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10 março 2013

Neil Ferreira: Aflições de um Submergente nos tempos de Dilma


Madame Dilminha  tá com o Diabo na campanha da eleição de 2014, que já começou (Foto: Jonne Roriz)
Neil sobre o governo Dilma: "Os matemáticos do governo cabularam as aulas de aritmética fundamental da Escolinha do Professor Raimundo, mas são PhDs em Maquiagem; em Hollywood maquiagem dá “Oscar”, aqui dá Pibinho de 0,9%" (Foto: Jonne Roriz)
Por Neil submergente Ferreira, publicado no Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo
 AFLIÇÕES DE UM SUBMERGENTE NOS TEMPOS DE DILMA

Madame Dilminha tá com o Diabo no corpo, digo, com o Diabo na campanha da eleição de 2014, que já começou; a campanha convocou o Capeta para sua militância e Lula é o “ghost writer”. Eu sou o Submergente, catiguria fornecedora dos milhões de votos comprados e pagos pelas bolsas-esmola.
Sua Alteza praticou a baixeza de pensar que me comprou por 2,34 real por dia. Comprou e se apossou do direito de “poder fazer o diabo em tempo de eleição”. Pode e faz.
Essa é uma das falas que atribuo ao Lula; é a cara dele esculpida em carrara. O vulgo fala “cara escrita e escarrada”; não falo, não sou o vulgo, nem falo a Novilíngua deles, sou estrangeiro aqui no “país dos mais de 80%”.
Com 2 anos de antecipação já se pode “fazer o diabo” etc etc e tal; e fazem. A Justiça Eleitoral tem olhos de Ray Charles, é cega; faz ouvidos de mercador e fica caladinha da silva; além de cega, é surda-muda.
Com 2,34 real por dia eu só podia ser Submergente, ainda mais na “Restaurant Week”. Nada posso comprar, na eleição tenho algo pra vender, mas isso é na base da bolsa-esmola, nem um tusta a menos.
Reconheço que a Madame Avec Le Diable au Corps passou a mão num pedaço da carne de pescoço, arrancada do nosso pescoço por seu bichinho de estimação, o Leão, para jogar de esmola aos Les Miserables, uns 300 paus o ingresso; e vale. Do lado de fora, na fila dos bacana, tento descolá algum “pra olhá o carro do doutor”.
A Madame saliva de gozo existencial quando chama isso de “Distribuição de Renda”; se 2,34 real por dia são distribuição de renda nestes tempos de Fim da Miséria por Medida Provisória, minha vó é bicicleta.
Com 301 real por mês, 1 a mais de 300, sou promovido a Crasse Mérdia Emergente e posso comprar um rádio de pilha em vezes. Com 2,34 real por dia, 70 paus por mês, sou Submergente, não posso.
Bem que poderiam me comprar por um troquinho a mais, eu não ia contar pra ninguém; talvez uns 2,50 real por dia, 75 pilas por mês, todo homem tem seu preço, o meu é de liquidação.
Os matemáticos do governo cabularam as aulas de aritmética fundamental da Escolinha do Professor Raimundo, mas são PhDs em Maquiagem; em Hollywood maquiagem dá “Oscar”, aqui dá Pibinho de 0,9%.
Pegam um felizardo de 300 real por mês, maquiam o indefeso com mais 1 real e ele vira Crasse Mérdia Emergente de 301 real por mês.
Esses felizardos Emergentes “saem da pobreza” sem sair da pobreza. São pobres de marré de si que subiram na vida sem ter subido na vida.
Com 2,34 real por dia, sou Submergente, classificação que dá inveja a quem está abaixo dos 70 real por mês, os paupérrimos patéticos. São milhões e dão mau-olhado. Acendi incenso no barraco, com medo de tocar fogo na comunidade.
Eu era Zelite numa outra eternidade e caí do Gol 1.8 completo num Fusquinha Meia Nove zero bala. Há outros em pior estado; os do Estado do Maranhão nem me fale.
Os Crasse Mérdia Emergente são privilegiados habitantes do “país dos mais de 80%”; hoje “72%” — uns 8% deixaram de ser analfabetos funcionais. Pequeno passo para a humanidade, grande passo para o Brasil.
Virei militante do MST, Movimento dos Sem Tudo, tenho direito de invadir prédios no Centrão, inclusive ex-Hotel 5 Estrelas, como o outrora magnífico Cambridge. Prédio no Centrão não paga condomínio nem IPTU, tem gato de luz e tv paga, metrô na porta, sanduíche grego, cachorro quente e Restaurante Um Real do Alckmin.
Quis aproveitar a “Restaurant Week” e encarei a fila do Um Real, salivando e antegozando o desconto. Propaganda enganosa; é um real sem desconto.
Pode haver cumpanherada da catiguria dormindo no chão e fazendo necessidade na porta do prédio que você invadiu; vai ver acordaram tarde e perderam a hora da invasão.
Votar em quem o Lula manda é sintoma de insanidade mental. Um escritor, exemplo Fidel de la fidelidad fidelulista, jurou: “Se Lula mandar votar num cachorro, eu voto”.
Vota nos Postes pra ter mais Postes pros cachorros em quem Lula mandou votar fazerem você sabe o quê.
Martaxa fez a definição definitiva dos que são meus vizinhos de submergência: “É impossível contentar pobre; ou choraminga que não tem nada, ou chora que perdeu tudo quando chove”. Já perdi tudo antes dessa chuvarada herança maldita do Serra e do FHC.
Já tive malas, agora só mochila. A passagem não é comprada com grana nova que economizei nos Novos Tempos. Depois dos 2,34 real por dia, comprei com a metragem que ganhei viajando de busão; busão dá metragem, não dá milhagem.
Ah, rosnam, você se queixa dos aeroportos lotados, agora que os pobres andam de avião. Não; eu “se queixo” dos aeroportos por não saírem do armário para assumirem que são rodoviárias.
Não sou esfolado para a inclusão dos desincluídos. Sou esfolado para a inclusão da maior corrupção nunca antes vista “neçepaíz”, a cada dia com mais Roses pelo caminho.
O mês acabou de acabar, submergi.