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09 junho 2011

Os três votos corajosos vencidos no STF: Gilmar, Gracie e Peluzo


Decisão do Supremo de soltar o assassino Battisti equipara o país a uma república de bananas (Por Ricardo Setti)

“Decisão da Justiça não se discute, se cumpre”.
Isso pode valer para poderes públicos, mas, para um jornalista, discutir uma decisão da Justiça é obrigação.
Então quero deixar claro aqui, com todas as letras, minha opinião de que cobre de vergonha o país a decisão do Supremo Tribunal Federal que, por 6 votos a 3 – felizmente houve esses 3 votos – decidiu libertar o ex-terrorista italiano Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália, em diferentes instâncias, por 4 assassinatos cometidos na década de 70.
Battisti estava preso na Polícia Federal em Brasília desde 2007, enquanto aguardava uma decisão final sobre um pedido de extradição solicitado pela Itália. Ele nunca cumpriu pena em seu país pelos crimes que cometeu. Andou foragido pela França, passou por outras partes até se fixar na terra do vale-tudo, o velho e bom Brasil.
O Supremo decidiu em 2009 que caberia sua extradição, mas deixou a decisão final nas mãos do então presidente da República. O então ministro da Justiça, Tarso Genro, defensor intransigente do criminoso, alegava que ele poderia ser “perseguido” na Itália, se para lá enviado.
No último dia do lulalato, o ex-presidente decidiu não extraditar Battisti, com base num absurdo parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) que, na linha de Tarso Genro, alegava que Battisti, extraditado, correria riscos em sua integridade em seu país – como se a Itália não fosse a democracia visceral que é, e sim um Irã, uma Coreia do Norte ou uma Somália. Na ocasião escrevi um indignado post a respeito.
De tudo o que se falou durante as longas 6 horas de duração do julgamento, gostaria de pinçar apenas três passagens, dos ministros que foram voto vencido.
1) Sentido de existência do Supremo com a decisão
Como o Supremo não tomou conhecimento do recurso interposto pelo governo italiano, o ministro Gilmar Mendes levantou a questão sobre se, ao delegar ao Planalto a palavra final num processo de extradição, o Supremo não perderia o sentido de existência: “Se for assim, o papel do tribunal é de um clube lítero-poético recreativo”, comparou, segundo o site de VEJA.
Mendes lembrou que o Supremo havia recomendado ao grão-vizir do lulalato que cumprisse o acordo internacional com a Itália, e que o presidente não poderia decidir manter Battisti no Brasil sob a alegação de que em seu país é um “perseguido” político:
– Nós estamos a falar de alguém que é condenado por 4 assassinatos. Não estamos a falar de alguém que foi preso por estar fazendo um passeio, um trottoir.
2) Nenhuma razão ponderável para supor que Battisti fosse submetido a “condições desumanas” na Itália
A ministra Ellen Gracie não viu base no parecer da Advocacia-Geral da União que sustentou a decisão de Lula:
– Li e reli o parecer oferecido pela AGU ao presidente e ali não encontrei menção a qualquer razão ponderável, a qualquer indício que nos levasse a crer que o extraditando [Battisti] fosse ser submetido a condições desumanas [na Itália].
3) Lula descumpriu a lei e a decisão anterior do Supremo
Por sua vez, o presidente do Supremo, Cezar Peluso – que aliás chegou ao Supremo por designação de Lula, em junho de 2003 –,foi direto ao ponto:
– Estou convencido que o senhor presidente da República, neste caso, descumpriu a lei e a decisão do Supremo Tribunal Federal.
Esses três ministros exerceram seu papel e não concordaram com uma decisão que, neste episódio, equipara o país perante a Itália, a União Europeia e o mundo a uma república de bananas.

Palocci caiu e Dilma diz que assumiu...


Dilma descobriu que ninguém troca alianças com o PMDB impunemente (Por Augusto Nunes):

A cerimônia de posse de Gleisi Hoffmann na chefia da Casa Civil também consumou o enterro de Antonio Palocci, escancarou as fissuras no PT e, sobretudo, formalizou a consolidação do PMDB no coração do poder. O vice-presidente Michel Temer, com a pose de quem conseguiu unificar um partido dividido em capitanias regionais e submeteu Palocci a um pito por telefone, foi citado três vezes no discurso de Gleisi (duas a mais que Lula). E mereceu de Dilma Rousseff o tratamento afetuoso que não foi estendido ao PT. Os espertalhões perderam outra batalha contra os velhacos.
Na abertura do palavrório, além de afagar o vice com a suavidade que nega aos companheiros, a presidente saudou José Sarney como representante do Legislativo, Romero Jucá como síntese dos senadores e Cândido Vaccarezza, líder do governo, como uma perfeita tradução dos deputados federais. O petista gaúcho Marco Maia, eleito presidente da Câmara sem o aval do Planalto, não ouviu seu nome pronunciado nem por Dilma nem por Gleisi.
Na segunda-feira, José Dirceu comemorou em Brasília a queda iminente do inimigo Palocci e o início de um governo Dilma controlado pela direção do PT. Descobriu horas depois que festejara um tiro no pé. O partido do guerrilheiro de festim continua com o tamanho que tinha antes da descoberta do milagre da multiplicação do patrimônio de Antonio Palocci. O PMDB, além de aumentar a bancada no Senado com a posse de Sérgio de Sousa, suplente de Gleisi Hoffmann, ficou mais musculoso.
Durante a crise protagonizada pelo traficante de influência, não se registraram diferenças notáveis no comportamento dos principais partidos governistas. Ambos evitaram o abraço do afogado e continuaram na praia em busca de mais espaços. Mas a presidente compreendeu que não conseguirá governar sem o apoio do PMDB. É essa a sigla que hoje decide o que será ou não aprovado no Congresso. E faz questão de ser tratada com muito carinho.
Ninguém troca alianças com o PMDB impunemente. Políticos ou partidos que se unem à legenda representada pela trinca Temer-Sarney-Jucá costumam descobrir tarde demais que o casamento só pode ser dissolvido se a noiva quiser. Pelos sorrisos registrados nesta tarde, a noiva está muito feliz.

08 junho 2011

Um banco muito especial ou ciranda, cirandinha…_Por José Serra

Vejam o que José Serra escreve  em seu blog:

Sabem qual é a maior instituição financeira da economia brasileira? O Tesouro Nacional, ele mesmo. Não há nenhuma outra que detenha, como o TN, um volume de crédito equivalente a 14% do PIB (final de abril), diretamente contra bancos oficiais federais ou através de fundos e programas. Destes, o Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT é o maior de todos (3.9% do PIB na rede bancária). Mas existem outros importantes, como os fundos de desenvolvimento regional ou os setoriais (por exemplo, da marinha mercante). Se fosse incluída a dívida renegociada com estados e municípios (11.5% do PIB), o total de crédito do Tesouro seria superior a 25% do produto.
A rigor, o Tesouro não é um banco, mas o fato é que fornece crédito como se fosse – firma contratos de empréstimos, com juros, prazos, etc. Não sei quanto outros Tesouros fazem isso no mundo; afinal, não é sua função precípua, talvez nem secundária. Por analogia, poderíamos equiparar o Tesouro brasileiro a um banco muito especial.
Em uma de suas modalidades de operação como instituição financeira, o Tesouro começa captando empréstimos no mercado, mediante a emissão de títulos da dívida pública, à taxa SELIC, que é a taxa básica de juros da economia. Empresta então, ao BNDES, a uma taxa bem menor, chamada Taxa de Juros de Longo Prazo, a TJLP. O total desses créditos especiais do Tesouro às instituições financeiras oficiais é enorme: equivalia a 6.8% do PIB no final de abril.
No final de 2010, o passivo do BNDES junto ao Tesouro Nacional já era de 51,4% do total do passivo do banco (fora o FAT constitucional), o que indica que aquele banco se torna cada vez mais um braço de operação do Tesouro Nacional.
Na aparência, essa operação não eleva a dívida pública brasileira, que costuma ser medida pelo conceito líquido, que é o utilizado no Brasil (mas o resto do mundo privilegia o conceito de dívida bruta). Em termos da dívida líquida, o passivo gerado pelo dinheiro que o Tesouro tomou no mercado é contrabalançado pelo ativo do empréstimo feito ao BNDES. Tudo zerado, maravilha.
Acontece que há um subsídio implícito na operação, pois a taxa SELIC (referência para o que o Tesouro deve) é bem mais alta do que TJLP (que remunera seu crédito) – neste ano tem sido mais de 100 por cento superior. Ou seja, o Tesouro paga uma taxa de mais de 12% ao ano para se financiar e empresta ao BNDES a uma taxa de 6% ao ano. Esse subsídio é pago por toda a sociedade, mas beneficia apenas quem toma empréstimos no banco oficial com taxas especiais. Seu montante foi estimado em cerca de 15 bilhões de reais pelo economista Mansueto de Almeida, mesmo antes de a SELIC voltar a ser elevada. Trata-se de uma despesa explícita que não é aprovada, como tal, no Orçamento Geral da União, além de atentar contra a boa transparência das contas públicas.
Mas há um segundo custo, orçamentário, apontado pelo Mansueto, no âmbito do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), como o que decorre da equalização de taxas do Programa de Financiamento às Exportações Brasileiras (PROEX) ou mesmo das equalizações de taxas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Embora o Ministro da Fazenda já tenha declarado que o custo desse subsidio monta a R$ 5 bilhões por ano, os pagamentos correspondentes, estranhamente, não apareceram até o momento nas tabelas de gasto do Tesouro Nacional. Esse custo orçamentário, quando somado ao subsídio implícito indicado acima, aponta para um custo total de, no mínimo, R$ 20 bilhões ao ano.
Há um outro aspecto relevante, que não tem sido apontado. Quem empresta para o Tesouro, comprando seus títulos? São instituições financeiras e empresas brasileiras que neles aplicam suas disponibilidades de caixa. Mas, ao mesmo tempo, muitas delas tomam empréstimos junto aos bancos federais que recebem o dinheiro do Tesouro. Ou seja, o Tesouro se endivida junto a empresas que tomam o crédito subsidiado dos bancos oficiais alimentados pelo próprio Tesouro. Bela ciranda.
Muitas empresas têm dinheiro para se expandir, mas preferem fazê-lo com financiamento subsidiado do BNDES e aplicar seus recursos próprios a uma taxa de juros maior. Seria um círculo perfeito não fosse vicioso, pois há aquela brutal diferença entre os juros pagos pelo Tesouro e os recebidos por ele e por seus bancos. O próprio BNDES tem o prazer de entrar nessa ciranda, pois elevou sua tradicionalmente pequena carteira de títulos públicos para além de R$ 25 bilhões em 2010!
Ciranda, cirandinha, vamos só alguns cirandar… Os outros, a sociedade quase inteira, só entra na roda para pagar.
PS – Note-se que há mais papéis públicos em mercado do que o total apontado como dívida pública líquida, conceito oficial para medir o endividamento público: 42.3% em dívida mobiliária direta do Tesouro mais 9.9% em operações compromissadas do Banco Central (final de abril).

06 junho 2011

Ministro Cézar Peluso (Presidente do STF) vai deixar sua marca (In:Ricardo Setti_Veja.com)


Amigos, parece coisa chata e burocrática, mas é um passo importante que pode, se imitado, beneficiar milhões de brasileiros que recorrem à Justiça e não sabem quando a coisa vai acabar.
Por iniciativa do ministro Cezar Peluso, presidente do Supremo Tribunal Federal, a Caixa Econômica Federal (CEF) assinou hoje um acordo com a corte se comprometendo a desistir de recorrer em processos em que “baixos valores” estejam em causa e nos casos em que a matéria já esteja “pacificada” pelo tribunal, ou seja, em que o tribunal tenha resolvido da mesma forma reiteradas vezes.
A Caixa é o segundo maior litigante do Judiciário, sendo parte em 8,5% de todos os processos que tramitam no país, segundo levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O maior litigante de todos é é o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Invertendo a lógica de recorrer sempre
“Invertendo a lógica da administração pública, que é recorrer sempre, a partir de agora, o advogado da Caixa, para recorrer ao STF, vai precisar de autorização superior e demonstrar que efetivamente estamos tratando de uma matéria relevante e com perspectiva de apreciação positiva no STF”, afirmou o diretor jurídico do banco, Jailton Zanon.
Zanon evitou explicar o que seriam “baixos valores” mas, de todo modo, o passo dado pela Caixa é relevante. Basta lembrar que o CNJ informou, em dezembro passado, de que há espantosos, inverossímeis 90 milhões de processos atulhando juízes e tribunais em todo o país. (Se assim for, só a Caixa lidaria com 7 milhões de processos).
Sim, amigos do blog, vocês leram bem: 90 milhões de processos! Ou seja, na média um pouco mais de 1 para cada 2 brasileiros, enquanto nos países adiantados essa proporção é de 1 processo para cada 100, 200 ou 300 habitantes.
A velhinha que espera reajuste de pensão há 34 anos
Entre esses, das várias centenas de milhares que entopem os tribunais superiores, em especial o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o ministro Marco Aurélio Mello, ex-presidente do Supremo, declarou também no ano passado calcular que nada menos de 75% tivessem o poder público como parte.
Pior do que isso: na grande maioria das vezes, governos, fundações públicas e autarquias recorriam (e recorrem) de sentenças desfavoráveis, em geral referentes a dívidas, sabendo que não iriam ganhar – quer dizer, com o único e exclusivo propósito de ganhar tempo. Sem contar que muitas vezes é a lei que obriga a que haja recurso automático, obrigatório.
Há casos clamorosos de enrolação em todas as áreas do Judiciário, como o registrado pela imprensa no ano passado de uma velhinha de 102 anos que esperava há 34 anos o reajuste da pensão deixada pelo marido falecido.

05 junho 2011

O poder de Dilma vai se esvaindo, comenta Carlos Brickmann_(In: Ricardo Setti_Veja.com)



Amigos, “É sólido mas desmancha no ar” é o título da coluna do jornalistaCarlos Brickmann publicada hoje em 5 jornais. Reproduzo a primeira nota, que trata do poder da presidente Dilma se esvaindo.
O PMDB, que sabe para onde sopra o vento, já deu o sinal: em seu programa de TV, que foi ao ar na última quinta, falou maravilhas de Lula e pouquíssimo de Dilma. O PMDB gosta de quem tem poder e pode partilhá-lo. A pessoa mais magnífica é esquecida tão logo perde as condições de distribuir bons cargos.
A bancada governista – sem querer, naturalmente – permitiu que duas medidas provisórias deixassem de ser votadas, perdendo assim a validade.
Anthony Garotinho, que até já foi do PT, utiliza o caso Palocci para emparedar a presidente: ou consegue o que quer ou ajuda a complicar a vida do ministro e do governo. Já conseguiu a retirada do kit gay, a rediscussão da lei anti-homofobia, e continua avançando. É franco: diz que o caso Palocci é um diamante que vale 20 milhões. Agora quer a aprovação da PEC-300, aquela que aumenta os salários da PM, em boa parte com dinheiro federal. Ou Palocci que se cuide.
Os cartunistas tripudiam: já chamaram a presidente até de Dilmanic, uma lembrança ao esplêndido navio que naufragou na viagem inaugural. Uma senadora, esposa de um ministro, dá ordens à presidente: ou tira Palocci agora ou fica difícil para a bancada segurá-lo no posto. Ela também é clara: os mensaleiros agiram em nome de um projeto coletivo, enquanto o de Palocci era um projeto individual. Enfiar a mão, vá lá, mas só se for para o partido.
Dilma, avessa a eventos sociais, é obrigada a receber parlamentares e ainda os acompanha à garagem na saída. Só falta exigirem que manobre os carros.

As felizes "coincidências" de Lula, o 'pale$trante da fome'


Foto: David Fernandez/EFE
Depois de baixar em Brasília para piorar a crise protagonizada por Antonio Palocci, Lula resolveu aproveitar a vida no exterior. Na segunda-feira, fez uma palestra no Panamá para executivos da Odebrecht. Na terça, repetiu o numerito nas Bahamas para convidados do bilionário mexicano Carlos Slim. Na quarta, a bordo de um avião cedido por Slim, apareceu em Cuba para a escala de um dia e meio, com todas as despesas pagas pela Odebrecht. Vistoriou ao lado do ditador Raúl Castro as obras do porto de Mariel, construído pela Odebrecht ao preço de 200 milhões de dólares bancados pelo BNDES, e foi beijar a mão de Fidel escoltado por José Dirceu, Franklin Martins e Paulo Okamoto.
Na quinta, Lula levou a trinca para engrossar a plateia da palestra, paga pela Odebrecht, que faria na Venezuela. Foi recepcionado em Caracas por Emilio Odebrecht, presidente do Conselho Administrativo da construtora, e Marcelo Odebrecht, diretor-presidente. Não sobrou lugar para a imprensa no local do evento, reservado a empresários, investidores e diplomatas convidados pela Odebrecht.
Com mais de um ano de atraso, o presidentte Hugo Chávez ordenou, na véspera da chegada de Lula, o pagamento dos R$ 996 milhões que o governo venezuelano devia à Odebrecht, premiada com a construção do metrô de Caracas e da terceira ponte sobre o Rio Orinoco. Quase 1 bilhão de reais, parcialmente financiados pelo BNDES. Os diretores da Odebrecht garantem que foi só uma agradabilíssima coincidência. Em todo caso, no encontro com o amigo Chávez, Lula agradeceu a gentileza. Em seu nome e em nome da Odebrecht.

Palocci: quem faz oposição ao PT é o próprio PT, que é do ramo


Por Denise Madueño e Eugênia Lopes, no Estadão:
De perfil tranquilo, porém soturno, como apontam os próprios petistas, o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, não promove o enfrentamento político interno, mas se mostra vulnerável ao “fogo amigo”. É dentro do próprio PT que estão os maiores desafetos de Palocci, situação que pode, na atual crise política, ajudar a empurrar o ministro para fora do cargo exatamente quando o Planalto avalia a repercussão das explicações fornecidas por ele na última sexta-feira.
Nestes cinco primeiros meses do governo de Dilma Rousseff, ele desagradou parte da bancada petista na Câmara, que até hoje não conseguiu emplacar seus 104 indicados para cargos de segundo escalão. Com alguns, Palocci bateu de frente. Foi o caso do ex-presidente do PT e deputado Ricardo Berzoini (SP), que perdeu posições no Banco do Brasil e na Previ - o fundo de pensão dos funcionários do banco.
Palocci é considerado eterno adversário de parlamentares paulistas que alimentam a esperança de virarem candidatos do PT ao governo de São Paulo. Até a recente crise política da qual ele é protagonista, por conta de sua evolução patrimonial, o nome do ministro era sempre lembrado para o cargo. Na lista de alguns petistas, Palocci é, inclusive, potencial candidato à Presidência em 2018.
A exposição o coloca em confronto com outro peso-pesado petista, que vê Palocci como uma ameaça a pretensões eleitorais: o ex-ministro José Dirceu. Colegas de ministério no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, ambos disputavam a preferência do chefe na corrida pela sucessão presidencial. Os dois foram abatidos por se envolverem em escândalos, criando um vácuo ocupado por Dilma.
Imposto por Lula à então candidata à Presidência, Palocci conquistou ao poucos o lugar do “homem forte” da campanha de Dilma. Substituiu o hoje ministro Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, amigo fiel e o preferido de Dilma. Apesar dos esforços de José Dirceu para deixá-lo de fora do “núcleo duro” do governo Dilma, Palocci conseguiu se transformar no principal auxiliar da presidente.
Boa parte da bancada federal do PT também não morre de amores pelo ministro. A ala do partido que elegeu Marco Maia (RS) presidente da Câmara e Paulo Teixeira líder do partido defende uma mudança geral na coordenação política.Além do Palocci, os alvos são o ministro Luiz Sérgio (Relações Institucionais), e o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP). Os grupos ligados a Maia e a Vaccarezza estão em atrito desde a disputa pela presidência da Câmara. A ala de Maia, vencedora, não se conforma com a manutenção de Vaccarezza no cargo.Aqui

Entenda o caso Palocci - se for capaz!


A história do apartamentão onde mora a família do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci vai ficando cada vez mais enrolada. Quanto mais se sabe a respeito, menos se esclarece.
Reportagem da VEJA desta semana, em síntese (leia a íntegra da reportagem na revista), informa que:
- O apartamento pertence, desde setembro de 2008, a  uma empresa chamada Lion Franquia e Participações Ltda. Trata-se de uma empresa fantasma, de fachada. Ela não existe no endereço informado.
- Os donos da Lion seriam Dayvini Costa Nunes, com 99,5%, e Felipe Garcia dos Santos, com 0,5%. Felipe tem 17 anos e foi emancipado no ano passado.
- Dayvini é assumidamente um “laranja”. Tem 23 anos, mora numa casa de fundos em Mauá, no ABC paulista, e ganha R$ 700 por mês. O apartamento em que Palocci mora vale R$ 4 milhões.
4 - A Lion recebeu o apartamento, num rolo envolvendo hipoteca, de um certo Gesmo Siqueira dos Santos, tio de Dayvini, que responde a 35 processos, incluindo falsificação de documentos.
5 - Inicialmente, Dayvini disse à reportagem de VEJA que não sabia que o tinham colocado como laranja numa empresa. No dia seguinte, mudou a versão e afirmou que estava mentindo. Nas suas palavras: “Desde que você falou comigo, não consigo dormir, por causa dessas coisas que envolvem pessoas com quem não tenho como brigar, como o Palocci, entendeu? Eu não tenho como bater de frente com essas pessoas. Sou laranja.”
Bem, a história já é confusa até aqui, certo? Certo! Ontem, o advogado de Palocci reagiu à reportagem de VEJA, e a assessoria do ministro emitiu nota. Escrevi a respeito.
Na nota, afirma a assessoria:
“1. O imóvel em que vive a família do ministro Antonio Palocci Filho em São Paulo foi alugado em 1º de setembro de 2007 por indicação da imobiliária Plaza Brasil, contatada para este fim;
2. O contrato foi firmado em bases regulares de mercado entre Antonio Palocci Filho e os proprietários Gesmo Siqueira dos Santos, sua mulher, Elisabeth Costa Garcia, e a Morumbi Administradora de Imóveis;
3. O contrato foi renovado em 1º de fevereiro de 2010 entre Antonio Palocci Filho e a Morumbi Administradora de Bens, sucessora da Morumbi Administradora de Imóveis”.
Certo! Desde setembro de 2008, o apartamento estava em nome da Lion, a tal empresa fantasma. Com quem foi acertada a renovação? Mas essa é ainda a estranheza menor.
Imobiliária também fantasma?
O Globo se interessou pela imobiliária que alugou o apartamento e descobriu algumas coisas interessantes:
1 - A Morumbi Administradora de Bens, que alugou o apartamento, deu endereço falso à Receita Federal e não funciona no prédio que informou no contrato de locação do ministro;
- Quem assina o contrato como sócio proprietário da imobiliária é Henrique Garcia Santos. Atenção: esse Henrique aparece como o primeiro dono da… Lion , justamente a empresa que se diz dona do imóvel e que está em nome de Dayvini, o laranja;
3 - É pouco? O endereço desse Henrique na Junta Comercial é o mesmo fornecido pelo tal Gesmo, tio de Dayvini.
Juro que estou sendo o mais claro que consigo.
Síntese da síntese
1 -
 Dayvini Costa Nunes é laranja da Lion;
- a Lion é uma empresa fantasma;
3 - Gesmo Santos, tio de Dayvini, transferiu o imóvel para a Lion;
- a imobiliária que alugou o imóvel também deve ser fantasma;
- Henrique Garcia, sócio da imobiliária, era o primeiro dono da Lion;
6 - endereço de Henrique era o mesmo de Gesmo.
Pergunta finalEm que tipo de imobiliária alguém com a importância de Palocci aluga apartamento e com que tipo de gente assina contrato? E olhem que não é coisa à-toa. Segundo a assessoria, ele paga R$ 13,5 mil de aluguel, fora condomínio e IPTU. A gente sabe que ele não tem problema de dinheiro. Quando menos, a imprensa zela pelas pessoas com as quais estabelece vínculos comerciais…  Há imobiliárias no mercado especializadas em alugar apartamentos de alto padrão, dignos de Palocci. Espero que ele tenha sido mais prudente ao escolher a que lhe vendeu aquele outro, nos Jardins, o de R$ 6,5 milhões.