
Neil
sobre o governo Dilma: "Os matemáticos do governo cabularam as aulas de
aritmética fundamental da Escolinha do Professor Raimundo, mas são PhDs
em Maquiagem; em Hollywood maquiagem dá “Oscar”, aqui dá Pibinho de
0,9%" (Foto: Jonne Roriz)
AFLIÇÕES DE UM SUBMERGENTE NOS TEMPOS DE DILMA
Madame Dilminha tá com o Diabo no corpo, digo, com o Diabo na
campanha da eleição de 2014, que já começou; a campanha convocou o
Capeta para sua militância e Lula é o “ghost writer”. Eu sou o
Submergente, catiguria fornecedora dos milhões de votos comprados e
pagos pelas bolsas-esmola.
Sua Alteza praticou a baixeza de pensar que me comprou por 2,34 real
por dia. Comprou e se apossou do direito de “poder fazer o diabo em
tempo de eleição”. Pode e faz.
Essa é uma das falas que atribuo ao Lula; é a cara dele esculpida em
carrara. O vulgo fala “cara escrita e escarrada”; não falo, não sou o
vulgo, nem falo a Novilíngua deles, sou estrangeiro aqui no “país dos
mais de 80%”.
Com 2 anos de antecipação já se pode “fazer o diabo” etc etc e tal; e
fazem. A Justiça Eleitoral tem olhos de Ray Charles, é cega; faz
ouvidos de mercador e fica caladinha da silva; além de cega, é
surda-muda.
Com 2,34 real por dia eu só podia ser Submergente, ainda mais na
“Restaurant Week”. Nada posso comprar, na eleição tenho algo pra vender,
mas isso é na base da bolsa-esmola, nem um tusta a menos.
Reconheço que a Madame Avec Le Diable au Corps passou a mão num
pedaço da carne de pescoço, arrancada do nosso pescoço por seu bichinho
de estimação, o Leão, para jogar de esmola aos Les Miserables, uns 300 paus o ingresso; e vale. Do lado de fora, na fila dos bacana, tento descolá algum “pra olhá o carro do doutor”.
A Madame saliva de gozo existencial quando chama isso de
“Distribuição de Renda”; se 2,34 real por dia são distribuição de renda
nestes tempos de Fim da Miséria por Medida Provisória, minha vó é
bicicleta.
Com 301 real por mês, 1 a mais de 300, sou promovido a Crasse Mérdia
Emergente e posso comprar um rádio de pilha em vezes. Com 2,34 real por
dia, 70 paus por mês, sou Submergente, não posso.
Bem que poderiam me comprar por um troquinho a mais, eu não ia contar
pra ninguém; talvez uns 2,50 real por dia, 75 pilas por mês, todo homem
tem seu preço, o meu é de liquidação.
Os matemáticos do governo cabularam as aulas de aritmética fundamental da Escolinha do Professor Raimundo, mas são PhDs em Maquiagem; em Hollywood maquiagem dá “Oscar”, aqui dá Pibinho de 0,9%.
Pegam um felizardo de 300 real por mês, maquiam o indefeso com mais 1
real e ele vira Crasse Mérdia Emergente de 301 real por mês.
Esses felizardos Emergentes “saem da pobreza” sem sair da pobreza.
São pobres de marré de si que subiram na vida sem ter subido na vida.
Com 2,34 real por dia, sou Submergente, classificação que dá inveja a
quem está abaixo dos 70 real por mês, os paupérrimos patéticos. São
milhões e dão mau-olhado. Acendi incenso no barraco, com medo de tocar
fogo na comunidade.
Eu era Zelite numa outra eternidade e caí do Gol 1.8 completo num
Fusquinha Meia Nove zero bala. Há outros em pior estado; os do Estado do
Maranhão nem me fale.
Os Crasse Mérdia Emergente são privilegiados habitantes do “país dos
mais de 80%”; hoje “72%” — uns 8% deixaram de ser analfabetos
funcionais. Pequeno passo para a humanidade, grande passo para o Brasil.
Virei militante do MST, Movimento dos Sem Tudo, tenho direito de
invadir prédios no Centrão, inclusive ex-Hotel 5 Estrelas, como o
outrora magnífico Cambridge. Prédio no Centrão não paga condomínio nem
IPTU, tem gato de luz e tv paga, metrô na porta, sanduíche grego,
cachorro quente e Restaurante Um Real do Alckmin.
Quis aproveitar a “Restaurant Week” e encarei a fila do Um Real,
salivando e antegozando o desconto. Propaganda enganosa; é um real sem
desconto.
Pode haver cumpanherada da catiguria dormindo no chão e fazendo
necessidade na porta do prédio que você invadiu; vai ver acordaram tarde
e perderam a hora da invasão.
Votar em quem o Lula manda é sintoma de insanidade mental. Um
escritor, exemplo Fidel de la fidelidad fidelulista, jurou: “Se Lula
mandar votar num cachorro, eu voto”.
Vota nos Postes pra ter mais Postes pros cachorros em quem Lula mandou votar fazerem você sabe o quê.
Martaxa fez a definição definitiva dos que são meus vizinhos de
submergência: “É impossível contentar pobre; ou choraminga que não tem
nada, ou chora que perdeu tudo quando chove”. Já perdi tudo antes dessa
chuvarada herança maldita do Serra e do FHC.
Já tive malas, agora só mochila. A passagem não é comprada com grana
nova que economizei nos Novos Tempos. Depois dos 2,34 real por dia,
comprei com a metragem que ganhei viajando de busão; busão dá metragem,
não dá milhagem.
Ah, rosnam, você se queixa dos aeroportos lotados, agora que os
pobres andam de avião. Não; eu “se queixo” dos aeroportos por
não saírem do armário para assumirem que são rodoviárias.
Não sou esfolado para a inclusão dos desincluídos. Sou esfolado para a
inclusão da maior corrupção nunca antes vista “neçepaíz”, a cada dia
com mais Roses pelo caminho.
O mês acabou de acabar, submergi.