Publicado no Globo desta sexta-feira
NELSON MOTTA
NELSON MOTTA
Estamos vivendo dias de espanto, com Renan Calheiros se tornando o
paladino das forças do bem, ávidas para atender prontamente as
reivindicações populares, mesmo cortando na carne do Senado, e com o
apoio de Sarney! Estamos dependendo da independência, da grandeza, da
integridade e do espírito público do PMDB de Henrique Alves e Eduardo
Cunha para evitar desastres armados pelos estrategistas do Planalto e
apoiados pelo PT e o PCdoB, como o plebiscito de araque. Que fase!
Seguindo orientação de Lula, 25 governadores, 37 ministros, a base
parlamentar aliada e os movimentos sociais foram recebidos pela
presidente, filmados e fotografados, mas não falaram nada e nem foram
consultados nas propostas e decisões do governo, só ouviram em silêncio,
remoendo sua raiva, frustração e impotência. Os prefeitos pelo menos
vaiaram.
Pela primeira vez na história deste país, prefeitos recebem dinheiro
de um governo e vaiam. Mas todo mundo entendeu que eles não querem um
jabá, mas negociar democraticamente a distribuição do Fundo de
Participação dos Municípios e depender menos do poder imperial de
Brasília. Com o povo de suas cidades bufando nos seus cangotes, os
prefeitos querem mostrar serviço, como nunca na história deste país.
Quando 81% dos brasileiros avaliam os políticos como “corruptos ou
muito corruptos”, para conter sua voracidade, associada a empresários
inescrupulosos e funcionários venais, são criados incontáveis mecanismos
de controle, e de controle do controle, aumentando o poder da
burocracia e atrasando os projetos e investimentos públicos. Criando
mais dificuldades para vender novas facilidades, aumentam a corrupção.
São mais mãos a serem molhadas, mas o custo é sempre repassado aos
consumidores finais: nós.
Mas o presidente do PT atribui as dificuldades do governo a falhas de
comunicação, como se o governo não gastasse mais de um bilhão de reais
por ano em triunfais campanhas publicitárias de João Santana vendendo o
Brasil Maravilha de Lula e Dilma. Pelo contrário, o governo é vítima de
seu excesso de comunicação, contrastado fragorosamente pela realidade
das ruas.