
O
grande protesto em Brasília que tomou conta da Esplanada dos
Ministérios e chegou perto do Palácio do Planalto, defendido pela
Polícia Militar e pelo Batalhão da Guarda Presidencial: depois de dez
anos e meio de lulopetismo, a hora do levante social (Foto: Givaldo
Barbosa / Agência O Globo)
Post do amigo e leitor do blog Mauro Pereira
Os dez anos e meio de desmandos do governo petista, sustentados na
utopia do lulopetismo remunerado, empurraram a sociedade para um beco
cuja única saída seria o levante social.
Acuada, ela se levantou.
Ainda um tanto quanto atordoada pela devastação a que foi submetida
anos a fio e tateando pela vastidão do vácuo de lideranças que se
estabeleceu , deixou claro que é senhora do seu destino e fez ressoar
pelos quatro cantos do Brasil o seu repúdio veemente ao jugo do Estado,
pouco importando a cor do seu pavilhão ou a matiz do seu ideário.
Ecoou pelas avenidas do Brasil de verdade o brado engasgado há mais
de uma década, deixando um recado definitivo aos candidatos a messias
redentoristas que não se deixa encantar pela bonança oportunista
oferecida por redentores mercenários.
Esbanjou vigor e sede de justiça.
Demorou, mas a onda de protestos que se esparramou por todo o país e
reacendeu a chama da cidadania, avisou aos petistas que havia chegado o
tempo do ajuste de contas.
Ao serem estrepitosamente escorraçado das ruas, seu habitat natural,
por uma multidão cansada de colecionar humilhações, aturdidos, sentiram
pousar sobre o seus semblantes acintosamente arrogantes o olhar gélido
do ocaso anunciando o princípio do fim de uma das mais penosas etapas de
nossa história política.
Com as bandeiras arriadas a inteiro pau se deram conta que não eram
mais os donos das ruas e que estavam definitivamente abaladas as
estruturas do Brasil Maravilha que lhes dá asilo e que a ruína épica se
desenvolve inexorável, devolvendo o Brasil aos brasileiros e sepultando
na mesma cova rasa rasgada no solo árido da mentira uma divindade
desprovida de luminescência, os proféticos neo-comunistas do século 21 e
os arautos do pós-marxismo capitalizado na Bolsa de Valores.
Confiantes por demais no acolchoado eleitoral representado pela
servidão de programas assistencialistas, pela proliferação de cotas e
pela ditadura das minorias, governantes e políticos – na sua maioria -,
perderam o respeito pelo cidadão.
Vencidos pela soberba, se juntaram no poleiro da promiscuidade de
onde prestaram a mais ordinária vassalagem ao rei do terreiro e
perpetraram uma sequência interminável de patifarias. Se
auto-proclamaram brasileiros de fina estirpe, inatingíveis, acima do
bem, do mal e da justiça. No entanto, as vaias estrepitosas que
superlotaram os estádios da Copa da Vergonha e a voz estridente emanada
das ruas os fizeram compreender que eram apenas patifes.
Desnecessário dizer que essa revolta popular que eclodiu pelos quatro
cantos deste rincão verde e amarelo tem como combustível a ação nefasta
do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde quando tomou posse em
janeiro de 2003.
As pegadas do Flagelo de Garanhuns esparramadas pelos Três Poderes da
República são indeléveis e mostram com clareza os estragos que ele
proporcionou. Seu sumiço estratégico
determinado pela sobrevivência política e a agudez do seu silêncio
malandro denunciando os contornos de sua covardia o condenam.
Obcecado em mostrar quem era o síndico do prostíbulo Brasil
Maravilha, vagou pelos porões da insanidade para tornar Dilma Rousseff
sua sucessora. Porém, o som retumbante de sua vitória pessoal naquela
eleição prestou-se apenas para evidenciar uma verdade irrefutável: ambos
compartilham do mesmo instinto predador.
Lula vulgarizou o Gabinete da Presidência em reles palanque
eleitoreiro. Dilma Rousseff o reduziu a uma reles saleta de aeroporto.
Com o ego insuflado por números pra lá de questionáveis publicados
por institutos de pesquisas abaixo de qualquer suspeita, acreditou que
quanto mais o seu governo se afundava na lama da corrupção mais
aumentava sua popularidade.
Aberto a todas as oportunidades, concluiu que a forma mais eficiente
para se perpetuar como o maior brasileiro de todos os tempos era virar o
Brasil de cabeça para baixo. Só não estava nos seus planos bater de
frente com milhões de brasileiros e brasileiras que ocuparam as avenidas
da democracia determinados a ensinar-lhe que, apesar dele, ainda é
possível viver de cabeça para cima.
“Os desatinos que vêm assolando nosso país há praticamente nove anos,
infelizmente, demandarão o esforço de gerações para recolocá-lo nos
trilhos do desenvolvimento”, escrevi há algum tempo.
Encerrei aquele texto afirmando que “no entanto, apesar de todos os
percalços, haveremos de ver triunfar a lisura e a retidão. Ainda que
tardia, despida da toga servil maculada pela gratidão irrestrita, a
história se incumbirá de fazer justiça a esses vendilhões da pátria. É
só uma questão de tempo”.
Já não é mais!