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15 novembro 2012

Más notícias: governo usa a Petrobras para segurar a inflação, empresa não cumpre metas — e o país voltará a importar petróleo em 2013

Publicado no blog de Ricardo Setti (Veja.com):

EQUAÇÃO NEGATIVA -- Plataforma da Petrobrás na Bacia de Campos: a eficiência operacional caiu e equipamentos foram entregues com atraso, impedindo a prospecção de novos poços (Foto: Bruno Domingos / Reuters)
EQUAÇÃO NEGATIVA -- Plataforma da Petrobrás na Bacia de Campos: a eficiência operacional caiu, equipamentos foram entregues com atraso, impedindo a prospecção de novos poços, e a meritocracia entre funcionários cedeu lugar a exigências sindicais (Foto: Bruno 
Domingos / Reuters)

Matéria de Helena Borges, com reportagem de Marcelo Sakate, publicada em edição impressa de VEJA

 O ENROSCO DO SUBSÍDIO
Dilma manda a Petrobras segurar o preço dos combustíveis para conter a inflação, mas isso debilita a empresa e mata a autossuficiência
Foi bom enquanto durou. No próximo ano, o Brasil voltará a ser dependente da importação de petróleo. Adeus, autossuficiência, celebrada com fervor nacionalista em 2006, quando o país passou a produzir mais petróleo do que consumia.
O então presidente Lula deu contornos épicos ao feito, que comparou à “segunda independência do Brasil”. A propaganda escondia que a conquista da autossuficiência ainda deixava um déficit na conta externa de energia, pois o Brasil continuaria a vender petróleo cru e a importar gasolina e diesel.
Porém, apesar do saldo externo negativo, produzir tanto petróleo internamente ajudou a diminuir a vulnerabilidade da economia a choques externos, como os catastróficos eventos das décadas de 70 e 80, quando a produção brasileira de petróleo totalizava menos de um décimo da atual. Voltar a ser dependente da importação é, portanto, uma má notícia.
Um estudo inédito do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), obtido com exclusividade por VEJA, mostra que, já em 2013, o Brasil estará consumindo mais óleo do que será capaz de produzir. Se teve seus méritos na conquista da autossuficiência, o governo também é culpado pela perda desse privilégio.
Feitiçarias heterodoxas
Por duas razões: a primeira foi forçar a Petrobras a subsidiar o preço ao consumidor da gasolina e do diesel, mantendo-o estável mesmo com o aumento do custo internacional do petróleo; a segunda foi incentivar a venda de carros novos com crédito farto e corte de impostos, o que aumentou a frota nacional e, claro, o consumo.
Essas feitiçarias heterodoxas têm efeitos imprevisíveis. Ao proibir a Petrobras de repassar os aumentos ao preço do petróleo, o governo conseguiu impedir um acréscimo médio de cerca de 0,4 ponto porcentual no índice de inflação, que já está bem acima da meta de 4,5% estipulada para 2012.
Mas, ao bancar o subsídio, que só neste ano já provocou um prejuízo de 12,8 bilhões de reais, a Petrobras perdeu sua capacidade de investimento, não modernizou os poços já produtivos, interrompeu a prospecção de novas jazidas e atrasou a extração da riqueza do óleo de grande profundidade, o pré-sal.
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Dilema que não tem solução fácil nem indolor
Como despiu um santo para vestir outro, a presidente Dilma Rousseff se encontra agora em um dilema severo. Se desafogar o caixa da Petrobras autorizando o repasse dos preços externos, a inflação subirá mais rapidamente.
Se mantiver a política de subsídio pela companhia, vai se arriscar não apenas a perder a autossuficiência como a entrevar irreparavelmente a empresa que é orgulho nacional, o retrato a óleo do Brasil emoldurado pelos sonhos de grandeza de tantas gerações. Esse dilema não tem solução fácil nem indolor. É uma daquelas situações em que as opções são perder ou perder.