Publicado no Estadão deste domingo
Amanhã, último dia estabelecido pela legislação eleitoral para a
realização de convenções partidárias destinadas a definir candidatos e
deliberar sobre coligações para o pleito de 5 de outubro, estará se
encerrando a mais despudorada temporada de compra e venda de minutos e
segundos da propaganda eleitoral gratuita, que estará no ar a partir de
19 de agosto, jamais registrada neste país. E à afronta à Nação
representada por esse vergonhoso espetáculo soma-se o cinismo de quem
tem a responsabilidade maior de zelar pela seriedade na vida pública: “A
política que aprendi a praticar ao longo da minha vida desde a minha
juventude, que me levou inclusive à prisão, implica em construir
relações que sejam baseadas não em conveniências, mas em convicções”.
Dilma Rousseff permitiu-se esse cínico rompante ao discursar na
convenção nacional do PSD que na quarta-feira selou o apoio à sua
reeleição. Não explicou a quais “convicções” se referia, mas recomendou a
todos que não aceitassem “provocações que buscam baixar o nível do
debate, que buscam acirrar o antagonismo”. E não deixou de se gabar das
“transformações rápidas e profundas” realizadas por seu governo,
garantia, no futuro, de “um ciclo ainda mais rápido e duradouro de
mudanças”.
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