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28 maio 2012

OAB defende Supremo e cobra explicação de Lula

Veja o que o UOL publicou na sua página:

DE SÃO PAULO
A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) divulgou nota nesta segunda-feira (28) cobrando explicações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre uma possível pressão a ministros do Supremo Tribunal Federal para adiar o julgamento do processo do mensalão.
"A ser confirmado o teor das conversas mantidas com um ministro titular do Supremo, configura-se de extrema gravidade, devendo o ex-presidente, cuja autoridade e prestígio lhe confere responsabilidade pública, dar explicações para este gesto", diz a nota assinada pelo presidente da organização, Ophir Cavalcante.
"O Supremo Tribunal Federal, como instância máxima da Justiça brasileira, deve se manter imune a qualquer tipo de pressão ou ingerência. Ainda que o processo de nomeação de seus membros decorra de uma escolha pessoal do presidente da República, não cabe a este tratá-los como sendo de sua cota pessoal, exigindo proteção ou tratamento privilegiado, o que, além de desonroso, vergonhoso e inaceitável, retiraria dos ministros a independência e impessoalidade na análise dos fatos que lhe são submetidos."

Editoria de Arte/Folhapress
A OAB diz no documento que reafirma a sua confiança na independência dos ministros do Supremo Tribunal Federal para julgar, com isenção e no devido tempo, as demandas que constitucionalmente lhe são apresentadas.
Segundo reportagem da revista "Veja", Lula ofereceu ao ministro blindagem na CPI que investiga as relações do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com políticos e empresários.
Mendes confirmou à Folha o encontro e o teor da conversa, revelada ontem, mas não quis dar detalhes. "Fiquei perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente."
O encontro aconteceu em 26 de abril no escritório de Nelson Jobim, ex-ministro de Lula e ex-integrante do STF.
O petista disse ao ministro, segundo a revista, que é "inconveniente" julgar o processo agora e chegou a fazer referências a uma viagem a Berlim em que Mendes se encontrou com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), hoje investigado por suas ligações com Cachoeira.
Membro do Ministério Público, Demóstenes era na época um dos interlocutores do Judiciário e de seus integrantes no Congresso.
Procurada pela Folha, a assessoria de Lula negou o conteúdo da conversa e afirmou que nunca interferiu em processo judicial. À "Veja", Jobim disse não ter escutado a conversa.
No encontro com Lula, Gilmar teria se irritado e dito que o ex-presidente poderia "ir fundo na CPI". Em abril, a Folha revelou que Lula havia organizado uma ofensiva, com a participação de integrantes do PT que possuem interlocução no Judiciário, para aumentar a pressão sobre o STF.
O petista disse a aliados temer que a análise do mensalão se transforme num julgamento de seu governo.
Segundo a "Veja", o próximo passo de Lula seria procurar o presidente do STF, Carlos Ayres Britto, também para adiar o julgamento. Em recente almoço no Alvorada, Lula convidou Britto para tomar um vinho com ele e Celso Bandeira de Mello, um dos responsáveis pela indicação do atual presidente do STF.
À Folha Britto também confirmou o convite, mas disse que não percebeu malícia e que não houve encontro.
"Tive com Lula umas quatro vezes nos últimos nove anos e ele sempre fala de Bandeirinha [Celso Bandeira]. Nunca me pediu nada." Britto diz que a "luz amarela" acendeu quando ouviu o relato de Mendes. "Mas de imediato apaguei. Lula sabe que eu não faria algo do tipo."
A revista também diz que Lula contou a Mendes que delegaria ao ex-ministro do STF e presidente da Comissão de Ética da Presidência Sepúlveda Pertence a tarefa de falar sobre o julgamento com a ministra Cármen Lúcia.
Sepúlveda negou ontem que Lula tenha feito o pedido e disse lamentar que Mendes tenha dado "declaração sobre conversas, reais ou não, que tenha tido com um ex-presidente da República".

Algo de novo no reino das Universidades Federais?


Amigos do blog, pensei em escrever algo sobre essa greve, mas após ler o texto que vai abaixo, do Prof. Marcelo Badaró, acho desnecessário. Reproduzo o mesmo por achar que atinge o ponto com extrema competência.

ARTIGO SOBRE A GREVE DAS IFES
 
Prof. Marcelo Badaró Mattos - UFF

São muitas vezes surpreendentes os caminhos que levam a movimentos coletivos como as greves. Quem poderia prever que depois de sete anos sem qualquer greve nacional unificada as Instituições Federais de Ensino Superior viveriam uma nova greve nacional e com tanta força que recebeu em poucos dias a adesão dos(as) docentes de 44 instituições, incluindo praticamente todas as que foram criada nesses últimos anos e a maior parte das grandes federais mais antigas, como a UFRJ, UFF, UNIRIO e UFRRJ (para ficar no exemplo das do Rio de Janeiro)? Quem poderia dizer que nas novas instituições e nos novos campi das antigas, fruto do tão propagandeado processo de expansão formatado pelas regras do REUNI*, surgiriam os setores docentes e discentes mais mobilizados para esse enfrentamento? Como imaginar que até naquelas instituições em que surgiu e implantou-se uma representação docente de caráter oficialista – o PROIFES –, cujo objetivo evidente é conter as lutas da categoria, fossem ressurgir movimentos autônomos das(os) docentes, convocando assembleias, contrariando direções pelegas e construindo também lá a mobilização (e ao que parece em breve a greve)? Quem apostaria que nas Instituições Federais de Ensino Superior, que por certo forneceram muitos votos ao atual governo federal na expectativa de manutenção da política de expansão e dos reajustes salariais anuais, tão forte e resoluta fosse a adesão a um movimento acusado pelo governo e os governistas de ser fruto de uma mera manipulação política de setores oposicionistas?
A dinâmica dos conflitos sociais nos reserva surpresas, mas não nos dispensa de compreendê-las. Porque uma greve tão forte emergiu nestes últimos dias?
Para entendê-lo é necessário reconhecer que a pauta do movimento, curta e direta, representa de fato uma forte insatisfação. A pauta: uma reestruturação da carreira docente e a melhoria das condições de trabalho. Sobre a carreira, a questão é simples: após 25 anos de aprovação do Plano Único que passou a reger a carreira docente, em 1987, sucessivas políticas salariais para a Universidade depreciaram e desestruturaram a carreira. O que se reivindica é, basicamente, uma única linha de vencimento nos contracheques (com a incorporação das gratificações e o entendimento do percentual de titulação como parte do vencimento), com 13 níveis, steps (percentuais entre os níveis) de 5%, acesso interno à carreira ao nível de Professor Titular, com paridade entre ativos e aposentados e isonomia entre professores(as) da carreira do magistério superior e da carreira de ensino básico, técnico e tecnológico. O piso para professor 20h no início da carreira seria de R$ 2.329,35 (um salário mínimo do DIEESE, calculado com base nas necessidades mínimas de um trabalhador e sua família, conforme dita a Constituição). O governo acena com uma carreira mais desequilibrada em termos salariais, com um piso baixíssimo e promoções atreladas a critérios produtivistas, visando diferenciar um pequeno contingente melhor remunerado (por projetos e pela atuação em pós-graduações) e uma imensa maioria de docentes sobrecarregados com a elevação da carga de trabalho em sala de aulas de graduação. Já quanto às condições de trabalho, cinco anos após o início do REUNI, as instituições federais criaram centenas de novos cursos e ampliaram em dezenas de milhares as suas vagas de ingresso discente. O governo, entretanto, não garantiu até agora nem mesmo o relativamente (à ampliação das matrículas) pequeno número de concursos públicos para docentes com o qual se comprometeu em 2007. As obras de expansão carecem de verbas para sua complementação, gerando ausência de laboratórios, bibliotecas e salas de aula nas novas unidades, assim como superlotação nas antigas. Some-se a isso a enorme deficiência no campo da assistência estudantil, cada vez mais necessária na medida em que entre os novos estudantes tendem ingressar contingentes cada vez maiores de trabalhadores(as) e filhos(as) de trabalhadores(as), sem condições de arcar com os custos de transporte, moradia, alimentação e material didático minimamente necessários para a vida universitária.
A greve pode ter colhido a muitos(as) de surpresa, mas está longe de ser um fenômeno de difícil explicação. Professores e professoras (e estudantes que aderem ao movimento em muitas universidades) optaram por esse instrumento de luta porque estão conscientes de sua necessidade diante da deterioração de sua carreira e das condições de trabalho. E perceberam que ou freiam agora o desmonte, ou serão arrastados ao fundo do poço em poucos anos.

Greve?
Tão logo a greve foi anunciada, surgiram de imediato combatentes antigreve no interior das Universidades. Seus argumentos não são novos para quem já viveu outros processos grevistas. Vale rebatê-los apenas para relembrar aspectos do passado recente das lutas em defesa da Universidade Pública que podem escapar aqueles(as) que a elas se integraram nos últimos anos.
Greves paralisam só as graduações e prejudicam apenas os estudantes de graduação? Tal argumento foi usado principalmente a partir dos anos 2000, quando a pressão das agências financiadoras/avaliadoras sobre as pós-graduações para cumprirem metas produtivistas gerou um núcleo de docentes que assumiu internamente (ou como membros de comitês das agências) o papel de feitores da produtividade coletiva, alardeando o pânico dos prazos e metas ante qualquer rumor de questionamento. As greves tradicionalmente pararam aulas de graduações e pós e podem continuar a fazê-lo. Prejudicam os estudantes? Momentaneamente prejudicam estudantes, professores e técnico-administrativos que as fazem, é óbvio, mas significam justamente o sacrifício de um calendário regular de atividades (com os prejuízos materiais e pessoais que isso pode representar) em nome de um projeto maior de Universidade Pública. Assim evitamos a cobrança das mensalidades, com a greve de 1982; garantimos os direitos dos professores precariamente contratados ao longo da ditadura, com as greves da primeira metade dos anos 1980; conquistamos a isonomia entre instituições fundacionais e autárquicas e a carreira docente, com a greve de 1987; descongelamos as vagas para concursos docentes, com a greve de 2001; barramos ou derrubamos diversas propostas e práticas desastrosas para o caráter público e a qualidade do trabalho universitário (projeto GERES; propostas de “regulamentação” da autonomia; efeitos da reforma do Estado; carreira de “emprego público”; gratificações produtivistas, quebras de isonomia e paridade e etc.), e preservamos minimamente os salários (que ainda assim perderam muito do seu valor de compra ao longo dos anos). Estivemos longe de fazer greves meramente corporativistas, pois sempre pautamos a garantia da qualidade do trabalho de ensino, pesquisa e extensão nas universidades, o que foi sempre reconhecido pelos(as) estudantes, muitas vezes com greves conjuntas, como a que já ocorre agora em diversas universidades. Seriam os(as) estudantes tolos(as), que apoiam algo que lhes prejudica tanto assim? Ou o discurso que os vitimiza em relação à greve é apenas uma artimanha de desqualificação do movimento e da consciência estudantil?
Desqualificar as mobilizações de trabalhadores e de estudantes, qualificando-as como produto de minorias e forças “estranhas” (partidos, sindicatos, intenções políticas oposicionistas) ao corpo social – universitário neste caso –, é aliás uma das estratégias recorrentes nos argumentos antigreve dos setores conservadores. Um recurso retórico em tudo congruente com a longa trajetória de desqualificação da população trabalhadora pelo discurso das classes dominantes, que no Brasil sempre apontaram as “ideologias alienígenas” (anarquistas, comunistas, sindicalistas, ou o que seja) como responsáveis pelas perturbações à ordem, através da “manipulação” de grupos tomados como “massas de manobra”, enquanto a maioria do “povo” – “ordeiro e pacífico” (claro!) – assistiu a tudo indiferente, quando não “bestializado”. Teriam tanta força nas Universidades Federais dois ou três partidos de oposição de esquerda ao governo, que juntos somaram cerca de 1% na última eleição, para manipularem segundo seus interesses políticos dezenas de milhares de docentes? São as(os) docentes universitárias(os) tão parvos assim? E as(os) estudantes também? Se o Sindicato Nacional é tão carente de representatividade, por que reúne um contingente tão significativo de associados em suas sessões sindicais? Porque assembleias supostamente “ilegítimas” reúnem cada uma centenas de professores(as), que trocam informações, avaliam a situação, discutem e se posicionam coletivamente? Por certo que o questionamento à legitimidade vem sempre acompanhado de tentativas de profecias auto-realizáveis: “não vou à assembleia porque ela é ilegítima e tem pouca participação” (e não indo, contribui-se para fazer menor a participação e assim arguir sua legitimidade). O que vem muitas vezes acompanhado de uma fala ainda mais autocentrada de questionamento dos espaços coletivos de deliberação, não por cercearem a palavra, mas por aprovarem posturas contrárias às do indivíduo que questiona: “Já fui muito, mas desisti, pois o espaço é antidemocrático, já que toda vez que falei contra a greve perdi as votações”.
Há argumentos mais falaciosos, como o de que as greves não geram resultado algum ou que esvaziam a Universidade dificultando o debate e a mobilização, ou ainda que os docentes recebem os seus salários quando fazem greve. Difícil tomá-los como simples fruto de diferentes visões políticas, pois falseiam a realidade. A história das greves docentes está sendo cada vez mais pesquisada e diversos trabalhos acadêmicos já fizeram o balanço e avaliaram a importância desses movimentos nas últimas três décadas. Um quadro sintético dos resultados das greves nas Instituições Federais pode ser consultado em http://www.sedufsm.org.br/index.php?secao=greve. As greves sempre potencializaram o debate – interno às Universidade e público – sobre as políticas para o ensino superior no país e parar a atividade universitária é o único meio de garantir mobilizações multitudinárias nas ruas. Que debate sobre o ensino superior estão fazendo os antigreve em suas aulas cotidianas? De que mobilizações em defesa da Universidade Pública estão participando enquanto dão suas aulas? Já quanto aos salários, não seria absurdo que o direito de greve fosse respeitado e os salários pagos, mas todos(as) se lembram de como em diversas greves que ultrapassaram um mês de duração os salários foram cortados (cuidado! O governo corta os salários de todo mundo, inclusive dos(as) que continuam dando aulas!), como na greve de 2001, em que dois meses foram sucessivamente cortados e só pagos depois que as mobilizações da greve arrancaram decisões judiciais favoráveis em meio a “guerras de liminares”.
Não é difícil entender as motivações dos(as) que se propõem a furar uma greve (fura-greves pode ser um “conceito nativo” com conotação negativa, como pelego, mas é compartilhado por todos os estudiosos dos fenômenos grevistas nas Ciências Humanas e Sociais, porque corresponde ao que expressa). Em alguns casos, acomodam-se a – e reproduzem – determinadas situações de poder; em outros estão por demais enredados em mecanismos de apropriação privada de recursos através da Universidade Pública (como cursos pagos e consultorias); algumas vezes apenas estão aferrados a defesa do governo de “seu” partido. Outras vezes, um pouco de tudo isso está presente.

Fazer a greve
As respostas mais significativas aos antigreve sempre foram construídas pelos próprios movimentos e seus resultados objetivos. Não se trata de docentes que não aprenderam com as lições do passado, mas de deliberada retomada de argumentos desgastados para marcar posição e construir a rede de reverberação interna às arengas conservadoras tradicionais dos governos e da mídia. No entanto, greves fortes e participativas, como esta que está se desenhando desde o começo, atropelam sem maiores problemas tais tentativas de deslegitimação da luta coletiva.
Não há como prever os resultados finais da greve, mas desde já se podem perceber algumas conquistas significativas. Docentes e estudantes que ingressaram nos últimos tempos nas Universidades participam ativamente de um movimento coletivo e sentem-se parte de uma comunidade universitária que pode sim atuar unida em torno de pautas comuns. No reino do individualismo, da concorrência e do produtivismo, ouve-se um coro de vozes falando como uma só, fazendo ecoar cantos de solidariedade, dignidade, coletividade e consciência de classe.
Nessa toada – de uma greve apoiada pela maioria da categoria dada a justiça de suas reivindicações e que ganha do apoio à adesão dos estudantes pelo aspecto da defesa da Universidade Pública e da qualidade do ensino – estamos diante da construção de um movimento suficientemente forte para gerar repercussão pública, apoio social e, com essas condições, dobrar o governo e garantir ganhos efetivos. Transformar esse potencial em realidade é o que nos cabe a partir de agora.

22 maio 2012

Dilma e a "inducassão" de qualidade

Pega na mentiraaaaa!! Nada como a gente recordar... Vejam o que a "presidenta-gerenta" falou durante debate eleitoral na Globo: plim! plim!
Voltei.
É impressionante a "cara-de-pau" dessa gente quando quer se manter no poder a qualquer preço, não?

21 maio 2012

ODE À IMPRENSA LIVRE



Por conta do que vem ocorrendo em torno da CPMI do Carlinhos Cachoeira, muita gente “boa” vem escrevendo barbaridades acerca de um possível envolvimento criminoso de jornalistas investigativos com “fontes bandidas”, como se houvesse outra forma de obter informações sobre bandidos que não fosse ouvindo quem faz parte do bando.
Sem o “garganta profunda” (membro da gang do ex-presidente Nixon, que grampeou o Partido Democrata) aonde teriam chegado os jornalistas do WP sobre Watergate? Em nenhum lugar.
No entanto, verbalizando uma incontida vontade totalizante vinda das catacumbas do lulo-petismo, bem conhecidas é certo, alguns articulistas, desavisadamente (ou muito avisadamente) se prestam a trombetear que a mídia é golpista, etc. Que mídia? Para mostrar “isentismo” ou um “que” de “intequitualismo”, citam Gramsci e outros profetas do “controle social da mídia” – que seria na verdade a censura pura e simples -, em nome de um certo “socialismo”, pretensamente mais virtuoso do que as “forças de mercado”, esse ente tão demonizado...por eles. Não existe "modelo" perfeito neste mundo imperfeito...Mas a democracia é o pior "modelo", com exceção de todos os outros (Winston Churchil).
Na verdade, estamos diante de uma orquestrada campanha de desqualificação da imprensa livre patrocinada pelo lulo-petismo, que se vê às voltas com a iminente condenação pelo processo do “mensalão”, querendo passar uma ideia de que esse que foi o maior atentado ao estado democrático de direito praticado no Brasil desde Cabral seja tido como apenas parte de uma bandidagem “muito nossa”, de financiamento espúrio de campanhas políticas e, por isso, deveria ser deixado para lá...
Esse é o verdadeiro objetivo dessa gente.
Lula, José Dirceu e cia., querem por que querem enxovalhar o Supremo, o Procurador Geral e a Imprensa livre (por que existe a imprensa “chapa branca”, paga com dinheiro público para fazer uma espécie de subjornalismo na imprensa em geral, impressa, televisiva e na web – essa, sim, para eles é a “boa imprensa”, a que faz propaganda do governo “companheiro” e combate a ...imprensa livre).
A tática utilizada pela imprensa “companheira” é a mesma utilizada pelo nazi-fascismo da década de 1930-45, quando os próceres do Furer, tendo Goebels como mentor, atacavam a “imprensa judia” e manipulavam a opinião pública alemã com suas mentiras repetidas à exaustão, até que pareciam a exata expressão da verdade. Deu no que deu.
Em qualquer lugar e em qualquer tempo, se o cidadãos de bem deixam que outros lhes sirvam de guia em matéria de consciência, seja por comodismo, seja por qualquer outra razão, achando que isso não lhes diz respeito, mas que serve apenas como meios de luta politiqueira, da qual são avessos, quando quiserem reagir já será muito tarde...
“Prefiro a crítica, porque me corrige, do que a bajulação, por que me corrompe” (Santo Agostinho).

20 maio 2012

As bodas bárbaras_Reinaldo Azevedo_In "O país dos petralhas"


O marxismo é uma variante da preguiça. Se você acredita que a base material condiciona mudanças na cultura, na forma de pensar e nas relações intersubjetivas, basta fazer como os romanos do poema “À Espera dos Bárbaros”, de Kafávis: sentar na calçada e esperar a banda passar. E há os que resolveram acelerar a história para que o inexorável chegasse antes: Lênin, Stálin, Mao, Pol Pot. O resultado se mede em crânios.
O truque da chamada Escola de Frankfurt — de que Habermas é caudatário, embora infinitamente mais chato porque escreve mal — já é mais divertido do que o marxismo clássico. O que em um é consequência vira, no outro, causa, e a cultura é vista como o motor das mudanças materiais. É uma bobagem que alimenta intelectuais cuja profissão é contestar o regime — que lhes garante a liberdade de contestação. Mas muito influente.
O velho marxismo morreu de falência múltipla dos órgãos. A sua realização prática eram as economias planificadas, que não resistiram à globalização — descrita ou antevista, como queiram, pelo próprio Marx no “Manifesto Comunista”. Já ali se podia supor que o socialismo buscava represar o mar. O neomarxismo pretendeu fazer a crítica à ortodoxia esquerdista sem ceder à razão burguesa. Deu em quê?
Da maçaroca de esquerdismos não-dogmáticos nasceu uma vulgata virulenta: o pensamento politicamente correto. Tanto se dedicaram os intelectuais da dita nova esquerda à desconstrução do suposto eixo autoritário das democracias burguesas que a política militante degenerou, nos países ricos, no que Robert Hughes chama de “cultura da reclamação” e, nos pobres, de “excluídos militantes”, que rejeitam os valores universais da igualdade e o Estado de Direito. Querem que suas demandas particularistas sejam tratadas como reparação histórica.
Negros, feministas, homossexuais, índios, sem-terra, sem-teto, sem eira nem beira… Todos anseiam que a História seja vivida como culpa, e a desculpa se traduz na concessão de algum privilégio. Isso que já é uma ética coletiva supõe que todos são vítimas de alguém ou de alguma coisa. De quem ou do quê? Ninguém sabe. “Da sociedade” talvez. A hipótese é interessante. Poderíamos zerar a História, dissolver os contratos e voltar ao estado da natureza. O Brasil já tem um novo “negro” ou um novo “índio”: é o macho branco, pobre, heterossexual e católico. É um pobre coitado, um discriminado, um sem-ONG. Nem os padres querem saber dele.
As “minorias” se profissionalizam, e a luta sempre continua. Não temos uma política pública digna desse nome que se ocupe, por exemplo, da qualidade do ensino fundamental e médio, mas se faz, com cotas e ProUni, suposta justiça social na universidade, onde o único critério cabível de seleção é o saber — que mascararia as diferenças de classe e traria consigo um contencioso de injustiças históricas. Eis o desastre: competência e justiça, nesse raciocínio perturbado, passam a se opor, viram uma disjuntiva. Nas TVs, e até nos cadernos de cultura dos jornais, “manos” do rap e “MCs” fazem-se porta-vozes de uma nova metafísica, oposta àquele saber universal, formalista e reacionário. Padre Pinto é o santo padroeiro dessa guerra à ortodoxia.
Igualdade? Justiça? Reparação? Nada disso. Consolida-se é o divórcio entre os partidários desse igualitarismo — que, de fato, é um particularismo que corrói as bases do Estado de Direito — e os da universalidade. O “novo homem” do antigo marxismo — que era, sim, uma utopia liberticida e homicida — foi substituído pelos bárbaros, cujo mundo ideal é aquele disputado por hordas, tribos, bandos, de que entidades do “terceiro setor” são proxenetas bem remuneradas.
Os tais mercados não dão a menor bola para isso. A plateia que vi mais incomodada e, até certo ponto, indignada com a crítica severa que faço ao PT e a seu viés totalitário era composta de pessoas ligadas ao mercado financeiro. A democracia, como a defendiam os antigos liberais, é a eles irrelevante. Trata-se de dinheiro novo. Assistimos ao casamento entre os hunos e essa gente muito prática. As bodas bárbaras.

18 maio 2012

Le Brésil n'est pas un pays sérieux


Quando ouvimos frases como as escritas abaixo, infelizmente temos que engolir e ficar quietos!!!

"O Brasil não é um país sério" (Charles de Gaule).

"Que país é este que junta milhões numa marcha gay, muitas centenas numa marcha a favor da maconha, mas que não se mobiliza contra a corrupção?" (07/07/2011 Juan Arias, correspondente no Brasil do jornal espanhol El País)

Um motorista do Senado ganha mais para dirigir um automóvel do que um oficial da Marinha para pilotar uma fragata!

Descrição:

http://www.naval.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/06/fragata-bosisio-f48jpg

Um ascensorista da Câmara Federal ganha mais para servir os elevadores da casa do que um oficial da Força Aérea que pilota um Mirage.

Descrição:

http://www.aereo.jor.br/wp-content/uploads/2009/07/mirage-f-1-ct-foto-armee-de-l-air.jpg

Um diretor que é responsável pela garagem do Senado ganha mais que um oficial-general do Exército que comanda uma Região Militar ou uma grande fração do Exército.

Descrição:

http://g1.globo.com/Noticias/Politica/foto/0%2c%2c14415981-EX%2c00.jpg

Um diretor sem diretoria do Senado, cujo título é só para justificar o salário, ganha o dobro do que ganha um professor universitário federal concursado, com mestrado, doutorado e prestígio internacional.

Descrição:



http://www.teclasap.com.br/blog/wp-content/uploads/2007/12/professor.jpg

Um assessor de 3º nível de um deputado, que também tem esse título para justificar seus ganhos,  mas que não passa de um "aspone" ou um mero estafeta de correspondências, ganha mais que um cientista-pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado, que dedica o seu tempo buscando curas e vacinas para salvar vidas.

Descrição:

http://www.estadao.com.br/fotos/GermanBuitron_UnamDiv288.jpg

O SUS paga a um médico, por uma cirurgia cardíaca com abertura de peito, a importância de R$ 70,00, equivalente ao que uma diarista cobra para fazer a faxina num apartamento de dois quartos.

Descrição:

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Precisamos urgentemente de um choque de moralidade nos três poderes da união,  estados e municípios, acabando com os oportunismos e cabides de emprego.

Já perdemos a capacidade de nos indignar???

Pior é aceitarmos essas coisas, como se tivesse que ser assim mesmo,  ou que nada tem mais jeito. Vale a pena tentar.

Participe deste ato de repulsa.

REPASSE! NÃO SEJA OMISSO.
 

15 maio 2012

UFAM EM GREVE

Os docentes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) decidiram entrar em greve a partir deste dia 17 de maio, por tempo indeterminado.
Em decisão unânime, com duas abstenções e nenhum voto contrário, a greve foi decretada nesta terça-feira, em reunião da Associação dos Docentes da Ufam - ADUA-Secção Sindical.
Vejam a seguir os documentos de apoio do movimento grevista:
   

Ao contrário de outras greves do passado, esta greve dos docentes da Ufam será diferente quanto à estratégia de atuação. Desta vez, a palavra de ordem é pela OCUPAÇÃO das dependências da Universidade por professores e alunos e pelo debate interna e externamente das verdadeiras condições por que passam as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES).
O governo federal vem brincando com o movimento dos professores, fazendo chacota de suas reivindicações por conta dos altos índices de popularidade conquistados graças a uma política econômica tendo por base a maior facilidade de acesso ao crédito bancário à classe média e com os programas sociais de bolsas às classes mais pobres.
Lula, por se julgar dono do movimento sindical, cooptou as Centrais Sindicais e "arrastou em sua calda"   todo o resto, mas houve uma exceção que foi o movimento sindical dos professores filiados ao ANDES (Associação Nacional dos Docentes de Ensino Superior).
O governo Lula havia cassado o registro de nosso sindicato ANDES e criado outro "sindicato" pelego para tentar destruir o ANDES. Não conseguiu! O ANDES acabou tendo o seu registro assegurado e agora está prestes a encetar talvez a primeira greve geral de professores vinculados às IFES. Hoje o ANDES se filia à Central Sindical e Popular - CSP Conlutas.
O governo Dilma segue com a mesma estratégia de sufocar o movimento sindical pela via da cooptação, de um lado, e de outro o uso da chicana e da tentativa de esvaziamento do movimento grevista com medidas diversionista como o da Medida Provisória que dá 4% de reajuste retroativo a março, mas deixa todo o resto no esquecimento.
Para maires informação, acessar a página da ADUA-SS-AM ou do ANDES-SS, cujos links vão a seguir:



   


14 maio 2012

Reinaldo entrevista Deus


Tem hora que é preferível a ironia fina do que escrever uma tese sócio-política. É o que fez Reinaldo Azevedo em seu blog em Veja.com:
Acabo de entrevistar Deus, mas ele prefere não aparecer. Segue a íntegra.
BLOG — Senhor, o senhor é mesmo o Senhor?
DEUS — 
Por quê? O senhor, que não é Senhor, tem alguma dúvida?

BLOG — Não, mas sabe como é a rede…
DEUS — 
Não sei!

BLOG — Mas o senhor, Senhor, não é onisciente?
DEUS —
Sou, mas tudo tem limite. Não quero saber o que se passa no JEG…
BLOG — Não?
DEUS — 
Não! Aquelas páginas são a distração daquele que vive me difamando por aí e sonhando em ocupar um dia o meu lugar.
BLOG — Quem? O…
DEUS - 
Esse mesmo, o anhangá, o arrenegado, o brazabum, o cramulhano, o grão-tinhoso, o mofento, o porco-sujo, o tinhoso, o zarapelho…
BLOG — Que vocabulário, Senhor!
DEUS 
— Consultei o Houaiss. E só usei alguns dos sinônimos…

BLOG — Ahnnn… Uma fotografia para provar que falei com Deus, nem pensar, né?
DEUS —
 Iam dizer que é montagem. Desde aquele faraó teimoso do Egito, que insistia em competir comigo, pondo seus mágicos para fazer truques, sempre há gente tentando provar que não existo. Viu as consequências, né?
BLOG — 
Vi, sim. Mas o senhor não acha, Senhor, que o fato de Moisés ser gago pode ter atrapalhado a conversa com o faraó?
DEUS —
 Você acha que se ele fosse mais desinibido do que o Gabriel Chalita juntando os albinos da Tanzânia com Castro Alves, o outro lá teria mudado de ideia?

BLOG — Acho que não! O careca lá era fogo!
DEUS —
 Que careca?

BLOG — O faraó!
DEUS — 
Quem falou que ele era careca?

BLOG — Desculpe a confusão! É que, no filme “Os Dez Mandamentos”, o Yul Brynner…
DEUS —
 Já sei! Aqueles efeitos especiais do mar se abrindo… Valha-me Eu Mesmo! Ainda bem que eu inventei o Spielberg para conferir mais realidade às fantasias de vocês…
BLOG — Tenho outras entrevistas a fazer. Obrigado pela atenção!
DEUS — 
Você parece meio amuado…
BLOG — O senhor conhece aquela piada sobre comer a Sharon Stone na ilha deserta e não poder contar pra ninguém?...
DEUS — Ainda fazem esse tipo de piada com o Sharon Stone? Sharon Stone é do meu tempo!!! Betsabá também…
(segue-se um longo silêncio)
BLOG — Senhor? Que é isso, Deus!? A Maria do Rosário vai acusar o senhor de machista!
DEUS — 
E essa, então, com esse nome… Conforme-se, meu filho! Se você disser que falou com Deus, vão achar que você é maluco. Se tirar uma foto ao meu lado, além de ninguém acreditar, vão dizer que você está querendo ser mais importante do que o Lula…
BLOG — Grande coisa! Lula vive tentando tomar o Seu lugar.
DEUS —
 Ah, ele não é o primeiro. Aquele cheio de sinônimos vive tentando isso eternidade afora. Volta e meia aparece um novato.
BLOG — Vou publicar a entrevista mesmo assim!
DEUS —
 Aqueles que leem o que você chama JEG vão acreditar… Se ironia fosse capim, o capim teria sido extinto no mundo. Eles teriam comido tudo.
BLOG — É parte de Sua obra, lamento lembrar!
DEUS — 
Errado! Eu inventei os manjares, e o outro lá inventou a má digestão. Eu inventei a imprensa, e o outro lá inventou o JEG.
BLOG — E o resultado dessa luta?
DEUS —
 Pergunte ao faraó.