A oposição vai exigir do Palácio do
Planalto explicações sobre a sindicância interna que investigou as
denúncias envolvendo a ex-chefe de gabinete da Presidência da República
em São Paulo, Rosemary Nóvoa Noronha, indiciada pela Polícia Federal por
formação de quadrilha, corrupção passiva e tráfico de influência em
todas as instâncias governamentais para obter benefícios financeiros. A
sindicância – aberta por decisão da Casa Civil e realizada em conjunto
com a Controladoria Geral da União (CGU) – comprovou, segundo reportagem
da revista “Veja” deste fim de semana, que Rosemary recebia vantagens
como ex-assessora de Lula. O documento, segundo a “Veja”, cita
tratamento especial dado a Rosemary durante viagem particular a Roma. Na
ocasião, ela e o marido ficaram hospedados na embaixada brasileira,
localizada na Piazza Navona, num dos mais luxuosos endereços de Roma.
O líder da
MD (Mobilização Democrática), deputado Rubens Bueno (PR) disse, neste
domingo, que irá pedir à Casa Civil cópia da sindicância, que corria em
caráter sigiloso. Ele acredita ainda que a sindicância seja anexada ao
relatório do inquérito da investigação da PF, que foi remetido à 5ª Vara
da Justiça Federal de São Paulo. “Acredito que isso é importante para
que seja desvendado e esmiuçado o modus operandi da quadrilha que se
instalou no seio do governo. Não é possível que um relatório sugerindo a
abertura de um processo disciplinar administrativo contra um servidor
público seja mantido em segredo para evitar instabilidade institucional.
O que o governo está querendo esconder?”, disse Rubens Bueno.
Segundo a
revista, a sindicância apontou irregularidades e mapeou uma rede de
favores e tráfico de influência exercido por Rosemary quando ela
chefiava o escritório da Presidência em São Paulo. A apuração
determinada pela Casa Civil, de acordo com a “Veja”, teria rastreado
anormalidade na evolução patrimonial da acusada e recomendado que ela
seja investigada por enriquecimento ilícito.
Rubens
Bueno disse que a oposição tentará retomar a pressão para a abertura de
uma CPI sobre as denúncias, lembrando que o governo conseguiu evitar a
abertura quando o caso surgiu. A pressão exercida pelo governo nos
parlamentares da base aliada impediu que a CPI obtivesse o número
necessário de assinaturas (171) para que fosse instalada na Câmara dos
Deputados.
(…)
O vice-líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), duvida que uma sindicância do governo federal puna Rosemary. Ele disse que a oposição tem que redobrar as apostas, principalmente em relação a uma ação por parte do Ministério Público. “As sindicâncias do governo sempre ficam sob suspeição”, disse Dias. Além da CPI, o líder do MD renovará o pedido enviado ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, em dezembro de 2012, para explicar a denúncia de tráfico de influência na contratação pelo Banco do Brasil de empreiteira da família de Rosemary.
Por parte
do governo e do PT, a preocupação é não reviver o caso Rosemary no
Congresso. O líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia
(PT-SP), disse que não havia tomado conhecimento da reportagem, discurso
repetido por outros petistas. Amigo de Lula, o deputado Devanir Ribeiro
(PT-SP) também afirmou que não lera a reportagem, mas, informado sobre
seu teor, afirmou que tudo deve ser esclarecido. O Palácio do Planalto
informou que não comentará a reportagem. O Itamaraty disse que havia
“tomado conhecimento da reportagem”, mas que ainda não produzira uma
resposta oficial.
(…)
O vice-líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), duvida que uma sindicância do governo federal puna Rosemary. Ele disse que a oposição tem que redobrar as apostas, principalmente em relação a uma ação por parte do Ministério Público. “As sindicâncias do governo sempre ficam sob suspeição”, disse Dias. Além da CPI, o líder do MD renovará o pedido enviado ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, em dezembro de 2012, para explicar a denúncia de tráfico de influência na contratação pelo Banco do Brasil de empreiteira da família de Rosemary.