, por que não fazer a economia crescer 100% ao ano, com inflação zero?
O exemplo é caricato, mas ajuda a explicitar a impossibilidade de os governantes sujeitarem uma economia a seus caprichos. A ideia de ter “um pouquinho mais de inflação para crescer um pouquinho mais” não é nova. Tem mais de cinquenta anos e foi aplicada nos Estados Unidos nos anos 1960.
Funcionou, mas por pouco tempo. A inflação foi se retroalimentando gradativamente. O erro dessa política foi explicitado pela revolução monetarista da Universidade de Chicago, liderada por Milton Friedman (Nobel de 1976).
Quando o governo tolera uma inflação mais elevada, as empresas e as pessoas incorporam às suas expectativas um aumento maior nos preços e nos salários. No fim, para evitar a propagação dessa bola de neve, foi necessário subir os juros e derrubar a atividade.
O passado mostra que, com juros menores, houve mais inflação
Mas o governo brasileiro parece não temer os riscos envolvidos. Segundo cálculos do economista José Júlio Senna, especialista em política monetária, a taxa real de juros (a Selic menos a inflação) foi de 9,4%, em média, entre 2005 e 2008. Nesse período, a inflação anual foi de 4,8%. No biênio 2010 e 2011, no entanto, a taxa real de juros caiu para menos da metade (foi de 4,2%).
Em contrapartida, a inflação média subiu para 6,2%. Conclusão: o governo aceitou um reajuste mais acelerado nos preços, optando por derrubar os juros.
“Apesar da queda expressiva nos juros, a inflação subiu, mas não explodiu”, afirma Senna. “Existem condições favoráveis, no momento, para que os preços não fujam do controle. Mas a história ensina que há riscos de essa política provocar pressões inflacionárias mais à frente.”
O caminho é aumentar a produtividade
Em outras palavras, de nada adiantará o governo incentivar o consumo se a oferta não crescer no mesmo ritmo. O resultado será apenas o aumento da inflação e das importações. A única maneira de acelerar o ritmo sem inflar os preços é ampliar a produtividade, indicador que mede a eficiência de um país em gerar riquezas a partir de seus recursos físicos e humanos.
O Brasil tem se saído mal nesse aspecto. Estudos do economista José Alexandre Scheinkman, professor da Universidade Princeton, nos Estados Unidos, revelam que a produtividade da economia brasileira não avançou nas duas últimas décadas. Nesse período, o indicador aumentou 10% nos Estados Unidos, 50% na China e 60% na Coreia do Sul.
“O Brasil passou por reformas importantes nestes últimos vinte anos, mas esse processo de ajustes perdeu velocidade recentemente. Ainda existem problemas sérios”, diz Scheinkman. “Na agropecuária, houve um crescimento significativo da produtividade, mas a indústria tem ficado para trás. Na média, a produtividade permaneceu estagnada.”
A “armadilha da renda média”
Em resumo, o Brasil avançou, mas numa velocidade inferior à de seus competidores, sobretudo pelas suas deficiências em educação, pesquisa tecnológica e infraestrutura. Para Barry Eichengreen, da Universidade da Califórnia, o país terá de se esforçar mais se quiser deixar o bloco das nações em desenvolvimento e se aproximar das desenvolvidas.
“Os países bem-sucedidos mantiveram um ritmo elevado de crescimento graças ao forte investimento em educação e infraestrutura, num patamar superior ao que o Brasil tem apresentado”, afirma Eichengreen. Para o economista, apenas assim será possível escapar da chamada “armadilha da renda média”.
Nos estágios iniciais de desenvolvimento, uma economia tira proveito da tecnologia e do conhecimento acumulado pelas nações ricas. Mas quando um país atinge padrões de renda média, como é o caso do Brasil, o crescimento passa a depender também das reformas internas e do investimento em tecnologia.
Japão e Coreia do Sul são exemplos de que se pode escapar dessa armadilha. Conclui José Alexandre Scheinkman: “Entendo a queixa da indústria com relação à perda de competitividade por causa do câmbio. Mas não será assim que resolveremos nossos problemas com a baixa produtividade”.
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José Júlio Senna, sócio da MCM Consultores e ex-diretor do BC (Foto: Mauro Nascimento / AE)
José Júlio Senna: “O governo e o BC aceitaram o aumento da inflação em troca de uma queda acentuada na taxa de juros e de um crescimento maior a curto prazo. Temo que pressões inflacionárias latentes sejam sentidas mais adiante, porém não prevejo uma explosão dos preços a curto prazo.”
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Barry Eichengreen, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA) (Foto: Guenter Schiffmann / Bloomberg News / Landow)
Barry Eichengreen:“As perspectivas são favoráveis, mas o Brasil precisa se esforçar mais. Os países que mantiveram taxas elevadas de crescimento por um período prolongado investiram pesado em educação (mais do que o Brasil tem feito) e na infraestrutura (bem acima dos níveis brasileiros).”
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José Alexandre Scheinkman, professor da Universidade Princeton (EUA) (Foto: Gilberto Taday)
José Alexandre Scheinkman: “O Brasil passou por reformas importantes. Mas existem problemas sérios, como a falta de pesquisa tecnológica e a infraestrutura ruim, que se manifestam na baixa produtividade. Desde 1990, a produtividade cresceu 60% na Coreia do Sul e 50% na China. No Brasil, ela ficou estagnada.”
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Otaviano Canuto, vice-presidente do Banco Mundial ((Foto: Sérgio Lima / FolhaPress)
Otaviano Canuto: “A questão da instabilidade econômica foi resolvida. É hora de retomar as reformas estruturais e atacar os gargalos que impedem o aumento da produtividade. Quanto antes retomarmos essa agenda, melhor.”
(Reportagem de Giuliano Guandalini publicada na edição impressa de VEJA)