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17 outubro 2013

Tua casa, meu voto...

Vejam que maravilha esse PT... Para elles, dinheiro público é grana fácil, confiscada dos imbecis reacionários de classe média e integrantes de uma elite odiosa, mas alienada...
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Minha casa, minha dívida: programa que é vitrine de Dilma para eleição tem índice recorde de calotes
CORTESIA ELEITORAL --Rudileia de Aragão engrossa a fila de inadimplentes do programa habitacional, mas não corre o risco de perder a casa. O governo, que não quis saber antes se ela poderia pagar, agora também não vai cobrá-la (Foto: Fernando Cavalcanti)
CORTESIA ELEITORAL –Rudileia de Aragão engrossa a fila de inadimplentes do programa habitacional, mas não corre o risco de perder a casa. O governo, que não quis saber antes se ela poderia pagar, agora também não vai cobrá-la (Foto: Fernando Cavalcanti)
Reportagem de Alana Rizzo, com colaboração de Natália Cacioli, publicada em edição impressa de VEJA

MINHA CASA, MINHA DÍVIDA
Vitrine do governo Dilma Rousseff na próxima eleição, o programa que pretende entregar moradias populares subsidiadas a 3 milhões de famílias até o fim do ano tem índice recorde de inadimplência

Ele foi planejado para ser a mais vistosa vitrine eleitoral da gestão Dilma Rousseff – a resposta do governo para o sonho da casa própria. Lançado em 2009, o programa Minha Casa Minha Vida consumiu 134,5 bilhões de reais para fazer 2,1 milhões de casas populares. O primeiro milhão já foi distribuído.
A presidente Dilma percorreu seis Estados brasileiros neste ano para providenciar ela mesma a entrega. O potencial de dividendos eleitorais da iniciativa é tamanho que ela é tratada como uma espécie de Bolsa Família da área urbana.
Programa subsidiado, o Minha Casa Minha Vida prevê que o governo arque com uma parte das prestações e o beneficiado banque o restante. O valor das parcelas é calculado com base na renda de cada família.
No papel, tudo certo.
Na realidade, tudo mais ou menos.
Dados obtidos por VEJA revelam que o índice de inadimplência na faixa de financiamento que inclui participantes com renda mensal mais baixa, até 1.600 reais, está em 20%. É um número dez vezes maior que a média dos financiamentos imobiliários no Brasil e 4 pontos mais alto que a porcentagem de atrasos em pagamento de hipoteca nos Estados Unidos em 2007, quando se acentuou a crise que serviu de gatilho para a pior recessão desde o fim da II Guerra Mundial.
O programa de habitação do governo tem 270 000 famílias na faixa de renda mais baixa e 1 milhão nas duas faixas seguintes. Nas duas últimas, a taxa de inadimplência está na média do mercado. A Caixa só divulgou esses dados depois de a reportagem de VEJA entrar com recurso junto à Controladoria-Geral da União.
Antes disso, o pedido, feito com base na Lei de Acesso à Informação, havia sido negado duas vezes.

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*Nos financiamentos com pior avaliação de crédito (Subrpime)
O fato de uma porcentagem tão extraordinariamente alta de participantes do programa não estar conseguindo pagar as prestações significa que sua capacidade de pagamento foi mal avaliada. Se essa má avaliação ocorreu por incompetência ou estratégia é difícil saber.
Cinco de seis moradores ouvidos por VEJA em dois conjuntos habitacionais do Minha Casa Minha Vida em São Paulo contaram que não tiveram nenhuma dificuldade para ser aceitos pelo programa, ainda que não tivessem emprego fixo e não pudessem apresentar comprovante de renda.
Todos disseram ter sido incluídos depois de aprovados com base no mesmo método: apresentaram uma “estimativa” de quanto ganhavam e a prestação foi fixada em 10% desse valor declarado. Todos estão inadimplentes há pelo menos três meses.
Essa arquitetura financeira ruinosa obriga o setor produtivo a bancar a conta para manter o programa de pé. Em recente votação no Congresso, o governo conseguiu manter a multa adicional de 10% do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) paga pelas empresas nas demissões sem justa causa. O dinheiro será usado exclusivamente para financiar o Minha Casa Minha Vida.
É o processo que o ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore descreveu bem: o governo “compra” o eleitor à vista e obriga a sociedade a pagar por ele a prazo.