
Dilma na posse do novo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República)
Na última sexta-feira, em Salvador, ao participar da convenção que
lançou o candidato do PT ao governo do Estado, Lula afirmou que a
política vive um momento de descrédito e que é preciso moralizá-la.
E completou: “Aos olhos do povo parece uma coisa vergonhosa”.
E não é?
Ora, Lula e o PT, mas não somente eles, contribuem para que boa parcela dos brasileiros sinta nojo da política e dos políticos.
Um dia antes, em Brasília, a presidente Dilma Rousseff havia dado posse a Paulo Sérgio Passos, o novo ministro dos Transportes.
Ministro costuma ser empossado em uma das amplas salas do segundo
andar do Palácio do Planalto. As cadeiras, ali, jamais são suficientes
para o número pessoas interessadas em prestigiar o novo ministro.
Pois a cerimônia ocorreu numa sala menor do terceiro andar. Durou
menos de 20 minutos. E foi quase clandestina. Políticos de peso não
compareceram. O discurso de Dilma não passou de uma peça chocha e
cínica.
Ela disse que a ocasião se prestava para uma “pequena reorganização
do time que toca a infraestrutura e logística do governo”. E concluiu:
“Estou realocando as melhores pessoas em funções diferentes”.
Referia-se à transferência de Paulo Sérgio, presidente da Empresa de
Planejamento e Logística, para o lugar de César Borges, até então
ministro dos Transportes.
Borges foi rebaixado à condição de ministro da Secretaria Especial
dos Portos em substituição a Antônio Henrique Silveira, que doravante
responderá pela secretaria-executiva do ministério de Borges.
Por que esse troca-troca?
A implacável faxineira ética do início do governo, a dura executiva
que não perdoa falhas dos seus auxiliares, a mulher valente que se
orgulha de manter distância dos políticos por considerá-los
desprezíveis, enfim essa senhora antipática e refratária a salamaleques
rendeu-se à pressão de uma agremiação inexpressiva chamada Partido da
República (PR).
Piscou primeiro. E ofereceu o ombro para ser mordido. Arrancaram-lhe uma fatia de autoridade.
Preocupada em assegurar o apoio do PR à sua reeleição e, por tabela,
pouco mais de um minuto de propaganda eleitoral na televisão e no rádio,
Dilma demitiu do Ministério dos Transportes quem mais de uma vez
apontara como um dos seus melhores ministros.