Em junho de 2011, provavelmente surpreendida por um surto de
sinceridade, Dilma Rousseff aproveitou o aniversário de Fernando
Henrique Cardoso para finalmente admitir, já na abertura da carta
entregue ao ex-presidente pelo então ministro Nelson Jobim, que foi o
destinatário quem acabou com a inflação selvagem no Brasil.
“Em seus 80 anos há muitas características do senhor Fernando
Henrique Cardoso a homenagear”, reconheceu a remetente. “O acadêmico
inovador, o político habilidoso, o ministro-arquiteto de um plano
duradouro de saída da hiperinflação e o presidente que contribuiu
decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica”. Sublinhem o
trecho: um plano duradouro de saída da hiperinflação. (Podem chamá-lo de Plano Real que ele atende.)
Dois anos depois, como atesta o vídeo, Dilma completou o serviço no
meio da discurseira em Belo Horizonte. Talvez tenha ocorrido um segundo
surto de sinceridade. Talvez outra pane no neurônio solitário tenha
desviado para o caminho da verdade a mentira em gestação. O importante é
que a chefe de governo disse o que ficou faltando na carta enviada a
FHC: “A inflação foi uma conquista desses dez últimos anos do governo do
presidente Lula e do meu governo”.
É isso. Junto com o padrinho, a afilhada tem feito o possível para
libertar o monstro que FHC aprisionou. Quem disse foi Dilma Rousseff.