SEGUNDO PREVISÕES DE GUIDO MANTEGA, O LEILÃO DE LIBRA FOI UM RETUMBANTE SUCESSO
Acho
que o leilão do campo petrolífero de Libra foi mesmo, julgando pelos
parâmetros do ministro da Fazenda, Guido Mantega, “um sucesso”.
Só pelos parâmetros dele
Fora qualquer ilação, que tal – ao menos uma vez – irmos direto aos fatos?
1 – O governo anunciou que 40 empresas concorreriam
Quando da apresentação do sistema de partilha para a exploração do
maior campo de petróleo do pré-sal até agora conhecido, o governo
anunciou pomposamente que esperava o aparecimento de quarenta empresas
ávidas em concorrer. Das quarenta, foram ao leilão quatro… (10%) — e
ainda mais associadas em um único consórcio.
Parece-me dentro dos índices de Mantega et caterva.
2 – Total e Shell
Sabe-se que as gigantes privadas francesa e anglo-holandesa obrigaram
a Petrobras a assumir mais 10% de participação (mais 1,5 bilhão de
reais em um cenário de penúria e na maior crise pela qual a empresa já
passou, a partir da desastrosa da gestão de sete anos de Sergio
Gabrielli, antecessor da presidente Graça Foster) e que os investimentos
($$$) fossem de responsabilidade dos chineses.
3 – A participação dos chineses
Para eles, é dinheiro de troco, mas a participação das duas estatais
petrolíferas chinesas se deu com a solene garantia de que não haverá
qualquer mudança de regras (que o PT, como sabemos, gosta de mudar ao
sabor da “ideologia” do dia).
Se houver mudanças – e ao longo dos próximos 35 anos –, imagine-se o
tamanho da encrenca em que o Brasil terá se metido ao confrontar a China
e o que ela, hoje, representa para a economia brasileira, sendo o maior
parceiro comercial do país.
4 – O Brasil passou 6 anos apostando em uma nova matriz energética
Quem se lembra?
Lula percorreu o mundo decretando o fim do petróleo e o uso da
energia renovável do etanol. Queria implantar o modelo na África e em
Cuba.
Alguém tem notícia de como vai este programa de energia?
Não está dentro das possibilidades que o Brasil descubra (só como
exemplo) reservas de gás de xisto (3,00 dólares a tonelada bruta nos
Estados Unidos) e abandone o pré-sal, a respeito do qual não se sabe
NADA com um grau definitivo de certeza? Já aconteceu antes…
Quem no mundo vai encarar o dinheiro de acionistas (pessoas físicas,
fundos de pensões, etc) nesta instabilidade? A China? Sim, a China.

“Lula
percorreu o mundo decretando o fim do petróleo e o uso da energia
renovável do etanol” Na foto com o rei da Suécia, Carlos Gustavo XVI
(Foto: Ricardo Stuckert / PR)
5 – Dilma diz que não houve privatização
Esta é demais. O argumento é que somente um pequeno percentual fica com os “instrangeiros”.
Seria o caso de perguntar: se alguém vendesse o quarto e o banheiro
de empregada de seu apartamento para terceiros, a pessoa estaria
“privatizando” o apartamento ou a operação teria outro nome?
Dilma e o PT inventaram a definição de privatização por tamanho. Mas
privatização é como virgindade ou gravidez: ou existe ou não.
Dilma PRIVATIZOU, sim, um percentual significativo de Libra. Mesmo
dizendo na campanha eleitoral que a levou ao Planalto que isto seria “um
crime”.
6 – “Concorrência” de um? É preciso cuidado com as palavras. Não há como chamar flor de urubu, alegando que o conceito mudou.
O que vem a ser concorrência? Não seria uma disputa entre atores diversos? Ou seja, de mais de um em busca do mesmo objetivo?
Como se pode considerar “um sucesso” uma concorrência com um único participante? Um jogo de futebol com um time só?
É preciso lembrar que se esperava que o percentual mínimo de 47% da
contrapartida-óleo a ser fornecido pelo consórcio vencedor fosse
facilmente extrapolado. Falava-se, no lulopetismo, em até 80% do
petróleo a ser entregue à Petrobras.
É, então, um sucesso ganhar por WO pelo placar mínimo? E os 15
bilhões pagos ao governo? Há menos de dois anos, as previsões não eram
de que o pagamento chegasse perto de 100 bilhões?
Sucesso?
7 – O desconforto evidente e explicitado da Petrobras diante do dinheiro que precisará bancar
A estatal, com o perdão pela expressão, está devendo as calças e está
se esforçando para conseguir rolar as dívidas que já possui! Precisou,
porém, arrumar mais uma, de 6 bilhões de reais, para salvar um programa
ideológico (era a isto que me referia!) sem realismo.
Vai aumentar o preço da gasolina?
Óbvio. E já!
No fundo o Brasil, ou seja, nós, vamos pagar 6 bi, dos 15 a serem
recolhidos ao Tesouro pelo consórcio vencedor, pelo que já é nosso. Isto
também é sucesso?

Plataforma
de petróleo da Petrobras: dificuldade para rolar as dívidas, e, agora,
mais uma, de 6 bilhões, para recolher ao Tesouro a parte que lhe cabe
por integrar o consórcio vencedor que vai atuar no campo de Libra (Foto:
Petrobras)
Somados os fatores expostos, trata-se de um fracasso retumbante.
Fruto do delírio do governo anterior? Muito.
Das condições atuais? Idem.
Da situação da Petrobras? Idem.
Da nova estatal PPSA (a do pré-sal, que detém o poder de definir ONDE
as empresas componentes do consórcio vão investir o próprio dinheiro de
pesquisas! Seria na contratação de companheiros? )? Certamente.
O que importa é que MAIS UMA VEZ os lulopetistas querem chamar aos demais brasileiros de burros ou míopes. Não somos.
Os lulopetistas tentam reescrever não mais a história. Agora, focam os fatos.