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25 junho 2011

Copa do Mundo

Festa macabra
ARTIGO PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA QUINTA-FEIRA
Demétrio Magnoli e Adriano Lucchesi
“Há uma percepção crescente de que a aritmética da Copa do Mundo é um tanto instável”, escreveu o Times de Johannesburgo um mês depois do triunfo da Espanha nos campos sul-africanos. “Temos estádios em excesso para nosso próprio uso. Talvez devêssemos exportar estádios para o Brasil, que fará sua Copa do Mundo?”. A constatação estava certa; a sugestão, errada. O Brasil, país do futebol, terá o mesmo problema que a África do Sul, país do rúgbi. Aqui, como lá, a festa macabra da Fifa é um sorvedouro implacável de recursos públicos.
Mafiosos usam a linguagem da máfia. Confrontado com evidências de corrupção na organização que dirige, Sepp Blatter avisou que tais “dificuldades” seriam solucionadas “dentro de nossa família”. As rendas de radiodifusão e marketing da Fifa ultrapassaram os US$ 4 bilhões no ciclo quadrienal encerrado com a Copa da África do Sul. O navio pirata já se moveu para o Brasil, onde a Fifa articula com seus sócios a rapina seguinte.
O brasileiro João Havelange planejou a globalização do futebol, expandindo a Copa para 24 seleções, em 1982, e 32, em 1998. Blatter concluiu a transformação, rompendo a regra de rodízio de sedes entre Europa e América. Como constatou a Sports Industry Magazine, sob um processo milionário de licitação do direito de hospedagem, as ofertas nacionais assumiram “a forma de promessas de mais e mais pródigos novos estádios para os jogos e novos hotéis luxuosos para uso dos dirigentes da Fifa e de fãs endinheirados”. A Copa é um roubo: as despesas são pagas com dinheiro público, de modo que a licitação “constitui, de fato, um esquema de extração de renda concebido para separar os contribuintes de seus tributos”.
O saque decorre da conivência de governos em busca de prestígio e de negociantes em busca de oportunidades. Na Europa a rapinagem é circunscrita por uma cultura política menos permeável à corrupção e pela existência prévia de modernas infraestruturas hoteleiras, esportivas e de transportes. Por isso a Fifa seleciona seus próximos alvos segundo critérios oportunistas de vulnerabilidade. Encaixam-se no perfil África do Sul e Brasil, países emergentes que ambicionam desfilar no círculo central do mundo, assim como a semiautoritária Rússia, sede de 2018, e a monarquia absoluta do Qatar, que bateu a Grã-Bretanha na disputa por 2022.
Antes das Copas, consultores associados às redes mafiosas produzem radiosas profecias sobre os efeitos econômicos do evento. Depois, quando emergem os resultados efetivos, eles já estão entregues à fabricação de ilusões no porto seguinte. A África do Sul gastou US$ 4,9 bilhões em estádios e infraestruturas, que gerariam rendas imediatas de US$ 930 milhões derivadas do afluxo de 450 mil turistas, mas só arrecadou US$ 527 milhões dos 309 mil turistas que de fato entraram no país.
O verdadeiro legado positivo da Copa de 2010 foi a mudança de paradigma no sistema de transporte público urbano, pela introdução de ônibus, em corredores dedicados, e do Gautrain, trem rápido de conexão com o aeroporto de Johannesburgo. Os ônibus enfrentavam selvagem resistência dos sindicatos de operadores de peruas, superada pelo imperativo urgente do evento esportivo. O Gautrain serve exclusivamente à classe média, com meios para adquirir bilhetes cujos preços excluem a população pobre. Mas o argumento de que sem uma Copa, não se realizariam obras necessárias de mobilidade urbana equivale a uma confissão de incompetência da elite dirigente.
Eventos esportivos globais tendem a gerar ruínas urbanas, mesmo em países mais inclinados a zelar pelo interesse público. Japoneses e sul-coreanos ainda subsidiam a manutenção das arenas da Copa de 2002. As dívidas contraídas para as obras da Olimpíada de Atenas e da Eurocopa de 2004 aceleraram a marcha rumo à falência da Grécia e de Portugal. A África do Sul incinerou US$ 2 bilhões na construção e reforma das dez arenas da Copa. Todas, com exceção do Soccer City, de Johannesburgo, usado para jogos de rúgbi e shows, figuram hoje como monumentos inúteis, conservados pela injeção de dinheiro público. A Cidade do Cabo paga US$ 4,5 milhões ao ano pela manutenção da arena de Green Point, erguida ao custo fabuloso de US$ 650 milhões e usada apenas 12 vezes depois da Copa. Lá se desenrola um melancólico debate sobre a alternativa de demolição do icônico estádio, emoldurado pela magnífica Table Mountain.
O Brasil decidiu ultrapassar a África do Sul. Aqui, serão 12 arenas, a um custo convenientemente incerto, mas bastante superior aos dispêndios sul-africanos. As futuras ruínas já drenam vultosos recursos públicos, mal escondidos sob as rubricas de empréstimos do BNDES e subsídios estaduais e municipais. O governo paulista prometeu não queimar o dinheiro do povo na festa macabra da Fifa, mas o alcaide Gilberto Kassab assinou um cheque público de US$ 265 milhões destinado ao estádio do Corinthians. São 16 centros educacionais, para 80 mil estudantes, sacrificados por antecipação no altar de oferendas às máfias da Copa. O gesto de desprezo pelas necessidades verdadeiras dos contribuintes reproduz iniciativas semelhantes adotadas, Brasil afora, por governos estaduais e municipais.
Segundo a lógica perversa do neopatriotismo, a Copa é um artigo de valor só mensurável sob o prisma da restauração do “orgulho nacional”. De fato, porém, a condição prévia para a Copa é a cessão temporária da soberania nacional à Fifa, que assume funções de governo interventor por meio do seu Comitê Local. O poder substituto, nomeado por Blatter, já obteve o compromisso federal de virtual abolição da Lei de Licitações e pressiona as autoridades locais pela revisão das regras de concorrência pública. Malemolentes, ao som dos acordes de um verde-amarelismo reminiscente da ditadura militar, cedemos os bens comuns à avidez dos piratas.

Ideli, a "aloprada"_(post de Reinaldo Azevedo em Veja.com)

IDELI, A ALOPRADA, TEM DE IR PARA A RUA, JUNTO COM MERCADANTE! OU MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES INSTITUCIONAIS VIRA O MINISTÉRIO DO CRIME
Ideli Salvatti, a ministra das relações nada institucionais: "Quem? Eeeuuu???"
Ideli Salvatti, a ministra das relações nada institucionais: "Quem? Eeeuuu???"
Todos já sabiam que Ideli Salvatti não reunia condições, digamos assim, intelectuais de ser a coordenadora política do governo. Sua inteligência política sempre foi correspondente à sua elegância em plenário, ao tempo em que funcionava como pit bull do lulismo para as tarefas mais escabrosas: melar a CPI do mensalão, defender José Sarney, alinhar-se com Renan Calheiros… Era passar a missão, e Ideli executava. Muito bem! A VEJA desta semana traz uma revelação escabrosa: ELA PARTICIPOU, COMO SENADORA E LÍDER DO PT, DE UMA REUNIÃO COM O ALTO COMANDO DOS ALOPRADOS NO GABINETE DE ALOIZIO MERCADANTE E FOI A PRIMEIRA A MOBILIZAR A IMPRENSA PARA FAZER A “DENÚNCIA”. MAIS: MANIPULOU OS DOCUMENTOS FALSOS DO CRIME. Aconteceu no dia 4 de fevereiro de 2006, 11 dias antes de estourar o imbróglio. Lá estavam, além dos atuais ministros, Expedito Veloso, Osvaldo Bargas e Jorge Lorenzetti. Leiam trecho da reportagem de Hugo Marques e Gustavo Ribeiro:
(…)
Logo depois do encontro, do gabinete da senadora foi iniciada a preparação do que deveria ser a etapa derradeira do plano - a publicação do falso dossiê. As negociações do PT com os empresários que atuariam na farsa já estavam acertadas. Os criminosos queriam 20 milhões de reais pelo serviço, mas acabaram aceitando o valor de 1,7 milhão de reais oferecido pelo partido, dinheiro que Mercadante se comprometeu a conseguir com a ajuda do ex-governador Orestes Quércia, segundo as revelações de um dos participantes da reunião, o bancário Expedito Veloso. Na reunião, os cinco - Mercadante, Ideli, Expedito. Lorenzetti e Bargas - manusearam uma lista com números de cheques e fotos de um empresário já falecido que, na montagem da história, seria apresentado como elo da quadrilha com os tucanos. Uma cópia do material foi deixada com a senadora. E ela deu início ao que deveria ser a apoteose do trabalho: procurou jornalistas interessados em divulgar o conteúdo, exibiu os papéis e disse que aquilo era apenas uma pequena amostra da munição que o PT tinha para fulminar os tucanos. Ela conhecia todos os detalhes do dossiê e deixou sua assessoria à disposição para ajudar no trabalho de divulgação. A senadora, aliás, não escondia os motivos de seu empenho: as revelações, segundo ela, atingiriam Serra e beneficiariam o PT na eleição em São Paulo, mas também repercutiriam na disputa presidencial em favor da reeleição do presidente Lula.

23 junho 2011

O MEC está "fazendo a cabeça" de nossos filhos com ideias "comunas"


“O governo federal está fazendo educação ideologizada e criminosa”, diz o senador Demóstenes, citando livros didáticosDenúncia do Senador Demóstenes Torres (DEM, GO) In: Ricardo Setti (Veja.com):

Demóstenes Torres: livros da rede pública contêm "idiotia", menção a guerra racial, loas ao MST e propaganda do governo, entre outros problemas
(Da Agência Senado)
Citando trechos de livros das coleções distribuídas para as escolas públicas de todo o país, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) disse nesta terça-feira, 21, que “o governo federal está fazendo educação ideologizada e criminosa”. Ele afirmou que, além de ensinar matemática errada e agredir o idioma, o Ministério da Educação tenta fazer de cada aluno “um militante de ONG, sindicato ou partido ligado ao Palácio do Planalto”.
– Folhear o livro [Viver, Aprender] é um passeio pelos diversos ensaios da idiotia. Lê-lo é ter contato com um texto confuso, às vezes patético. Estudar por ele é tomar aula primária de militância esquerdista com argumentos pré-revolução russa de 1917. Duvida do descobrimento do Brasil, repete a catilinária da guerra racial e sai semeando aleivosias — assinalou.
Segundo Demóstenes, o livro Vivências e Diversidades informa que há apenas dois grupos de jovens no Brasil, o dos negros e pardos, com 51% da população, e o de brancos, com 49%. Na estatística do ministério, disse o senador, não existem no país os amarelos, cafuzos, mamelucos, polacos, mulatos, mestiços e índios. O senador também disse que o “marketing chapa-branca” fez com que os livros incorporassem propaganda explícita do governo, com reprodução integral de peças publicitárias.
– Na lavagem cerebral do governo, a desigualdade social chegou com os portugueses e só começou a melhorar mais de cinco séculos depois, em 2003, quando o salvador de Cesare Battisti tomou posse.
Ele chamou a atenção para uma frase sobre as capitanias hereditárias encontrada em um dos livros autorizados pelo MEC: “Esse foi o início da formação de grandes propriedades de terra no Brasil, em geral concentradas nas mãos de poucos”.
– Pela lógica da companheirada – analisa Demóstenes — os chacareiros de agora são todos herdeiros de Francisco Giraldes, Jorge Dalbuquerque e Vasco Coutinho, com alguns primos de Mem de Sá e Tomé de Souza.
Demóstenes também citou trecho dos livros que apresentam os barracos de lona do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) como “habitações provisórias enquanto lutam pela posse definitiva da terra” e uma foto que mostra uma invasão de terra em que, conforme afirmou, “a ilegalidade é rebatizada de ocupação”.
Ele ressaltou que o livro “nada diz a respeito do líder quadrilheiro José Rainha, agora preso por roubar dos pequenos agricultores para se divertir com carrões, viagens e festas”.
– Esse amontoado de loas ao MST é estudado nas escolas urbanas e rurais, de Roraima ao Rio Grande do Sul, da Paraíba ao Acre. Fico imaginando qual seria a reação de um pai ou mãe de um aluno ao ler isso. Em nome de quê? Qual é o objetivo final de tudo isso? — questionou.
(…)
Leia a íntegra da reportagem da Agência Senado.

21 junho 2011

Cassab, o "malufista"


Kassab põe as manguinhas de fora: aceitaria Maluf em seu novo partido(Por Ricardo Setti, em Veja.com)

Maluf e Kassab: “Aceitaria todos aqueles que aceitem nosso plano de governo”, diz o prefeito de São Paulo
Amigos, eta partidinho, esse PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.
Eleito por uma legenda de oposição ao lulo-petismo, o DEM, aliado histórico do PSDB em São Paulo o prefeito tranquilamente traiu a aliança que retirou-o da desimportância para colocá-lo à frente da maior cidade do país e fundou um novo partido, para “ajudar” a presidente Dilma — e para atender a um grande números de interesses próprios e alheios, nenhum deles exposto com clareza.
O que ficou claro é que a fundação do partido consistiu em burla à legislação eleitoral: os políticos fundadores não perderam o mandato por quebra da fidelidade partidária, porque tecnicamente não trocaram de legenda.
Pois bem, para algum inocente que ainda imaginava que o prefeito pretendia trazer algo de novo à viciada cena política do país, Kassab deixou hoje mais do que claro, claríssimo, o tipo e a qualidade do saco de gatos é seu PSD: agora há pouco, em sabatina promovida pelo jornalFolha de S. Paulo e pelo portal UOL, não descartou uma eventual filiação do deputado Paulo Maluf (PP-SP) a seu partido, caso o ex-prefeito pretenda deixar seu partido, o PP. “Aceitaria todos aqueles que aceitem nosso plano de governo”, disse Kassab.
Se isso vier a ocorrer, dois velhos parceiros se reencontrariam: Kassab já foi malufista e integrou, como secretário de Planejamento, o candidato que Maluf conseguiu eleger como seu sucessor, o falecido ex-prefeito Celso Pitta (1997-2001).

Dilma e "petralhas" atingem o "virtuose": roubalheira em segredo!


O Tribunal de Contas da União não tem o direito de endossar o mais descarado assalto aos cofres públicos da história do Brasil

(Por Augusto Nunes em Veja.com)
No dilmês, essa ramificação degenerada da língua portuguesa que a presidente inventou, a forma é sempre mais reveladora que o conteúdo. O que diz Dilma Rousseff é invariavelmente tão raso que pode ser atravessado por uma formiga com água pelas canelas. O jeito de dizer confirma a cada 10 palavras que o governo brasileiro é chefiado por uma mulher incapaz de produzir uma frase com começo, meio e fim ─ além de inteligível. Hipnotizados pela discurseira inverossímil, os jornalistas às vezes nem percebem que a oradora sem rumo está soltando uma informação que vale manchete.
O fenômeno se repetiu durante a visita a Ribeirão Preto. Nos primeiros minutos do vídeo que registra o palavrório de sexta-feira, Dilma jurou três vezes que a ladroagem sem limites, sem vigilância e protegida pelo sigilo foi abençoada pelo Tribunal de Contas da União. “Esse regime e a lei foram discutidos amplamente pelo governo e com o TCU”, começou a presidente. “Sugiro que as pessoas… os jornalistas que fizeram a matéria que investiguem junto ao TCU”, insistiu. “Não é possível chamar o governo de que está garantindo roubalheira ou qualquer coisa assim”, fingiu indignar-se em seguida. “Isso foi negociado com o TCU!”
A revelação gravíssima não mereceu sequer um canto de página de jornal. Tampouco houve espaço para a nota divulgada na mesma sexta-feira pelo presidente do tribunal, Benjamin Zymler, que transforma os ministros em cúmplices de um ato criminoso. “O Regime Diferenciado de Contratações pode aperfeiçoar o controle de recursos públicos e o andamento das licitações e contratações”, murmurou Zymler, tentando abrandar a confissão de culpa com uma ressalva: o TCU só apoiará oficialmente a malandragem bilionária depois de aprovada pelo Congresso. A Câmara dos Deputados já disse amém. Falta o Senado.
A secretaria de Comunicação do TCU fez um único reparo às declarações de Dilma: nas reuniões com parlamentares governistas encarregados de cuidar do assunto, o tribunal foi representado não pelo presidente, mas por técnicos da instituição. Pior ainda. Os nove ministros, todos nomeados pelo chefe do Poder Executivo, poderiam invocar a ignorância como atenuante. Técnicos no assunto têm o dever de saber que o RDC é só uma sigla para camuflar a vigarice longamente planejada. Não haveria motivos para pressa se os preparativos para a Copa do Mundo tivessem começado no mesmo instante em que o Brasil soube que seria o anfitrião do evento marcado para 2014. (Veja post de maio de 2010).
Uns por inépcia, outros por cretinice, quase todos por se tratarem de corruptos de carteirinha, os pais-da-pátria incumbidos de tocar os trabalhos deixaram as coisas nas mãos de Deus ─ que, além de brasileiro, conversa com Lula todo dia. Passados três anos e meio, os arquitetos do conto da Copa tiraram do armário o instrumento que permite roubar sem sobressaltos. Até um bebê de colo sabe que está em curso o maior assalto aos cofres públicos desde 1500. Os ministros do TCU estão obrigados a impedi-lo. Embora nomeados pelo Planalto, todos têm como patrão a sociedade. Devem obediência aos brasileiros que pagam as contas. Todas, inclusive os salários do Tribunal de Contas.

14 junho 2011

Roraima não é mais "nosso"...

Publico aqui um texto que chegou por e-mail sem fazer juízo de valor sobre as afirmações do autor, apenas pelo prazer de polemizar:



Segue abaixo o relato de uma pessoa que passou recentemente em um concurso público federal e foi trabalhar em Roraima. Trata- se de um Brasil que a gente não conhece*..
 
 As duas semanas em Manaus foram interessantes para conhecer um Brasil um  pouco diferente, mas chegando em Boa Vista (RR) não pude resistir a fazer um  relato das coisas que tenho visto e escutado por aqui.
Conversei com algumas pessoas nesses três dias, desde engenheiros até  pessoas com um mínimo de instrução.
Para começar, o mais difícil de encontrar por aqui é roraimense. Pra falar a  verdade, acho que a proporção de um roraimense para cada 10 pessoas é bem  razoável, tem gaúcho, carioca, cearense, amazonense, piauiense, maranhense e  por aí vai. Portanto, falta uma identidade com a terra.
 Aqui não existem muitos meios de sobrevivência, ou a pessoa é funcionária  pública, (e aqui quase todo mundo é, pois em Boa Vista se concentram todos  os órgãos federais e estaduais de Roraima, além da prefeitura é claro) ou a  pessoa trabalha no comércio local ou recebe ajuda de Programas do governo.
 Não existe indústria de qualquer tipo. Pouco mais de 70% do território  roraimense é demarcado como reserva indígena, portanto restam apenas 30%,  descontando- se os rios e as terras improdutivas que são muitas, para se cultivar a terra ou para a localização das próprias cidades.
  Na única rodovia que existe em direção ao Brasil (liga Boa Vista a Manaus, cerca de 800 km ) existe um trecho de aproximadamente 200 km reserva indígena (Waimiri Atroari) por onde você só passa entre 6:00 da manhã e 6:00 da tarde, nas outras 12 horas a rodovia é fechada pelos índios (com autorização da FUNAI e dos americanos) para que os mesmos não sejam incomodados.
 Detalhe: Você não passa se for brasileiro, o acesso é livre aos americanos, europeus e japoneses. Desses 70% de território indígena, diria que em 90% dele ninguém entra sem uma grande burocracia e autorização da FUNAI.
 Outro detalhe: americanos entram à hora que quiserem. Se você não tem uma autorização da FUNAI mas tem dos americanos então você pode entrar. A maioria dos índios fala a língua nativa além do inglês ou francês, mas a maioria não sabe falar português. Dizem que é comum na entrada de algumas reservas encontrarem- se hasteadas bandeiras americanas ou inglesas. É comum se encontrar por aqui americano tipo *nerd*com cara de quem não quer nada, que veio caçar borboleta e joaninha e catalogá-las, mas no final das contas, pasme, se você quiser montar uma empresa para exportar plantas e frutas típicas como cupuaçu, açaí, camu-camu etc., medicinais ou componentes naturais para fabricação de remédios, pode se preparar para pagar '*
 royalties*' para empresas japonesas e americanas que já patentearam a maioria dos produtos típicos da Amazônia...
 Por três vezes repeti a seguinte frase após ouvir tais relatos: *Os americanos vão acabar tomando a Amazônia.*E em todas elas ouvi a mesma resposta em palavras diferentes.. Vou reproduzir a resposta de uma senhora simples que vendia suco e água na rodovia próximo de Mucajaí:
 *'Irão não minha filha, tu não sabe, mas tudo aqui já é deles, eles comandam tudo, você não entra em lugar nenhum porque eles não deixam. Quando acabar essa guerra aí eles virão pra cá, e vão fazer o que fizeram no Iraque quando determinaram uma faixa para os curdos onde iraquiano não entra, aqui vai ser a mesma coisa'*.
 A dona é bem informada não? O pior é que segundo a ONU o conceito de nação é um conceito de soberania e as áreas demarcadas têm o nome de nação indígena. 
 O que pode levar os americanos a alegarem que estarão libertando os povos indígenas. Fiquei sabendo que os americanos já estão construindo uma grande base militar na Colômbia, bem próximo da fronteira com o Brasil numa parceria com o governo colombiano com o pseudo objetivo de combater o narcotráfico. Por falar em narcotráfico, aqui é rota de distribuição, pois essa mãe chamada Brasil mantém suas fronteiras abertas e aqui tem estrada para as Guianas e Venezuela. Nenhuma bagagem de estrangeiro é fiscalizada, principalmente se for americano, europeu ou japonês, (isso pode causar um incidente diplomático). Dizem que tem muito colombiano traficante virando venezuelano, pois na Venezuela é muito fácil comprar a cidadania venezuelana por cerca de 200 dólares.
 Pergunto inocentemente às pessoas: porque os americanos querem tanto proteger os índios ? A resposta é absolutamente a mesma, porque as terras indígenas além das riquezas animal e vegetal, da abundância de água, são extremamente ricas em ouro - encontram-se pepitas que chegam a ser pesadas em quilos), diamante, outras pedras preciosas, minério e nas reservas norte de Roraima e Amazonas, ricas em PETRÓLEO.
 Parece que as pessoas contam essas coisas como que num grito de socorro a alguém que é do sul, como se eu pudesse dizer isso ao presidente ou a alguma autoridade do sul que vá fazer alguma coisa.
 É, pessoal... saio daqui com a quase certeza de que em breve o Brasil irá diminuir de tamanho.
 Será que podemos fazer alguma coisa???
 Acho que sim.

Para o governo, o tempo foge_Por José Serra

Cada um governe como acha melhor, e uma gestão deve ser medida pelos resultados que oferece ao país, desde que atue de acordo com as leis e com os princípios da ética. Há sinais de que o governo Dilma vive uma disfunção prematura. A administração vai aos trancos e barrancos, as dificuldades no Congresso surpreendem quando se olha o tamanho da base, e a vocação gerencial parece limitada ao terreno mágico da propaganda.

Oito anos e alguns meses depois de chegar ao poder e de lotear politicamente o setor, demonizando quem propunha atrair a iniciativa privada, o governo do PT decidiu promover a concessão de aeroportos – ainda que de forma confusa — a fim de tentar evitar o colapso do sistema. Haverá confissão maior de incompetência?
E ainda devemos torcer para que as concessões, se um dia chegarem, não repitam as das estradas federais, que o governo do PT entregou de graça aos felizes concessionários. E nem mesmo exigiu um bom serviço em troca. O resultado está aos olhos de todos. As estradas continuam ruins, bem abaixo da qualidade prometida. O pedágio está sendo cobrado, mas não há obras.  É um exemplo de privatização malfeita. Falta de convicção, despreparo técnico e excesso de improvisação costumam dar nisso.
No começo do mandato da atual presidente, divulgou-se a chegada de uma novíssima política econômica, em que o crescimento não mais ficaria constrangido pela luta anti-inflacionária. O resultado foi a deterioração das expectativas, o pânico diante das ameaças de reindexação e um recuo desorganizado — uma rota de fuga para a ortodoxia de má qualidade.
A consequência é terem contratado para este ano um PIB medíocre, acompanhado de inflação perigosamente alta. O governo promete fazê-la convergir para a meta no ano que vem, mas já sinalizou que vai fazer isso prolongando o aperto monetário, o pé no breque do crescimento. Em resumo, depois das indecisões e vacilações na largada, vão acabar comprometendo pelo menos dois anos — metade do mandato. E, como a âncora exclusiva do ajuste é a cambial, isso causará um estrago ainda maior na indústria brasileira.
O governo tampouco tem personalidade definida. Procura parecer ortodoxamente ambientalista no debate do Código Florestal e é ortodoxamente anti-ambientalista no atropelo para fazer andar a hidrelétrica de Belo Monte. Radicalizou desnecessariamente nos dois casos. Há terreno para entendimento no Congresso Nacional e na sociedade sobre o novo código, e há também como encaminhar a utilização do potencial hidrelétrico de uma maneira ambientalmente e socialmente responsável.
Bastaria ter disposição para o diálogo, um mínimo de serenidade, menos afobação, achar e chamar gente preparada, e, acima de tudo, ter clareza do que fazer. Coisas que, definitivamente, não parecem fazer parte do atual cardápio, como se a troca de ideias e a busca da convergência fossem um jogo de soma negativa e se confundissem com fraqueza. Governos fracos é que precisam dar permanentemente demonstrações de força. Governos sólidos têm o braço firme para segurar o leme enquanto conduzem com cuidado o barco para o destino.
Vivemos a era das improvisações e das mudanças inexplicáveis de rota. Na última campanha eleitoral, defendi que os direitos humanos passassem a ter importância maior na política externa brasileira, sempre vinculados à defesa do direito dos países à autodeterminação. Era uma posição com amplo apoio na sociedade, tanto que, antes mesmo de assumir, o novo governo anunciou a centralidade da questão na maneira como o Brasil conduz o diálogo com os demais países.
Agora, infelizmente, e sob pressão do Irã, o governo brasileiro reduziu a importância da visita da Prêmio Nobel da Paz iraniana Shirin Ebadi, uma advogada que luta pelos direitos humanos naquele país. A presidente encontra espaço na agenda para receber artistas que lhe proporcionem mídia favorável, mas não achou importante receber também essa valorosa lutadora, que batalha para ampliar os direitos das mulheres iranianas e de todos os cidadãos daquele grande país.
É a verdade revelada na sua face mais cruel. O governo do PT é a favor de promover os direitos humanos em países governados por adversários do PT. Quando se trata de governos amigos do petismo, prefere-se o silêncio diante das violações, dos abusos, dos massacres. Para os amigos, as conquistas da civilização; para os nem tanto, a lei da selva.
E, por falar em lei da selva, outro assunto enfatizado na campanha eleitoral foi a permeabilidade das nossas fronteiras ao tráfico de drogas e de armas. Minha então adversária negou que houvesse problemas. Depois de definido o resultado das urnas, viu-se com quem estava a razão. Agora, bastou o Jornal Nacional fazer uma série de reportagens sobre a vulnerabilidade de nossas fronteiras, e lá veio o anúncio de um mirabolante plano governamental de ação nessa área, só para faturar um dia de jornais de TV. A propósito: o tal avião de vigilância não-tripulado já começou a voar?
Há problemas sérios em áreas as mais variadas, mas todos têm a mesma natureza: o Brasil precisa urgentemente de um governo portador de convicções firmes, compromisso com a verdade, disposição para o diálogo com a sociedade e capacidade de buscar o bem do país. O relógio está correndo.

A "educação progressista" do MEC_Por JR Guzzo (Veja)


Entre os sinais que marcam um país como subdesenvolvido, ninguém mais discute, há muito tempo, que o baixo nível da educação está na linha de frente. Não dá para disfarçar: é uma ferida bem no meio da testa.
Há muitas outras marcas desse tipo, claro, todas visíveis quando se presta um mínimo de atenção à paisagem pública, e nenhuma delas está em falta no Brasil que se pode ver à nossa volta.
São coisas muito simples. Todo país subdesenvolvido, por exemplo, tem mosca; não há exceções. Os aeroportos, em vez de terem à sua volta hotéis operados pelas grandes cadeias internacionais, são cercados por favelas. Homicidas confessos podem começar o cumprimento de suas penas onze anos após o crime que cometeram, quando não são ”cidadãos comuns”.
É uma estrada que vai longe. A cada realidade dessas, é como se uma placa de sinalização avisasse: “Atenção: você está num país subdesenvolvido”. Não adianta, aí, ter um PIB que passa dos 2 trilhões de dólares, assistir ao lançamento de imóveis com preços de Manhattan ou anotar o que diz a máquina de propaganda do governo.
O atraso continua do mesmo tamanho, indiferente a tudo isso – e não vai mudar, por mais que se avance aqui ou ali, enquanto esses sinais estiverem presentes. Não vai mudar, para começo de conversa, enquanto a educação pública no Brasil for o que é hoje.
Ela é o que se sabe. Nos oito anos e meio da atual gerência, a educação brasileira continuou solidamente estagnada na sua situação de calamidade, entre as piores do mundo a cada pesquisa que sai. Os professores não sabem ensinar, os diretores não sabem dirigir e os alunos não conseguem aprender.
Os burocratas do Ministério da Educação, é claro, jogam em cima do cidadão e da mídia uma apavorante massa de números e estatísticas, o tempo todo, para mostrar quanto progredimos; dez minutos depois ninguém se lembra de mais nada do que disseram, e a realidade não se altera.
Não, nem de longe, no ritmo que seria indispensável para dar condições mínimas de competição ao aluno da escola pública – e diminuir a desvantagem que o separa, em termos de conhecimento, de quem pôde estudar nas boas escolas do sistema privado.
Numa situação dessas, a população brasileira que vai acabar pagando perto de 1,5 trilhão de reais em impostos até o fim do ano – teria o direito de esperar que o MEC estivesse trabalhando dia e noite para tirar nossas escolas do terceiro ou quarto mundo em que vivem. Mas não é o que acontece.
É verdade que o MEC, ultimamente, não sai do noticiário, o que pode dar, até, uma impressão de grande operosidade. Oproblema é que não aparece por estar cumprindo melhor a sua obrigação, que é ensinar. Aparece porque deu para produzir episódios cada vez mais esquisitos, um depois do outro. Nenhum deles tem qualquer coisa a ver com o ensino da regra de três ou com a Batalha de Tuiuti. Todos têm a ver, apenas, com o deslumbramento dos atuais burocratas do ministério em dar à educação brasileira uma abordagem “popular”, “democrática”, “moderna”, “avançada” ou de “esquerda” – ou tudo isso junto.
As autoridades que mandam hoje no ensino público nacional estão convencidas de que a função principal do MEC não é transmitir conhecimento, mas colocar a sociedade brasileira no molde político e ideológico que elas consideram ideal para o país. Em vez de ensinar, acham que a prioridade do ministério é combater o racismo, resolver o problema da distribuição de renda ou promover a “diversidade” de preferências sexuais.
Acreditam que os alunos têm de receber instrução politicamente “correta” e que devem ser treinados para admirar as realizações do governo. Querem, inclusive, transformar o português numa língua “democrática” e livre de regras criadas pela elite.
O primeiro resultado disso é a sequência de disparates que o MEC tem criado nos últimos tempos. Vai-se, aí, da condenação por “racismo” da Tia Nastácia, de Monteiro Lobato, ao ”kit” de incentivo à homossexualidade, uma ideia tão ruim que o próprio governo desistiu de levar a coisa adiante.
Ou, então, da inépcia na organização dos exames do Enem à licença para escrever “nós vai pescar”. O segundo resultado é que, com todas essas preocupações, não sobra tempo para ensinar o que é o ângulo reto.
Como um país pode ser desenvolvido se a grande maioria da sua população não aprende o que precisa? O ministro da Educação talvez saiba a resposta – mas, se souber, não está contando para ninguém.