Publicado no blog de Augusto Nunes (Veja.com)

VLADY OLIVER
O sujeito atropela um ciclista, arranca o braço dele no acidente e
joga o produto de sua indigência moral num córrego próximo,
inviabilizando o reimplante. Quem não vê a íntima ligação entre este
evento aterrador e a atual política social que nos nivela pelo ralo não
consegue ver um braço diante do nariz mesmo. Não me aprofundei na
notícia, mas ouvi que o cidadão estava dirigindo alcoolizado. Que era
universitário. Que não parou para prestar socorro à vítima. Tudo isso
somado vai criando um quadro trágico de nossa indigência frente aos
percalços da vida e às mínimas condições de civilidade que as pessoas
devem ter como pré-requisito para viver em sociedade.
Estamos perdendo tudo isso. Uma educação emporcalhada, dentro e fora
de casa. Valores aviltados sem a menor cerimônia, servindo antes a um
projeto de poder vagabundo que eterniza a miséria social em que nos
encontramos. O medo. A falta de compaixão. A mais absoluta falta de
decência, no trato com a vida e no respeito à vida. Um partido que
pleiteou sua chegada ao governo com uma bandeirinha da “ética” enfiada
no traseiro não demorou a mostrar seu projeto de podres poderes
pilantras, seu ódio pelas liberdades individuais, seu desprezo pela
decência, sua absoluta falta de moral e condições para administrar a
coisa pública com um mínimo de decoro.
É o mesmo partido que incita o ódio no campo por seus braços
ideológicos, o peleguismo sindical, o onguismo mentiroso e a fajutice
elevada ao patamar de uma seita vagabunda ─ e que exige de seus
participantes que reneguem o bom senso e as mínimas regras de
convivência. O exemplo acaba vindo da própria sociedade parva que acolhe
esta ignomínia em seu berço e todos os desdobramentos podres de uma
gente que nada sabe fazer diante de cenas que exigem alguma moralidade,
alguma coragem e algum decoro.
É o preço da barbárie generalizada, onde o não aprender é cultuado
como exemplo de atalho a ser seguido; que os valores morais caros a uma
sociedade em desenvolvimento podem ser aviltados sem cerimônia, sem
preocupação e sem consequências. Dirá o grande cretino em sua defesa que
perder um braço não é algo assim tão catastrófico. Afinal, ele já
perdeu dedos pelo caminho e nem liga. Faz parte do jogo sujo. Faz parte
de nossa miséria anunciada. País rico é país cuja mão boba é atirada no
riacho. Vagabundos.