
É
TÓIS? — O Brasil lamenta o quarto gol da Alemanha: outros três ainda
viriam. E Dilma não passou impune (Foto: AP Photo/Natacha Pisarenko)
SIM, SOBROU PARA ELA
Os números da primeira pesquisa pós-Copa são ruins para a presidente Dilma. Mas a verdadeira má notícia para a petista é que eles deverão piorar
Reportagem de Pieter Zalis publicada em edição impressa de VEJA
O Datafolha respondeu à pergunta que estampou a capa de VEJA na
semana de 16 de julho. A candidata Dilma Rousseff não passou impune pela
indignação popular produzida pela pior derrota sofrida pela seleção
brasileira em sua história. O levantamento do instituto, feito nos dias
15 e 16, mostrou uma piora em todos os indicadores da petista.
“Sobrou para a presidente na medida em que ela perdeu o bônus que os
bons resultados logísticos e de organização do evento prometiam trazer
para sua campanha”, diz o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino.
As pistas desse bônus apareceram na pesquisa realizada pelo instituto
durante a Copa, entre os dias 1º e 2 de julho, quando Dilma subia 4
pontos nas intenções de voto. “Depois do jogo trágico, o cenário das
eleições voltou à situação pré-Copa.”
O levantamento divulgado na quinta-feira pelo Datafolha mostra que
Dilma Rousseff perdeu 2 pontos nas intenções de voto e que a taxa de
descontentes com seu governo é a pior desde o início de seu mandato –
mais baixa até do que nos protestos de junho do ano passado: 29% de ruim
ou péssimo, contra 25% no auge das manifestações.
Mas a má notícia de fato para a presidente não é que sua situação
está ruim, como revelam os números – é que tende a piorar, como eles
indicam numa análise mais atenta.
Afirma o cientista político Antonio Lavareda: “Como os candidatos da
oposição ainda têm uma alta taxa de desconhecimento, o peso da avaliação
do governo hoje é mais importante do que as intenções de voto. Será
impossível Dilma se reeleger com uma aprovação de apenas 32% (taxa dos
que veem seu governo como ‘ótimo ou bom’, segundo o Datafolha)”.
Há outro complicador para a petista, que pela primeira vez empata no
segundo turno com o tucano Aécio Neves (44% a 40% para ela, com margem
de erro de 2 pontos). Seu potencial de crescimento é o menor entre todos
os principais candidatos.
O potencial de crescimento é um indicador do Datafolha que relaciona,
com base em um cálculo matemático, os eleitores que não votam no
candidato, mas o conhecem e não o rejeitam. Segundo Paulino disse a
VEJA, o da presidente é de 18%, enquanto o de Aécio chega a 53% e o de
Eduardo Campos (PSB) a 73%.
Afirma Paulino: “Hoje, o cenário de crescimento é claramente
favorável aos candidatos da oposição”. Ou, dito de outra forma: a
disputa eleitoral está ainda mais apertada do que mostram os números que
castigam a presidente.
