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30 abril 2010

O ranking de Lula, o 'Rei do Mundo'_Por Augusto Nunes

Os milicianos petistas estão em êxtase com a presença de Lula na versão 2010 da lista das 100 personalidades mais influentes do mundo segundo os leitores da Time. A excitação é tanta que as patrulhas companheiras voltaram a chamar de revista americana o que até ontem era “uma publicação estadunidense”. E instalaram o presidente brasileiro no topo de um do ranking que não existe (...).
Lula é mais um na última edição da lista que invariavelmente exibe, além de governantes competentes e homens de bem, o cortejo de figuras repulsivas, ineptos juramentados, perfeitas cavalgaduras, extravagâncias cucarachas, infâmias africanas, abjeções de grotão e jecas tropicais. Em 2004, por exemplo, Lula estreou na relação em companhia do ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-il, e do psicopata Osama Bin Laden.
O coreano atômico reapareceu no ano seguinte ao lado do tirano aprendiz Hugo Chávez. Em 2006, o bufão venezuelano fez parceria com Mahmoud Ahmadinejad. A lista de 2007 reincorporou Bin Laden e abriu vagas para o genocida sudanês Omar al-Bashir e para ditador interino Raúl Castro, eleito gerente-geral de Cuba pelo irmão mais velho. Até o boliviano Evo Morales conseguiu virar personalidade com influência mundial em 2008.
Incluído pela segunda vez na relação da Time, Lula está empatado com Hugo Chávez e Osama Bin Laden.

O palanque do terror de Dilma_Por Augusto Nunes

O elenco de filme de terror aglomerado no palanque de Dilma Rousseff reúne até o momento 173 espantos. Estão representados todos os Estados brasileiros e alguns países companheiros. Se quiser ler em voz alta, tire as crianças da sala.

Rio Grande do Sul: Tarso Genro, Marco Aurélio Garcia, Guilherme Cassel, João Pedro Stedile, Marcelo Branco, Maria do Rosário, Diógenes de Oliveira, Fernando Marroni, Elizeu Padilha, Olívio Dutra, Henrique Fontana, Paulo Pimenta, Sérgio Moraes, Paulo Paim e Miguel Rossetto.
Santa Catarina: Ideli Salvatti e Altemir Gregolin.
Paraná: Paulo Bernardo, Gleisi Hoffman, Antonio Bellinati, José Janene e Dr. Rosinha.

São Paulo: José Dirceu, José Genoíno, José Rainha, José Mentor, Antônio Palocci, Aloízio Mercadante, Paulo Maluf, Ricardo Berzoini, Luiz Gushiken, Eduardo Suplicy, Marta Suplicy, Paulinho da Força, João Paulo Cunha, Fernando Haddad, Luiz Marinho, Michel Temer, Matilde Ribeiro, Paulo Vannuchi, Aldo Rebelo, Márcio Thomaz Bastos, Marisa Letícia Lula da Silva, Professor Luizinho, Luiz Eduardo Greenhalgh, Cândido Vaccarezza, Gabriel Chalita, Celso Amorim, Celso Russomano, João Vaccari Neto, Netinho de Paula, Bebel Noronha, Emídio de Souza, Gilberto Carvalho, Orlando Silva , Frank Aguiar, Agnaldo Timóteo e Ângela Guadagnin.
Rio de Janeiro: Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral, Paulo Duque, Carlos Lupi, Eduardo Cunha, Marcelo Crivella, Benedita da Silva, Lindberg Farias, Eduardo Paes, Wladimir Palmeira, Carlos Alberto Muniz, Jandira Feghali, Carlos Minc, Família Babu e Franklin Martins.
Minas Gerais: Wellington Salgado, Hélio Costa, Newton Cardoso, Marcos Valério, Clésio Andrade, Virgílio Guimarães, Luiz Dulci, Frei Betto, Anderson Adauto, Fernando Pimentel, José Alencar, Edmar Moreira, Jô Moraes, Nilmário Miranda, Sandra Starling, Patrus Ananias, Saraiva Felipe e Walfrido Mares Guia.

Espírito Santo: Ricardo Ferraço.

Mato Grosso: Blairo Maggi, Serys Slhessarenko, Carlos Abicalil e Silval Barbosa.

Mato Grosso do Sul: Zeca do PT e Delcídio Amaral.

Goiás: Delúbio Soares e Iris Rezende.

Tocantins: Marcelo Miranda, Raul Filho, Carlos Gaguim, Rocha Miranda e Wanderley Luxemburgo.

Sergipe: José Eduardo Dutra e Almeida Lima.

Alagoas: Fernando Collor, Ronaldo Lessa e Renan Calheiros.

Paraíba: José Maranhão e Roberto Cavalcante.

Pernambuco: Severino Cavalcanti, Humberto Costa, Maurício Rands, José Múcio Monteiro, João Paulo, Carlos Eduardo Cadoca, Renildo Calheiros e Inocêncio Oliveira.

Bahia: José Sérgio Gabrielli, Geddel Vieira Lima, Jacques Wagner e Haroldo Lima.

Rio Grande do Norte: Henrique Eduardo Alves, Garibaldi Alves, Iberê Ferreira e Fátima Bezerra.

Ceará: Inácio Arruda, José Nobre Guimarães, Eunício de Oliveira, José Pimentel e Luizianne Lins.

Piauí: Wellington Dias e Wilson Martins.

Amazonas: Alfredo Nascimento, Amazonino Mendes, Omar Azis e João Pedro.

Roraima: Romero Jucá e Flamarion Portela.

Rondônia: Valdir Raupp, Eduardo Valverde, Confúcio Moura, Fátima Cleide e Ivo Cassol.

Acre: Sibá Machado, Rodrigo Pinto e Tião Viana.

Amapá: José Sarney e Gilvam Borges.

Distrito Federal: Erenice Guerra, Gim Argello, Valdomiro Diniz, Tadeu Felipelli e Agnelo Queiroz.

Pará: Ana Júlia Carepa, Jáder Barbalho e Alcione Barbalho.

Maranhão: José Sarney, Roseana Sarney, Fernando Sarney, Sarney Filho, Ricardo Murad, Edison Lobão, Edison Lobinho, Flávio Dino e Epitácio Cafeteira.
Mundo: Hugo Chávez (Venezuela), Mahmoud Ahmadinejad (Irã), Fernando Lugo (Paraguai), Casal Kirchner (Argentina), Evo Morales (Bolívia), Manuel Zelaya (Honduras), Rafael Correa (Equador), Daniel Ortega (Nicarágua), Cesare Battisti (Itália), Irmãos Castro (Cuba) e Roberto Mangabeira Unger (Massachusetts).

O produtor é Lula. A principal personagem feminina é Dilma Rousseff. No momento, a coisa parece sem direção.

28 abril 2010

Ao rei tudo, menos a honra! (Ciro Gomes)

A cúpula de meu partido, o PSB, decidiu-se por não me dar a oportunidade de concorrer à Presidência da República. Esta sempre foi uma das possibilidades de desdobramento da minha luta. Aliás, esta sempre foi a maior das possibilidades. Acho um erro tático em relação ao melhor interesse do partido e uma deserção de nossos deveres para com o país.
Não é hora mais, entretanto, de repetir os argumentos claros e já tão repetidos e até óbvios. É hora de aceitar a decisão da direção partidária. É hora de controlar a tristeza de ver assim interrompida uma vida pública de mais de 30 anos dedicada ao Brasil e aos brasileiros e concentrar-me no que importa: o futuro de nosso País!
Quero agradecer, muito comovido, a todos os que me estimularam, me apoiaram, me ajudaram, nesta caminhada da qual muito me orgulho.
Quero afirmar que uma democracia não se faz com donos da verdade e que, se minhas verdades não encontram eco na maioria da direção partidária, é preciso respeitar e submeter-se à decisão. É assim que se deve proceder mesmo que os processos sejam meio tortuosos, às vezes.
É o que farei.
Deixo claro: acato a decisão da direção do partido. Respeitarei as diretrizes que, desta decisão em diante, devem ser tomadas em relação ao nosso posicionamento na conjuntura política brasileira.
Meu entusiasmo, e o nível de meu modesto engajamento, entretanto, compreendam-me, por favor, meus companheiros, irão depender do encaminhamento, pelo partido, de minhas preocupações com o Brasil, com nossa falta de um projeto estratégico de futuro, com a deterioração ética generalizada de nossa prática política, com a potencial e precoce esclerose de nossa democracia.
Agradeço novamente aos companheiros de partido pelo apoio que sempre me deram. Faço também um agradecimento especial ao povo cearense pelo apoio de todas as horas; mas minha lembrança mais grata vai para o simpatizante anônimo, para o brasileiro humilde, para a mulher trabalhadora, para os jovens, em nome de quem renovo meu compromisso de seguir lutando!

25 abril 2010

Entrevesita com a senadora Kátia Abreu (CNI)_Diogo Schelp_Veja

Sobre a mesa da presidência da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), em Brasília, há um grande coelho azul igual ao que a Mônica, personagem do cartunista Mauricio de Sousa, utiliza para bater naqueles que a provocam. O bicho de pelúcia foi um presente que a equipe da CNA deu à presidente da entidade, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), de 48 anos, como brincadeira em referência à sua fama de briguenta. No Senado ou no comando da confederação, ela tem procurado provar que muitas das medidas do governo que atrapalham o desenvolvimento do agronegócio e aumentam a insegurança jurídica no país são orientadas por preconceito ideológico. Agropecuarista desde os 25 anos de idade, quando, grávida do terceiro filho, ficou viúva e teve de assumir a fazenda do marido, a senadora concedeu a seguinte entrevista a VEJA.

Qual é a imagem que os brasileiros têm dos produtores rurais?
A ideia prevalente, e errada, é que o agronegócio exporta tudo o que produz, cabendo aos pequenos produtores abastecer o mercado interno. Pequenos, médios e grandes produtores destinam ao mercado interno 70% de tudo o que colhem ou criam. Também é muito forte e igualmente errada a noção de que fazendeiro vive de destruir a natureza e escravizar trabalhadores. Obviamente, como em qualquer atividade, ocorrem alguns abusos no campo. Mas o jogo duro de nossos adversários isolou os produtores do debate e espalhou essa ideia terrorista sobre a nossa atividade. Esses preconceitos precisam ser desfeitos.

Como?
Mostrando na prática que não somos escravocratas e que não destruímos o meio ambiente. Nós temos um projeto em parceria com a Embrapa dedicado a pesquisar e difundir boas práticas que permitam unir produção rural e proteção do ambiente. Essa história de trabalho escravo também precisa ser abordada com ações que produzam respostas práticas. Nós treinamos 200 instrutores para inspecionar fazendas pelo Brasil e avaliar as condições de vida dos empregados. Já visitamos mais de 1.000 fazendas. O que se vê é uma imensa boa vontade da maioria dos proprietários de cumprir tudo o que a lei manda e seguir direito as normas reguladoras. Ocorre que a norma que rege o trabalho no campo, a NR-31, tem 252 itens. Em qualquer atividade, cumprir 252 critérios é muito difícil. Nas fazendas, isso é uma exorbitância. Até em uma fazenda-modelo um fiscal vai encontrar pelo menos um item dos 252 que não está de acordo com a norma.

Por que nas fazendas isso seria uma exorbitância?
Imagine que um determinado trabalhador seja responsável por tirar leite das vacas da fazenda. Um belo dia, o dono acha que o mais adequado é mudar a função do empregado e ele passa a, digamos, ser encarregado de roçar o pasto. Parece simples, mas não é. A norma legal determina que, para mudar de função, o trabalhador precisa antes de mais nada se submeter a um exame médico, que é apenas o primeiro passo de um complexo processo de transferência de uma vaga para outra. Bem, essa exigência seria burocrática e custosa até mesmo em um escritório de contabilidade na cidade. Nas pequenas e médias fazendas, que são 80% das propriedades rurais brasileiras, ela é um absurdo. Quem não sabe que, nessas fazendas, o mesmo trabalhador costuma exercer diversas funções no decorrer do dia? Ele tira leite de manhã cedo, trata das galinhas às 10 horas, às 4 da tarde cuida dos porcos e depois vai roçar o pasto. Outras regras abusivas e difíceis de ser cumpridas à risca por todos os fazendeiros são as que determinam as dimensões exatas dos beliches, a espessura dos colchões ou a altura das mesas nos refeitórios.

Um produtor pode ser acusado de manter trabalho escravo apenas por descumprir detalhes como esses?
Sim.
(…)

Essa é uma postura do governo Lula em geral ou apenas de uma minoria no poder?
Há pessoas no governo que não são xiitas. O ministro do Desenvolvimento Agrário (Guilherme Cassel) e o ex-titular da Pasta de Meio Ambiente (Carlos Minc), contudo, em vez de encontrar soluções para os problemas, passaram os últimos anos dividindo o país para aumentar a sua torcida. Eles não tinham o direito de fazer isso. Um ministro de estado deve proteger o Brasil, não apenas alguns brasileiros. Quero fazer um desafio aos ministros do Trabalho, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário: que eles administrem uma fazenda de qualquer tamanho em uma região de nova fronteira agrícola e tentem aplicar as legislações trabalhistas, ambientais e agrárias completas na propriedade. Mas não podem fazer milagre, porque nós vamos acompanhar. Se, depois de três anos, eles conseguirem manter o emprego e a renda nessa propriedade, fazemos uma vaquinha, compramos a terra para eles e damos o braço a torcer, reconhecendo que estavam certos.

O que mais atrapalha os negócios no campo?
A insegurança jurídica.
(…)

A senhora é contra a reforma agrária?
Não. Sou contra a invasão. Sou contra tomar a terra com um índice de produtividade imbecil, que não é compatível com a atualidade da gestão do empresariado brasileiro. Hoje, os saudosistas de esquerda destroem pé de laranja e invadem órgãos de pesquisa porque o latifúndio improdutivo não existe mais. Os radicais não se conformam com isso. Há quarenta anos, éramos um dos maiores importadores de comida do mundo. Atualmente, não só somos autossuficientes como nos tornamos o segundo maior exportador de alimentos.

O que o produtor rural quer do próximo presidente?
Precisamos que o próximo presidente entenda que dividir o país entre pequenos e grandes é uma visão simplista e ruinosa. É necessário que ele saiba que existe uma classe média rural que não tem a escala das grandes empresas agrícolas, mas que também não se enquadra na agricultura familiar. Essa classe média rural é vulnerável às oscilações de preços e de clima, mas não tem condições de se proteger sozinha disso. Nesse ponto, o estado pode ajudar. Mas a primeira pergunta que faremos aos candidatos será: o que eles pensam a respeito da propriedade privada?
(…)

A senhora sonha em ser candidata a vice-presidente na chapa de José Serra?
Preciso deixar que a decisão partidária prevaleça. Ninguém pode querer ser vice de alguém. As pessoas querem ser o personagem principal, aquele que terá a caneta na mão para implementar as suas decisões, ideais e planos. O vice é apenas um coadjuvante. Mas fico orgulhosa quando meu nome é citado por eu ser de um estado novo, o Tocantins, por ser mulher e por representar o setor agropecuário, que nunca teve muito espaço nas chapas majoritárias e na política nacional.
Íntegra

22 abril 2010

Serra critica Comércio Exterior de Lula

Por Anna Ruth Dantas, no Estadão Online:
O ex-governador de São Paulo e pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, criticou nesta quinta-feira, 22, a política de comércio exterior do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Durante evento em Natal promovido pela Federação da Câmara de Dirigentes Lojistas no Rio Grande do Norte, o tucano disse que, no Brasil, “há pouca agressividade” para o setor.
Serra também voltou a criticar a postura do governo brasileiro diante do Mercosul. O tucano lembrou que apenas um tratado de livre comércio foi firmado durante o governo Lula, enquanto que no mundo todo há cerca de cem acordos em andamento. A declaração foi feita no mesmo dia em que o chancelar argentino, Jorge Taiana, retrucou
as declarações do pré-candidato do PSDB, que na terça-feira, em palestra em Minas, classificou o Mercosul como uma “farsa”.
“O Mercosul tem que se concentrar em ser uma zona de livre comércio, porque além de zona de livre comércio ele passou a ser uma união alfandegária. Ou seja, todas as tarifas do exterior, de política comercial, ficam subordinadas aos quatro países”, explicou o tucano, para quem a situação inviabiliza acordos bilaterais. “O Mercosul não avançou no que era mais importante, na medida em que poderia avançar: o livre comércio entre os países”, afirmou. “O Mercado Comum Europeu e a União Econômica México-Estados Unidos começaram com uma zona de livre comércio. Era importante para ter no futuro uma boa união alfandegária ter uma zona de livre comércio consolidada primeiro”, concluiu.
Serra também não poupou criticas aos fracos investimentos na infraestrutura brasileira e lembrou que nos anos 70 um terço dos investimentos eram voltados para essa área.
Aproveitando o viés econômico do encontro, o pré-candidato tucano disse que a política macroeconômica do governo se sustenta sobre dois tripés: “um do bem e outro do mal”. O último seria composto pelos juros, carga tributária e falta de infraestrutura. Já o tripé do bem é o do câmbio flutuante, metas de inflação e políticas econômicas bem definidas.

Vice
O ex-governador defendeu ainda uma política mais eficiente de incentivo aos genéricos. Ele disse que essa será uma das propostas do seu plano de governo e garantiu que é favorável ao Bolsa Família, tanto que pretende aumentar o número de beneficiados.
“Vamos turbinar de novo os remédios, eles precisam ser turbinados porque é um produto que barateia e é de boa qualidade. Teremos uma cesta de remédios gratuitos próxima a 80 medicamentos, que são distribuídos através dos municípios. Essa é uma questão do acesso aos medicamentos”, afirmou.
Sobre a escolha do candidato a vice-presidente, Serra admitiu que o assunto está sendo tratado pela cúpula do PSDB. “São critérios políticos, de princípios, porque tem que ser alguém afinado com nossos valores, nossos princípios, nossos programas para o Brasil, para todas as regiões. Esse é um processo que se desenvolverá normalmente e até junho teremos uma definição boa. Não estou cuidando pessoalmente disso, quem cuida é o meu partido”, comentou o pré-candidato tucano.

Em campanha
Na chegada ao local da palestra para os empresários, José Serra foi abordado pelo produtor de mel Milton Alves de Araújo. Ele entregou um litro de mel ao tucano que recebeu e, de pronto, na frente de diversos fotógrafos e cinegrafistas, bebeu na boca da garrafa. Questionado sobre a encomenda, Milton Araújo disse que recebeu um telefonema de uma pessoa de São Paulo que pediu para ele ir ao local e entregar o mel a Serra. “Me ligaram de São Paulo, disseram que ele gostava de mel e pediram para eu vir entregar um litro para ele”, comentou o criador de abelha.

Dilma dá entrevista à Rádio Jornal_PE

A entrevista dada ontem por Dilma Rousseff à Rádio Jornal, de Pernambuco, exclusiva da web, a seus correspondentes em Brasília, Geraldo Freire e Romualdo de Souza, dois cabras arretados e sem papas na língua, é mais um espanto. Uma pessoa que não sabe explicar o que come não pode ser presidente de seu país. Mas esse é só um detalhe.
A conversa começou pela sala íntima, antes de chegar ao gabinete da presidência. Só assuntos “pessoais”. Esses, Dilma domina bem. Ou não?
Então, ministra, o que acha do jeitinho brasileiro?
“Tem um aspecto do jeitinho que tem algumas qualidades. Mas o jeitinho em si eu não acho que é uma boa, vamos dizê, um bom método de vida, uma boa diretriz de vida. Porque cê só dá o jeitinho porque a coisa não deu certo”.
Lula está tentando achar um jeitinho de consertar a coisa: Dilma não deu certo. Mas o assunto serve para a candidata mostrar que frequentou as aulas de filosofia no colégio:
“O que é ruim do jeitinho é que você se permite coisas que ou não são legais, né, isso não é bom, isso de fato tem de ser condenado, ou são espertezas, vamo botá assim essas espertezas entre aspas, são espertezas que pode prejudicá as outras pessoas, isso não é bom”.
Mas, sempre “brilhante”, vamo botá assim entre aspas, Dilma dá um jeitinho de destacar o lado B do jeitinho, que é obra do governo Lula:
“O jeitinho é algo que a gente tem de achá que não é um jeitinho só, é estratégia de sobrevivência dum povo sofrido. E nesse sentido que eu falo que ele tem um aspecto que a gente tem de dizê que ele se a gente dé oportunidade ao povo brasileiro, dé educação e dé condições de vida, ele mostra toda a sua criatividade. Inclusive, eu desconfio que nós seremos um dos povos mais capazes de criá e inová, sabe, de inventá, porque é surpreendente isso no brasileiro, que é essa, eu acho assim, essa ginga de corpo, no bom sentido da palavra”.
Depois de dizer tantas coisas bonitas sobre a criatividade do brasileiro, ela vai destacar logo a ginga de corpo para dançar rebolation? Surpreendente essa Dilma…
Ah, mas esses nossos colegas de Brasília! A intimidade com o poder… Diálogo entre Geraldo Freire e Dilma:
─ Quando eu lhe via pela TV, eu achava que a senhora era uma mulher de 1 metro e 90 e lhe achava gorda. Quando reencontrei com a senhora no sertão de Pernambuco, a senhora magrinha. A senhora pesa muito?
─ Olha, eu daquele dia pra cá andei engordando uns quilinhos.
─ É, a senhora está um pouco mais forte, é verdade.
─ Tô com uns três quilo (sic) a mais. (…) Agora, esse negócio da gente crescê ou engordá, cê sabe que a televisão engorda a gente, mas crescê eu não sabia, não.
O humor refinado de Dilma é capaz de tirá-la de qualquer situação embaraçosa com a balança.
Mas o assunto seguinte é a gastronomia. A candidata já comeu buchada de bode, pièce de résistance do menu de campanha no sertão nordestino?
“Eu comi já uma buchada”, diz Dilma, mostrando que, em sua sintaxe, o prato principal vem sempre antes do couvert. “Não é a coisa que eu mais gosto no mundo, não. Não vou menti pra ti. Mas não acho ruim também. Mas também porque ficou o presidente me dizendo: é a melhor coisa do mundo. E eu comi com essa coisa na cabeça, que era a melhor coisa do mundo”.
Ou seja: criada à imagem e semelhança de Lula, ainda fez esforço para achar que buchada de bode era a melhor coisa do mundo. Mas concluiu que é apenas a segunda, depois do cupim. E, se depender de si, Dilma é ainda mais caseira:
“Gosto muito de arroz com feijão (…) Acho que é meio a comida tradicional do Brasil, o arroz com feijão”.
Mais uma revelação sociológica da candidata a presidente que acabou de descobrir a interação da internet.
Ousado esse Geraldinho. Já que a candidata dá abertura, vamos mais fundo:
─ Está apaixonada?
─ Não, não estou, não, mas acho assim lamentável. Acho que as pessoas todas deveriam se apaixonar, porque a gente fica mais vivo, né, mais esperto.
Se isso é verdade, então é fato: Dilma não está apaixonada.
A ministra bebe?
“Não bebo muito, não, porque eu não tenho muita resistência e logo logo me faz um pouco de mal”.
Pior seria se fizesse muito mal.
A ministra fuma?
Já, mas parou em 1989. E dá um conselho de ex: “Eu entendo as pessoas que fumam porque eu lembro como eu gostava. Eu queria dizê pros fumantes o seguinte: é uma bomba no seu pulmão, você tá botando doença pra dentro. Eu fiz um esforço. Não foi fácil separar de uma coisa que é um vício. Porque fumar é um vício”.
Eis aí novas revelações inéditas ─ fumar é vício e faz mal ─ que, forçosamente, nos levam à recomendação de uma medida salutar para enfrentar o resto da entrevista:
Dilma ─ consuma com moderação.

O jogo bruto de Dilma_Editorial do Estadão

Um dos editoriais do Estadão desta quarta, 21.04.2010:
Bastaram uns poucos dias do que à legislação eleitoral brasileira apraz qualificar como “pré-campanha” para que a “pré-candidata” Dilma Rousseff deixasse claro como pretende tratar o seu adversário José Serra. Por razões de formação, temperamento e interesse, ela precisa fazer dele um inimigo inconfundivelmente identificado, contra quem, em consequência, possa mover uma guerra sem quartel. As reações agressivas da petista aos primeiros comentários do tucano sobre o governo Lula vêm de uma concepção de combate político fundada na ideia de que os argumentos do outro, não podendo ser ignorados, devem ser convertidos em armas para silenciá-lo e, no limite, aniquilá-lo.
O rombudo estilo pessoal da ex-ministra combina com a tática de terra arrasada que vem adotando. E essa é inseparável da estratégia ditada por Lula de confinar a competição pelo Planalto a um plebiscito ou, como se diz em dialeto petista, a um enfrentamento entre “nós e eles”. O Serra de verdade se apresenta como candidato do que se pode chamar “continuança” - um híbrido da continuidade com a mudança. Por isso fala em “fazer mais”, não em “fazer o oposto”. O mote não deriva apenas da avaliação realista de que investir contra um presidente que flutua nas nuvens da popularidade é suicídio político. Resulta também da convicção de que o Brasil avançou em muitos aspectos por ter Lula sabido usar e expandir a “herança maldita” que lhe tocou.
Mas este Serra - tão à vontade ao elogiar o Bolsa-Família quanto ao criticar o PAC como “uma lista de obras”, a maioria das quais “não foi feita” - não se encaixa no papel que o outro lado gostaria que ele desempenhasse. É muito equilíbrio e maturidade para o populismo plebiscitário de Lula, e desconcertante demais para o raciocínio binário da sua escolhida. Eleitoralmente pode ser um perigo: quando, além disso, o ex-governador ainda contrapuser ao “nós e eles” do presidente uma espécie de “eu e ela”, jogando a cartada de sua experiência contra o noviciado da rival, isso decerto afetará a transposição de votos do patrono para a apadrinhada.
Se é esperado que uma parcela do eleitorado votará em Dilma apenas por ela ser “a mulher do Lula”, outra poderá preferir Serra por ver nele o continuador mais capaz da obra do presidente. Eis por que não é de excluir que a mão pesada da candidata se volte contra si mesma. Não está escrito nas estrelas que o povo responderá amém sempre que ela estigmatizar o oponente como “lobo em pele de cordeiro”, cercado de “exterminadores do futuro”, para neutralizar o seu reconhecimento do que ele entende ser as conquistas da era Lula. Ou quando o chamar, depreciativamente, “biruta de aeroporto”, por ele não fazer o que o PT necessita que faça: atacar em bloco o desempenho do primeiro-companheiro, em vez de separar o joio do trigo.
Já se disse que Serra perdeu para Lula em 2002 porque o tucano representava a continuidade quando o povo queria a mudança. Agora, quando povo quer a continuidade, Lula pretende a todo custo pespegar em Serra a falsa imagem do carbonário que ele próprio foi outrora: contra “tudo isso que está aí”. O problema petista é fazer o rótulo colar. (O de Serra, vender a sua continuança.) É um engano preconceituoso achar que a maioria dos eleitores quer ver sangue na campanha. Quer, isso sim, saber quem é quem, em quem pode confiar mais e quem está mais preparado para fazer o que todos prometem - porque não há, no Brasil de hoje, roteiros antagônicos dos caminhos para o desenvolvimento econômico e o progresso social.
Os políticos que entendem de voto sabem que ataques como os que Dilma tem desferido contra Serra podem ricochetear na candidata que irá às urnas pela primeira vez na vida. Não terá sido por outro motivo que Michel Temer, seu provável companheiro de chapa, apressou-se a defender “um grande debate em torno dos problemas do País, não no nível das questões pessoais”. Ora, o jogo bruto de Dilma é precisamente interditar esse debate, apelando para estocadas pessoais e a invencionice de que Serra é o anti-Lula.

21 abril 2010

10 mandamentos do bom governante_José Serra

O decálogo do bom governante, por José Serra
O candidato José Serra elencou os dez mandamentos que, segundo ele, devem nortear a atuação de um bom presidente da República:

1. Governar desde o primeiro dia Governo não é escola. O governante precisa entender a máquina pública para começar a administrá-la com eficiência logo que assumir o cargo
2. Formar uma boa equipe Levar gente competente para a administração, fixar metas claras e desestimular antagonismos corrosivos entre os membros do governo
3. Hierarquizar os problemas Tentar resolver todos os problemas ao mesmo tempo é impossível. É preciso elencar prioridades
4. Gastar o dinheiro público com austeridade É preciso cortar desperdícios para poder fazer mais investimentos caberem dentro do Orçamento
5. Não atender a indicações políticas Quem escolhe os ministros e os dirigentes das estatais é o presidente, e não os partidos de sua base ou grupos de parlamentares
6. Prestigiar o Legislativo no Orçamento Liberar as boas emendas de parlamentares, sem tratar os opositores como inimigos, nem os aliados como subalternos
7. Cooperar com outras esferas de governo Ninguém deixa de "faturar" politicamente com uma obra por reconhecer a participação de outros políticos que colaboraram com o projeto
8. Saber conciliar interesses Mas também enfrentá-los de maneira explícita e dentro da lei quando o interesse público se sobrepuser
9. Pôr em prática o ativismo estatal Rejeitar a falsa escolha entre o estado paternalista e obeso e o estado da pasmaceira
10. Revalorizar a produção "Mercado" não pode significar apenas o mercado financeiro internacional. É preciso ouvir todos os mercados, incluindo o agrícola,
o industrial e o de serviços

16 abril 2010

Gilmar Mendes_Entrevista ao Estadão

Por Fausto Macedo, Felipe Recondo e Mariangela Gallucci, no Estadão:
A nove dias de deixar a presidência do Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes faz uma análise dos dois anos de seu mandato: “Estou como na canção de Piaf, Je Ne Regrette Rien: não me arrependo de nada.” Foram muitos os episódios polêmicos, as discussões públicas em que se envolveu e os julgamentos controversos que presidiu. Mesmo sendo alvo de críticas, inclusive de um pedido de impeachment, diz que ajudou o governo Lula a “se aproximar mais de um modelo de Estado constitucional”, mas lamenta não ter interferido para manter no Brasil os dois boxeadores cubanos - Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux -, que abandonaram a delegação do país durante os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro em 2007 e foram deportados pelo governo Lula.
O sr. falou demais na presidência?
Acho que falei o necessário. Ninguém discorda que o juiz deve falar nos autos, mas por se tratar de alguém com responsabilidade institucional de presidente do STF, do CNJ e da chefia do próprio Judiciário, existem a responsabilidades para além do que está sendo julgado.
É certo dizer que “nunca antes na história deste país” um presidente do STF falou tanto sobre tantos temas?
Não disponho de nenhum elemento de aferição. Depois vocês fazem as medidas pelo Google. O fato é que o papel do tribunal também mudou muito nos últimos anos. A reforma do Judiciário e o CNJ exigem uma postura diferenciada do presidente do STF como líder que deve ser do Judiciário. Se ouvirem o presidente Michel Temer e o presidente José Sarney, vocês não ouvirão dizer que houve exorbitância. E o próprio presidente Lula sabe do diálogo elevado que mantivemos nesse período.
Há antecipação de campanha?
Não vou falar sobre isso. Eu disse que, diante de uma decisão da Justiça Eleitoral impondo uma sanção a certa autoridade, esta autoridade não pode fazer brincadeira, deboche. Essa autoridade, a despeito de sua eventual contrariedade com a decisão, tem o dever de lealdade constitucional.
(…)
O STF deixou de ser reativo para ter papel mais atuante?
O STF, enquanto órgão da cúpula do Judiciário, tem diferentes missões. Tem a missão judicial, mas também a político-institucional, que é importante para a conformação do Judiciário como Poder. Nessa função política ele tem de ter papel proativo.
O sr. foi apontado como líder da oposição no STF. Mas já disse que sua gestão foi boa para o governo Lula. Por quê?
Eu tenho a impressão de que o STF, nestes dois anos, contribuiu decisivamente para a consolidação do Estado de Direito. E muitas vezes acho que ajudou o governo a se aproximar mais de um modelo de Estado constitucional.
Que exemplos daria disso?
As ações abusivas que víamos na conduta de alguns segmentos da Polícia Federal. Gostem ou não, foi o STF que colocou essas ações nos trilhos. A questão das invasões de terra. Foram as advertências do STF, inclusive as minhas falas de que não houvesse subsídio estatal para essas entidades, que chamaram a atenção para a responsabilidade do Ministério Público e do governo para esse assunto. Questões ligadas à demarcação de terras indígenas: foi o STF que talvez tenha reorientado o governo nesse tipo de política, evitando redemarcação, incentivo a invasões, superdimensionamento das áreas demarcadas. Lamento o Judiciário não ter ajudado em uma coisa: a manter os cubanos no Brasil.
(…)
No Judiciário exige-se prova para condenar alguém. Mas integrantes do governo foram demitidos sem nunca ter aparecido o grampo contra o sr. Por quê?
Aqui há uma diferença que precisa ser vista. Muitas vezes as pessoas são vítimas de um complô político e por isso perdem o cargo. É bastante elementar. A responsabilidade nesses casos é política. Quando um ministro não responde satisfatoriamente por uma área, ele pode ou deve ser exonerado. Outra coisa é condenar a pessoa num processo judicial. No caso específico, tínhamos um modelo em que se provou que 80 servidores da Abin se envolveram na chamada Operação Satiagraha, que havia um modelo de bicefalia no comando da Polícia Federal. Não estamos a falar de alguém que foi escolhido como bode expiatório.
E as provas do grampo?
Quanto às provas, não cabe a mim apresentá-las. O que disse é que havia uma conversa mantida com o senador Demóstenes Torres, que o diálogo existira tal como transcrito e apresentado pela revista (Veja). E depois as investigações provaram que havia várias conversas que não constavam da investigação e que estavam com o delegado (Protógenes Queiroz). A heterodoxia do procedimento está provada cabalmente. A participação de quase uma centena de agentes da Abin fala por si só.
(…)
O sr. se arrepende algo?
Estou como na canção de Piaf, Je Ne Regrette Rien: não me arrependo de nada. Estou em paz comigo mesmo, satisfeitíssimo de tudo o que fizemos e acredito que avançamos muito em termos de administração judiciária e de fortalecimento das instituições. O Judiciário sai mais forte hoje do que antes da minha gestão e não ao contrário.
Íntegra aqui

A nova tecnologia do L.I.V.R.O.

Por Millor Fernandes:
Um novo e revolucionário conceito de tecnologia de informação
Na deixa da virada do milênio, anuncia-se um revolucionário conceito de tecnologia de informação, chamado de Local de Informações Variadas, Reutilizáveis e Ordenadas - L.I.V.R.O.
L.I.V.R.O. representa um avanço fantástico na tecnologia. Não tem fios, circuitos elétricos, pilhas. Não necessita ser conectado a nada nem ligado. É tão fácil de usar que até uma criança pode operá-lo. Basta abri-lo!
Cada L.I.V.R.O. é formado por uma seqüência de páginas numeradas, feitas de papel reciclável e capazes de conter milhares de informações. As páginas são unidas por um sistema chamado lombada, que as mantêm automaticamente em sua seqüência correta.
Através do uso intensivo do recurso TPA - Tecnologia do Papel Opaco - permite-se que os fabricantes usem as duas faces da folha de papel. Isso possibilita duplicar a quantidade de dados inseridos e reduzir os seus custos pela metade!
Especialistas dividem-se quanto aos projetos de expansão da inserção de dados em cada unidade. É que, para se fazer L.I.V.R.O.s com mais informações, basta se usar mais páginas. Isso, porém, os torna mais grossos e mais difíceis de serem transportados, atraindo críticas dos adeptos da portabilidade do sistema.
Cada página do L.I.V.R.O. deve ser escaneada opticamente, e as informações transferidas diretamente para a CPU do usuário, em seu cérebro. Lembramos que quanto maior e mais complexa a informação a ser transmitida, maior deverá ser a capacidade de processamento do usuário.
Outra vantagem do sistema é que, quando em uso, um simples movimento de dedo permite o acesso instantâneo à próxima página. O L.I.V.R.O. pode ser rapidamente retomado a qualquer momento, bastando abri-lo. Ele nunca apresenta “ERRO GERAL DE PROTEÇÃO”, nem precisa ser reinicializado, embora se torne inutilizável caso caia no mar, por exemplo.
O comando “browse” permite fazer o acesso a qualquer página instantaneamente e avançar ou retroceder com muita facilidade. A maioria dos modelos à venda já vem com o equipamento “índice” instalado, o qual indica a localização exata de grupos de dados selecionados.
Um acessório opcional, o marca-páginas, permite que você faça um acesso ao L.I.V.R.O. exatamente no local em que o deixou na última utilização mesmo que ele esteja fechado. A compatibilidade dos marcadores de página é total, permitindo que funcionem em qualquer modelo ou marca de L.I.V.R.O. sem necessidade de configuração.
Além disso, qualquer L.I.V.R.O. suporta o uso simultâneo de vários marcadores de página, caso seu usuário deseje manter selecionados vários trechos ao mesmo tempo. A capacidade máxima para uso de marcadores coincide com o número de páginas.
Pode-se ainda personalizar o conteúdo do L.I.V.R.O. através de anotações em suas margens. Para isso, deve-se utilizar um periférico de Linguagem Apagável Portátil de Intercomunicação Simplificada - L.A.P.I.S. Portátil, durável e barato, o L.I.V.R.O. vem sendo apontado como o instrumento de entretenimento e cultura do futuro. Milhares de programadores desse sistema já disponibilizaram vários títulos e upgrades utilizando a plataforma L.I.V.R.O.

09 abril 2010

Cai Ari Moutinho

Mais uma vez o CNJ vem pôr a ‘casa em ordem’ no terreno do Poder Judiciário do Amazonas. O ex-presidente do TRE-AM, Ari Moutinho, foi forçado a pedir renúncia das funções de presidente e de membro daquela corte eleitoral.
Saiu dizendo-se ‘perseguido ‘ e aquelas outras velhas desculpas de todos os que ultimamente foram pegos em algum desvio ético na vida pública.
O fato é que pediu para sair antes que fosse forçado a fazê-lo.
Sai de cena da área mais sensível para a tenra democracia brasileira, a qual, apesar de transcorrido 30 anos de prática ainda padece de sérios desvios de finalidade por parte da elite política, que teima em não alterar a forma de representatividade que até aqui vem se demonstrando um desastre – posto que não basta o povo votar sem que isso altere sirva real possibilidade de mudança qualitativa que a vida pública requer.
O nosso sistema proporcional não leva a que haja realmente representatividade quando se elege quem menos se espera pelas atuais regras. Há que se testar outros sistemas – como o proporcional misto.
Da mesma forma a representatividade é maculada pelo quadro partidário amorfo e viciado, que privilegia os atuais detentores de mandato.
A corte eleitoral bate continência para o abuso do poder econômico e outras formas de desvirtuamento da prática eleitoral, fazendo jus à máxima de que ela ‘pode muito contra quem pode pouco e pode pouco contra quem pode muito’.
Neste momento mesmo o Congresso Nacional faz chacota do Projeto de Lei Popular que tenta limitar o acesso dos fichas-sujas aos cargos eletivos quando empurra para um futuro incerto essa votação, justamente pelo medo de se verem ‘apanhados’ pelos seus efeitos moralizadores.
Assim não dá!...

O Dilmês castiço

Por Celso Arnaldo:
A passagem de Dilma Rousseff por Ouro Preto avisa que a obsessão da vez ─ depois da quinta potência e da moradia como local de relações afetivas ─ é a velha metáfora do lobo em pele de cordeiro, que algum assessor lhe soprou e que ela vem repetindo desde que iniciou seu voo-solo. Claro que sem nenhum sentido ou alcance ─ como é próprio de Dilma:
“Quem da oposição quiser se passar como sucessor do governo Lula não sendo é um lobo em pele de cordeiro”.
Em Roma, como os romanos. Em Ouro Preto, como os barrocos ─ já que Dilma sustenta que não quer barracos. Não há nada mais barroco que uma construção de Dilma.
A oposição quer se passar como sucessor de Lula? Não, a oposição não quer “se passar”, a oposição quer suceder Lula. E quer se passar não sendo? Lógico: se quer se passar, não é. Qualquer explicação para uma frase de Dilma acaba sendo tão estranha quanto a própria frase.
Mas um repórter quis detalhes: estamos falando de quem, candidata?
“O que eu chamei de lobo em pele de cordeiro é quem criticava até ontem e hoje não critica mais. Lobo em pele de cordeiro é uma expressão bíblica, que das pessoas caracterizam o que elas não são. Um cordeiro pode se vestir com uma pele bem branca e estar com as patas afiadas.”
A Bíblia tem uma linguagem rebuscada e oblíqua, mas gostaria de saber em que passagem do Livro Sagrado a imagem de pele de cordeiro está descrita como “que das pessoas caracterizam o que elas não são”.
E por que um cordeiro, se for cordeiro, se vestiria como uma pele bem branca se já é branco? E as “patas afiadas”? Nem no Ritual do Sacrifício do Levítico se encontram criaturas assim. No pior dos pesadelos, há apenas animais com garras afiadas.
Dilma é uma catástrofe de proporções bíblicas, apocalípticas. A cada entrevista, a cada manifestação, o Êxodo parece cada vez mais próximo.

José Alencar se apequena

Por Celso Arnaldo:
O respeito que José Alencar angariou nestes anos em que luta tenazmente contra o câncer está sendo rapidamente corroído por algumas de suas atitudes recentes ─ entre elas, a de usar sua doença não como metáfora, mas como plataforma de campanha de seu ridículo partido, no horário eleitoral da TV.
Nesta quarta-feira, com aquela expressão de querubim, o vice declarou textualmente:
“A Dilma é meu amor porque é o amor do Brasil. Pela dedicação dela, pelo trabalho que ela realiza, pela seriedade com que ela trata a coisa pública”.
OK, só o amor constrói ─ mas esse choca. E Alencar justifica:
“As pessoas às vezes perguntam: mas por que a Dilma? Vocês viram que ela tem de cor números importantes da economia brasileira, números que dizem respeito a informações seguras em relação ao Brasil. Ninguém tem isso se não se dedica”.
Há um esquizofrênico no programa Pânico, o tal Homem-Enciclopédia, que sabe de cor e salteado todos os elencos de todas as novelas da Globo ─ mas nem por isso a Globo quer contratá-lo. E a Dilma tem um problema sério: ainda não decorou os fundamentos de sua língua-pátria.
Ainda por cima, José Alencar, por causa da vaidade que jurava não ter, está na iminência de trair seu país, colocando Sarney de novo na Presidência da República ─ já que ele se nega a assumir o posto nas próximas viagens de Lula, em nome de uma veleidade política absolutamente incompatível com um homem de 78 anos, com a biografia encerrada, enfrentando um câncer terminal: aspira a mais oito anos de mandato de senador.
Tome tento, Alencar: o câncer Sarney é fatal.

Dilma e Tancredo Neves

Por Augusto Nunes:
O primeiro alvo dos assassinos da verdade foi Getúlio Vargas, ferido pela versão que o transforma em modelo de Lula. O segundo foi Juscelino Kubitschek, atingido pela fantasia que procura torná-lo parecido com o presidente que não lê nem sabe escrever. A terceira vítima pode ser Tancredo Neves, avisou o palavrório de Dilma Rousseff no cemitério em São João del Rey. Foi ela a escolhida para a abertura da farsa destinada a inventar afinidades entre o estadista nascido em Minas Gerais e um camelô de comício.
A tarefa é mais complexa que as anteriores. Getúlio e JK não conviveram com a sigla nascida em 1980. Tancredo sofreu durante cinco anos a hostilidade sem pausas de um PT delirantemente oposicionista. A sequência de agressões verbais e gestos insolentes chegou ao climax em 15 de janeiro, quando o PT se recusou a apoiar o candidato do PMDB no Colégio Eleitoral. Entre Tancredo Neves e Paulo Maluf, a companheirada preferiu a abstenção.
Principal advogado da desfeita, Lula não enxergou diferenças entre dois opostos. “São duas faces da mesma moeda”, resumiu o campeão do raciocínio tosco, incapaz de distinguir um mestre da conciliação de um apóstolo do desentendimento, um democrata irretocável de um comerciante de votos, uma biografia de um prontuário. Inconformados com o monumento à insensatez, os deputados petistas Airton Soares, José Eudes e Bete Mendes votaram em Tancredo. Foram sumariamente expulsos.
Se tivesse efetivamente aprendido a admirar o presidente que nunca subiu a rampa do Planalto, Lula trataria de penitenciar-se publicamente, pedir desculpas aos três parlamentares, pedir perdão à família do injuriado e pedir a Deus que reduza o abismo que o separa de Tancredo. Em vez disso, escalou Dilma Rousseff para a cena inicial do show de cinismo eleitoreiro.
O último dos três vídeos agrupados no link documenta o momento mais assombroso do hino à canastrice. Convidada a explicar por que resolvera depositar uma coroa de flores no túmulo de Tancredo, Dilma tenta pinçar na memória a discurseira que Lula ensinou. A largada claudicante revela que não decorou direito a lição:
─ Ninhum homem público no Brasil, né?, é propiedade privada de nenhum partido, nem… num… é… é… é o fato da gente… é… respeitar o Tancredo Neves, o Tancredo Neves ele foi um brasileiro, eleito presidente da República e, infelizmente, não, não pode governar.
A gagueira diminui no primeiro ponto, mas Dilma derrapa na memória curta:
─ E ele não era propriamente nem do PT nem do PSDB, né? Ele era de outro partido…
As reticências advertem que a candidata esqueceu o nome do outro partido.
─ Era do PMDB ─ sopra-lhe no ouvido o companheiro Fernando Pimentel.
Não há tempo para contar que Tancredo só poderia “ser do PSDB” se tivesse ressuscitado três anos depois da morte para filiar-se ao partido fundado em 1988. O silêncio da oradora grita que é complicado demais ouvir e falar ao mesmo tempo.
─ Era do PMDB. Era do Brasil ─ insiste Pimentel.
─ Era do PMDB, né? ─ hesita Dilma já perdendo a paciência.
─ Era do Brasil ─ desespera-se a voz sussurrante enquanto Dilma acelera na curva e entra na reta final:
─ E nós podemos perfeitamente sendo… nós podemos perfeitamente, né?, sê do PT e respeitá o Tancredo Neves. Até porque hoje ele é um patrimônio do Brasil. E acho que o presidente Lula, o governo do presidente Lula, na fala que eu… li dele, que ele falava que um país só podia ser grande se seu povo se desenvolvesse, tivesse saúde, tivesse educação e felicidade, acho que o governo do presidente Lula se aproximou muito do que o Tancredo falou nessa, nesse seu discurso.
Era esse o objetivo da visita: vincular o padrinho ao presidente que morreu enquanto a democracia ressuscitava, ao avô de Aécio Neves, ao político mineiro que certamente estaria contra Lula e ao lado de Serra. Dilma fez o que pôde para facilitar o sequestro da memória de Tancredo, que segue em perigo. Mas o prólogo do espetáculo ultrajante foi um fiasco. A bichinha está palanqueira, mas o neurônio continua solitário.
Arrreee!!

01 abril 2010

O PAC 2 e os trilhões

por Celso Arnaldo:
O PAC 2 soa como um escandaloso amontoado de mentiras e impossibilidades matemáticas ─ e, evidentemente, com a promessa de 1 trilhão em investimentos, é um cheque em branco para o butim desenfreado e incontrolável da cumpanheirada.
Entre outras miragens, Dilma Rousseff agora promete aquecimento solar para todos os novos projetos do Minha Casa, Minha Vida ─ ouro de tolo que agrada aos ambientalistas ingênuos, muitos deles petistas. E lembra-se da fantasia do “1 milhão de casas”, que Dilma vivia apregoando em cada inauguração de pedra fundamental de conjuntinho habitacional, como se elas já estivessem construídas?
Pois bem, na semana passada, as 65 mil casas já entregues, e algumas mal entregues, tinham se transformado em 2 milhões. No discurso de hoje, teve outro superfaturamento: agora são 3 milhões. Leu Dilma:
“Com PAC 1 e PAC 2, serão construídas três milhões de moradias. Considerando que o déficit até 2008 estava em 6 milhões, estamos reduzindo o déficit pela metade”.
Ou seja, ainda não há cem mil casas construídas e Dilma já dá por fato consumado que o governo Lula/Dilma está reduzindo o déficit de 6 milhões pela metade.
E ficamos só na questão do Minha Casa. A agenda do PAC 2 tem itens mágicos com os nomes de Comunidade Cidadã, Cidade Melhor, Água e Luz para Todos, todos com metas escandinavas.
Mas, só pela “questão da moradia”, como ela gosta de dizer, não vejo diferença de Dilma PAC 2 para aqueles estelionatários de turbante que prometem um trabalhinho para “trazer de volta o amor perdido” ou alcançar a prosperidade.
Mãe Dilmá, pelo conjunto da obra e o volume trilionário das promessas, é uma charlatã búlgara ─ a primeira da espécie que cruza nosso caminho e que temos a oportunidade de despachar para bem longe, agora em outubro, com o trabalhinho de uma só teclada na urna eletrônica.

O 'discurso' de Dilma

Por Celso Arnaldo:
Momento histórico da crônica política republicana, no auditório do Anexo 1 do Palácio do Planalto, neste 31 de março. Se as urnas de outubro recolherem o bom senso e a justiça, ali foram proferidas as derradeiras palavras de Dilma Rousseff investida num cargo público neste país. Pelo menos nos próximos oito anos.
“Alô? Ah! Eu vô (sic) cumeçá (sic) saudando o nosso presidente, é, como é do protocolo mas também devido à importância dessa solenidade. Cumprimentá (sic) o Michel Temer, presidente da Câmara dos Deputados, vou cumprimentá (sic) os ministros que tão (sic) tomano (sic) posse. Tenho certeza (sic) que todos eles vão cumpri (sic) a missão que têm pela frente tão (sic) ou melhor do que nós fizemos…”
A voz está embargada, os olhos sinceramente marejados ─ e sua despedida da Casa Civil, traduzida por estas últimas palavras, terá a marca indelével da oradora que assombrou o país nos últimos meses. Tão ou melhor ─ para usar sua expressão tão precisa─ do que os grandes tribunos da História.
“Eu cumeço (sic) saudando a querida Erenice Guerra, ministra-chefe da Casa Civil”
Agora é oficial e não houve resistência. Mas, em outros tempos, pespegar o posto de ministra-chefe da Casa Civil ao nome da companheira Erenice seria guerra na certa ─ se alevantariam, inclusive da tumba, todos os antigos ocupantes da função, desde o tempo em que a casa era gabinete, em 1938.
“Sim, presidente, com o senhor, nós vencemos. E vamos vencendo a cada dia. Vencemos a miséria, a pobreza. Ou parte da miséria e da grande pobreza deste país. Vencemos a submissão, vencemos a estagnação, vencemos o pessimismo, vencemos o conformismo e vencemos a indignidade. Talvez, presidente, nós tênhamos (sic, sic, sic, mayday, mayday, mayday) vencido esse pesado resquício da escravidão que este país carrega ou que carregou tão forte”.
Tão impressionados com as obras do PAC 1, agora embrulhadas pra viagem para o PAC 2, nós talvez não tênhamos percebido que vencemos tanta coisa ruim e agora é tudo de bom.
Pena que ainda tênhamos escravidão no Brasil ─ isso nós também não tínhamos percebido. Dilma invoca o testemunho do ministro da Integração Racial, um austero senhor negro de óculos cujo nome não foi anunciado por ela, provavelmente porque o conhece tanto quanto nós:
“Ele sabe do que estou falando, porque neste processo nós continuamos vencendo mais de 400 anos de peso e de exclusão que pesa e que oprime nosso país”.
Esses 400 anos de peso que pesa sobre nosso país põem um primeiro ponto final nesta análise do testamento político de Dilma Rousseff. Até aqui, passou-se pouco mais de um minuto e este último discurso durou quase uma hora.
Tão ou melhor emocionado que Dilma, preciso me refazer.