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23 outubro 2009

Saramago não leu e não entendeu a Bíblia

José Saramago é, sabidamente, agnóstico, ou mesmo ateu, posto que adepto do antigo comunismo, que advoga o materialismo histórico, mas se torna notório - não por acaso - atacando com 'nobélica' ignorância o texto bíblico, o qual, por certo, nunca estudou com afinco - até porque não a aceita. Somente lê o texto bíblico a fim de adequar alguns relatos - os quais não entende - à sua filosofia pré-concebida.
A Bíblia, para ser entendida, precisa ser estudada, primeiro, com humildade; segundo, com método. A hermenêutica bíblica exige rigor, paciência, comparação, contextualização no tempo e no espaço, 'um pouco aqui, um pouco ali' (Isaías 28:9,10), a fim de que se possa, como faz o garimpeiro, encontrar as ricas pepitas de suas preciosas verdades. Ninguém que tenha agido assim permaneceu o mesmo homem após estudá-la. Alguns dos mais renomados cientistas foram notáveis estudiosos das Sagradas Escrituras, como Nicolau Copérnico, Galileu Galilei, Sir Isaac Newton, Laplace, Kant, Von Brawn, Einstein e tantos outros.
Ao contrário do que parece ao ignorante - tanto o convicto quanto o ocasional - a Bíblia se auto-interpreta (Isa. 28:9,10) e não há contradição ao longo de seus 66 livros (39 no AT e 27 no NT). De Gênesis a Apocalipse, a Bíblia foi escrita por cerca de 40 pessoas das mais diversas ocupações (de pastores a reis e sacerdotes), e por longos 1.600 anos. Mesmo assim a Bíblia apresenta uma coerência pouco vista. Em apenas um livro de um único autor não se vê tamanha coerência interna. Isso prova, no mínimo, que o Seu Inspirador e Organizador foi de um gênio inigualável. Para nós Cristãos, foi Inspirada por Deus (II Timóteo 3:16).
Para Saramago, o Deus do AT é cruel, vingativo, sanguinário e traiçoeiro. Essas acusações mesmas foram arrostadas contra Deus por Lúcifer quando era o anjo assistente de Deus. A história da queda desse anjo está simbolicamente relatada em Ezequiel na profecia sobre o rei de Tiro (Ezequiel 28:12-15). A partir de então teve início ao Grande Conflito entre Deus e Satanás (Rebelde). Houve pelaja no Céu conforme Apocalipse 12. Essa batalha se esrendeu para a Terra desde o momento da criação. Esse anjo rebelde, pelo relato bíblico, levou nossos primeiros pais a se aliarem a ele em sua rebeldia atraindo sobre si e seus descendentes toda a maldição de que somos vítima. Herdamos a maligdade como consequência natural do pecado de Adão e Eva. Não foi vontade de Deus que tanto Lúcifer quanto Adão e Eva pecassem. Mas isso foi consequência do exercício do livre arbítrio concedido por deus a suas criaturas. Não fosse assim, seríamos robots sem nenhuma possibilidade de pecar. Isso é contrário ao caráter de Deus. Deus é liberdade. Mas Ele tem na sua Lei os limites dessa liberdade. Uma simples ordem de Deus é Lei para todo o Universo. Ninguém pode desobedecer a Deus e permanecer na sua presença. O pecado e os pecadores devem ser banidos da face de Deus e finalmente exterminados.
No momento mesmo em que entrou o pecado no mundo - e mesmo 'antes da fundação do mundo' - Deus providenciou a solução para esse terrível mal: 'haveria de vir um 'descendente' da mulher - Jesus Cristo - a fim de - como segundo Adão, mas sem pecado - pagar o preço do 'salário do pecado', que a morte eterna, o eterno banimento do pecado e do pecador da face de Deus.
O que Saramago não entende - e muitos outros leitores apressados também não -, é que Deus não é apenas 'Misericórdia'. Ele é também 'Justiça'. Esses dois aspectos se encontram na pessoa de Jesus Cristo, que morreu para satisfazer a ambas. Fosse Deus apenas misericórdia, seria obrigado a salvar todo mundo - o que atenderia ao objetivo do maior dos Rebeldes (Satanás), sendo esta mesma uma de suas acusações, ou seja, a de que Deus não é misericordioso quando aplica a Justiça. E fosse Deus apenas Justiça, teria de destruir a todos - igualmente sendo acusado pelo Inimigo de agir com 'crueldade', como fez Saramago.
No entanto, em Jesus - portanto na segunda pessoa do próprio Deus -,  "a 'Misericórdia' e a 'Justiça' se beijaram", isto é, foram ambas satisfeitas. Deus aborrece o pecado mas ama o pecador. Nossos primeiros pais foram enganados e tiveram uma chance de retornar a Deus. Assim como teve Lúcifer mas este rejeitou a todos os apelos de Deus até o ponto em que foi rejeitado por Deus definitivamente. Daí sua raiva para conosco. Ele queria ser 'perdoado' mas para continuar vivendo em rebeldia, o que não é aceito por Deus.
Na verdade, o pecado não pode ser perdoado! Por isso Jesus pagou o preço morrendo em nosso lugar, como Substituto nosso, como o segundo Adão - do que todo o antigo sistema religioso juadaico era símbolo: os sacrifícios e demais cerimoniais. Jesus morreu a morte que era nossa para que tivéssemos a vida que é dele. Ele é o Anjo do Concerto do AT. É o Verbo da criação, portanto o próprio Criador. Ele - pela sua morte vida santa e morte vicária substitutiva - nos oferece a senda da vida eterna. A vida terrena do cristão nem sempre é uma vida livre de problemas e atribulações. Não é uma estrada larga -esta leva à perdição. Mas essa estrada quase sempre é confundida com 'liberdade' - cheia de atrativos, mas que ao final são caminhos que levam à morte eterna. A senda do cristão, historicamente, foi constituída de problemas, reveses, aparente fracasso e morte. Mas ao final cada um receberá a justa recompensa conforme a fé e as obras praticadas no corpo.
Desde o princípio do mundo Deus exerce Seu direito de executar justiça mas esta vem sempre antecipada de um período imenso de misericórdia. Até o dilúvio se passaram mais de 1.600 anos. Noé pregou em cada martelada na arca por 120 anos. Entre o dilúvio até Abrahão (e Sodoma e Gomorra), passou-se mais de 400 anos. De Sodoma e Gomorra até os Juízos sobre o Egito no Êxodo e sobre Canaã, mais 430 anos.
As nações sempre foram usadas por Deus como instrumento de execução se sua Justiça - sendo uma crença generalizada de que as guerras pertencem aos deuses -, ou seja, as nações antigas viam suas batalhas como forma de seus deuses demonstrarem sua superioridade em relação aos deuses feitos de outras nações. Mas seus deuses eram feitos de pau, de pedra e de toda sorte de imagens de ídolos - cujas festas cerimoniais sempre foram uma oportunidade para orgias impiedosas, como ocorre até mesmo nos dias de hoje nas festas populares regadas a bebidas, sexo e música.
Portanto, Deus se utiliza de nossos próprios instrumentos para fazer Sua Justiça. No entanto, quando Deus mandou eliminar da face da terra nações ímpias, é porque impunha sua Justiça como forma de demonstrar misericórida para com os demais habitantes da mesma Terra. Foi para preservar os demais que mandou eliminar os impenitentes. Assim fará ao final da história deste mundo.
Os problemas desta vida, as doenças e até mesmo a morte, não são a nossa única porção neste mundo amaldiçoado pelo pecado (a trangressão da Lei de Deus), mas apenas parte do grande Plano de Redenção provido por Deus na Pessoa de Seu Filho - que no Velho Testamento é chamado de Miguel, ou Anjo do Senhor -, o Qual esteve sempre ao lado de cada uma de suas criaturas, dos patriarcas - e de Seu povo escolhido como portador seus oráculos, de Seus mandamentos e ensinamentos e no seio do qual nasceu como 'Filho do homem', tendo sofrido o nosso destino como mortais, mas SEM PECADO, tendo Se ofertado em sacrifício para pagamento do 'salário do pecado' (a morte eterna), a qual morte não foi capaz de retê-lo mais que algumas horas no túmulo, e eis que vive pelos séculos infindos e quer que todo aquele que o deseje faça-Lhe companhia na 'morada de Seu Pai'. Essa esperança está registrada em São João 16.
Que Deus se apiade de cada um de nós e nos ajude a trilhar a senda estreita desta vida, muitas vezes cheia de perigos e desgraças, mas que ainda assim pode nos dar o que há de melhor da criação de Deus, não totalmente desprovida de bênçãos. Pelo contrário, podemos ver em cada gota de orvalho, em cada floco de neve, em cada flor, em cada pássaro, animal do campo, peixes do mar, réptil, e, principalmete, em cada ser humano à nossa volta, uma imagem - mesmo que fenecida - do amor de Deus.