Tinha um amigo na Faculdade de Direito - acho que ainda está vivo, embora nunca mais o tenha visto -, o hoje Dr. Geraldo Macena, que me dizia o seguinte: "Pinheiro, não existem partidos políticos no Brasil, mas sim quadrilhas organizadas".
Isso por volta de 1988, quando aceitei o convite do meu professor e ex-governador Plínio Coelho e me filiei ao Partido Trabalhista Brasileiro.
Neste mesmo período de tempo fui colega de aula de dois sobrinhos de Plínio Coelho. Dois anos depois fui colega de um de seus filhos, Plínio César, como professor do CIESA, a primeira faculdade particular de Manaus, de propriedade do Orígenes Martins. Mas não foi por esse motivo que me filiei ao PTB. Li bastante coisa sobre o marxismo, sobre o trabalhismo e percebi que o pragmatismo do PTB de Vargas e Plínio - que tinha legado ao país diplomas legais e sistemas interessantes, tais como: CLT e a proteção do trabalhador; Previdência Pública; Justiça do Trabalho; Ministério do Trabalho, etc. - era bastante interessante.
Eu já tinha sido muitas vezes convidado pelo meu ex-colega João Pedro - de Incra (topógrafos) e estudantes da UA (hoje Ufam) -, quando eu era estudante de administração e de direito e ele era líder estudantil (ele, sim, marxista da gema!), mas sempre desconfiei dos seus discursos inflamados contra o capitalismo ao tempo em que aparecia com garrafas de coca-cola à boca (ninguém é de ferro!).
O tempo passou e vi o PTB 'sendo assaltado' por punguistas políticos de toda espécie. Saí. Aliás, pensei que havia saído, pois fui surpreendido há algumas semanas, quando pedi desligamento do PSDB - onde acreditava estar filiado -, e a secretária me informou que continuo mesmo é filiado ao PTB. Pensei: bem, isso traz uma vantagem. Não sou um trânsfuga partidário. Continuei "fiel" ao PTB, embora ela não me tenha sido fiel. Minha biografia partidária fica, assim, livre de ter passado por várias quadrilhas - óops. Partidos.
E não é que o Macena sempre teve razão!
Tanto é assim que o povo na rua está dizendo com todas as letras: "vocês não me representam!". E o povo, unido, jamais será vencido!
Coitado do povo! Sempre será vencido... Por mais que os políticos e os partidos "não representem" ninguém, eles sabem que esse "povo" é na verdade uma massa amorfa, de manobra, posto que avessa a estudar as origens dos partidos e dos sindicatos (principalmente o de 'ladrões'!).
De uns e de outros amigos sempre ouvi expressões tais como: "muda apenas o penico, a m... é a mesma..." para se referirem a partidos políticos e a miragem de alternância no Poder.
Hoje, após longos anos de janela e de quase-militância - pois nunca fui de empunhar bandeira e participar de passeata (a não ser recentemente quando participei de maneira incauta do sindicato de minha categoria de professor - a Adua/Andes -, que teve a coragem de enfrentar o lupetismo na última greve e que me rendeu apenas ter de ministrar aulas em dezembro, janeiro e fevereiro...) - descobri que meu colega Macena tinha razão: os partidos e os sindicatos - não nessa ordem - se parecem mais como quadrilhas organizadas com o objetivo de assaltarem os cofres públicos...e ainda fazem isso em nome do povo...
Petralhas!