Publicado no Estadão deste sábado
ROLF KUNTZ
ROLF KUNTZ
A presidente Dilma Rousseff parece ter-se inspirado em
filmes-catástrofe para governar. Se esse for mesmo o caso, ainda há
esperança: aqueles filmes terminam bem, ou pelo menos tão bem quanto
possível depois de muita devastação. Mas essa, por enquanto, é só uma
hipótese otimista, rejeitada por economistas do Banco Central (BC) e
desmentida, até agora, pelas principais fontes oficiais de informação.
As novas projeções do BC apontam inflação maior e crescimento econômico
menor que os previstos em março no relatório trimestral de inflação. O
desastre fiscal de maio – um rombo de R$ 10,5 bilhões nas contas
primárias do governo central – confirmou a piora geral do quadro
econômico. Foi o pior resultado das contas públicas neste ano, mas
perfeitamente compatível com a evolução das finanças federais. De
janeiro a maio, a receita líquida do governo central, R$ 412,74 bilhões,
foi 6,5% maior que a de um ano antes, mas a despesa, R$ 393,58 bilhões,
ficou 11,1% acima da contabilizada nos primeiros cinco meses de 2013.
Como consequência, o superávit primário, destinado ao pagamento de
juros, ficou em R$ 19,16 bilhões, 42,4% abaixo do valor do mesmo período
do ano anterior. Esse resultado foi equivalente a apenas 0,91% do
produto interno bruto (PIB). Parece muito difícil, nesta altura, a meta
fixada para o ano, um resultado primário correspondente a 1,9% do PIB.
Mas a meta será alcançada, prometeu na sexta-feira o secretário do
Tesouro, Arno Augustin. Ele se dispensou de dizer como esse alvo será
atingido. Mas a experiência indica uma resposta muito provável: como fez
em anos anteriores e nos primeiros meses deste ano, o governo federal
poderá recorrer a arranjos contábeis para fechar o balanço das contas
públicas.
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