Publicado no Estadão deste sábado
ROLF KUNTZ
ROLF KUNTZ
Foi uma semana dura para a diplomacia brasileira e revoltante para os
anões. Na quinta-feira, o governo de Israel ofendeu os baixinhos de
todo o mundo ao descrever o Brasil como um anão diplomático. Três dias
antes, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso,
havia cobrado, em tom quase paternal, mais empenho de Brasília para a
conclusão do acordo comercial do Mercosul com o bloco europeu. Os dois
fatos evidenciaram, mais uma vez, a desmoralização e a falência da
política externa brasileira, tanto na área comercial quanto na
geopolítica. O fato coberto com maior destaque foi o bate-boca entre
funcionários de Brasília e de Tel-Aviv, mas os dois episódios são partes
da mesma história.
Anões, ao contrário da atual diplomacia brasileira, inaugurada em
2003, podem ser inteligentes, eficientes, equilibrados e relevantes.
Outros governos têm pressionado o de Israel e cobrado a suspensão ou
moderação dos ataques à Faixa de Gaza, mas nenhum deles pagou o mico de
se explicar e de responder em tom quase meigo a um porta-voz de
chancelaria. A explicação oferecida: o Brasil criticou apenas a
violência “desproporcional” de Israel, sem contestar seu direito de
defesa. A resposta complementar: o Brasil mantém relações diplomáticas
com todos os membros da ONU e, portanto, se houver algum anão, será
outro país. A explicação e a réplica foram apresentadas pelo chanceler
Luiz Alberto Figueiredo. Polidamente, ele se absteve de mostrar a língua
e de chamar de feio o funcionário israelense.