Por Augusto Nunes (Veja.com\ Direto ao Ponto)
A oposição oficial insiste em esconder dos milhões de brasileiros desinformados a história do plano que acabou com a inflação
O
18° aniversário do Plano Real, ocorrido neste domingo, não animou a
oposição oficial a soltar um único rojão, um só buscapé , sequer um
traque de festa junina. A chegada à maioridade da ousadia econômica que
domou a inflação só serviu para reafirmar que Fernando Henrique Cardoso,
o grande protagonista da façanha, foi vítima de outra molecagem
consumada em parceria por adversários boçais e aliados bisonhos.
O governo Dilma-Lula fingiu esquecer a data para que o país nem
lembrasse as cafajestagens promovidas pelo PT para enterrar o Real. A
oposição oficial só esqueceu outra vez o que jamais valorizou. Se os
herdeiros presuntivos do legado de FHC fossem menos idiotas, usariam
repetidamente a TV para contar, no horário eleitoral e no espaço
reservado aos partidos, a história que milhões esqueceram e outros
tantos ignoram.
Os incontáveis brasileiros que hoje tem 30 anos ou menos tinham no
máximo 12 em 1° de julho de 1994, quando o Plano Real nasceu. Não são
muitos os que sabem o que efetivamente aconteceu, como aconteceu, quem
fez acontecer e quem procurou impedir que acontecesse. Como atestam os
textos e ilustrações que se seguem, não seria difícil contar o caso como
o caso foi.
Em 28 de fevereiro de 1986, acuado pela escalada da inflação, o
governo do presidente José Sarney não se limitou a cortar três zeros do
cruzeiro, como fizeram vários antecessores. Também aposentou a velha
moeda e criou o cruzado.
Três anos depois, ainda no governo Sarney, novamente sumiram três zeros e o cruzado foi substituído pelo cruzado novo.
Em 1990, dois meses depois da posse, o presidente Fernando Collor
repetiu o truque: matou o cruzado novo e ressuscitou o cruzeiro ─ com
três zeros a menos.
Em agosto de 1993, já com Itamar Franco no lugar de Collor, o governo amputou três zeros do cruzeiro e criou o cruzeiro real.
Em 1° de julho de 1994, último ano do governo Itamar, o real nasceu
no bojo do plano com o mesmo nome concebido por uma equipe de
economistas comandada por Fernando Henrique Cardoso, nomeado ministro da
Fazenda em maio do ano anterior. Passados 18 anos, a moeda continua
exibindo a excelente saúde que faltou às versões anteriores, todas
fulminadas pela inflação descontrolada.
Instados
a lidar com a maldição cinquentenária, Itamar Franco e FHC
dispensaram-se de lamúrias, enfrentaram sem hesitações o inimigo
aparentemente invencível e enjaularam a inflação que parecia indomável.
Herdeiro de um país financeiramente estabilizado, Lula foi o único
presidente, além do antecessor, que não precisou encomendar à Casa da
Moeda cédulas com outro nome, zeros a menos ou zeros a mais. Desde 1994,
da menor fração em centavos à cédula de 100 reais, nada mudou.
“Recebi um país em péssima situação”, mentiu Lula durante oito anos.
“Nós assumimos um país com a inflação descontrolada”, continua mentindo
Dilma Rousseff. A permanência, a longevidade e a solidez da moeda são a
prova mais contundente de que Lula, beneficiário da herança bendita,
tratou a verdade a pontapés para expropriar de FHC a paternidade do
histórico ponto de inflexão. O colecionador de fraudes e falácias faz de
conta que foi ele que livrou o Brasil do convívio com a inflação mensal
acima de dois dígitos.
Em nações mais altivas, pais-da-pátria que assassinam a verdade em
público se arriscam a ter a discurseira interrompida por chuvas de
dinheiro metálico. Graças a FHC, Lula e Dilma seguem desfiando lorotas
sem se expor a tal perigo: desde 1994, ninguém joga fora sequer moedas
de 5 centavos. A dupla que inventou o Brasil Maravilha adoraria assumir a
paternidade do Plano Real. A família que participou dos trabalhos de
parto finge que mal reconhece a criatura admirável.
A performance dos candidatos do PSDB nas campanhas presidenciais de
2002, 2006 e 2010 grita que a oposição oficial ainda não enxergou com
nitidez a importância histórica do Plano Real. O que não houve neste 1°
de julho avisa que nunca enxergará.



