Entidade geralmente moderada, Confederação Nacional do Comércio faz pesadas críticas à política econômica do governo Dilma

Reunião
da em geral moderada Confederação Nacional do Comércio: subindo o tom
para criticar a política econômica do governo (Foto: CNC)
Críticas ao “Estado leviatã, burocrático e opressivo”, com “baixa
eficiência na gestão administrativa”, à sua “excessiva dimensão”, com
“inúmeras superposições administrativas distribuídas por 39 ministérios,
78 autarquias, inúmeros conselhos e fundações”, aos “danos causados”
pela gestão do governo à Petrobras e à Eletrobrás e à excessiva carga
tributária foram o resultado da reunião de hoje, no Rio, da normalmente
moderada diretoria da Confederação Nacional do Comércio de Bens,
Serviços e Turismo (CNC).
Nota publicada no site da entidade manifestou “grande preocupação com
o atual cenário da economia brasileira e sua evolução a curto e médio
prazos”.
O veterano presidente da CNC, Antonio Oliveira Santos, há 33 anos no
comando da entidade e flexível o suficiente para manter bons
relacionamentos com sucessivos governos de diferentes orientações, desta
vez subiu o tom, lamentando o baixo crescimento da economia somado aos
desequilíbrios em alguns setores — citou o permanente déficit fiscal e
crescimento da dívida pública — e queixando-se da inflação, da
estagnação industrial, da deficiente infraestrutura dos transportes e do
desequilíbrio do balanço de pagamentos.
Tudo isso, afirmou, exige correções de rumo na administração pública, sob pena de prejuízos ainda maiores para o país.
– A nosso ver, todo esse conjunto de entraves resulta, basicamente,
da excessiva dimensão a que chegou o Estado brasileiro, com inúmeras
superposições administrativas distribuídas por 39 Ministérios, 78
autarquias, inúmeros conselhos e fundações — disse Santos. — Esse Estado
leviatã, burocrático e opressivo, de baixa eficiência na gestão
administrativa, representa, hoje, cerca de 40% do PIB nacional,
absorvendo e comprometendo significativa parcela da poupança privada que
deveria financiar os investimentos mais essenciais.
A nota oficial sobre a reunião salienta, a certa altura, que “na
avaliação da Confederação, a excessiva carga tributária e a crescente
burocracia oficial, assim como os desvios da administração pública na
utilização e gestão dos recursos fiscais, acarretam a perda de dinamismo
da economia nacional e promovem o agravamento das pressões
inflacionárias”.
Quanto às duas maiores empresas nacionais, a Petrobras e a
Eletrobras, “estão sendo sacrificadas em sua situação financeira e
patrimonial, em função da política de combate à inflação”, disse Santos,
lembrando o fato de que, em menos de dois anos, a Petrobras perdeu 43%
de seu valor patrimonial e a Eletrobras 70%, em detrimento dos
acionistas minoritários. “É fundamental restabelecer o sistema de preços
que fornece sinais que levam à melhor alocação dos fatores de produção e
reforçam a democracia”.
O presidente da CNC pediu que o governo reveja suas posturas, “a
começar pela redução da excessiva carga tributária e da sufocante
burocracia oficial, além do restabelecimento do clima de confiança do
setor empresarial, fundado nos princípios de segurança jurídica que
devem presidir a maior liberdade de funcionamento do mercado”.