Em matéria de presidente da República, a Venezuela empata com o
Brasil. Nicolás Maduro, o motorista de ônibus que virou piloto de país,
confunde eleição presidencial com briga de trânsito, qualifica o
adversário de “maricón” e jura que Hugo Chávez ressuscitou disfarçado de
passarinho. Dilma Rousseff não diz coisa com coisa, é incapaz de
produzir uma frase com começo, meio e fim, esquece à noite a promessa
que fez de manhã e tornou-se uma prova ambulante de que o Brasil
sobrevive até a governantes com um neurônio só.
Em matéria de presidente-adjunto e eleitorado, o empate se repete. No
momento, Lula se faz de morto para escapar do caso Rose e governar na
clandestinidade. Chávez se faz de vivo (fingindo que dorme no caixão
transparente ou voando com a leveza de um colibri) para garantir a
vitória de Maduro e tornar-se no primeiro presidente com gabinete no
Além. Nos dois países, a eleição é decidida pela imensidão de desvalidos
que se acham felizes por não saberem o que é isso. Gente que imagina
que viver é não morrer de fome retribui com votos os donativos dos
gigolôs da miséria.
Em matéria de oposição, a Venezuela está ganhando com folga ─ e, se
mantiver a estratégia que resultou nas imagens do vídeo acima, talvez
acabe impondo uma goleada ao Brasil. O PSDB troca socos e pontapés com
tucanos, o PPS flerta com o PSB de Eduardo Campos, o DEM ainda não
descobriu quem é. No reino dos chavistas, os adversários do chavismo e
recuperaram a sensatez e reaprenderam a unir-se no combate ao inimigo
comum . Por aqui, a oposição oficial não se junta nem em festinhas de
batizado. E há mais de dez anos não dá as caras nas ruas.
No comício de encerramento da campanha de Henrique Capriles,
principal adversário de Maduro, foi reencenado em Caracas o espetáculo
da multidão disposta a barrar nas urnas o avanço dos pastores do
primitivismo. Uma vitória e tanto. Seja qual for o resultado da eleição,
a resistência democrática venezuelana mostrou-se extraordinariamente
maior, mais musculosa e mais lúcida do que os arrogantes herdeiros de
Chávez. Vejam o vídeo. A Venezuela garroteada por um
bolívar-de-hospício, quem diria, pode livrar-se do tempo das cavernas
bem mais cedo que o Brasil.